Évaluation des impacts
4. ÉVALUATION DES IMPACTS
A análise sobre a relação entre Provérbios e Sabedoria baseada na obra: O caminho da justiça na sabedoria dos Provérbios, de Valmor da Silva (2018, p.20), adverte como já mencionado, Provérbios são configurações literárias que comunicam sabedoria de modo consistente. Geralmente, eles nascem de uma realidade social e cultural específica e, recorrem a um tipo de figura de linguagem, como a metáfora e/ou uma imagem do contexto diário e, sobretudo da zona rural, como: roça, porco, tatu, melancia, entre outras. Esses ditados são breves e apresentam conteúdo em forma de poesia, os quais expressam uma beleza sem par. “Servem para pensar e também para divertir”.
Em razão de sua origem possuir ligação com uma determinada realidade, os ditados são passíveis de adaptação às mais variadas situações: “podem ser traduzidos para outras culturas; podem dizer o contrário do que expressavam originalmente; podem mudar de sentido” (SILVA, 2018, p.20). Diante disso, não possuem um único significado e não são considerados verdades absolutas e únicas. Colombres (2019, p.55) diz-nos que por representar as várias realidades e possuir “caráter simbólico são polissêmicos e, por isso são restritos e podem perder o sentido original tanto em sua dimensão social como cultural”.
Neste sentido, Rangel (2003, p.13) aduz sobre uma visível antinomia, pois a realidade é constituída de várias expressões e os ditados populares envolvem essa grandeza e pluralidade de ideias.
Em outras palavras diz-se que é aceitável expor sobre ambiguidades e restrições sobre a sabedoria (CRB, 1993). A presença da sabedoria nos provérbios e máximas pode adequar-se a vários interesses. Ela mesma é a forma mais aceitável para estabelecer um diálogo entre o homem/mulher e o sagrado. Todavia, a sabedoria pode tornar-se elemento de manobra “em favor do tradicionalismo, da prosperidade, do individualismo, do moralismo, e até mesmo do colonialismo” (SILVA, 2018, p.21). Esses ultimatos são ameaçadores e progridem rumo à contemporaneidade, com suas interfaces líquidas e separadas “da história, da realidade e da vida humana” (BAUMAN, 2001, p.21).
Diante disso, é importante estabelecer um fio condutor ao escrever sobre a relação entre Provérbio e Sabedoria, pois, ao tratar da pedagogia de Jesus através do uso de provérbios segundo o Evangelho de Lucas, prioriza-se a sabedoria do povo, através de ditos, para a sua própria libertação e, posterior protagonismo social.
Sabe-se que o livro de Provérbios foi escrito sempre protagonizando personagens que descrevem seus procedimentos ou implicações. Esses personagens são constantes em pares contrários para simbolizar atuações de conflito: “sábio e insensato, justo e perverso, preguiçoso e diligente, rico e pobre” (CLIFFORD, 1998, p.54). Ainda, quando da observação dos diferentes personagens e seus desempenhos, Provérbios,
contrasta sentimentos, emoções e características psicológicas a partir da experiência e da observação da realidade. Idealiza desse modo, alegria e
tristeza, fome e saciedade, mundo bom e mundo mau, palavra edificante e palavra destrutiva, entre outras25 (WESTERMANN, 1995, p.11-17).
Como se percebe, vários personagens são qualificados de forma incerta ou contraditória. Exemplos:
a mulher que pode ser a dona sabedoria ou a dona insensatez; do preguiçoso que pode ser responsável ou não pela própria miséria; do filho que pode ser obediente ou rebelde para com pai e mãe; e do próprio Deus, justo e fiel, que, na aplicação de sua justiça, pode abençoar os que Ele ama e amaldiçoar os que se desviam dele (SILVA, 2018, p.21-22).
Com relação aos personagens do livro de Provérbios, a conversa é constante, pois englobam as classes sociais, as práticas do dia a dia, a formação das pessoas, o ambiente fundante e várias outras nuanças. Assim, a sabedoria, definição principal nos Provérbios como em toda a Escritura Sagrada, possui feições diferentes. Em Morla Asensio (1997, p.107-110) lê-se que Provérbios, “pode ser um manual de sabedoria prática”, ou pode significar um compilado mútuo de sabedoria e das perspectivas éticas e, ainda o entendimento importante para a Teologia: “o temor do Senhor”.
Nesta direção, Penchansky (2012, p.22-27) relata-nos que no livro de Provérbios há dois conceitos fundantes para sabedoria. E, por isso, há também dois grupos de estudiosos sempre em contradição. Para uns a sabedoria vem de Deus, para outros vem do ser humano. Daí, o questionamento: de onde vem a sabedoria? O primeiro grupo diz que a sabedoria vem de Deus. Neste caso, representando “uma atitude religiosa, de piedade e confiança do poder divino que supera a capacidade humana”26: “O temor de Iahweh é princípio de conhecimento: os estultos desprezam
sabedoria e disciplina” (Pr 1,7). Já o segundo grupo estimula a obtenção da sabedoria e confia na capacidade do homem/mulher em construir o seu próprio arquétipo sapiencial, sempre considerando a experiência, a observação natural e das escolhas certas: “O princípio da sabedoria é: adquire a sabedoria27; e com todos os teus
ganhos, adquire inteligência!” (Pr 4,7).
25 Texto traduzido do Inglês por Valmor da Silva (2018, p.21). 26 Tradução do Inglês feita pelo autor (FERREIRA, 2019).
27 Isto é, o primeiro passo na prática da sabedoria é estar persuadido de que a sua aquisição se impõe e exige sacrifício (BÍBLIA DE JERURALÉM, 2010, p.1026, Nota de rodapé).
Neste caso, o autor faz uma síntese teológica referente às ações dos dois grupos, evidenciando, a expectativa de uma pessoa que se torna sábia e conhece a Deus:
Os sábios perguntam se é possível saber viver. O grupo "adquire sabedoria" responde sim, através da observação cuidadosa de ambos os mundos, o da natureza e o da comunidade humana. O grupo “temor de [Yahweh28]” responde não, Deus prevalece sobre os planos humanos e a visão humana, e finalmente a sabedoria não pode ser encontrada, mas está nublada em profundo mistério29 (PENCHANSKY, 2012, p.24).
No pensamento original de Provérbios, observa-se que a sua grande finalidade é a obtenção de sabedoria. Todavia, existem ditados que negam a necessidade de ensinar, passando a ideia de que o ensino é tão somente para quem sabe e, que o ignorante não consegue assimilar a aprendizagem. Veja: “Não fales aos ouvidos do insensato, pois ele despreza tuas prudentes palavras” (Pr 23,9).
Ademais, para Williams (1981, p.24) as composições sobre a capacidade “da palavra, boca ou língua30” asseguram uma duplicidade de sentido, ora para curar,
ora para ferir. Pois, “a língua é suave é árvore de vida, a língua perversa quebra o coração” (Pr 15,4).
E, finalmente, a contradição é uma das fórmulas mais usadas nos provérbios e uma das mais antigas composições culturais. “Baseia-se na antítese entre tipos humanos ou formas de existência, como no paralelismo antitético” (SILVA, 2018, p.24). Veja:
O filho sábio alegra o pai,
o filho insensato entristece a mãe (Pr 10,1). Quem poupa a vara odeia seu filho,
aquele que o ama aplica a disciplina (Pr 13,24) Por três coisas treme a terra,
e a quarta não pode suportar: o servo que chega a ser rei, o louco farto de pão,
a moça antipática que encontra marido, e a serva que herda da patroa (Pr 30, 21-23).
28 O uso de Yahweh em vez de YHWH é para padronizar o texto da tese como transcrito na Bíblia de Jerusalém (FERREIRA, 2019).
29 Texto traduzido do Inglês por Valmor da Silva (2018, p.24). 30 Tradução do Inglês feita pelo autor (FERREIRA, 2019).
Por isso, é mister entender a relação que há entre provérbio e sabedoria, com destaque ao paradoxo por se tratar de estilo comum nos provérbios e que caracterizava o dia a dia das pessoas na antiguidade e, com fluxo tanto quanto na sociedade contemporânea.
Por conseguinte, após o estudo sobre provérbio e pedagogia e a sua relação com a sabedoria, agora, é momento de dar mais um passo, analisando a sua aplicação com a pedagogia.