5.3 Perspectives
6.1.5 Évolution du réseau d’AS
O primeiro objectivo deste estudo foi traduzir, operacionalizar e introduzir o programa PATH numa escola pública portuguesa. Procuramos apurar quais as possibilidades de aplicar o programa PATH e perceber quais as modificações e adaptações ao programa necessárias para a sua implementação. O principal obstáculo que encontramos na implementação do programa foi a impossibilidade de alterar o currículo da disciplina de Educação Física. Em primeiro lugar, seria inviável alterar o programa de uma disciplina somente para um dos períodos lectivos. Por outro lado, actualmente, o principal ênfase na avaliação dos alunos nessa disciplina é dada à capacidade dos alunos em realizarem habilidades desportivas e não ao desenvolvimento das suas habilidades motoras. O mesmo sucede com os conteúdos do programa teórico que em grande parte é destinado à aprendizagem de conteúdos sobre as várias modalidades desportivas. Como tal, realizamos um manual do estudante e procedemos a algumas alterações e adaptações na estrutura das aulas. Proporcionamos ainda aos alunos uma aula extra de ginástica aeróbica aos alunos do grupo experimental. Foi-nos possível percepcionar uma grande motivação dos alunos na realização das actividades direccionadas para o desenvolvimento da aptidão física, em especial por parte das raparigas. Apesar dos resultados obtidos não terem sido influenciados negativamente por falta de empenho ou motivação dos alunos, em futuros estudos seria importante poder
avaliá-los pelos resultados obtidos nas avaliações fisiológicas, funcionais e do conhecimento CV, bem como pelo seu empenho ao longo destas aulas.
Um dos obstáculos para implementação deste estudo foi as avaliações dos alunos, mais concretamente o tempo e os recursos necessários para as realizar. Para não reduzir o número total de aulas de Educação Física e a respectiva intervenção, realizamos os vários testes em horas extracurriculares. Procuramos utilizar os mesmos instrumentos de avaliação utilizados no protocolo do programa PATH para facilitar uma posterior comparação com resultados de estudos com o mesmo programa. Verificámos que não era possível aplicar os questionários dos hábitos tabágicos, da actividade física, do stress e hábitos alimentares por estes não estarem adaptados à nossa realidade e pelo reduzido tempo para aplicarmos todos os testes. Percebemos que a simples tradução destes questionários não seria suficiente porque algumas das questões ganhavam significados diferentes do original quando traduzidos para português. Por outro lado, não seria expectável que uma intervenção teórica de onze semanas, que correspondeu a cerca de 3 horas (10 minutos X 22 aulas), além de aumentar os conhecimentos de saúde dos alunos, pudesse ainda modificar radicalmente o comportamento dos alunos de forma a obtermos resultados significativos em todas as variáveis. No entanto, consideramos que em intervenções mais prolongadas seria importante que estas variáveis fossem avaliadas através de instrumentos devidamente validados.
Tal como é sugerido por Sluijs, McMinn e Griffin, (2007), procuramos envolver os familiares na intervenção para a tornar mais eficiente. Os encarregados de educação foram convidados a participar numa reunião inicial para apresentação do programa. Nessa reunião os pais compareceram em grande número (apenas faltaram três desses encarregados de educação e de forma justificada) e assinaram a autorização (Anexo C) para que os seus educandos participassem no estudo. Foram ainda convidados a realizarem as mesmas avaliações fisiológicas que os alunos para assim se envolverem de forma mais efectiva no programa mas apenas dois compareceram no centro de saúde na data marcada. Em futuros estudos, e com maior duração, seria interessante procurar outras formas de interacção com os familiares dos alunos. Reuniões com sessões educativas sobre os conteúdos teóricos abordados nas aulas poderiam ser um bom contributo para uma maior efectividade do programa.
Um dos pontos importantes desta intervenção foi o facto de termos conseguido aumentar o tempo de actividade física do grupo de intervenção dentro da escola. Ao contrário do verificado no estudo realizado por Wang (2004) em quatro escolas do ensino
público português, fomos bem sucedidos na oferta desta aula extra. Todos os alunos do grupo de intervenção participaram assiduamente nas aulas de ginástica aeróbica incluídas nos treinos do Desporto Escolar. No estudo de Killen et al. (1988) os autores procuraram medir a influência do programa no tempo diário dispendido por adolescentes na realização de actividade física. Os resultados indicaram que uma grande proporção dos alunos do grupo de intervenção que não se exercitavam regularmente antes do programa passaram a praticar exercício físico regularmente após o programa. No nosso estudo não foi medido uma eventual alteração nos hábitos de actividade física dos participantes fora do ambiente escolar. Isto porque o tempo de intervenção pareceu-nos reduzido para produzir efeitos significativos e a curto prazo nesta variável. Ainda assim, é de prever que a aquisição de conhecimentos por nós verificada, possa vir mais tarde a aumentar o interesse e tempo de actividade física dos alunos. O outro motivo pelo qual não procuramos medir o tempo de actividade física fora da escola foi o facto do instrumento de avaliação utilizado no programa PATH ser desajustado da nossa realidade. Muitos dos desportos e actividades físicas mencionados no questionário utilizado no programa PATH não têm expressão no nosso país como o Lacrosse, o Baseball ou a Patinagem no Gelo e outros que gozam de alguma popularidade entre os nossos alunos na nossa população não surgem mencionados. Seria necessário adaptar o conteúdo desse instrumento para uma futura validação em Portugal ou recorrer a outros métodos para avaliar esta variável, como os sensores de movimento.
Numa revisão das intervenções escolares para a prevenção da obesidade, Doak et al. (2006) recomendam a intervenção directa na alimentação dos alunos, através da cantina escolar. Neste estudo não nos foi possível intervir directamente na alimentação em ambiente escolar. O facto de ser um meio com uma área geograficamente pequena, possibilitava aos alunos irem almoçar a casa diariamente. Uma das formas de reforçar os efeitos do programa nos hábitos alimentares dos alunos passaria por um maior envolvimento dos familiares no programa. Neste conteúdo em particular seria de considerar a oferta de formação na área da alimentação saudável. Numa futura intervenção e com uma duração maior seria ainda importante avaliar este parâmetro com um instrumento adaptado à realidade portuguesa e à faixa etária a que se destina.
Outra questão fundamental na implementação de um programa escolar e que se destina a grandes populações, é o custo associado. Na revisão efectuada no Capitulo I não encontramos nenhuma intervenção escolar em que tenha sido efectuada a análise dos seus custos. No capítulo anterior, concluímos que para a realização desta intervenção seria necessário gastar cerca de 22€ por aluno e que numa amostra de 100 alunos esse valor desceria para cerca de 16€. Este valor já contempla a aquisição dos instrumentos que por norma ainda não existem nas escolas e o eventual pagamento de
uma hora semanal a um professor de Educação Física, bem como das horas de trabalho a um profissional de enfermagem para realizar as avaliações. Seria de prever uma diminuição do custo total numa intervenção semelhante já que as escolas têm ao seu dispor professores de Educação Física com tempos no seu horário que podem ser disponibilizados para clubes de Desporto Escolar ou clubes de promoção/prevenção da saúde na escola. Seria necessário dar formação aos professores sobre o programa PATH e sobre o manuseamento dos instrumentos e materiais de avaliação. Quanto aos profissionais de saúde, é salientada no Programa Nacional de Saúde Escolar (Ministério da Saúde, 2006) a importância o trabalho local entre escola e centro de saúde e já prevê a necessidade de os profissionais de saúde e educação adquirirem competências que lhes permitam uma crescente capacitação para a promoção de estilos de vida saudáveis na escola. Como tal, é previsível que esta cooperação permitisse uma redução dos custos totais das avaliações bem como a ajuda na formação ou participação em projectos neste âmbito.