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MÉTODOS

1 - MÉTODOS

Tendo por base o quadro teórico elaborado definimos os procedimentos metodológicos que nos ajudarão a dar resposta às questões que inicialmente formulámos. Iremos deste modo, descrever e explicar o tipo de investigação, as variáveis em estudo, a amostragem realizada, os instrumentos de colheita de dados utilizados e os procedimentos estatísticos que se realizaram.

1.1 - METODOLOGIA

O saber produzido pela comunidade científica e divulgado, por diversos atores sociais através de múltiplos meios, leva ao aumento de conhecimentos também na comunidade em geral.

Verifica-se que a atitude das mulheres em relação á realização do rastreio é determinante para a incidência do cancro do colo do útero e do cancro da mama, sendo este um evidente problema de saúde pública.

O cancro do colo do útero é um dos cancros evitáveis mais frequentes nas mulheres (Ferlay, 2004 e Parkin, 2005). O padrão epidemiológico da doença caracteriza-se por um período longo entre a detecção das primeiras lesões e a instalação da doença, favorecendo a sua inclusão em programas de rastreio organizados, por serem custo-eficientes e terem ganhos em saúde associados (Anttila, 2004; Castellsague, 2006; Pereira et al, 2009). Contudo, verifica-se que as taxas de incidência e de mortalidade ainda permanecem, desafiando as medidas adoptadas.

O prognóstico do cancro do colo do útero depende muito da extensão da doença no momento do diagnóstico, estando a sua mortalidade fortemente associada ao diagnóstico tardio e a fases avançadas (Pereira e tal, 2009).

O cancro da mama é considerado a principal causa de morte em mulheres com mais de 55 anos (Serrano e Pires, 2004). Segundo a Sociedade Portuguesa de Senologia (SPS), o cancro da mama é o cancro feminino com maior incidência e com maior taxa de mortalidade e a chave para a resolução desde problema é o rastreio e o diagnóstico precoce (Vítor Veloso 2010).

Assim, este projeto surgiu como resposta a necessidade de uma intervenção direcionada, no sentido de procurar melhorar a qualidade de vida das mulheres. Para tal

achámos pertinente investigar: os comportamentos de adesão ao rastreio do cancro do colo do útero e ao autoexame da mama.

Um comportamento de adesão aos cuidados de saúde implica, por parte do indivíduo, uma atitude de envolvimento ativo, voluntário de aceitação e de colaboração com a manutenção da saúde, prevenção ou tratamento da doença (Turk & Meichenbaum, 1991). Os factores que podem influenciar os comportamentos de adesão dos indivíduos são, geralmente, as características relacionadas com a doença, o tratamento, o indivíduo, a relação médico/utente e a relação deste último com os serviços de saúde (Bishop, 1994; Greca & Shuman, 1995; Turk & Meichenbaum, 1991).

Um problema antes de ser considerado apropriado, deve ser analisado sob o aspecto da sua valorização quanto à sua exequibilidade, clareza e pertinência.

Partindo destes pressupostos elaboramos as seguintes questões de investigação:  Que factores poderão influenciar a adesão à vigilância de saúde sexual e

reprodutiva? A idade? O estado civil? O agregado familiar? As habilitações literárias? A profissão? A situação profissional? A residência? O número de filhos?

 O nível de conhecimentos das mulheres sobre o autoexame da mama e o cancro do colo do útero influenciam a adesão à vigilância de saúde sexual e reprodutiva?

 Em que medida as crenças de saúde das mulheres acerca do autoexame e cancro da mama e do cancro do colo do útero influenciam a adesão à vigilância de saúde sexual e reprodutiva?

 Qual a influência do meu estilo de vida na adesão à vigilância de saúde sexual e reprodutiva?

Neste sentido, delineamos um conjunto de objectivos que procuram responder a algumas das inquietações que esta problemática nos suscita, ou seja:

 Identificar os factores associados à adesão das mulheres à vigilância de saúde sexual e reprodutiva.

 Analisar em que medida os conhecimentos das mulheres acerca do autoexame e do cancro do colo do útero estão relacionados com a adesão à vigilância de saúde sexual e reprodutiva.

 Verificar em que medida as crenças de saúde têm efeito significativo na adesão à vigilância de saúde sexual e reprodutiva.

Analisar a relação entre o meu estilo de vida com a adesão à vigilância de saúde sexual e reprodutiva.

A pertinência deste estudo consiste em implementar intervenções que envolvem a mudança de conduta, no sentido da melhoria dos cuidados e de um aumento da qualidade e da satisfação das utentes, tendo como principal objectivo diminuir o possível risco de cancro do colo do útero e da mama de uma dada mulher.

Face aos objectivos descritos, equacionou-se uma hipótese complexa, que será subdividida em várias subhipóteses (hipóteses simples) que pretendemos testar:

 As variáveis sociodemográficas e profissionais (idade, estado civil, agregado familiar, habilitações literárias, profissão, situação profissional, residência e número de filhos), as variáveis conhecimentos sobre rastreios acerca do cancro do colo do útero e autoexame da mama, as variáveis contexto de saúde (crenças em saúde e o estilo de vida) influenciam a adesão à vigilância de saúde sexual e reprodutiva das mulheres.

Como já referenciámos existem muitos estudos sobre a temática do cancro do colo do útero e do autoexame da mama em Portugal, mas são muito escassos aqueles que se conhecem que relacionam os conhecimentos, comportamentos, crenças e estilos de vida a adesão ao rastreio e estão por isso longe de revelarem a verdadeira dimensão do problema. Não é nossa pretensão dar resposta e encontrar soluções para uma problemática tão complexa, mas será mais um contributo a juntar a todos ou outros que pretenderam dar a conhecer e a compreender melhor as múltiplas implicações que factores, entre outros podem ter sobre a adesão ao rastreio.

Nesta perspectiva e tendo em conta a revisão teórica, objectivos e as hipóteses, elaboramos uma representação esquemática, que procura dar a conhecer o tipo de relação que se pretende estabelecer entre as variáveis.

Esquema de investigação