GUIDE DE L’ANIMATEUR
4.5 Évaluation des actions d’IEC
O aluno B é um aluno com oito anos de idade que frequenta o 2º ano de escolaridade na Fundação COI. Aos cinco anos foi abandonado pela mãe, tendo sido acolhido no CAT I (Centro de Acolhimento Temporário) da Fundação COI.
Até entrar para a Fundação COI, o aluno B não tinha frequentado o ensino pré- escolar.
Desde o primeiro ano de escolaridade que a professora titular verificou que o aluno B apresentava dificuldades em aprender. Para além das dificuldades reveladas, no último período do ano passado, foi operado aos ouvidos e acabou por faltar quase a totalidade do 3º período.
Atualmente, já no 2º ano de escolaridade foi referenciado pela professora titular de turma, tendo sido encaminhado para uma consulta de desenvolvimento onde foi diagnosticado um atraso global no desenvolvimento/défice cognitivo.
Desta forma, o aluno B foi alvo de uma avaliação especializada, tendo por base a Classificação Internacional de Funcionalidade – Crianças e Jovens (CIF – CJ), no âmbito do decreto-lei 3/2008, de 7 de janeiro.
Com base na avaliação verificou-se que o aluno é um aluno com curtos momentos de concentração, com limitações significativas ao nível da atividade e participação e ao nível da comunicação.
O aluno B apresenta uma deficiência na linguagem, não articulando bem as palavras e recorrendo muito aos gestos, devido à falta de vocabulário que apresenta.
Relativamente às Funções do Corpo (Funções Mentais Globais) o aluno B apresenta deficiência grave nas funções intelectuais, funções mentais gerais, necessárias para compreender e integrar construtivamente as várias funções mentais, incluindo todas as funções cognitivas e seu desenvolvimento ao longo da vida, revela ainda deficiência grave nas funções de orientação no espaço e no tempo, o que origina desorientação em relação ao tempo, lugar e à pessoa. Manifesta ainda deficiência ligeira nas funções da consciência e nas funções de temperamento e personalidade, fugindo por vezes da sala de aula ou do contexto físico onde se encontra ou fazendo algumas “birras” quando é contrariado ou chamado a atenção.
O aluno B revela deficiência grave nas funções da atenção, distraindo-se facilmente durante a execução de uma tarefa ou atividade, funções da memória, demonstrando dificuldades no armazenamento de informações e sua recuperação quando necessário, nas funções da perceção, funções cognitivas de nível superior, tais como, tomada de decisão, pensamento abstrato, planeamento e execução de planos, flexibilidade mental e decisão sobre quais os comportamentos adequados em circunstâncias específicas; funções designadas frequentemente como executivas. O aluno B revela ainda deficiência grave nas funções mentais da linguagem, principalmente no reconhecimento e utilização de sinais, símbolos e outros componentes de uma linguagem e nas funções de
cálculo, como a determinação, aproximação e manipulação de símbolos e processos matemáticos. Relativamente às funções da voz e da fala, o aluno B revela deficiência grave nas funções de articulação, trocando e omitindo muitos sons, e nas funções da fluência e ritmo da fala.
O aluno B apresenta dificuldades graves, no desenvolvimento da linguagem e em adquirir informação e conceitos.
Embora reconheça os caracteres do alfabeto, o aluno revela dificuldades em ler com fluência e precisão, vocalizar palavras com a pronúncia correta e compreender palavras e frases.
Embora tenha começado a escrever as primeiras frases autonomamente este ano, revela ainda dificuldades moderadas em produzir símbolos em forma de texto que representam sons, palavras ou frases de forma que tenham significado, tais como, escrever sem erros e utilizar corretamente a gramática.
Na área da Matemática, o aluno B revela dificuldades graves em aprender a calcular, em desenvolver a capacidade de trabalhar com números e realizar operações matemáticas simples e complexas, tais como, utilizar símbolos matemáticos para somar e subtrair e aplicar num problema a operação matemática correta.
O aluno B continua a evidenciar dificuldades em adquirir competências, isto é, desenvolver as capacidades básicas e complexas necessárias para a execução de um integrar ações ou tarefas de maneira que, ao adquirir essa competência, consiga iniciar e concluir a sua execução, tais como, manejar ferramentas ou participar em jogos. Revela também dificuldades em concentrar a atenção durante uma atividade ou uma tarefa, raramente o aluno B consegue concentrar, intencionalmente, a atenção em estímulos específicos, desligando-se dos ruídos que distraem;
Demonstra ainda, dificuldades graves em tomar decisões isto é, dificuldades em fazer uma escolha entre opções, implementar a opção escolhida e avaliar os efeitos, como por exemplo, selecionar e adquirir um produto específico, ou decidir realizar e realizar uma tarefa entre várias tarefas que precisam de ser feitas.
em controlar o seu próprio comportamento. Apresenta dificuldade completa em levar a cabo tarefas múltiplas.
Contudo, o aluno B não revela qualquer dificuldade em ouvir, imitar e em aprender através da interação com os objetos.
Ao nível da comunicação, o aluno B apresenta dificuldades graves em comunicar e receber mensagens orais, comunicar e receber mensagens escritas, em falar, cantar, conversar e discutir.
Porém, é de salientar que o aluno não revela qualquer dificuldade em comunicar e receber mensagens não verbais e produzir mensagens não verbais.
O aluno B tem revelado cada vez mais autonomia nas suas rotinas diárias, não revelando qualquer dificuldade em vestir-se, comer, beber e cuidar da sua própria segurança.
Tal como foi feito com a aluna A, para além da avaliação com base na CIF, com o intuito de caracterizar o aluno B mais pormenorizadamente ao nível da leitura, foi solicitado à professora a avaliação diagnostica realizada no início do ano letivo, pela professora no que concerne às competências de leitura.
Assim, no quadro seguinte, apresenta-se a síntese da avaliação diagnostica realizado no início do ano letivo ao aluno B.
Tabela 4
Síntese da avaliação diagnostica do Aluno B
Competências Muito Bom Bom Suficiente Insuficiente
Expressão Oral X Compreensão Oral X Conhecimento lexical X Regras Morfológicas X Consciência Fonológica X Reconhecimento de palavras X
Com base na tabela 4, podemos concluir que o aluno B apresenta um aproveitamento suficiente, no que concerne à compreensão oral e à aplicação de regras morfológicas.
Por outro lado, o aluno B revela um aproveitamento insuficiente tanto na expressão oral, como ao nível do conhecimento lexical, da consciência fonológica e do reconhecimento de palavras.