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Lüdke e André (2013) destacam que o pesquisador deverá buscar um maior número possível de elementos para compreender o fenômeno estudado. Para tanto, utilizamos os seguintes instrumentos: análise de documentos, entrevistas e observação, que apresentamos a seguir.

a) Análise documental

Para Laville e Dionne (1999, p. 168), “A importância dos documentos nas pesquisas em ciências humanas não descarta todo recurso direto às pessoas: estas se mostram frequentemente a fonte melhor adaptada às necessidades de informação do pesquisador”. Segundo Cellard (2014), a análise documental como método de investigação permite ao

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A matéria sobre esta homenagem intitulada “MST lança cartazes em homenagem aos lutadores e lutadoras do povo brasileiro” está disponível em: www.mst.org.br. Acesso em: ago. 2018.

pesquisador desconstruir, triturar o material coletado e depois reconstruí-lo para responder ao seu questionamento.

Concordando com estes autores, utilizamos a análise de documentos por entendermos que os documentos se tornam uma fonte de evidências que fundamentam as afirmações do pesquisador e podem ser complementadas por outras técnicas. Tendo em vista que a seleção dos documentos em uma investigação científica não é aleatória, optamos por analisar os Projetos Político-Pedagógicos dos Cursos (PPC), visando atender ao objetivo de identificar elementos que constituem a relação entre os conteúdos matemáticos e as dimensões políticas, sociais e culturais presentes nos Projeto Político-pedagógicos de Cursos de Licenciatura em Educação Campo. Analisamos também o perfil do professor exigido nos editais de concurso público para professores da educação superior específicos para a LEdoC (Cf. Seção 6.2 sobre o perfil dos professores formadores que ensinam Matemática na LEdoC).

Com o intuito de analisar a relação entre os conteúdos matemáticos e as dimensões política, social e cultural do campesinato sob a ótica da Educação Matemática Crítica e da Educação do Campo, analisamos os planos de trabalho construídos pelos professores formadores para a oferta do componente curricular e as atividades propostas para o ensino de conteúdos matemáticos.

b) Entrevistas

Para Brandão (2002, p. 40), “a entrevista é trabalho, reclamando uma atenção permanente do pesquisador aos seus objetivos, obrigando-o a colocar-se intensamente à escuta do que é dito [...]”. Fiorentini e Lorenzato (2012, p. 120) entendem que “a entrevista, além de permitir uma obtenção mais direta e imediata dos dados, serve para aprofundar o estudo, complementando outras técnicas de coletas de dados [...]”. Já Minayo (2008) adianta que entrevistas que combinam perguntas fechadas e abertas oferecem a quem as realiza a possibilidade de aprofundar o tema além do roteiro planejado.

Nessa perspectiva, realizamos entrevista com os oito professores formadores selecionados com o objetivo de identificar a relação estabelecida por professores formadores de Matemática de Cursos de Licenciatura em Educação do Campo entre os conteúdos matemáticos e as dimensões política, social e cultural do campesinato.

Utilizamos a entrevista do tipo semiestruturada, por entendermos a importância de um roteiro de questões, para atender os nossos objetivos e, ao mesmo tempo, propiciar a liberdade e o diálogo entre entrevistados e pesquisador (Cf. Apêndice C). Como afirmam Lüdke e

André (2013), é papel do pesquisador desenvolver a capacidade de ouvir o entrevistado considerando, sobretudo, o respeito pela sua cultura e valores.

c) Observação de aula

Realizamos a observação das aulas de três professores, um de cada universidade, com o objetivo de analisar a relação entre os conteúdos matemáticos e as dimensões política, social e cultural do campesinato sob a ótica da Educação Matemática Crítica e da Educação do Campo.

Concordando com Freitas (2011), partimos do princípio que a dinâmica da sala de aula é variada e complexa. Assim, optamos por acompanhar um componente curricular do Tempo Universidade (TU) e analisar as atividades propostas para o Tempo Comunidade (TC) (Cf. Apêndice D).

Observamos aulas dos componentes curriculares: Educação Matemática e Cidadania; Estudo das Funções e Matemática Básica e Aplicada à Educação do Campo. O componente curricular Educação Matemática e Cidadania faz parte do núcleo formativo específico da Matemática, ofertado na VII etapa ou 7º período letivo do curso da UFRB com um total de 3 créditos. Já o componente curricular Estudo das Funções faz parte do grupo 1 do núcleo de formação da área de Matemática do curso da UFMG com um total de 4 créditos. O componente curricular Matemática Básica e Aplicada à Educação do Campo faz parte do Núcleo de Estudos Específicos (NEE) da área de Matemática do curso da UnB, ofertado com 4 créditos. Esses componentes foram selecionados em função do núcleo formativo pertencer à área de Matemática, da oferta nos períodos letivos de 2017.2 e 2018.1 e da disponibilidade dos professores formadores.

Nos cursos da UFRB e da UFMG, a atividade para o tempo comunidade é socializada durante um seminário integrador realizado no último dia de aula do tempo universidade com a participação de estudantes e professores do curso. Cada professor discute com os seus alunos a atividade que passa a fazer parte de um plano de estudos para ser desenvolvido no tempo comunidade.

No tempo universidade, as aulas na LEdoC acontecem no horário da manhã e da tarde com o mesmo componente curricular. As aulas são realizadas de segunda a sábado, isto porque na alternância pedagógica cada tempo universidade do período letivo acontece com duração de um a dois meses com atividades no horário da manhã e da tarde. Os demais meses do mesmo período letivo são dedicados ao tempo comunidade.

Durante as observações, algumas respostas dos alunos foram levadas em consideração para evidenciar o diálogo entre eles e o professor. Contudo, é importante salientar que nosso foco está na participação do professor, com o objetivo de analisar as aulas à luz do diálogo, da investigação e da crítica na relação estabelecida entre os conteúdos matemáticos e o campesinato.

Os registros foram realizados durante e após cada encontro observado, buscando ressaltar como meio de compreender cada elemento, seja de carácter explícito ou implícito.

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