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A obra literária de Hélio Serejo compõe-se de sessenta títulos em prosa e verso, com predominância da primeira forma, sendo esta largamente construída sob a égide de prosa- poética. José Ouriques Freitas, poeta de Presidente Prudente, ( apud, REIS, 1988, p. 128), diz:

Versejando (...) Entretanto Hélio Serejo,/ De verve prodigiosa,/ Conta história, diz gracejo,/ Faz poesia na prosa!”. A esta homenagem Hélio responde, com Proseando– “Irmão, foi ‘dom’ que Deus me deu e tenho procurado usá-lo humildemente, através dos tempos em sinfonia de submissão ao Criador. Sou feliz por isso...” (id. p.131)

Graciliano Ramos, escritor que dispensa apresentações, quando foi Prefeito de Palmeira dos Índios, certamente colheu farto material com o qual, mais tarde, compôs a obra: Viventes das Alagoas (1962). Chamou-me atenção, ao final deste livro, a inclusão de uma prestação das contas municipais, sobre o exercício administrativo daquele ano. A novidade é que esses relatórios contrariavam as praxes formais para apresentação de documentos oficiais: o Senhor Prefeito opta em fazê-los de forma mais pessoal. Desta forma “as contas” ganham uma certa leveza e conseguem despertar a curiosidade pela informação e o prazer pelo exercício da leitura ao operar a transposição da árdua tarefa de verificação de dados contábeis para a prazerosa fruição de um texto “quase” poético. Manuel de Barros, por sua vez, ensina, na obra-título desse ensinamento: [tudo é] Matéria de poesia: a poesia está em todas as coisas e em todos os lugares, no entanto, para encontrá- la é necessário um olhar movido a sensibilidade e um apurado tratamento nas construções verbais. Com Hélio Serejo não é muito diferente.

Pontes e pontilhões literários, na sábia palavra da Professora Nelly Barbosa Macedo, e também mata-burros, pinguelas e congêneres na minha, (referentes, estes últimos, que talvez não fossem tomados como ofensivos, mas recebidos festivamente, pela natural simplicidade do Autor, que tão bem lhes conhece a primitiva finalidade), são algumas expressões que podem ser tomadas como efetivas para que o ideal de ligação perseguido por Hélio Serejo fosse concretizado.

A crônica, o conto e o romance são modalidades do gênero narrativo empregadas para registrar o folclore, a cultura e a história socioeconômica da nossa região. A poesia crioula recende à essência nativa e à herança cultural gaúcha, cujos versos ternos, doridos

ou hilariantes possuem a cadência matuta do homem rural. Segundo Taborda (apud, REIS, 1980, p. 115)

Hélio Serejo é um varador de sertão e de almas: conhece bem as veredas e canhadas que vão dar no largo e correntoso rio do folclore nacional; conhece também o nosso fronteiriço com suas bravatas e manhas; conhece as Campinas e coxilhas, matas e brejos. Por isso de tudo nos dá conta em seus cálidos contos e estórias, que nos emocionam e encantam – por vezes são poemas do mais elevado lirismo, que ele também é poeta. A Primeira tentativa de classificação da obra de Hélio Serejo foi feita por Teno (2003, p. 33-35) e apresenta a seguinte divisão:

Obras somente do escritor (1º grupo), num total de 46 livros; obras que contêm produções do escritor e textos produzidos por outros autores (2º grupo) perfazendo o total de 09 livros; obras que reúnem só documentos, cartas, decretos, recebidos pelo autor (3º grupo) composto por 05 livros.

Para este estudo, li 50% do total da obra, privilegiando aquelas pertencentes ao 1º grupo (28), e apenas uma de cada um dos outros grupos (02). A ênfase dada justifica-se por adequar-se à consecução do objetivo, porque interessam, sobremaneira, as imagens verbais e a linguagem (re)criada a partir da visão do Autor e o discurso laudatório pela linguagem persuasiva.

O aparecimento de Hélio Serejo na imprensa é fato que não o torna presunçoso e nem tornou-o celebridade instantânea. Suas aparições não possuem a aura e o glamour do protagonista, nem o marcante repúdio ao antagonista. São coadjuvantes, cujos papéis ajudam a compor, de forma modelar, a autêntica cena com que (re)(a)presenta suas gentes e seus valores. Talvez, por ter-se habituado, desde cedo e com freqüência regular, é que esses acontecimentos não povoam sua alma de orgulho e vaidade. Não é somente por este motivo. Também porque é de sua índole e de sua têmpera não se vangloriar daquilo que, se porventura são méritos, não o são gratuitamente, ou seja, tem consciência do ônus que isto representa para si. Não se enaltece, não se envaidece, não cai no ridículo.

Como jornalista, colaborou com diversos jornais. Na imprensa sul mato-grossense, escreveu para jornais de Ponta Porã, Campo Grande, Dourados e Corumbá; teve seus

artigos publicados também por um jornal de Cuiabá – MT; jornais paulistas, paulistanos e carioca, também abriram espaço para o jornalista Hélio Serejo; colaborou com periódicos de Lisboa e Montevidéu. Teve a satisfação de ver a montagem e apresentação do seu conto Lua do Brejo, pela TV Record de São Paulo; colaborou com a Rádio Presidente Venceslau, Rádio Tupi de São Paulo, e em rádios de toda a região da Alta Sorocabana, na década de 50 a 60 do século XX, (REIS, 1980, p. 92-3). Participou de muitos programas de rádio como co-apresentador e como autor de poemas sertanejos que eram declamados, pelos radialistas, durante as apresentações. Em todos esses veículos de comunicação de massa, atuou, de certa forma, como um grande propagandista do seu Estado, divulgando as coisas de terra, a alma das gentes, sobretudo as possibilidades turísticas graças às belezas naturais da região.

Atualmente, Hélio Serejo foi redescoberto. As Universidades Públicas de Mato Grosso do Sul, tanto a Federal (UFMS) como a Estadual (UEMS), têm incorporado em seus projetos de pesquisas a vasta obra serejeana. Foi de grande valia a leitura de duas dissertações de Mestrado, cujos corpora são formados por obras de Hélio Serejo, ambas produzidas pela UFMS. A primeira, na área de Lingüística, orientação pela Dra. Aparecida Negri Isquerdo, e a segunda, na área de Literatura, orientada pela Dra. Rosana Cristina Zanelato Santos já referidas na Introdução. Hoje não há mais como se falar de literatura sul-mato-grossense sem referir-se à escritura de Serejo.

Em homenagem ao seu nonagésimo aniversário, no ano de 2002, o Professor Lins teve a feliz lembrança de contatar amigos de Hélio, para, juntos, registrarem esse momento. Esta iniciativa resultou na publicação de um livro, organizado pelo idealizador da homenagem, em cujo título se resume boa parte da sua existência: O Sol dos Ervais: Exaltação à obra literária de Hélio Serejo. È bem provável que a escolha do título pelo organizador da coletânea tenha se estribado na lição grega para louvar o homenageado. Talvez, por entender que o fato de Hélio Serejo pertencer à Academia a prerrogativa da imortalidade já estava cunhada em seu prenome irradiando brilho e luz próprios.42

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O paraibano José Pereira Lins (1921), professor aposentado, em intensa atividade intelectual em biblioteca particular, com significativa quantidade de milhares de livros, revistas, periódicos artigos recentes, publicações da internet, etc., estudioso e colecionador da obra, conhecedor do homem Hélio Serejo, em novembro de 2005 concedeu-me, gentilmente, uma entrevista que resultou na aquisição de novas informações sobre o meu objeto de pesquisa, bem como me foi possível fazer as inferências acima no corpo do texto. O

CAPÍTULO III

DESCRIÇÃO E ANÁLISE DOS RECURSOS RETÓRICO-ARGUMENTATIVOS

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