Pela comparação dos valores de área exterior entre as escolas antigas e as renovadas pode-se constatar que, apesar do previsto aumento de área edificada, a proporção entre área permeável e impermeável alterou-se. Face a este aumento da área edificada e consequente redução da área de recreio exterior, a opção foi reduzir as áreas pavimentadas e tentar manter as áreas permeáveis o mais possível. Isto demonstra algum cuidado na gestão das áreas ecologicamente mais interessantes e revela, como sugeria Croft (2001), que os recreios escolares das escolas secundárias portuguesas estavam excessivamente impermeabilizados e desajustados à sua funcionalidade.
Este cenário já representa uma melhoria na qualidade dos jardins escolares nacionais, no entanto confrontaram-se os dados das escolas Parque Escolar com valores recomendados para escolas secundárias em Inglaterra. Os resultados mostram que, por exemplo, a área pavimentada é ainda bastante excessiva. No entanto, a área verde de enquadramento apresenta valores elevados, comparativamente com os valores padrão estudados, desvendando as potencialidades destes espaços. Pela comparação com a bibliografia referida, estes resultados sugerem uma mais-valia na vida quotidiana dos alunos, quer a nível intelectual e cultural, pelos conhecimentos que poderão ser transmitidos aos alunos através da pedagogia destes espaços de habitat, quer a nível físico, pela exploração destes nichos ecológicos e até, pela participação na sua manutenção. Este estudo revelou ainda que, globalmente, a área total de recreio nas escolas secundárias nacionais é muito reduzida, comparativamente ao que deveria ser. Os resultados remetem para cerca de 80% de área exterior a menos, para o número que alunos para que as escolas estão projetadas, comparativamente com o cenário ideal.
Pela verificação da presença/ ausência dos elementos básicos que devem estar presentes num espaço escolar de recreio, pode-se afirmar que expectativa inicial de que quanto maior a área de recreio, maior a quantidade de elementos nela inseridos, não é válida para o caso da renovação Parque Escolar. Neste ponto interessava averiguar porque é que este isto acontece, podendo
103 derivar de condicionantes impostas ao projetista. Concluiu-se que alguns elementos de caráter pedagógico, como horta/ pomar, estufa e elemento de água, são pouco evidenciados no projeto de Arquitetura Paisagista. Sendo elementos de elevada necessidade de manutenção, a preferência de não os incluir poderá traduzir-se numa opção da gestão escolar.
Quando divididas as escolas por 3 zonas de diferentes raios de distanciamento ao centro da cidade do Porto, e pelo tratamento estatístico das variáveis estudadas neste trabalho, conclui-se que os dados não revelam uma tendência suficientemente forte que corrobore a hipótese base de que as escolas apresentam características semelhantes entre zonas, à medida que nos vamos afastando do centro urbano. Este facto é reforçado pelos resultados obtidos pelo SPSS 25.0, que agrupa as diversas escolas pelas características semelhantes entre escolas do mesmo grupo. Pela análise destes resultados reforça-se a ideia de que existe grande heterogeneidade entre as escolas secundárias portuguesas, mais concretamente relativa às áreas de recreio escolar, mesmo na relação entre áreas permeáveis de enquadramento, permeáveis utilizáveis e áreas impermeáveis. Os resultados obtidos nesta fase não se coadunaram com uma mera separação por distância ao centro da cidade.
Em relação ao valor de área de recreio exterior, que fica disponível nas escolas portuguesas para cada aluno, e pela confrontação dos dados obtidos com a revisão bibliográfica atual, contacta-se que este se encontra abaixo da média recomendada. A escola com maior área de recreio utilizável total tem apenas 35,9% da área recomendada por aluno, segundo os padrões Ingleses indicados.
Sem dúvida que o Arquiteto Paisagista adquire um papel fundamental neste aspeto, tendo em mãos as ferramentas que podem proporcionar a criação de diferentes espaços com adequados a diferentes pedagogias e diferentes modalidades de lazer. Transmitindo aos alunos a mensagem positiva de que tudo o que fazem tem impacto no ambiente natural e de que podem contribuir positivamente para a sua manutenção, cria uma forte ligação entre humanos e meio ambiente que poderá, futuramente, servir de inspiração para uma filosofia de vida mais sustentável.
Seria importante que, em intervenções futuras, as intervenções escolares nacionais prestassem mais atenção aos espaços exteriores, na medida em que estes deveriam estar adequados
104 e proporcionais à quantidade de alunos por escola. É um facto que o programa da Parque Escolar E.P.E. previa apenas a requalificação das escolas existentes, condicionando o projetista. No entanto seria preferível, em futuras intervenções, considerar o dado área de recreio/ aluno desde o princípio do processo ou dar preferência à construção de uma escola de “raiz”, através da escolha cuidada do local a implantar e da plena conjugação do projeto de Arquitetura Paisagista com o de Arquitetura Civil, de modo a maximizar as potencialidades de utilização não só do recreio escolar, mas de toda a escola. Considera-se ainda que as zonas de recreio escolar podem ser entendidas como outra dimensão a considerar na avaliação do estado geral da escola.
105
R
RR
R
ECOMENDAÇÕES PARA FUECOMENDAÇÕES PARA FUTUROS ESTUDOSECOMENDAÇÕES PARA FUECOMENDAÇÕES PARA FUTUROS ESTUDOSTUROS ESTUDOSTUROS ESTUDOSNo seguimento deste trabalho e numa futura abordagem à temática desta dissertação, sugere-se uma outra análise das áreas de recreio escolar, no sentido de perceber se estas, medidas isoladamente, e não como produto do somatório de todas (como foi feito neste trabalho), podem revelar características das escolas secundárias não identificadas no presente estudo. Considera-se importante perceber como se decompõe as áreas analisadas neste estudo, como por exemplo, averiguar se a área verde utilizável é contínua ou partida, uma vez que o uso de um relvado de 2000m2 é diferente do uso de áreas relvadas com 500m2 cada. Considera-se importante também analisar áreas de recreio de exterior e de interior, podendo esse estudo traduzir em resultados mais aproximados à realidade escolar.
106