1. INTRODUCTION
1.3. Évaluation post-commercialisation des médicaments
O avanço do JBD a um patamar onde há o reconhecimento e a valorização como técnica eficaz na cobertura de questões públicas requer um esforço dos jornalistas para ultrapassar barreiras que colocam em causa a evolução da área.
- Brasil
Entre os fatores apontados pelos profissionais dos jornais brasileiros, predomina a ideia de que não há profissionais suficientes no mercado com as habilidades necessárias para responder às exigências do Jornalismo de Dados .
Ainda no Brasil, e no que toca à abertura dos dados, foi citada, algumas vezes, ao longo das entrevistas, a inconsistência existente na hierarquia de poderes em relação à transparência demonstrada. Cristian Weiss, Daniel Bramatti e Marlen Couto acreditam que à medida que a autoridade governamental decresce – o Governo Federal é a instância superior, seguido do Governo Estadual e do Governo Municipal – há também uma diminuição do comprometimento com as medidas de transparência.
Katia Brembatti considera que a falta de “tempo” é o principal obstáculo ao desenvolvimento do Jornalismo de Dados no Brasil. Segundo a jornalista, para “priorizar e dar tempo” a essa metodologia de trabalho, é preciso mostrar a sua relevância: “O Jornalismo de Dados precisa mostrar o impacto que ele causa, não em cliques, ele precisa mostrar o que ele muda na perceção do público, precisa mensurar coisas, que realidades foram transformadas por esse jornalismo”. Em relação à quantidade de informação disponível, a profissional acredita que há “mais informação pública disponível do que capacidade” para “processar essa informação”.
61 Para Cristian Weiss, a atuação do Governo perante os pedidos de acesso à informação é ineficaz porque o “poder público não está cumprindo” com a Lei de Acesso à Informação, é preciso que compreendam que, após a solicitação, devem responder “na sua integralidade” e “no prazo”. O jornalista completa que os outros pontos que têm dificultado “a expansão do desenvolvimento do Jornalismo de Dados no Brasil” são a não compreensão das chefias de redação de que “é algo inevitável e importante” de se ter nas redações e a ausência de “interesse dos jornalistas em aprenderem ferramentas e aprenderem a trabalhar com Jornalismo de Dados ”.
Juan Torres acredita que a mudança exigida para se fazer JBD enfrenta obstáculos como o facto de “serem técnicas, em geral, novas e dificilmente dominadas” por profissionais mais velhos: “É uma dificuldade no Brasil, a cultura das redações que ainda estão muito amarradas ao jornalismo tradicional. O Jornalismo de Dados também pode dar origem a trabalhos impressos muito bons, mas exige uma produção digital, ele é um produto nativo digital, todas as etapas são digitais”.
Daniel Bramatti constata diversas barreiras ao Jornalismo de Dados no Brasil: há uma “dificuldade com mão de obra”, na procura por “pessoas com capacitação para essa área”; as “instâncias governamentais” não estão todas voltadas para a “cultura da transparência e também o momento que o JBD está “se desenvolvendo” coincide com o “momento em que a imprensa brasileira, e talvez a mundial, passa pela sua maior crise”.
Raphael Hernandes aponta a qualidade dos dados com o maior empecilho e cita a existência de formatos ociosos: “Muitas vezes pegamos em dados que são de um sistema que foi usado uma vez, ninguém tem o programa e temos que ficar convertendo”.
Para Marlen Couto a “qualificação dos profissionais” é uma dificuldade: “Temos uma escassez de mão de obra que esteja voltada para esse tipo de profissão, que tenha um perfil para trabalhar com Jornalismo de Dados . Acho que isso ainda é um desafio para o jornalismo brasileiro”. A adoção da “transparência” por parte de todas as instâncias governamentais também é apontada como problemática.
Roberto Maleson acredita que é necessário ter mais “pessoas que trabalhem com dados” e para atingir esse patamar é preciso que haja “mais especialização, mais cursos e eventos” sobre a área. “Falta mais incentivo das redações, as grandes redações já estão começando a ter mais espaço para o Jornalismo de Dados , às vezes é um investimento
62 grande para produzir dez, cinco conteúdos semanais enquanto as outras editorias estão produzindo muito mais”, afirma.
- Portugal
Em Portugal ainda há uma luta ao nível do acesso aos dados, mas também em relação à qualidade daqueles que são disponibilizados. Esta é uma das principais barreiras que os jornalistas enfrentam ao nível da produção de conteúdos, o que acaba por dificultar o crescimento da área. Em muitas situações os dados até existem e são públicos, mas os formatos, em alguns casos analógicos, em papel, inviabilizam a continuidade do trabalho. Mesmo quando são disponibilizados em formatos digitais, há certos tipos de ficheiros que não são compatíveis com as ferramentas de análise do Jornalismo de Dados , o que requer a criação de uma nova etapa no processo produtivo e, consequente, um aumento das horas de trabalho.
Rui Barros considera que a “grande dificuldade” está na falta de bases de dados para trabalhar: “Há muita falta de dados para trabalhar, de dados abertos, porque às vezes até há outros dados, ou estão acumulados em alguns ministérios e é muito difícil consegui- los ou ia demorar tanto tempo em transformá-los em dados trabalháveis que seria inviável na lógica da redação”. Para o jornalista, a ausência de “pessoas com conhecimentos técnicos” na redação também limita a produção.
As dificuldades referidas por Rita Costa vão ao encontro dos aspetos referidos pelo jornalista da “Rádio Renascença”: Há “falta de acesso à informação” e aquela que se encontra disponível não está preparada “para ser utilizada, consumida por um computador”, devido ao formato. “Ainda há muitas coisas que não são medidas e que não existem em dados e isso cria alguns constrangimentos”, conclui.
Raquel Albuquerque segue a mesma linha quanto à falta de dados e ressalta o formato através do qual são muitas vezes disponibilizados: “Quando pedimos dados às instituições que têm de dar os dados, nunca te dão os dados em bruto, dão os dados trabalhados, as estatísticas trabalhadas e originalmente, o conceito de Jornalismo de Dados , não é trabalhar com dados trabalhados”. A jornalista acrescenta ainda a incompatibilidade do Jornalismo de Dados com a velocidade das redações: “Estamos todos, permanentemente, a correr, e parar para fazer um trabalhar com tempo, é algo que tem muito pouco espaço”.
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