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MATÉRIELS ET MÉTHODES

VII. Evolution et pronostic des SIC :

1. Évolution et pronostic des abcès :

Na discussão sobre o conceito de cluster, Britto e Albuquerque (2001) apontam que uma das abordagens destaca as características regionais dos ‘sistemas nacionais de inovação’, o que conforma um ‘sistema local (ou regional) de inovação’. Ao se analisar os clusters sob essa perspectiva, devem ser observadas não só as externalidades produtivas e tecnológicas que impulsionam o seu crescimento, mas, também, o arcabouço institucional que estimula a cooperação entre os atores envolvidos no cluster. A densidade, tanto dessas redes de interação quanto das organizações presentes, é determinante para o funcionamento dos mecanismos de aprendizado no interior do cluster, condições necessárias para a consolidação de um sistema de inovação (BRITTO, ALBUQUERQUE, 2001).

Do ponto de vista das empresas, a inovação tecnológica se apresenta como uma aprendizagem contínua e cumulativa para melhorar seus produtos, processos e técnicas de gestão, de forma a aumentar a sua produtividade e competitividade. A inovação só pode ser concebida como resultado da cooperação de pelo menos duas firmas, um produtor e um usuário, e seus efeitos se estendem para além delas.

Como já assinalado, as redes de empresas são elementos essenciais para a existência de inovação tecnológica, e sem as redes, elas não aconteceriam

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As referências são os programas de criação de redes locais de cooperação, com o objetivo de aumentar a colaboração entre atores em indústrias e localizações específicas. O mais abrangente deles era o Manufacturing Innovation Networks (MAIN), anunciado na Pennsylvania, EUA, em 1989. (SABEL, 1992).

(DeBRESSON, 1999). O conhecimento deve ser, obrigatoriamente, compartilhado para que ocorra a introdução de inovações. Os estudos das inovações, com base em empresas ou em atividades produtivas, são voltados para a compreensão de como os conhecimentos tecnológicos, associados à inovação de produtos e processos, são gerados e quais são os efeitos do seu transbordamento entre as empresas e atividades envolvidas (‘technology spillovers’), isto é, os efeitos que ocorrem nas atividades a partir daquela na qual a inovação foi gerada (DeBRESSON, 1996, 1999; LOS, 1997).

O processo de inovação é um mecanismo de aprendizagem social e, além das redes de empresas, que representam o sistema produtivo, outras redes são importantes, como as de pesquisa, formadas por instituições públicas e privadas. Tal processo pressupõe que o ambiente institucional ofereça determinadas condições, tais como a existência de um marco regulatório geral, envolvendo normas com relação ao direito de propriedade e mecanismos jurídicos para a sua proteção. Além disso, o processo de inovação depende de condições gerais reguladas em outras áreas, tais como no sistema educacional, nos sistemas de gestão econômica (política macroeconômica e estabilidade econômica) e de incentivos setoriais (políticas industriais e tecnológicas). Finalmente, as características das empresas com relação à inovação dependem da existência de uma cultura de cooperação (DeBRESSON, 1996, 1999).

É, justamente, a dependência em relação à existência de redes de empresas, da dinâmica do relacionamento com outros sistemas e instituições, que define os contornos de um sistema de inovação (ASHEIM, COENEN, 2006). A caracterização de um sistema nacional de inovação (SNI) se dá, de acordo com Freeman (1987), a partir da definição dos sistemas de pesquisa e desenvolvimento, de suas relações mútuas e com o restante do sistema produtivo, do papel do Estado, e da sua história em sua configuração. Os aspectos institucionais são relevantes, conforme destaca Lundvall (1992), uma vez que a qualidade das instituições e as funções que exercem são fundamentais para o desempenho do sistema.

O conceito de sistema regional de inovação (SRI) surgiu nos inícios dos anos 1990, quando os trabalhos em torno dos conceitos de SNI se tornaram mais conhecidos. Sua racionalidade se relaciona à existência, em um território, de uma trajetória tecnológica, baseada no conhecimento e no aprendizado local (sticky

knowledge), que pode se tornar mais inovativa e competitiva com a ampliação do

relacionamento entre a estrutura produtiva e a estrutura de conhecimento, em analogia ao SNI (ASHEIM, COENEN, 2006).

Um SRI é, portanto, um cluster envolvido por uma rede de organizações do conhecimento, que fornece suporte para as atividades de inovação. Todavia, nem todo cluster possui as condições necessárias para ser considerado um SRI. Numa definição lato sensu, todos os aspectos estruturais e institucionais relacionados ao aprendizado seriam considerados. Como conseqüência, todo o conhecimento típico do cluster e sua base produtiva devem ser reforçados em uma política de promoção de clusters. Por outro lado, numa definição stricto sensu, é atribuído maior valor às relações entre o sistema produtivo local e as organizações do conhecimento. Nesse caso, a promoção do cluster tem contornos distintos, como por exemplo, a atração de novas atividades, em processos semelhantes à criação de pólos tecnológicos (ASHEIM, COENEN, 2006).

Ao analisar as condições para a existência de um SRI, Cooke (2001), considerado um dos pioneiros nessa área, se preocupa, em primeiro lugar, com a existência, propriamente dita, de um sistema. Segundo ele, conceitualmente, um sistema funciona como tal ou não. “Em termos realistas, um sistema pode ser mais ou menos sistêmico” (COOKE, 2001, p. 946, tradução nossa). Para se entender o sistema real, as pesquisas devem observar cinco conceitos inter-relacionados: i) a região, considerada em seus aspectos históricos e culturais, que detém alguma capacidade de intervenção, definida por algum estatuto ou legislação para apoiar a atividade econômica, em especial, a inovação ii) inovação, em sentido amplo, conforme definido por Schumpeter (1968), iii) as redes de inovação, baseadas em práticas cooperativas ou relações de confiança, que devem evoluir ou, então, desaparecer, iv) o aprendizado, especialmente o ‘aprendizado institucional’, no qual as firmas e instituições desenvolvem novos conhecimentos e habilidades, que por sua vez são incorporados em novas rotinas pelas firmas e organizações do conhecimento, enquanto as rotinas antigas são abandonadas; e v) interação, no sentido de canais formais e encontros para a troca de informações e discussão, de

modo que as firmas e as organizações possam, com a participação de seus membros, se associar para aprender e discutir novas perspectivas.78

O grau de ‘sistematização’ (‘systemness’) dos clusters deve ser analisado com relação a essas variáveis. Para ser considerado um sistema regional de inovação, o cluster deve possuir as características mencionadas, operando de forma sistêmica, especialmente com relação à interação para inovação, para o aprendizado e o desenvolvimento de redes. Como condição estrutural para que um

cluster funcione como um sistema de inovação, deve existir um sistema de

governança voltado para a inovação e que imponha ao conjunto um sistema que facilite a interação entre as partes envolvidas.(COOKE, 2001). Sendo assim, nem todo cluster é um SRI.

Enfatizando o papel das redes, o SRI pode ser visto como um “conjunto de redes de atores públicos, privados, e educacionais que interagem em um território específico, beneficiando-se de uma infra-estrutura particular, para os propósitos de adaptar, gerar e difundir inovações tecnológicas” (CARLSON, STANKIEWICZ,1991, tradução nossa)79. A existência das redes está relacionada com a capacidade local de absorver e adaptar novas tecnologias, importadas de outros países, ou desenvolvidas por instituições nacionais fora do cluster, e para que isso aconteça, deve haver uma determinado nível de competência local.

Sabe-se que a inovação por imitação fornece uma base inicial para a geração futura de tecnologia própria, mas ela só pode ocorrer sobre uma infra- estrutura razoavelmente desenvolvida na região (capital humano, sistema produtivo, instituições de pesquisa e de ensino). Deve haver, ainda, capacidade para empreender um esforço adicional de adaptação às condições locais (ao estilo de trabalho, às condições do ambiente social, aos mercados locais, dentre outras). Adicionalmente, deve-se dispor, também, de condições de acumulação e difusão do conhecimento formal e dos conhecimentos tácitos presentes na região. Todos esses fatores estão relacionados com as redes locais, sua dimensão e densidade (CARLSON, STANKIEWICZ,1991). Num cluster, tanto os empresários quanto os

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Conforme apresentado anteriormente neste capítulo, como base para o conceito de ‘confiança estudada’, ver SABEL, 1992.

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Essa definição é semelhante àquela apresentada acima, mas destaca as características relacionais do sistema de informação, não considerando, entretanto, os aspectos relacionados à evolução histórica.

trabalhadores participam do processo tecnológico e de sua dinâmica de aprendizado, formal e não-formal, este último decorrente do próprio processo do trabalho. (SCHIMITZ, NADVI, 1999).

Uma outra forma de enfatizar os aspectos cognitivos dos clusters é apresentada por Formica (1995). Ele denominou de ‘ecossistemas territoriais e de inovação’ aqueles sistemas cuja ‘ecologia’ promove relacionamentos cooperativos e competitivos. Neles, as empresas compartilham uma nova visão de mercado e de serviços, que enfatizam os processos de aprendizado dentro dos clusters. As organizações presentes em um ‘ecossistema’ são as universidades e outras instituições de ensino e pesquisa, as agências de desenvolvimento, as autoridades públicas e as comunidades empresariais. Segundo o autor, os fatores que levam ao crescimento são o conhecimento e a informação, a educação e a formação do capital humano, as atividades de pesquisa e o desenvolvimento, além da transferência de tecnologia, dos investimentos e das infra-estruturas sociais.80

O papel das redes, como estrutura de apoio ao capital social, e como canais que permitem os fluxos de informações e conhecimento, se destaca na análise dos SRI. Mesmo considerando-se que nem todo cluster constitui um sistema de inovação, eles devem possuir alguns elementos, ainda que embrionários. Sua identificação é relevante para as políticas de promoção do cluster.

Resumidamente, neste capítulo foi analisado o conceito de cluster, destacando o papel das redes e do capital social. As redes são resultados de mecanismos sociais e viabilizam a cooperação e exercem, também, um papel fundamental no fluxo de informações, essencial para a criação de novos conhecimentos necessários à introdução de inovações. Conceitos e formas de análise, aplicados no interior das firmas, podem, por analogia, ser usados para estudar o relacionamento entre as firmas e entre elas e outras organizações. As relações de poder no interior dos clusters podem ser melhor compreendidas quando são estudados os seus mecanismos de governança. Neste sentido, aonfiança é a base do conceito de capital social, e os mecanismos de governança podem criar

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Formica (1995) destaca, ainda, um fator cultural relacionado ao espírito empreendedor e ao empreendedorismo. A associação dessa característica que, embora se manifeste individualmente, tem um forte componente social, é, também, analisada por Albagli e Maciel (2004), que associam o empreendedorismo ao capital social.

mecanismos restritos de confiança, embora eficientes para o desenvolvimento dos

PARTE II – A ATIVIDADE DE CONSTRUÇÃO E SUAS