Chapitre IV: Etude de la dispersion du bruit basse fréquence et étude en température
4.2.3 Étude du bruit basse fréquence en entrée des transistors
A Universidade Teta possui sob seu domínio e gestão uma Unidade de Conservação da categoria Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). A área preservada, inaugurada em 2006, apresenta 221,39 hectares, e junto com 82,3 hectares de campos experimentais, completam esta área verde da universidade localizada no município de Sinimbu, cerca de 48kms da cidade de Santa Cruz do Sul (Imagem 16).
Imagem 16: Entrada da Reserva Particular do Patrimônio Natural da Universidade Teta Fonte: Muhle (2016). fro m the doc um ent
A criação da reserva ocorreu através de uma doação feita por uma empresa produtora de cigarros e exportadora de fumo e tabaco, para a Universidade Teta65. A empresa doou os valores necessários para a compra das áreas e também para construção da sede. Assim, no ano de 2005, se inciam as tratativas para instituir a primeira RPPN de uma universidade e a maior desta categoria em domínio da Mata Atlântica no Brasil. Na época da aquisição da área, mais da metade de área doada era constituída por áreas virgens, ou seja, que não tiveram nenhum tipo de intervenção humana, o restante era composto por áreas secundárias e capoeiras em regeneração, e terras recentemente ocupadas pela agricultura e pecuária em minifúndios da região do entorno. Hoje, praticamente já não há capoeiras na área e a vegetação se desenvolveu bastante. No entanto, existem espécies exóticas invasoras inseridas. Um dos objetivos da criação da reserva é manter o possível da conservação deste ecossitema, abrigando a área de transição entre a Floresta Estacional Decidual e a Floresta Ombrófila Mista do Rio Grande do Sul. Por este seu perfil, o local é capaz de abrigar grande diversidade de fauna e flora locais, o que reforça seu valor de conservação.
A área de conservação já está devidamente implementada e institucionalizada pela Universidade Teta, possuindo inclusive site próprio para a divulgação de suas atividades e agendamentos de visitas. No ano de 2006, é inaugurado o Centro de Visitantes no local, com a intenção de receber as pessoas interessadas para a realização de cursos e palestras sobre meio ambiente, conservação e atividades de educação ambiental (Imagem 17). Através da publicação de sua Portaria no Diário Oficial da União em março de 2009, a criação da Reserva Particular do Patrimônio Natural da Univiersidade Teta foi oficialmente concluída.
65 Através do Sistema Eletrônico do Serviço de Informação ao Cidadão (e-SIC) foi possível ter acesso à informação de que a doação da área pela empresa não se tratava de compensação ou multa ambiental.
Imagem 17: Centro de Visitantes da Reserva Particular do Patrimônio Natural da Universidade Teta
Fonte: Muhle (2016).
Segundo o Coordenador da Área Ambiental da universidade, os objetivos da Teta em criar e manter a reserva foram para que a universidade pudesse “contribuir com a conservação da Mata Atlântica, oportunizar um ambiente para visitação, pesquisas e ensino, envolvendo universitários, alunos e professores da rede escolar, comunidade local e visitantes para que se integrem ao local e compreendam a importância de se preservar a natureza”.
Em visita realizada à RPPN no ano de 2016 foi possível atestar sua beleza cênica e seu impactante perfil de área preservada (Imagem 28). O acesso ao local se dá através de estradas de chão batido e de difícil acesso, levando cerca de duas horas da universidade em Santa Cruz do Sul até a RPPN. Com a orientação da gestora do local e um estagiário que costuma acampanhar as idas até lá, realizamos a visita. Fizemos uma parada no caminho para comprar lanches, e a gestora me diz que por mais que isso não fosse necessário, ela gosta de fazer esta parada em Sinimbu para manter uma interação com os moradores do município, assim eles sabem que a universidade está presente e podem de forma informal saber sobre as atividades desenvolvidas na RPPN.
A infraestrutura presente no local é capaz de receber grupos e também abrigar alunos e pesquisadores para suas atividades de campo. Com mesas, cadeiras, banheiros e cozinha é
possível desenvolver diversas atividades na sede66. Na área da reserva também é possível realizar uma séries de atividades em meio a natureza. Algumas trilhas já estão demarcadas na área, como a Trilha Biodiversidade em Reconstrução e a Trilha Ecossitema. Alunos e pesquisadores também vão até a reserva para a realização de pesquisas sobre a fauna e a flora, como por exemplo, o trabalho sobre o levantamento florístico das criptógamas da RPPN (MELO; PUTZKE & PUTZKE, 2014), e o trabalho sobre a avifauna presente na reserva (OLIVEIRA & KÖHLER, 2010).
Próximo à área da reserva da Universidade Teta existe um local com quedas d’água do Salto do Rio Pardinho (Imagem 18). O local atrai diversos visitantes que usam o espaço para lazer e contemplação. Entretanto, no local é possível ver resíduos como garrafas, latas de alumínio, embalagens plásticas e papéis, descartados no chão. A gestora da RPPN afirma que é de interesse da universidade também realizar trabalhos de educação ambiental com este público e fazer campanhas para o descarte correto dos resíduos.
Imagem 18: Quedas d’água do Salto do Rio Pardinho
Fonte: Muhle (2016).
Além da ida até a reserva para realização do inventário de fauna e flora, professores da Teta muitas vezes iam ao local para usá-lo como uma sala de aula ao ar livre e também para a
66 No dia em que a visita foi realizada o local estava sem água, o que impedia o uso dos banheiros e da cozinha. O problema já ocorria há alguns dias e por isso a visitação das escolas estava suspensa.
realização de suas pesquisas. As atividades de educação ambiental na RPPN ocorrem através de duas frentes: através de agendamentos feitos pelo site da reserva e que tem o acompanhamento de bolsistas, normalmente do curso de biologia, que desenvolvem atividades lá; ou como parte de um programa de educação ambiental maior desenvolvido pelos professores e estudantes da Universidade Teta, inclusive dentro das escolas.
Atualmente a Reserva Particular do Patrimônio Natural da Universidade Teta está fechada para visitações. De fato, quando a visita para a presente pesquisa foi realizada, a visitação pelas escolas já não estava sendo permitida pela falta de água. Segundo o Coordenador da Área Ambiental da universidade, questões de infraestrutura e as dificuldades no acesso à área dificultam as visitações com segurança à reserva. Para ele, as maiores dificuldades para a gestão da reserva são:
“O fato de estar distante da sede da universidade, o estado da conservação do acesso a RPPN, a falta de suporte de fiscalização e incentivo financeiro por parte do setor público. Internamente, o cenário econômico nacional que atinge o setor da educação (inclusive as de ensino superior) limitam os investimentos”.
A responsável pela gestão da reserva corrobora com as preocupações de seu coordenador:
“Os investimentos necessários são altos. Abastecimento de água, manutenção do acesso, entre outras questões. Estamos contidos e tomando medidas de redução de custos, devido a situação econômica, que não está favorável para as instituições de ensino superior. O momento é de incerteza”.
No início do contato com universidade, a RPPN tinha sua gestão subordinada à Pró- Reitoria de Planejamento e Desenvolvimento Institucional. Desde o inicio de 2017, a reserva passou a integrar a Área Ambiental, setor responsável pela gestão ambiental da universidade. Assim, reuniu-se esforços em manter a RPPN mais próxima ao objetivo de conservação do bioma, e também lincada às decisões sobre questões ambientais da universidade. Segundo o Coordenador da Área ambiental, “uma está vinculada a outra [a RRPN e a Área Ambiental da universidade], porém as ações são estratégicas frente as limitações atuais”.
Em termos legais, a RPPN pertence à uma associação de ensino de Santa Cruz do Sul, mantenedora da universidade. A reserva participa da Associação Gaúcha de Proprietários de RPPN, onde compartilha com outros proprietários de áreas protegidas experiências positivas e também as dificuldades e frustrações relativas ao gerenciamento das áreas. Também participa do Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica do Estado do Rio Grande do Sul, uma vez que a Mata Atlântica é a fisionomia predominante da área. Por manter ativas
estas atividades na associação e no comitê, a universidade tem procurado desenvolver em conjunto com outras esferas da sociedade instrumentos para a conservação da biodiversidade e manter um diálogo positivo sobre a existência da RPPN mesmo com sua visitação fechada atualmente. Segundo o Coordenador, “não está aberta a visitações, porém desempenha o seu papel fundamental de conservação ambiental”.
Apesar das dificuldades enfrentadas no momento, os plano futuros para a Reserva Particular do Patromônio Natural da Universidade Teta são continuar monitorando as ações antrópicas junto aos limites da RPPN, abrir novamente para visitação e ampliar o número de estudantes e pesquisadores que vão até a área para realizar suas pesquisas e aulas práticas.
A Universidade Teta é uma universidade particular e comunitária que está localizada na região do Vale do Rio Pardo. Além do seu campus sede em Santa Cruz do Sul, também possui outros quatro campi nas cidades de Capão da Canoa, Sobradinho, Venâncio Aires e Montenegro. A Universidade Teta teve sua origem através de faculdades que eram integradas na região e que foram criadas e mantidas pela mesma instituição de ensino que hoje em dia continua sendo a mantenedora da universidade. No ano de 1992 estas faculdades são extintas para dar lugar a criação da Universidade Teta, desejo inicial de sua mantenedora.
Com relação a sua gestão ambiental, a universidade conta com o setor Área Ambiental. Como já citado anteriormente, a Área Ambiental é atualmente a responsável pela gestão da Reserva Particular do Patrimônio Natural. O setor desenvolve projetos que visam adequar as atividades da instituição aos parâmetros de sustentabilidade exigidos pela sociedade e também pela legislação atual. Executam projetos que procuram atender à ideia da Logística Reversa e que venham ao encontro à Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), estabelecida pela Lei nº 12.350, de 2 de agosto de 2010 (BRASIL, 2010). A Área Ambiental também realiza a Campanha Descarte Correto, visando promover o descarte correto dos resíduos gerados no campus, principalmente nos setores de alimentação usados pelos alunos.