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4. A PPLICATION A NOTRE OBJET D ’ ETUDE

4.2. Quelques études sur les bruits d’impact

4.3.1 Posse de Computador

A posse de computador no domicílio configura um factor importante na adesão à tecnologia já que, estando sempre ao dispor do sujeito, será supostamente maior a interacção e a aquisição de competências de manuseamento. Paralelamente, julgámos conveniente saber ainda o tipo de computador usado e, no caso de um portátil, se este foi adquirido ao abrigo do programa e-escolas. O relatório do estudo sobre a adesão e o impacto das e-iniciativas estabelece igualmente algumas considerações a este respeito:

As e.iniciativas demonstram impactos directos sobre os aderentes (nomeadamente no que diz respeito à maior regularidade de utilização de computador e internet), mas também impactos externalizados nos agregados familiares, nos quais também se observa maior regularidade na utilização do computador e da internet. Além disso, embora em menor escala, a mobilidade conferida pelo computador e acesso à internet tende a ser aproveitada, verificando-se por exemplo, utilizações mais intensas da internet na escola ou no local de trabalho (ANACOM, 2010, p. 24).

Os dados recolhidos foram os seguintes: a totalidade dos sujeitos possui computador no respectivo domicílio. Quanto ao tipo de computador verificou-se que 14 sujeitos possuem computador de secretária; 11 possuem computador portátil e 21 possuem computador portátil adquirido ao abrigo do programa e-escolas, como demonstra o gráfico 2.

Gráfico 2 - Posse de computador

0 14 11 21 0 5 10 15 20 25 30 Não tem computador Computador de secretária Computador portátil Computador portátil E- escolas

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Dos sujeitos que constituem a amostra, 11 possuem dois computadores e 2 possuem mesmo três computadores nos respectivos lares.

Se analisarmos por género, 21 sujeitos adquiriram computador portátil através do programa e-escolas; destes 16 são raparigas enquanto 5 são rapazes. O estudo sobre a adesão e o impacto das e-inciativas (ANACOM, 2010) aponta, igualmente, para uma maior adesão do género feminino a nível nacional. Se analisarmos o grau de adesão ao programa e-escolas, verificamos que 21 dos sujeitos adquiriram um computador através deste programa; valor em termos percentuais muito superior à média nacional que aponta para valores na ordem dos 45%

(ANACOM, 2010). O próprio relatório salienta igualmente este grau de adesão como o mais elevado a nível nacional, representado pela NUTIII (Tâmega), ver gráfico 3, na qual se insere a escola que serviu de base a este estudo:

Pela positiva, na medida em que conseguem atrair mais de 50% dos alunos inscritos, registam-se os níveis de penetração verificados nas regiões do Tâmega (64,7%)... (ANACOM, 2010, p. 38).

Gráfico 3 - Adesão por regiões ao programa e-escolas.

(Fonte: ANACOM - Relatório do estudo sobre a adesão e o impacto das e.iniciativas, Janeiro,2010)

Ainda de acordo com este relatório, a nível nacional, a esmagadora maioria dos aderentes ao programa e-escolas (91%), provêm de agregados em que se verificava já a presença de computadores, embora o parque informático fosse composto fundamentalmente por computadores desktops. Os dados recolhidos para esta investigação apontam para valores muito inferiores; apenas 12 sujeitos em 31, possuíam computador antes da adesão ao programa, enquanto 9 sujeitos adquiriram o primeiro computador através do referido programa.

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A adesão ao programa e-escolas para aquisição de um computador portátil a baixo custo ou sem qualquer custo, por parte dos sujeitos pertencentes à amostra, pode ser articulada com indicadores socioeconómicos da região. Com efeito, a escola sede desta investigação pertence à NUTIII19 (Tâmega) que, com base no estudo anteriormente referido (ANACOM, 2010), foi a região

que maior adesão registou a esta iniciativa. Se associarmos o facto desta região, já caracterizada anteriormente, se encontrar abaixo da média nacional em termos socioeconómicos, juntamente com as profissões dos encarregados de educação dos sujeitos; profissões na generalidade socialmente humildes e maioritariamente incluídas nas classes baixas e médias-baixas, associado ao nível de instrução (87% possui o 9º ano ou inferior), permite inferir uma certa debilidade económica das famílias dos sujeitos. Como consequências de todos estes condicionalismos, temos dez sujeitos subsidiados com escalão A da acção social escolar e sete subsidiados com escalão B, o que representa 55% da amostra. Com base nestes dados podemos inferir que, para alguns destes agregados familiares, a adesão ao programa e-escolas representou uma oportunidade única para que estes alunos, socialmente mais débeis, tivessem acesso a um computador no seu domicílio. Com efeito, os alunos que beneficiam da acção social escolar subsidiados com escalão A ou B, têm acesso ao computador portátil sem qualquer encargo, pagando apenas uma mensalidade de cinco euros correspondente à Internet, por um período de três anos. Estas normas constituíram uma forma de fazer chegar o computador portátil aos alunos mais carenciados, contribuindo positivamente, para a não descriminação no acesso à tecnologia.

O estudo da ANACOM (2010) aponta para resultados substancialmente diferentes. Segundo este estudo, foram as classes média e média-baixa que registaram uma adesão mais elevada às e-iniciativas.

...De facto, se nas classes altas e médias altas temos adesões a rondar os 30,0% (28,9% para a classe alta e 32,1% para a classe média alta), nas classes médias e médias-baixas ultrapassamos os 50,0% de aderentes (51,3% no caso da classe média e 62,7% no caso da classe média baixa) (ANACOM, 2010, p. 41).

O mesmo estudo refere que a classe baixa não ultrapassou os 34% de adesão. Embora salvaguardando a reduzida dimensão da amostra (33 elementos), o estudo considera algumas explicações para esta situação.

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Não se verificando um problema de conhecimento do programa (aliás todos os inquiridos com origem nesta classe [baixa] declararam conhecer a iniciativa), as razões para tal comportamento poderão radicar numa menor sensibilidade às vantagens da informatização, ou na incapacidade económica das famílias em fazer face às despesas inerentes à adesão (pese embora as condições financeiras vantajosas da iniciativa face à oferta generalizada do mercado), ou ainda a um desconhecimento quanto às condições de adesão caso os alunos beneficiem de acção social escolar. Recorde-se que o escalão social mais baixo paga apenas 5 euros pelo acesso à internet e não paga a entrada inicial de 150 euros pelo computador (ANACOM, 2010, p. 42).

Estas conclusões do estudo da ANACOM (2010) são substancialmente diferentes dos resultados obtidos nesta investigação. Recorde-se que 21 dos sujeitos adquiriram um computador portátil ao abrigo do programa e-escolas. Destes, 14 são alunos abrangidos pela acção social escolar (alunos subsidiados), o que representa 67% dos aderentes a esta iniciativa. Verificamos, portanto, uma forte adesão da classe baixa a esta iniciativa no concelho ou mesmo na região do Tâmega, na qual a escola está inserida. Trata-se de dados que contrariam o estudo da ANACOM (2010) e, sendo assim, permitem configurar a região do Tâmega como uma excepção a nível nacional no que respeita à adesão das classes baixas às e-iniciativas.

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