A partir da década de quarenta do século XX, houve um incremento na criação das universidades; porém a Bahia se manteve com uma única universidade federal, a Universidade Federal da Bahia – UFBA. Conforme assinalado, em 1943, foi implantada, em Cruz das Almas, a Escola de Agricultura e Medicina Veterinária da Bahia, que, em 1946, ganhou um novo regulamento, passando a se chamar Escola Agronômica da Bahia. No ano de 1967, a Escola passou a integrar a UFBA, tornando-se conhecida como Escola de Agronomia – AGRUFBA. Tal mudança renovou a instituição, que, em 1970, passou a contar com novo regimento e estrutura de cursos, fortalecendo seu papel na formação profissional e desenvolvimento científico para a agropecuária no Estado (UFRB, 2010).
A oferta do ensino superior na Bahia sempre esteve aquém das necessidades da região. Seu contexto político, nas décadas de 1980 e 1990, sob a égide do ideário neoliberal, ocasionava uma diminuição nos investimentos no ensino público superior, fortalecendo as atividades no setor privado. Esse quadro passa a ser alterado a partir de 2003, com o Governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no qual o Ministério da Educação anunciou o Plano de Expansão e Interiorização do Ensino Público Superior. Nesse momento, deu-se início à construção de um novo plano de universidade para a Escola de Agronomia, que permitiria à instituição desempenhar um novo papel para a comunidade do Recôncavo, contemplando as mais diversas áreas do conhecimento e ofertando a população da região uma verdadeira inserção no universo do conhecimento e do mercado profissional (UFRB, 2010).
Esse projeto de universidade foi encampado por um grupo de pessoas liderado pelo Reitor da UFBA, Professor Naomar Almeida Filho, e pelo então diretor da AGRUFBA, professor Paulo Gabriel Nacif, e contou com a mobilização de setores importantes da população local. Assim, em 2005, a Escola de Agronomia, tendo sido desmembrada da UFBA, transforma-se no primeiro campus da UFRB, evento que representa um marco histórico para o ensino superior da Bahia.
Segundo Brito (2015), desde o seu surgimento, a UFRB assumiu importantes compromissos sociais, como a expansão do acesso ao nível superior e da garantia de permanência para estudantes negros, indígenas, egressos da rede pública e provenientes do interior do estado; daí a instituição ter optado pela estrutura multicampi. Nesse sentido, Brito reconhece que a criação da UFRB representa um avanço para o ensino superior baiano e, a despeito das dificuldades vivenciadas, mostra que essa instituição tem enfrentado, com êxito,
questões caras – e algumas ainda polêmicas – que dizem respeito à democratização da universidade, como, por exemplo, a inclusão de setores sociais historicamente excluídos do ensino superior e a implantação da interdisciplinaridade como base teórica e filosófica do ensino através do regimes de ciclos implementados pelos bacharelados interdisciplinares.
Muitos desafios permearam a implementação da instituição como a multicampia, o que se deu pelo estabelecimento de centros organizados em grandes áreas de conhecimento, localizados nas seguintes cidades do Recôncavo: Cruz das Almas, onde encontram-se, além da sede administrativa da UFRB, o Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas (CCAAB) e o Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas (CETEC); Santo Antônio de Jesus, em que se localiza o Centro de Ciências da Saúde (CCS); Amargosa, que compreende o Centro de Formação de Professores (CFP) e Cachoeira, que abriga o Centro de Artes, Humanidades e Letras (CAHL).
Mais recentemente, no ano de 2013, foram inaugurados o Centro de Cultura, Linguagens e Tecnologia (CECULT) e o Centro de Ciência e Tecnologia em Energia e Sustentabilidade (CETENS), situados, respectivamente, em Santo Amaro e em Feira de Santana. A abertura desses campi representou a continuidade do processo de expansão da UFRB, sancionado pela Presidenta Dilma Roussef, em 2011, tendo coincidido com o período em que se intensificaram as reivindicações para implantação de um campus na cidade de Santo Amaro.
O processo de ampliação da UFRB deve-se à sua adesão ao Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais – REUNI, que trouxe novas possibilidades para o crescimento e consolidação da instituição, ao assegurar os recursos necessários para investimento em estrutura física, contratação de servidores, criação de novos cursos, permitindo, ainda, o aumento das políticas de acesso e permanência e fortalecendo o projeto de uma instituição socialmente referenciada.
Programas como o REUNI, foram, portanto, fundamentais para a expansão multicampi da UFRB, no Recôncavo Baiano. Tal crescimento suscitou também uma série de reflexões sobre a arquitetura curricular, que, posteriormente, resultou na implantação dos bacharelados interdisciplinares da instituição, modalidade que se baseia na convivência entre a possibilidade de inovação e a persistência de traços culturais pertencentes ao modelo tradicional. Nesse sentido, destacam-se alguns centros, como o CCS, o CECULT, o CETENS e o CETEC, nos quais a implementação dos bacharelados interdisciplinares se articula ao que
preconizava o REUNI, introduzindo o regime de ciclos na instituição (UFRB, 2010; BRITO, 2015).
É interessante observar que as metas estabelecidas pelo REUNI, em muito, dialogam com as exigências de órgãos internacionais multilaterais como a OCDE e a ONU. O Banco Mundial apresenta-se favorável a uma formação terciária (pós-ensino médio) destinada ao desenvolvimento dos países periféricos, defendendo a reestruturação do ensino superior desses países nos moldes de uma educação continuada que busque a redução da pobreza através da construção da sociedade do conhecimento. Também a ONU defende um projeto de educação voltado para reduzir a pobreza, objetivo assumido, assim, pelo REUNI, que contribuiu para o desenvolvimento da estratégia global desses organismos internacionais, no sentido de construir políticas sociais para combater a pobreza a partir do sistema educacional (BARRETO, 2013).
A UFRB traz, em sua essência, a proposição de saberes, formação, pesquisa e extensão diretamente relacionada à transformação social, à inclusão e igualdade social, demonstrada através de seu pioneirismo na construção de uma Pró-Reitoria de Políticas Afirmativas e Assuntos Estudantis – PROPAAE e na adoção total das ações afirmativas. Com isso, considerando a pluralidade social e a necessidade de promoção da equidade, a partir do acesso de vários grupos sociais às políticas públicas, a instituição tem assegurado a democratização do acesso de estudantes de origem popular à universidade.
Administrativamente, a instituição estrutura-se a partir dos seguintes setores – órgãos da administração superior: Reitoria; Conselho Universitário (CONSUNI), Conselho Acadêmico (CONAC) e Conselho Curador (CONCUR), os três últimos também funcionam como órgãos deliberativos (no âmbito dos Centros, o Conselho Diretor cumpre esta função) e órgãos da administração setorial: Conselhos de Centro; Centros e Colegiados de Cursos e os Órgãos Complementares.
Compõem, ainda, a administração superior da universidade sete pró-reitorias: Pró- Reitoria de Graduação (PROGRAD); Pró-Reitoria de Extensão (PROEXT); Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação, Criação e Inovação (PPGCI); Pró-Reitoria de Planejamento (PROPLAN); Pró-Reitoria de Gestão de Pessoal (PROGEP); Pró-Reitoria de Administração (PROAD) e Pró-Reitoria de Políticas Afirmativas e Assuntos Estudantis (PROPAAE). A instituição possui também quatro superintendências: Superintendência de Educação Aberta e
à Distância (SEAD), Superintendência de Registros Acadêmicos (SURRAC),
Internacionais (SUPAI). Atualmente, a UFRB conta com quarenta e quatro (44) cursos de graduação, doze (12) programas de Pós-Graduação, sendo 07 cursos de mestrado acadêmico, 04 de mestrado profissional e 02 cursos de doutorado. Dos programas de pós-graduação apenas o de Ciência Agrárias apresenta conceito 5 pela avaliação da CAPES13. A universidade possui, atualmente, o quantitativo de 12.379 estudantes e um quadro de funcionários que conta com 1.502 servidores efetivos, sendo 713 técnicos e 789 docentes.
O compromisso da instituição é ofertar ensino superior de qualidade, exercendo sua responsabilidade social de democratizar a educação e repartir socialmente seus benefícios, de forma a contribuir para o desenvolvimento sustentável, cultural, artístico, científico e socioeconômico do país. Somam-se a esses propósitos o seu papel de instituição promotora da paz e da preservação do meio ambiente em seus sete centros de ensino, dispostos no Território de Identidade do Recôncavo e no Território de Identidade do Vale do Jequiriçá (UFRB, 2014).
Compreender o contexto e o espaço nos quais a instituição está inserida é importante para uma melhor análise da construção de suas missões e para o estabelecimento de diálogos possíveis com o processo de internacionalização vivenciado na universidade. A priori, vale destacar que o processo histórico da UFRB e seu desmembramento da UFBA contribuíram, em uma certa medida, para o desenvolvimento do processo de internacionalização na instituição e, consequentemente, para os avanços observados no CCAAB, em especial pela consolidação dos cursos da área de ciências agrárias, quer seja na graduação, quer seja na pós- graduação. Com a ampliação e fortalecimento de outras áreas na instituição, a internacionalização tem dado sinais de consolidação também em outros centros, mas o legado histórico da Escola de Agronomia ainda representa um fator de destaque na construção das ações de internacionalização da universidade.
13 Os cursos de pós-graduação são avaliados com conceitos que variam de 3 a 7, obtidos a partir da mensuração
da produção científica do corpo docente e discente, da avaliação da estrutura curricular do curso, da infraestrutura de pesquisa da instituição, entre outros fatores. Nos parâmetros da CAPES, a nota 5 é atribuída a cursos de excelência, em nível nacional, e as notas 6 e 7 correspondem a cursos de qualidade internacional. A nota mínima 3 é atribuída a cursos novos no momento de sua implantação, em instituições ainda sem muita tradição em pós-graduação.