"Veja em cada dificuldade um desafio, um degrau, e jamais conhecerá a derrota." (Eileen Caddy)
Batista (2011, p. 438) afirma que “o processo de estágio deve ser “especializado na flexibilidade”, permitindo que o estudante estagiário adquira capacidade de mobilizar e produzir os seus próprios recursos através da reflexão, da tomada de decisão, da resolução de problemas, da negociação, da colaboração, da criatividade e da inovação, entre outros aspetos”.
Na verdade, o maior desafio que enfrentei teve o nome de “Estágio
Profissional”. Algo no qual ingressei sem ter plena certeza de que pretendia
fazê-lo. Sentia-me uma atriz a entrar em palco sem ter a certeza que queria participar naquela peça. Dei um passo em frente quase por sentimento de obrigação, por ter chegado até ali. O que se perspetivava era algo difícil e complexo, uma vez que não tinha a certeza que queria seguir em frente. No entanto, para além de um desafio, foi também a experiência mais fantástica que tive. Apercebi-me que os receios tidos até então, todas as dúvidas e questões colocadas tinham encontrado resposta. A resposta era sim! Era ali que queria estar, era isto que queria ser. Ser Professora, era o que projetava para o meu futuro. E foram também os meus alunos que me mostraram a faceta de professora que existia, em mim, escondida e encoberta pelos receios que transportava para o espaço do EP.
O primeiro desafio com o qual me deparei, no contexto da prática pedagógica, foi, sem dúvida, a aplicação do Modelo de Educação
Desportiva em todas as modalidades que iriam ser objeto de lecionação.
As preocupações e os constrangimentos iniciaram-se de imediato, após esta tomada de decisão. Esta decisão acarretava um grande risco, principalmente em termos de motivação. É certo que o Modelo tende a aumentar a motivação dos alunos para a prática, no entanto a sua aplicação em todas as modalidades, ao longo de todo o ano, poderia ter o efeito contrário, pelo simples facto de não parecer trazer “nada de novo”. Assim, a estratégia passou por efetuar adaptações distintas do MED às diversas modalidades, pelo que a
sua utilização foi mais centrada nos aspetos organizativos e menos nos instrucionais.
Também o Professor Cooperante foi um autêntico desafiador, pelo que os desafios apareciam quotidianamente. Qualquer questão suscitava um
desafio. E desvendá-los era a minha missão. A título de exemplo evoco a
operacionalização do primeiro momento avaliativo para a modalidade de Ginástica Acrobática, a qual suscitou diversas questões e para a qual o Professor Cooperante não deu uma resposta certa, mas sim várias respostas possíveis. Assim, tive de solucionar o desafio, encontrando a melhor resposta para a minha realidade.
Os próprios alunos, por diversas vezes, tornaram-se autênticos desafios. As suas reações, os seus comportamentos, as suas potencialidades e/ou dificuldades constituíram-se como desafios, para os
quais tentei encontrar a melhor resposta. Alguns desses desafios estão espelhados nos seguintes excertos do Diário de Bordo:
“É de realçar que durante toda a aula notei um certo desconforto e até alguma revolta por parte deste aluno. Sempre foi um aluno muito retraído e nesta aula parecia sentir necessidade de libertar uma rebeldia que nunca antes tinha demonstrado. Nesse momento encarei a sua reação como um desafio, assim como o encaro a ele como tal!” (Diário de Bordo, 4 de Outubro de 2011)
“(…) marcada por um jogo pouco saudável, ou seja, as equipas mostraram um baixo nível de fair-play e tentaram, ao longo de todo o jogo, refutar as decisões do árbitro. Daí ter terminado o jogo um pouco mais cedo, não permitindo a continuidade destes comportamentos. É certo que “no calor do momento”, o jogo é propício a estes comportamentos, devido à competição. Porém, nas minhas aulas não são permitidos! Fiquei mesmo dececionada porque é um comportamento que não esperava dos meus alunos. Decidi então, como forma de tentar solucionar tudo isto pelo melhor caminho, que a pontuação do Fair-play contará para a pontuação final do Torneio. Assim, caso não se verifique qualquer problema de falta deste parâmetro, a Equipa com mais vitórias nos jogos continuará a vencer, mesmo com a junção de ambas as pontuações. E melhor ainda, o Jogo é realizado num ambiente saudável, sendo esse um ponto fulcral!” (Diário de Bordo,
Os desafios não foram apenas colocados à minha pessoa. Eu também coloquei alguns, nomeadamente aos meus alunos. A identificação constante
das equipas, ao longo das aulas, foi um dos desafios que lhes coloquei e para
o qual eles demoraram algum tempo a darem resposta, levando a um sentimento menos positivo, como exposto no excerto que se segue:
“Relativamente ao desafio que lhes coloquei, senti-me um pouco triste porque não foram capazes de o cumprir, mesmo tendo uma semana para o fazer. A estratégia a adotar para a próxima aula passa pelo investimento na criação de uma t-shirt típica de MED, a qual vou vestir para tentar entusiasmá-los, levando-os a investir a meu lado.” (Diário de Bordo, 4 de novembro de 2011)
No final do ano letivo, os alunos sentiram que estava na altura de ser eu a ser desafiada. Participar, com eles, no Sarau da Escola foi, sem dúvida, um autêntico desafio. Mas, no fundo, foi também uma ótima forma de terminar um (ou dois) ciclo(s) de formação. Por um lado, terminei esta viagem que marca o culminar da minha formação académica, rumo ao mundo da empregabilidade. Por outro, também eles terminam um ciclo de formação, rumo ao ensino superior.