Interprétation des objectifs:
IV.1. a Règles de forme
Para a identificação dos estudos dos últimos três anos sobre valores humanos foi realizada uma busca em portais eletrônicos, bases de dados e periódicos específicos relacionados ao tema como CAPES, Google Acadêmico, Spell, ERA. Foram utilizadas as palavras-chave “tipos motivacionais”, conjugadas com o termo “Schwartz” e “valores humanos” e “valores pessoais”. O procedimento foi repetido com as palavras correspondentes em inglês: “Motivational types”, “Schwartz”, “Human Values” e “Personal Values”. O período investigado ficou entre 2015 e 2017. Foram selecionados apenas os artigos que trataram diretamente com os questionários de Schwartz.
Em 2015, os artigos publicados envolvendo valores humanos focaram em pesquisas quantitativas, com o uso escalas de Schwartz: SVS com 56 itens (Nedelko, 2015), o PVQ-52 (Martinez, Samaniego, & Moretin, 2015) e o PVQ-21 (Álvaro et al., 2015; Torres, Alfinito, Galvão, & Tse, 2015).
O estudo de Nedelko (2015) avaliou como os valores pessoais e as atitudes de gerentes em relação ao ambiente natural e social estão moldando a ética desses mesmos gerentes na administração pública. Os resultados mostraram que os valores de autopromoção estão positivamente relacionados e os de autotranscedência estão negativamente relacionados com as atitudes em relação ao ambiente natural e social e sua ética.
Martinez et al. (2015), por sua vez, examinaram a relação dos valores com os hábitos de consumo de videogames com 110 adolescentes, destacando que há valores individualista e coletivistas. Capacidade, sucesso e reconhecimento social aparecem em 6 de 7 dos jogos examinados e ousadia, ser útil e lealdade aparecem em 5 dos 7 videogames mais utilizados pelos adolescentes (Martinez et al., 2015).
O trabalho de Álvaro et al. (2015) teve como objetivo investigar se a violência policial é mais tolerada quando a vítima é membro de uma minoria social como imigrantes marroquinos e ciganos romenos na Espanha, do que quando a vítima é membro da maioria social como os espanhóis, por exemplo. Agregado a esse objetivo, o estudo avaliou o papel moderador dos valores nas atitudes em relação à tolerância da violência policial. Os resultados apontaram que os valores de conservação e autopromoção fortaleceriam o apoio à violência policial em relação
a um membro da minoria social. Por outro lado, uma maior adesão à abertura para a mudança e auto-transcendência diminuem esse suporte (Álvaro et al., 2015).
Torres et al. (2015), compararam o jeitinho brasileiro e o guanxi chinês que são considerados formas indígenas de influência informal, avaliando valores humanos e atitudes em relação à corrupção. Os brasileiros obtiveram resultados significativamente maiores do que os chineses em autotranscendência e significativamente menores em corrupção empresarial.
Os artigos publicados em 2016 que tratavam sobre os tipos motivacionais de valores humanos aplicaram principalmente a pesquisa quantitativa com a aplicação dos questionários SVS-45 (Rondan-cataluña, Navarro-Garcia e Arenas-Gaitan, 2016), o PVQ-21 (Gonzales- Rodriguez, Fernandez, Spers, & Leite, 2016; Iwai, 2016; Cembalo et al., 2016; Dias, Menezes, Allegretti, & Souza, 2016; Barbero & Marchiano, 2016),
Rondan-Cataluña et al., (2016) estudaram se gerentes de exportação das Pequenas e Médias Empresas (PMEs) exportadoras mais bem-sucedidas apresentavam diferenças em valores na escala de Schwartz em comparação com gerentes de exportação de PMEs com sucesso limitado em exportações. O estudo apontou que houve diferenças significativas em 6 das 10 dimensões da escala: segurança, estimulação, poder, universalismo, benevolência e conquista.
Um estudo de Milfont, Milojev e Sibley (2016) destaca que os valores mudam ao longo do tempo. Os autores investigaram tanto a estabilidade da ordem de classificação quanto as diferenças de nível médio nos valores fundamentais, além da estabilidade e mudança moderada em idade e sexo ao longo de 3 anos. O estudo foi aplicado em uma amostra nacional de 3.962 pessoas, abrangendo as idades de 25 a 75 anos. Porém, nesse estudo, os resultados indicaram que as prioridades do valor foram altamente estáveis, com variação apenas nos valores de conservação entre as mulheres. Os valores de auto-transcendência e conservação, relacionados ao bem-estar dos outros e à preservação das práticas tradicionais foram caracterizados com mais ênfase em idosos e nas mulheres. Auto-aprimoramento e abertura para a mudança relacionados à valorização do status e do poder, além do pensamento e comportamento independentes foram encontrados entre os homens mais jovens (Milfont, et al., 2016).
Gonzales-Rodriguez et al., (2016) avaliaram a relação entre os valores humanos básicos e a percepção sobre a responsabilidade social corporativa, questionando se a percepção do consumidor poderia ser influenciada diretamente pelas estruturas de valores individuais. O resultado apontou que circunstâncias sociais, educacionais e econômicas influenciam os valores
humanos que por sua vez, influenciam o motivo de alunos perceberem a responsabilidade social corporativa de formas diferentes.
Iwai (2016) apresentou um estudo com foco social para avaliar o comportamento cooperativo do indivíduo sob ambientes regulatórios diferentes, avaliando a relação entre a orientação de valor social do indivíduo e a teoria dos valores humanos de Schwartz. Apenas três das dez correlações de valores com a orientação de valor social hipotetizadas foram significantes, dentre elas o Universalismo, o Poder e a Realização. Arruda, Bandeira, Silva e Rebouças desenvolveram também um estudo com foco social colaborativo, avaliando as relações entre os valores pessoais dos consumidores e o consumo colaborativo de bicicletas compartilhadas. Os resultados indicam que valores pessoais dos consumidores de bicicleta compartilhada influenciam de forma pouco significativa o consumo colaborativo. Estimulação e Autodeterminação foram os valores pessoais preponderantes dos usuários de bicicleta compartilhada que são motivados ao uso pela economia de custos e tempo (Arruda et al., 2016). Barbero e Marchiano (2016) avaliaram a relação entre os valores individuais prioritários dos conselheiros de administração e a identidade a stakeholders das respectivas empresas dos entrevistados. O principal resultado destacado foi que as empresas orientadas a stakeholders apresentaram conselheiros com valores menos individualistas, porém apenas Estimulação e Hedonismo foram mais observados nas firmas não participantes do Índice de Sustentabilidade Empresarial.
Os valores humanos também foram objeto de estudo para avaliar a relação com o bem- estar dos animais nas escolhas alimentares (Cembalo et al., 2016), bem como a relação com a atitude dos consumidores frente aos alimentos orgânicos e com a motivação para a expressão do self na internet (Dias et al., 2016). No caso do estudo em relação aos animais, os resultados apontam que os valores humanos relacionados à auto-transição estão fortemente associados às atitudes gerais de bem-estar animal e, especialmente, às relacionadas explicitamente com as escolhas alimentares, enquanto os valores relacionados às esferas de auto-aprimoramento e conservadorismo estão significativamente associados a atitudes menos sensíveis em relação ao bem-estar dos animais. (Cembalo et al., 2016). No estudo relacionado aos alimentos orgânicos e motivação para expressão do self na internet, há forte correlação entre valores de Conservadorismo e motivação para exposição do self, e existe relação entre atitudes de consumo de alimentos orgânicos e o grupo de valores de Autotranscendência. (Dias et al., 2016).
Três artigos foram publicados em 2017 que trabalharam com estudos sobre os valores humanos de Schwartz et al. (2012). Almeida e Carvalho (2017), buscaram analisar os valores humanos priorizados por representantes dos Conselhos Municipais de Assistência Social nos municípios do Estado de Minas Gerais. O objetivo foi estabelecer os perfis axiológicos dos participantes e os valores mais enfatizados pelos participantes do estudo foram Benevolência e Universalismo, seguidos por Autodireção, Tradição e Segurança. O estudo revelou o reconhecimento dos interesses dos grupos sociais e da comunidade, além da necessidade de afirmar ideias próprias e preservar práticas tradicionais e seguras. Ficou caracterizado que a auto-transcendência, fator de segunda ordem do círculo motivacional, foi a característica-chave dos perfis axiológicos identificados. (Almeida & Carvalho, 2017)
Outro estudo de 2017 foi dedicado na análise de comportamento de hackers de computadores e as motivações para depurar programas existentes e escrever novos programas com objetivos destrutivos (Madarie, 2017). A característica relacionada a auto-transcendência e abertura à mudança foi encontrada em toda a amostra, indicando que o desafio intelectual e a curiosidade foram classificados como os motivadores mais importantes para burlar os sistemas de segurança. Entretanto, ficou caracterizado também a aversão aos valores de conservação, indicando que os hackers parecem estar mais motivados pelo que eles não gostam, e não pelo que eles valorizam (Madarie, 2017).
White, McMurray e Rudito (2017) realizaram um estudo com as teorias de valores e TRI, mas com foco no valor percebido do consumidor (CPV). O modelo proposto tratou da relação entre os valores de conservação, autopromoção e abertura à mudança como preditores da prontidão à tecnologia, utilizando os valores percebidos do consumidor relacionados a questões de qualidade, preço, emoção e social como mediadores. Foi utilizado o instrumento reduzido de valores com apenas 10 itens, além dos instrumentos de 36 itens do TRI e de 19 itens do CPV. Os resultados indicaram que os valores percebidos são mediadores da relação entre os valores e o TRI.
Outros quatro artigos trataram sobre valores, abordando tipos motivacionais autodeterminados para explicar comportamento pró-ambiental (Grønhøj & Thøgersen, 2017), valores holísticos para determinar comportamento de consumo sustentável (Sharma & Jha, 2017), valores relacionados ao trabalho para explicar o comportamento organizacional da cidadania (Andrade, Costa, Estivalete, & Lengler, 2017), e a orientação por valores como altruísmo, egoísmo, biosférico, aberto à mudança e tradicionalismo para explicar a motivação de fazendeiros para uma agricultura sustentável. Entretanto nenhum desses artigos estudaram
especificamente a teoria de valores humanos de Schwartz et al. (2012). Com base nos referenciais teóricos descritos sobre TRI, valores humanos e mobile commerce, apresenta-se a seguir, a proposta do modelo conceitual dessa tese que embassa os objetivos estabelecidos.
2.6.Modelo conceitual