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Évolution des dispositions contestées

Dans le document Décision n° 2017-667 QPC (Page 4-8)

Esta dimensão de máquinas como ferramentas que auxiliam na comunicação e que só estabelecem relações entre si há muitos anos tem se modificado. Elas evoluíram de apenas

ferramentas ou suportes, para serem espaços conversacionais, já que o uso que se faz delas modificam a conversa e esta passa a ter outro jeito (RECUERO, 2014).

As “novas” tecnologias proporcionam ambientes de interação com outros indivíduos assumindo características semelhantes àquelas da conversação, estabelecendo ou buscando manter laços sociais. “Laços sociais são as conexões entre os indivíduos, criadas e mantidas através da interação e da conversação” (RECUERO, 2014, p. 16). Estas conversações, suas características relacionais e os laços por elas estabelecidos, são alguns dos tópicos de que se ocupa a comunicação mediada por computador.

É possível entender que na comunicação mediada por um computador, a interação não é apenas influenciada pelos meios, mas é também um produto da apropriação social, construída pelos atores sociais quando dão novo sentido às ferramentas. “A comunicação mediada por computador é a comunicação que acontece entre os indivíduos por meio dos computadores, observando também as relações que ali emergem e as práticas sociais e linguísticas que ali tomam forma” (RECUERO, 2014, p. 24).

Dentro destas práticas comuns na comunicação mediada pelo computador, a conversação é uma das que mais tem evidência no mundo digital. Segundo Herring (2010) a primeira idealização de conversação no ciberespaço se deu por meio da consciência da interação e do diálogo construídos através da escrita possibilitada pelas tecnologias. Entretanto com o passar dos tempos, há evidencias importantes de que a conversação no ciberespaço possui elementos característicos da conversação oral.

De acordo com a autora, na conversação informal na internet, os interagentes se utilizam de expressões como “falei, disse, ouvi” em detrimento do que seria mais fidedigno como “digitei, escrevi, li”, para descrever suas atividades. Este uso linguístico remete ao fato de que a experiência dos usuários está no nível da conversação falada, apesar da CMC ser produzida e recebida por meios escritos.

E para dar mais autenticidade para esta dimensão da conversação, os usuários se utilizam de apropriações de expressões e interjeições para exprimir por escrito suas emoções. E uma das primeiras apropriações dos interagentes foi o uso dos caracteres para simular esses elementos não verbais, como é o caso dos emoticons. Segundo Recuero (2014) eles não são criação da internet, mas foi a mediação por computador que os popularizou. Além disso, outras estratégias comuns a comunicação oral foram incorporadas, como o uso de onomatopeias e a repetição de letras (RECUERO, 2014).

Os blogs de Turismo também se apropriam destas características discursivas da CMC. Na figura 2, observa-se uma publicação na página do Facebook do blog Matraqueando. Nesta

postagem percebe-se o uso linguístico da conversação informal, por meio da frase: “Eu conto aqui” e o uso de emoticons para estabelecer a relação de pessoalidade e autenticidade da conversação.

Figura 2: Facebook Matraqueando.

Estes recursos são importantes para a contextualização da conversação na internet. Como os usuários não estão no mesmo espaço físico e podem estar presentes na interação em tempos diferentes, não é possível precisar as emoções e percepções do emissor da mensagem, no momento da leitura. Uma mesma mensagem enviada pode ser interpretada de formas diferentes por receptores diversos. Sem os recursos para exemplificar os elementos comportamentais e emocionais, poderia ser difícil reconhecer se o usuário está contente ou insatisfeito por meio do comentário que fez.

Na postagem no Facebook do blog Esse Mundo é Nosso, expressa na figura 3, por exemplo, uma belíssima imagem de uma praia nas Maldivas tem a seguinte legenda: “UAU define Maldivas”. Em um dos comentários, um interagente coloca o seguinte texto: "Como sou pobre define o que sinto kkkkkkk”. Sem o recurso de utilização da letra k em sequência representando uma risada, o comentário poderia ser interpretado como uma queixa da condição de vida do indivíduo e não como uma simples brincadeira, ratificando que o lugar é realmente magnífico.

Figura 3: Maldivas

Mas um questionamento vem à tona quando se trata da comunicação mediada e os recursos de contextualizações. Será que somente a utilização de expressões e caracteres é suficiente para que uma mensagem seja corretamente interpretada pelos destinatários de acordo com os objetivos dos emissores? Quando parte-se do princípio que uma mesma postagem atinge indivíduos tão díspares e de culturas diferenciadas, é possível que existam diversas interpretações para uma mesma mensagem, independente dos recursos utilizados para dirimir interpretações equivocadas. Mas é fato que esses recursos facilitam a interpretação para a maioria dos indivíduos.

Além disso, a conversação mediada pelo computador é formada por práticas que organizam as trocas de informação entre os atores para a construção de contextos sociais. Estes contextos são geralmente construídos sobre duas apropriações: a conversação síncrona e a assíncrona. Conforme Recuero (2014), a conversação síncrona é aquela que compartilha o mesmo contexto temporal, isto é, acontecem entre dois ou mais atores e a resposta é imediata.

A conversação assíncrona é uma conversação que independe da resposta imediata e flui no tempo, permitindo que usuários que visitem o ambiente em momentos diferentes possam dar continuidade à conversação. Essa divisão entre tipos específicos de conversação é referida principalmente nas bases teóricas porque no ciberespaço as conversações podem ser multifacetadas, não sendo puramente síncronas ou assíncronas, girando entre os dois tipos.

Então, independente do tipo de comunicação que é utilizada para estabelecer uma interação por meio da internet é fundamental que se tente compreender o contexto daquela mensagem. Quem está na conversação precisa tentar construir ou recuperar o contexto para melhor compreender a informação. Ele vai ser a base para a conversação. Se um interagente, por exemplo, entra posteriormente ao início de uma discussão estabelecida em um grupo, onde todos estão colocando suas opiniões, vai precisar voltar até o início da conversação para compreender qual a questão levantada, ou seja, contextualizar aquelas informações.

O contexto é composto por duas perspectivas: uma micro que envolve o momento da interação, os sentidos negociados e delimitados ali pelas interações, os participantes e seus objetivos, o ambiente, etc.; e uma macro que envolve todo um contexto maior, que compreende o momento e o ambiente histórico, social e cultural, as experiências dos grupos e os históricos das conversações (RECUERO, 2014, p. 99).

Essas apropriações que os indivíduos fazem do uso das ferramentas digitais de conversação para promover interação, compreende a construção de sentido do uso desta ferramenta. O suporte é absorvido por esta apropriação que lhe dá sentido. Ela é uma construção de significados dos envolvidos e uma forma de utilização, sendo estas ferramentas desenvolvidas para este fim ou não.

Nestas ferramentas, é característica do processo de conversação mediada pelo computador, a criação de um novo ambiente de conversação. Este ambiente é mediado e possui características específicas, que serão apropriadas pela conversação e pela interação (RECUERO, 2014).

Portanto, para que se compreendam as relações estabelecidas em uma comunicação mediada por computador, é necessário que se conheça o contexto, tanto da conversação, como também do meio por onde ela acontece, suas especificidades, suas apropriações e limitações.

Dans le document Décision n° 2017-667 QPC (Page 4-8)

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