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la (r)évolution vers l’économie positive

Dans le document Pour une économie positive (Page 75-149)

Joana Puntel, natural de Sobradinho (RS), pertence à Congregação das Irmãs Paulinas. É jornalista, mestra em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo (Umesp), doutora em Comunicação Social pela Simon Frase University (Vancouver, Canadá) e pós-doutora pela The London School of Economics and Political Science (Londres, Inglaterra). Atua como coordenadora e orientadora pedagógica do Serviço à Pastoral da Comunicação (Sepac), onde leciona em nível de pós-graduação, e também como professora de Comunicação no Instituto Teológico São Paulo (Itesp) e no Studium Theologicum (Curitiba-

PR). É ainda membro da equipe de Reflexão sobre Comunicação na CNBB, faz conferências e dirige seminários na Pastoral da Comunicação em diversas dioceses do Brasil. No Documento 99, também foi articuladora dos eixos de trabalho e redação dos capítulos.

Trecho 1 –

Joana Puntel

Com o Diretório, nós podemos dizer que, hoje, a Igreja tem um pensamento sobre comunicação. Se você perguntar a alguém de alguma paróquia sobre comunicação, como disse inicialmente, muitos não vão saber. Embora o Diretório, para nós que vivemos a comunicação e que estamos levando a comunicação adiante, faça parte de nosso dia-a-dia, é um documento que, infelizmente, ainda não é de interesse das paróquias e de suas pastorais, porque, quase sempre, o padre que está à frente das comunidades ainda vê a Pascom exclusivamente como uma equipe de atividades, cujo serviço é colocar avisos nos quadros, cuidar da sonorização e das mídias digitais, sem qualquer preocupação com a necessária reflexão sobre o fazer comunicação. A título de exemplo, lembro-me da experiência de algumas irmãs paulinas no atendimento das livrarias, por ocasião da chegada do Documento 99. Quando elas o apresentaram aos padres, muitos não demonstraram interesse, diferentemente da reação que tiveram frente ao Diretório de Catequese e outros documentos da Igreja que são sempre mais bem acolhidos. É este o pensamento vigente no ambiente dos padres em suas comunidades paroquiais. Lembro-me de ter aconselhado a uma das irmãs: diga para esse padre se lembrar de São João XXIII, que incluiu a comunicação na pauta do Concílio Vaticano II. A sensibilização do tema junto aos padres é algo reconhecidamente imprescindível e complexo.

Para a pesquisadora, que teve papel protagônico na elaboração do Documento 99, uma das principais contribuições do Diretório é propiciar à Igreja um entendimento mais abrangente sobre o que é comunicação. O depoimento de Puntel aponta para uma nova perspectiva aberta pelo Documento 99 que, superando a visão instrumental dos meios de comunicação, pudesse incluir a teologia, a convivência, a ética e a vivência da fé a partir de um mundo que em que "emergem novas religiosidades, novas linguagens". Sobre a recepção do documento, Puntel constata que há o risco de ocorrer uma dissociação entre os preceitos sobre comunicação e a efetivação prática do Diretório. Para ela, muitas pessoas, ao entrarem em contato com o Diretório, afirmaram não "refletir", mas apenas retirar trechos específicos sobre diretrizes práticas da comunicação. Sobre isso, apresentamos um trecho significativo da pesquisadora:

Trecho 2 –

Joana Puntel

Fiquei, então, preocupada com essa condição de subutilização do documento, mas nossa equipe já sabia que não tínhamos como montar um texto que resolvesse toda a problemática complexa das práticas comunicativas da Igreja. Muita coisa escapava de nossas mãos. Contudo, o que se deve esperar de um documento desse porte em aspectos de prática comunicativa? Que ele nos auxilie no debate de questões como: o que é que se está fazendo diante de uma mídia predadora que domina o povo com seus discursos persuasivos de telenovelas e telejornais? Não se trata de polemizar, mas o que a Igreja tem refletido sob o ponto de vista ético que emerge desses

produtos comerciais que atentam contra a família, os princípios cristãos e a vida humana? Para começar, os grupos de Pascom nem sabem o que é ética, com todo o respeito e com raras exceções. Em contrapartida, existem outras instituições de vários campos que estão se preocupando com a ética e, às vezes, estão promovendo um debate necessário sobre este tema. Quanto à Igreja, não faltam campos de debate a serem desenvolvidos: ética nas comunicações, ética na internet, ética na Igreja, ... por que nós não debatemos esses temas tão prementes da atualidade?

Sobre a inserção da Educomunicação no Documento 99, Puntel faz uma crítica sobre como o conceito se faz presente para a comunicação católica. De maneira geral, a pesquisadora afirma que o conceito não pode sobressair, como parece acontecer, segundo ela, ao fio condutor da comunicação católica. Em síntese, Puntel acredita que as práticas denominadas como educomunicativas, na verdade, são feitas há décadas na Igreja com outras denominações. Selecionamos um trecho da entrevista da autora que revela essa impressão geral:

Trecho 3 –

Joana Puntel

No diretório, a educomunicação tem um conceito particular que deriva do conceito geral. Se você, por exemplo, vai falar de educomunicação numa escola, você tem o conceito geral. Ao passo que - eu gostaria que isto ficasse bem claro -, no diretório, essa educomunicação tem de estar submetida a um fio condutor do pensamento da Igreja. Nós devemos nos servir do conceito, mas o que eu percebo é que a educomunicação está ficando lá em cima, no topo do trabalho. E, às vezes, passamos até a instrumentalizar o diretório para justificar a educomunicação. A educomunicação, no caso da Igreja, tem que ser algo que a ajude a levar adiante o discurso da “comunicação e Igreja” e é neste sentido que a Igreja precisa do campo da educomunicação. E a partir daí, sim, tem-se a clareza de em que consiste a educomunicação nesse contexto eclesial. O que eu estou percebendo é que se está dando tanto valor à educomunicação que se esquecem outros aspectos. Esta é uma crítica puramente comportamental, porque, se eu for falar mesmo de educomunicação, é o que o SEPAC faz há mais de 32 anos, com outros nomes, é claro. Eu não gostaria que isso ficasse parecendo uma novidade, e por ser novidade, ter de ser tocado adiante, mas que a educomunicação fosse colocada em seu devido lugar. No diretório, ela tem definidos seus pontos de atuação na formação para a comunicação; e esses pontos devem ser trabalhados, sejam eles o âmbito familiar, escolar, comunitário, político, profissional, pastoral, recepção midiática ou alfabetização digital. São pontos que precisam ser muito bem trabalhados. Diante disso, entra aqui novamente a questão: se eu pego o conceito geral de educomunicação, eu me divorcio um pouco daquelas necessidades que a Igreja traz e que são apontadas pelo diretório. Conclui-se, portanto, que o diretório não se apropria, mas insere um conceito novo cujas práticas são antigas e já conhecidas da Igreja há muitos anos. O vocábulo e sua conceituação são recentes, mas a Igreja sempre educou a partir das práticas agora compreendidas pelo conceito de educomunicação.

Puntel acredita que não há apropriação do conceito de Educomunicação pois a Igreja já pratica educação para a comunicação e formação para lidar com a mídia “há muito tempo”.

Para ela, faz mais sentido dizer que a Igreja "se serve dessa sistematização do que exatamente de uma apropriação do conceito". Nessa perspectiva, com base nos depoimentos colhidos de Joana Puntel, podemos verificar que a recepção do conceito de Educomunicação junto aos pesquisadores de comunicação que participaram do processo de elaboração não foi um processo linear e homogêneo. Essa problematização se faz necessária para colocar à prova a nossa hipótese de que a sistematização do conceito de Educomunicação feita pelo NCE, a partir da pesquisa coordenada pelo prof. Ismar Soares, representa uma novidade nos documentos da Igreja. Com o depoimento de Puntel — e também o da Ir. Helena Corazza, que vem na sequência do capítulo —, podemos constatar que há tensões no entendimento da abrangência e recepção das práticas educomunicativas na comunicação católica.

Dans le document Pour une économie positive (Page 75-149)