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3. Méthodologie

4.2 Évaluation de l’application de l’algorithme SNOWMAP sur des images MODIS

MANZONI. Os noivos: História milaneza do século XVIII. Versão do Italiano. Rio de Janeiro-Paris: H. Garnier, Livreiro-Editor, 2 vol., 1902. 929 páginas.

Dois anos depois, desembarca na então capital brasileira outra tradução do romance manzoniano. Trata-se da edição da editora parisiense Garnier, que possuía também um escritório brasileiro na Rua do Ouvidor. Mas a indicação da tipografia onde foram impressos os livros, ao fim de cada volume, não deixam dúvidas de que foram confeccionados na França.

Os dois volumes são produtos de muito bom gosto, com capa dura revestida de tecido encerado vermelho, com ilustrações de ramalhetes de flores nas cores verde e dourada, dominando toda a capa. Há ainda um círculo de fundo negro posicionado no canto superior esquerdo, dentro do qual se veem duas figuras, uma mulher adulta e uma criança, ambas em ato de atenta leitura. No centro da capa encontra-se um quadro com o nome do autor, “MANZONI”, e o título da obra, “OS NOIVOS”. A lombada tem, sob o fundo vermelho acima descrito, as seguintes informações em fonte dourada: “MANZONI” e “OS NOIVOS”, além dos algarismos arábicos correspondentes à sequência dos volumes, decorada também por arranjos de folhas e figuras de anjos situadas nas duas extremidades. O refinado acabamento continua com o detalhe das bordas superior e inferior, bem como do corte dianteiro pintados de dourado.

Coube ao primeiro volume portar os 19 primeiros capítulos, restando ao segundo a outra metade, somando mais de novecentas páginas impressas. Castagnola (1985, p. 48) e Bernardini (2012, p. 13) levantam a suspeita de que esta seja uma tradução de segunda mão, ou seja, teria sido traduzida do francês e não do italiano, apesar de os dizeres da página de rosto, da qual trataremos adiante, sustentarem que se trate de uma versão diretamento do italiano. Pois bem, ainda que não seja o objetivo deste trabalho — nem mesmo temos competência para tal —, as ilustrações aos episódios da trama são indícios fortíssimos à hipótese levantada por esses estudiosos. Comparando-se a uma edição francesa da Garnier dessa mesma época17, encontramos as mais de 130 ilustrações que o artista francês Pierre-Gustave Staal realizara para a edição de 1877,

17 MANZONI, Alexandre. Les fiancés: Histoire milanaise du XVIIme siècle. Paris: Garnier, 1904.

Traduction par Le Marquis de Montgrand (A tradução do Marquês é de 1832, revisada com o auxílio do próprio Manzoni após a edição quarantana).

para essa mesma editora, figurando nos mesmíssimos lugares e com as mesmas legendas na versão em português (à exceção de apenas cinco ilustrações suprimidas), mais um indicativo de que o texto português seria derivado do francês.

Na página de rosto encontra-se, pela terceira vez, o sobrenome do autor, “Manzoni”, mas em lugar algum da obra vemos o seu nome, Alessandro ou Alexandre, como grafavam na época. Embaixo do título, “OS NOIVOS”, surge o subtítulo “História Milaneza do Século XVIII”, e não XVII, como no subtítulo manzoniano ou mesmo na tradução francesa anteriormente citada. Informação, ademais, desmentida já nas primeiras páginas da obra: “Era por um desses pequenos caminhos que no dia 7 de novembro de 1628, já por volta da tarde, lentamente voltava á casa do seu passeio, D. Abbondio, cura de uma das aldeias de que falávamos ha pouco” (sic) (MANZONI, 1902, p. 4). Abaixo do subtítulo, comparece uma informação, como vimos, discutível, “VERSÃO DO ITALIANO”. Em seguida, a identificação dos Tomos como “primeiro” ou “segundo”. Finalmente, a identificação da Editora, “H. GARNIER, LIVREIRO E EDITOR”, seguido dos endereços carioca e parisiense. O ano da edição, “1902”, fecha a página.

A tradução inicia-se com a “INTRODUCÇÃO” manzoniana que transcreve o manuscrito supostamente encontrado, e assim continua por todos os 38 capítulos da história de Lorenzo/Renzo Tramaglino, Lucia Mondella, Ignez, D. Rodrigo, D. Abbondio, Perpetua, padre/frei Christovão, Dr. Azzteca-Garbugli (sic), Tonio, Gervasio, Griso, Gertrudes, Nibbio, Innominado, Cardeal Frederico Borromeu, D. Praxedes, D. Ferrante, dentre outros. Trata-se, efetivamente, de uma tradução integral.

Reportemos, a título de informação histórica, um anúncio publicitário da Garnier sobre sua edição, veiculado no dia 27 de outubro de 1902, no jornal carioca Correio da

Manhã18:

H. GARNIER livreiro-editor acaba de vir á luz

OS NOIVOS POR MANZONI

Esta tradução desse romance, que é uma das obras primas da literatura italiana, é a primeira que se publica, ao menos completa, em portuguez.

Mesmo as versões francezas e hespanholas que delle existem são incompletas.

Confiada a um dos jovens literatos brasileiros de mais merito, nitida, acompanhada de illustrações, é um livro de primor, que se offerece á leitura dos que prezam os bons livros, homens e senhoras, e até moças, que de todos será lido com proveito e agrado (sic).

2 volumes ricamente encadernados 10$000. 71 RUA DO OUVIDOR 73

O réclame traz consigo informações que, como veremos ao longo desse capítulo, permeiam as discussões sobre as traduções de I Promesi Sposi. Informação que confere valor à tradução é a integralidade do texto, algo que, segundo a propaganda, nem mesmo franceses e espanhóis encontram em suas versões; ou mesmo em outra versão brasileira anterior (a paulistana de 1900?). A identidade do tradutor continua um mistério, mas a noção de público ao qual a obra se destina, bem como a consciência da qualidade do acabamento do produto, são bem manifestas.

No entanto, o padre Francesco Spartacco Ciccotti19, levanta a hipótese (sem maiores esclarecimentos) de que o tradutor dessa edição seja o cearense Antônio Salles (1868 – 1940), autor do romance Aves de arribação, de 1914, e sua produção literária teria se iniciado por volta de 1890. Salles morou no Rio de Janeiro no início do século XX e era bastante conhecido e respeitado entre os maiores intelectuais da época. É o autor de um dos primeiros ensaios críticos sobre Manzoni no Brasil, como veremos em nosso terceiro capítulo. Tal informação é, por fim, confirmada em um dos livros de memórias de Pedro Nava, Balão cativo, no qual relembra que seu tio, Antônio Salles, necessitado de “cobres”, atuou como tradutor, recebendo no dia 28 de junho de 1900 500$000 pela “entrega ao Garnier da tradução de I Promessi Sposi, de Manzoni” (NAVA, 1974, p. 242)20.

19 Cfr. Instituto Brasileiro Estudos Manzonianos. São Paulo: 1993, no 39. p. 4 e Instituto Brasileiro Estudos Manzonianos. São Paulo: 1996, no 42. p. 2.

20 Devemos ao padre Ciccotti a indicação de que esta informação encontrar-se-ia em um dos sete livros de

As ilustrações de Pierre-Gustave Staal figuram nos mesmos lugares e com as mesmas legendas na versão em português

MANZONI, Alexandre. Les fiancés: Histoire milanaise du XVIIme siècle. Paris: Garnier, 1904. p. 327. Traduction par Le Marquis de Montgrand.

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