Para apresentação e devida visualização do perfil das entrevistadas, construiu-se os gráficos exibidos abaixo:
Gráfico 1: Faixa etária das participantes.
0 2 4 6 < 29 anos 30 a 40 anos 41 a 50 anos > 51 anos
Com base no gráfico acima, observa-se que a maior parte das mulheres que foram agredidas encontrava-se na faixa etária entre os 30 e 40 anos, ou seja, na fase do auge de sua produtividade profissional.
Gráfico 2: Estado civil das entrevistadas.
Solteira Vivem juntos Casada Separada
A respeito do estado civil, cinco entrevistadas declararam-se solteiras (embora vivessem junto com seus parceiros, com exceção da que foi agredida pelo cunhado) e três declararam que viviam junto com seus companheiros. Apenas uma declarou-se casada e outra separada, mostrando o predomínio de relações não oficiais entre as participantes deste estudo.
Gráfico 3: Grau de escolaridade das participantes.
Quanto ao grau de escolaridade, destaca-se a pouca formação escolar das participantes, principalmente se forem consideradas as que possuem o Ensino Fundamental Incompleto com as que possuem o Ensino Fundamental Completo.
Gráfico 4: Principal trabalho das entrevistadas.
Desempregada Do lar
Doméstica Cozinheira
Auxiliar de Serviços Gerais Auxiliar de Caixa
Assistente Administrativa
Os principais trabalhos citados pelas entrevistadas foram as de doméstica e do lar, sendo que outras duas encontravam-se desempregadas. Dados que se mostraram condizentes com o grau de escolaridade apresentado pelas mesmas.
0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 3,5
4 Ensino FundamentalIncompleto
Ensino Fundamental Completo
Ensino Médio Incompleto
Ensino Médio Completo Ensino Superior Incompleto Ensino Superior Completo
Gráfico 5: Renda familiar das participantes. 0 1 2 3 1 salário mínimo 1 salário mínimo e meio 2 salários mínimos 3 salários mínimos 3 salários mínimos e meio 4 salários mínimos
Em conformidade com o grau de escolaridade e o tipo de trabalho das participantes, a maior parte da renda familiar declarada ficou entre 1 e 2 salários mínimos mensais.
Gráfico 6: Principal agressor.
marido companheiro filho
cunhado
O principal agressor de nove das dez entrevistadas foi o próprio marido/companheiro. Vale destacar que duas dessas mulheres foram agredidas tanto pelo marido/companheiro, quanto pelo filho. Uma foi agredida apenas pelo cunhado.
Gráfico 7: Número de filhos das participantes.
0 1 2 3 4 Sem filhos 1 filho 2 filhos 3 filhos 5 filhos
Conforme se verifica no gráfico acima, a maior parte das participantes tinha entre 2 a 5 filhos.
Quadro 1 – Quadro referente às categorias, subcategorias e elementos de análise.
CATEGORIA SUBCATEGORIA ELEMENTOS DE ANÁLISE
1.1 Tipo de violência perpetrada
• Ameaças e agressões verbais • Contato físico agressivo • Utilização de armas e objetos • Com seqüelas físicas
1. Aspectos que caracterizam a
violência sofrida e que motivaram o pedido de ajuda: Descreve as circunstâncias em que ocorreu a situação de violência e os possíveis motivos para tal fato ter ocorrido.
1.2 Justificativas para ter sofrido violência
• Ciúme do agressor • Desavenças e discussões • Problema psicológico • Como forma de revide
• Como forma de impedir de trabalhar • Presença de conduta adicta a substâncias químicas e jogos
2.1 Situação limite • Com relação à gravidade da agressão sofrida
• Com relação ao longo tempo que foram agredidas
• Com relação à agressão contra o filho 2.2 Reações
comportamentais e emocionais diversas
• Depressão; insônia; falta de apetite; instabilidade de humor; tentativa de suicídio 2.3 Relação do agressor
com a mulher agredida
• Fundida e conflituosa • Humilhação e descaso 2. Repercussão psicológica da violência sofrida: Descreve a situação comportamental e emocional da mulher após a agressão, sua relação com o agressor e que meios utilizou para enfrentar a situação de violência. 2.4 Sentimentos da mulher em relação ao agressor • Vingança • Compaixão • Mágoa • Indefinição
2.5 Estratégias de enfrentamento: bem sucedidas e mal sucedidas
• Busca de pessoas para conversar • Rotina focada no trabalho
• Sair para passear, encontrar amigos e familiares
• Disposição para solucionar os problemas do dia-a-dia
• Capacidade de superar dificuldades • Uso de medidas drásticas
• Busca de emprego • Tentativa de separação
• Perspectivas de um novo projeto de vida 2.6 A saída do agressor da casa • Tranquilidade • Alívio • Pavor 3. Impacto da violência sofrida na dinâmica relacional familiar: Caracteriza os fatores que contribuíram para a perpetuação da relação violenta e de que modo essa relação afetou os descendentes.
3.1 Ciclo de repetição da violência
• Primeira relação conjugal com agressão • Agressões sofridas em diversos momentos • Motivos dados para continuar com o agressor
• Tentativa de amenizar a situação do agressor
• Retirada da queixa policial e interrupção do processo
• Complô do silêncio
• Agressão física como resposta à violência sofrida
3.2 Fragilização da relação parental
• Os filhos como vítimas indiretas de uma relação conjugal/familiar onde há violência • Os filhos como vítimas diretas de agressões verbais e físicas
• Os filhos como instrumentos do “jogo familiar violento”
• Os filhos como coadjuvantes da violência familiar
• Preocupação com os filhos • Tentativas de ajudar os filhos 4.1 Padrão relacional das
famílias de origem materna
• Abusiva e violenta 4.2 Padrão relacional das
famílias de origem paterna
• Abusiva e violenta 4.Transgeracionalidade
da violência familiar: Descreve a perspectiva das mulheres agredidas sobre a violência perpetrada em
suas famílias de origem. 4.3 Estressores da história de vida das mulheres agredidas
• Contexto de necessidade/escassez • Falecimento do pai
•Abandono da casa dos pais na adolescência • Falecimento do irmão
• Conduta adicta a substâncias químicas e prisão do filho
• Abuso de álcool pela filha 5. Perspectiva das
usuárias acerca dos serviços de referência no atendimento à mulher vítima de violência: Descreve o que ocorreu durante e após o contato da mulher vítima com o atendimento prestado pelos serviços de referência.
5.1 Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher
• Motivos para ter procurado a Delegacia em detrimento de outras instituições
• Forma como o atendimento foi realizado • Inexistência de encaminhamento entre os serviços
• Postura dos profissionais diante das mulheres agredidas
• Receio de pedir ajuda policial
• Efeito da intervenção dos profissionais na situação de violência
5.2 Características do processo de atendimento na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher
• Com relação ao atendimento oferecido • Acompanhamento dos policiais para a mulher retirar os pertences do lar
• Demonstração de firmeza e solicitude nos serviços prestados
• Demonstração de indiferença quanto ao problema apresentado
• Falta de punição do agressor • Demora na resolução do caso
• Falta de divulgação de informações: sobre os direitos da mulher, sobre as
conseqüências da queixa e sobre a rede de serviços
• Falta de capacitação dos profissionais • Falta de humanização e acolhimento pelo atendimento ser realizado por homens • Descrição incompleta no Boletim de Ocorrência sobre a situação de agressão sofrida
• Distância da Delegacia em relação aos outros bairros da cidade
5.3 Outras Delegacias de Polícia
• Postura dos profissionais diante das mulheres agredidas
• Receio de pedir ajuda policial • Repercussão da intervenção policial 5.4 Características do
processo de atendimento nas outras Delegacias de Polícia
• Descaso com a usuária
• Ineficiência dos serviços prestados
• Demora no atendimento do pedido de ajuda • Abuso de poder
• Instituição apontada como tendo oferecido o atendimento ideal à mulher agredida
5.5 Serviço de Medicina • O contato com os médicos
• Frieza no atendimento X Atendimento humanizado
• Demora no atendimento • Psiquiatrização da violência
5.6 Instituição jurídica • Demora no encaminhamento do processo • Falta de resolução do processo
• Rapidez na concessão da medida protetiva de urgência
• Falta de contato prévio com os promotores de justiça
5.7 Instituição prestadora de serviço jurídico, psicológico e social
• Falta de atenção do profissional
5.8 Atuação do psicólogo • Auxílio no desenvolvimento de novas estratégias de enfrentamento
• Demora no atendimento
• Ineficiência das intervenções realizadas • Falta de devolução acerca dos
atendimentos realizados
• Falta de compreensão da situação vivida 6.1 Acesso à informação
sobre a rede de serviços
• A televisão como principal difusora de notícias
6.2 Conhecimento dos direitos e dos
procedimentos institucionais
• Acesso à informação através dos profissionais consultados
• Acesso à informação interferindo na condição da mulher enfrentar a situação de violência
• Efeitos da Lei Maria da Penha e do ECA 6. Nível de conhecimento dos direitos e do funcionamento dos serviços de referência no atendimento à mulher vítima de violência: Descreve a que informações a
mulher vítima teve ou não acesso e como a
informação devidamente oferecida contribuiu para o enfrentamento da situação de violência. 6.3 Desconhecimentos dos direitos e dos procedimentos institucionais
• Acerca da separação judicial
• Sobre manter o agressor afastado: a medida protetiva de urgência
• Sobre os procedimentos e funcionamento institucionais
• Sobre a organização da rede:
encaminhamentos equivocados entre os serviços
6.4 Conselhos a outras mulheres agredidas
• Encarar as dificuldades e procurar ajuda 7.1 Rede de suporte familiar • Aproximação e apoio de familiares devido
à violência sofrida
• Distanciamento de pessoas da rede familiar devido à situação de violência
• Justificativas para o afastamento e a falta de apoio de pessoas da família
• Expectativas acerca da possibilidade da reconstrução de redes
7.2 Rede de suporte de amigos
• Fonte de escuta e de conselhos
• Afastamento de amigos devido à situação de violência
7.3 Rede de suporte do trabalho
• Fonte de escuta e de conselhos 7.4 Rede de suporte
comunitário
• Fonte de escuta e de conselhos • Religião como fonte parcial de apoio • Isolamento social
7. As Redes de Suporte Social: Define o conjunto de relações consideradas significativas pela mulher vítima e que lhe serviram de apoio após a agressão sofrida.
7.5 Rede de suporte institucional
• Inclusão de profissionais: das Delegacias de Polícia; do serviço de Medicina; da Psicologia; e de outras instituições