Em Portugal existem cerca de dois milhões de hipertensos mas apenas metade tem conhecimento de que sofre de pressão arterial elevada, só um quarto está medicado e apenas 16% estão controlados [35].
Para uma correta medição dos valores de tensão arterial aconselha-se a que o doente permaneça sentado, num ambiente calmo, homeotérmico, sem poluição sonora ou luminosa e sem ingestão ou inalação de produtos excitantes do sistema nervoso central no período de 15-30 minutos antecedentes à medição. A tabela 6 indica em qual das
categorias de tensão arterial o doente se encontra, de acordo com os valores obtidos. Saliente-se que em caso de categorias díspares entre os valores da sistólica e da diastólica, é considerada para efeitos de classificação a categoria mais elevada.
Tabela 6 – Classificação das categorias de tensão arterial
Nem só os fármacos resolvem o problema da hipertensão. É convencional que a primeira fase de tratamento passe por mudanças no estilo de vida da pessoa afetada. Assim, recomenda-se uma redução de peso em indivíduos obesos ou com excesso de peso ponderal, a adoção de uma dieta rica em frutos, vegetais e com baixo teor de gorduras saturadas, a redução da ingestão de sal, atividade física constante, consumo moderado de álcool e cessação tabágica [36].
Categoria Sistólica Diastólica Baixa < 120 e < 80
Normal 120-129 e/ou 80-84
Normal elevada 130-139 e/ou 85-89
Hipertensão grau 1 140-159 e/ou 90-99
Hipertensão grau 2 160-179 e/ou 100-109
Hipertensão grau 3 ≥ 180 e/ou ≥110
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48% 52% Foi-lhe diagnosticada hipertensão arterial? Sim Não 0 1 2 3 4 5 6 7 8 [20-30] [30-40] [40-50] [50-60] [60-70] [70-80] [80-90]
Distribuição da faixa etária
7. Rastreio
Durante o meu período de estágio, tive a oportunidade de realizar várias medições de tensão arterial, tendo aí encontrado uma boa ocasião para avaliar o enquadramento da realidade portuguesa na população de utentes da Farmácia Central de Valongo. Assim, a cada medição efetuada seguia-se um pequeno inquérito por forma a determinar a idade e historial clínico relacionado com hipertensão (anexo II).
7.1. Resultados
Foram avaliados 23 inquiridos, dos quais 19 pertenciam ao género feminino e 4 ao masculino, sendo a principal faixa etária avaliada a dos 70 aos 80 anos. Do total dos inquiridos, 48% disseram ter sido diagnosticados com hipertensão arterial, admitindo que tinham tomado a medicação habitual conforme a posologia indicada pelo médico, pelo que não foram incluídos nesta análise. Os gráficos das figuras 3 e 4 ilustram a distribuição das faixas etárias inquiridas, assim como a percentagem de inquiridos com hipertensão arterial.
Conforme o referido anteriormente, em caso de categorias díspares entre os valores da sistólica e da diastólica, é considerada para efeitos de classificação a categoria mais elevada. Tendo em conta esta premissa verificaram-se 12 potenciais novos casos potencial hipertensão arterial, sendo que 9 deles foram diagnosticados com base nesta classificação e, 6 deles constituíam novos casos.
Verificou-se ainda que 45% dos valores de tensão arterial enquadrados no contexto da hipertensão ocorreram em pessoas que já tinham tomado medicação para o mesmo efeito.
Figura 3 - Gráfico relativo à distribuição de faixas etárias Figura 4 - Gráfico relativo ao diagnóstico de hipertensão arterial
7.2. Conclusões
Este estudo/análise possui falhas a nível estrutural no que se refere ao número de pessoas avaliadas e na quantidade de avaliações efetuadas. Contudo, permite retirar algumas conclusões sobre a população de utentes da Farmácia Central de Valongo, nomeadamente que, de uma forma geral, as mulheres tendem a controlar melhor a sua tensão arterial do que os homens e que a maioria dos potenciais casos identificados correspondiam a utentes já com idade superior a 60 anos.
Existem vários motivos que se podem evocar por forma a justificar os resultados obtidos. A ineficácia da terapêutica devido a dosagens ou a princípios inadequados, erros na toma, posologia errada, inconsistência com espaço entre as tomas, ou até mesmo a cedência de falsas informações relativas à toma da medicação previamente à medição da tensão arterial podem ser apontadas como possíveis motivos para a discrepância dos dados.
Seria interessante a comparação entre estes dados e outros estudos semelhantes na região para entender um pouco mais estes resultados obtidos. Na espectativa de conseguir esta confrontação entre dados contactei por duas vezes o Centro de Saúde de Valongo sobre a existência de algum estudo semelhante, ou mesmo se os meus dados lhes poderiam ser úteis para fins de monotorização. Infelizmente não obtive resposta ao meu pedido restando-me apenas fazer uma comparação geral a nível nacional.
O estudo mais recente efetuado pela Sociedade Portuguesa de Cardiologia conduzido em 2013 revela que a hipertensão arterial atinge cerca de 42,1% dos portugueses sendo que destes, 42,6% estavam sob uma terapêutica eficaz. Este estudo revelou ainda que a prevalência de hipertensão arterial não é igual em todo o território português, sendo mais baixa na região Norte, atingindo apenas 39,1% da população [36].
Desta forma, observa-se que as percentagens por mim obtidas vão de encontro aos valores recolhidos pela Sociedade Portuguesa de Cardiologia.
1.
Cartazes “Cuidado do Mês”
Devido ao decréscimo do número de clientes sentido na Farmácia Central foram criados uma série de cartazes com o título “Cuidado do Mês”, sendo que cada um deles abordava um tema diferente de acordo com o mês em questão. Assim, foi desenvolvido um cartaz com o tema “Prepare-se para o Verão” para o mês de julho (anexo III) conjuntamente com um panfleto (anexo IV), um cartaz relativo ao mês de agosto com o tema “Proteja-se do calor” (anexo V) e um cartaz para o mês de setembro com o tema “Que Espirros são Estes?” (anexo VI).
Desta forma, tentei adaptar as iniciativas por mim tomadas ao movimento dos clientes, com base na análise do mês de julho. Após esta divulgação, verifiquei que era mais fácil prender a atenção dos clientes com cartazes quando estes iam a passar, do que a divulgação interna por meio de panfletos. Os dois primeiros cartazes elaborados resultaram então de questões frequentes colocadas pelos utentes, maioritariamente vocacionadas para os benefícios do protetor solar e, cuidados de pele acrescidos.
2. Pele
A pele é o órgão mais extenso do corpo humano, ocupando cerca de 15% do peso total de um adulto e compõe o sistema tegumentário. Tem como funções a proteção em relação a agentes infeciosos e a regulação da temperatura corporal, permitindo ainda a perceção de estímulos externos. A pele é composta por três camadas diferentes, cada uma delas com diferentes níveis de espessura. Assim sendo, a epiderme possui 50-100 μm, a
derme 1-2 mm e a hipoderme pode ter espessura igual à derme, apesar da sua espessura variar consoante o local do corpo [37].
Não só a espessura difere nestas três camadas, mas também a sua constituição. A camada mais externa, a epiderme, é constituída por um grupo de células designadas por queratinócitos cuja função é a de sintetizar uma proteína denominada por queratina que tem o papel protetor, e por melanócitos responsáveis pela síntese de melanina que
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pigmenta a pele. Já a camada central, a derme, é constituída por colagénio e assenta na hipoderme formada por adipócitos.
Na junção entre a derme e a epiderme encontra-se uma zona porosa que permite a troca de fluídos entre as células e que mantém as duas camadas anexadas. É nesta junção que se encontram as glândula sudoríparas responsáveis pela secreção de uma solução denominada por suor, principal substância responsável pela termorregulação cutânea. Estas glândulas classificam-se de acordo com três classes distintas, as glândulas écrinas, as apócrinas e as apoécrinas, com características morfológicas diferentes. A principal distinção prende-se com o facto de tanto as glândulas écrinas como as apoécrinas terem o terminal do seu ducto a convergir diretamente para a superfície da pele, em contraste com as apoécrinas que têm o seu terminal a convergir com os folículos pilossebáceos [40]. A figura 3 pretende resumir os diferentes estratos cutâneos, bem como os órgãos anexos da pele.
2.1. A pele e os raios UV
Entende-se por raios ultravioleta (UV) a radiação eletromagnética cujo comprimento de onde é inferior ao da luz visível e que são emitidos pelo sol. Existem principalmente três tipos de raios UV com diferentes capacidades de dano, nomeadamente os UVA, UVB e UVC. Os UVA danificam as células e o DNA levando ao aparecimento de rugas ou de cancro da pele e fazem parte dos raios emitidos pelas máquinas de solário para sessões de bronzeamento. Os UVB também danificam as células e o DNA, sendo a causa das queimaduras solares, assim como a causa da maioria dos melanomas. Por último, os UVC não conseguem penetrar na camada atmosférica.
Não só o cancro é um resultado da quantidade e frequência de UV a que cada indivíduo está exposto, como também o são as queimaduras solares e o bronzeado de curta duração. É ainda possível observar um aumento da probabilidade de desenvolvimento de cataratas e problemas oculares e, alterações na morfologia da pele, como o envelhecimento precoce, rugas, perda de elasticidade e manchas hiperpigmentadas [41].
A proteção para este tipo de situações passa por evitar a exposição ao sol, o uso de roupas que cubram totalmente os braços e as pernas, de um chapéu, óculos de sol e de um protetor solar vocacionado para a proteção tanto de UVA como de UVB [42].
2.2. Desidratação
A desidratação dá-se quando existe um défice entre a quantidade de fluídos que o organismo necessita e a quantidade que realmente possui disponível. Uma situação de desidratação pode ser provocada por transpiração excessiva durante tempo quente ou durante uma sessão de exercício físico, febre, vómitos, diarreia ou micção excessiva. Contudo, existem alguns sinais fisiológicos que nos alertam para este problema, como é o caso da urina com uma coloração mais escura, pele seca e fria, dores de cabeça ou caibras. Em casos mais extremos podem ocorrer cenários de irritabilidade ou confusão, tonturas, batimento cardíaco acelerado, delírio ou desfalecimento. Em caso de falta de tratamento é possível que um quadro de desidratação culmine em convulsões, dano cerebral permanente e inclusive morte [43].
Existem vários cuidados que se podem ter por forma a evitar a desidratação quer corporal quer cutânea. Além da ingestão diária de uma quantidade adequada de água, que é o cuidado mais importante que se possa ter, destaca-se a aplicação de um hidratante logo após o fim do banho, uma vez que nessa altura os poros ainda se encontram dilatados e conseguirão ter uma maior capacidade de absorção. Se possível, recomenda-se que este seja aplicado posteriormente ao uso de um primeiro produto contendo ácido hialurónico, uma vez que este ácido confere um aumento da capacidade de absorção de água por parte da pele [44].
2.3. Alimentação
Outro hábito com impacto direto na saúde da pele é a alimentação. Embora o ideal seja uma alimentação equilibrada que inclua sempre todas as categorias da pirâmide dos alimentos, existem alguns nutrientes que desempenham funções mais vocacionadas para o metabolismo cutâneo. É o caso da vitamina A necessária ao correto funcionamento celular e que se apresenta frequentemente em produtos com baixa percentagem em gordura, como o caso das cenouras.
Outra classe privilegiada são os frutos vermelhos, tais como framboesas ou groselhas, uma vez que apresentam elevada concentração em antioxidantes e inibem as ações nefastas das espécies reativas ao oxigénio, evitando assim o envelhecimento celular precoce.
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Por último, é importante referir que os óleos gordos essenciais, como o ómega-3, desempenham um papel fundamental para a manutenção da integridade da barreira celular [45].