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2 État de l’art et enjeux des objets connectés

Dans le document Mémoire d'actuariat (Page 41-49)

Existem inúmeros factores que podem influenciar a preferência por certos tipos de enriquecimento, tais como, a espécie, o sexo, a idade, a personalidade e as condições do habitat (Ringdahl et al., 1997; Hare et al., 2008; Wells, 2009; Gartner e Weiss, 2013 citados por Santos, 2017)

Ao longo deste plano de enriquecimento ambiental notaram-se algumas alterações no comportamento dos tigres, apesar de não se terem obtido todos os resultados pretendidos, existiram interacções muito positivas.

Os enriquecimentos escolhidos foram seleccionados de acordo com outros estudos com tigres.

Existem vários estudos sobre enriquecimento ambiental em tigres que demonstraram resultados inversos aos deste projecto. Temos alguns exemplos, como o pilar com corda enrolada, as caixas de papelão que ocultavam carne e a peça de carcaça pendurada no slide, que ao contrário do esperado não surtiram efeitos positivos nos comportamentos “escalar”, “arranhar”, “comer” e “saltar”. Tudo isto indica que as actividades mais complexas, que exigiam mais esforço físico para alcançar os objectivos, não suscitavam interesse nem

•Os enriquecimentos em que o Bengal demonstrou mais interesse foram os E6, E8, E9, E10, E15, E17, E21 e E22.

•Observou-se uma preferência por enriquecimentos com carne e perfumes.

Bengal

•A Sumatra revelou interesse nos E5, E10, E11, E17, E18 e E22. •Verificou-se uma eleição por enriquecimentos com mobilidade

como as bolas e as melancias.

Sumatra

•A fêmea mais jovem interagiu mais com os E2, E5, E11, E17 e E18. •Interagiu positivamente com o local de abrigo que o túnel

proporciona, utlizando o local para descanso todos os dias. Demonstrou também especial interesse nas plumas e bolas.

Sibéria

reacção por partes destes indivíduos. Uma explicação para este facto pode passar pela idade avançada dos animais avaliados (19 e 15 anos). Visto que a esperança média de vida de um tigre, em cativeiro, pode chegar aos 20 anos (DGVS, 2000), é compreensível que as capacidades motoras dos animais analisados não sejam iguais à de um animal mais jovem. Os animais mais velhos são mais calmos e menos excitáveis do que os indivíduos mais jovens (Longley, 2011).

Observou-se uma preferência por enriquecimentos mais simples, com mobilidade e odoríferos. Os enriquecimentos com bolas e melancias foram um grande sucesso por parte das fêmeas, principalmente a mais velha, a Sumatra que brincou durante várias horas com as mesmas. Neste caso, verificou-se um aumento de comportamentos de locomoção, como “correr”, “prender”, “carregar”, “fugir” e “morder”.

A componente odorífera desempenhou um papel importante nas reacções de todos os animais, os perfumes colocados nos locais onde habitualmente marcam território incitou uma grande curiosidade por parte destes indivíduos, que praticaram comportamentos como “cheirar”, “esfregar” e “spray”.

A Sibéria, fêmea mais jovem, demonstrou um especial interesse pelas plumas de avestruz perfumadas que foram dispersas pela instalação. O facto de existirem dois perfumes distintos e algumas plumas conterem apenas o odor natural da avestruz, pode ter contribuído para que o interesse se mantivesse durante mais tempo. Este animal explorou o seu habitat, correu e brincou com a outra fêmea, roeu e farejou as plumas, o que a manteve ocupada durante algum tempo.

O macho, Bengal, não demonstrou especial interesse pelas actividades de “brincadeira”, preferindo os enriquecimentos que envolviam água. Este é o animal que usa mais regularmente o lago da instalação exterior, podendo ser uma explicação para a sua maior interacção com a boia e a placa de cortiça colocadas no tanque. Estes enriquecimentos despertaram muito interesse no animal, que brincou durante bastante tempo com a cortiça, “afogando-a” repetidamente, aproveitando-se do facto da mesma flutuar.

Nos resultados observados neste projecto, conclui-se que os diferentes animais não respondem da mesma forma aos estímulos apresentados. Este facto evidencia a importância do conhecimento da personalidade dos animais para a elaboração de um plano de enriquecimento ambiental com bons resultados.

A hierarquia presente neste grupo era bastante evidenciada, sendo que em enriquecimentos que envolviam carne, a fêmea mais jovem e menos dominante não interagia tão activamente com o estímulo como os outros dois elementos. Por norma, aguardava que o macho e a outra fêmea se alimentassem para posteriormente se alimentar. Este motivo

pode explicar a preferência deste animal pelo túnel, uma vez que este constitui um local de abrigo.

A única estereotipia evidente nos animais foi o pacing, por parte do macho, não se tendo, aparentemente, observado diferenças com o enriquecimento. O animal após ser libertado aproximava-se do item de enriquecimento, interagindo por vezes, porém ao fim de pouco tempo, retomava o caminho que percorre todos os dias pelo habitat. Sendo animais territoriais, isso pode ser uma expressão do seu comportamento natural de patrulhamento de território (Szokalski et al., 2013). Este comportamento natural, em que percorrem grandes distâncias, para patrulhar o seu território, procurar comida ou fêmeas, pode justificar o aparecimento de comportamentos estereotipados como o pacing, visto que em cativeiro, estão confinados a uma área definida (Mellen et al., 1998).

Apesar de nem sempre interagirem de forma positiva com o enriquecimento presente, aparentemente, verificou-se uma maior taxa de ocupação do local onde o mesmo se encontrava. Concluindo-se que embora pareça que não se tenham alcançado os resultados esperados, o estímulo conseguiu atrair a presença de todos os indivíduos, constatando-se um aparente incremento do comportamento “observar”.

De uma maneira geral, denotou-se que os animais pareciam perder o interesse pelo estímulo presente, interagindo durante pouco tempo com o item de enriquecimento.

Estes animais já tinham sido sujeitos a outros planos de enriquecimento ambiental anteriormente, verificando-se que os itens que já conheciam, como as especiarias, os excrementos, a boia e a carcaça suspensa no cabo de aço não despoletaram tanta curiosidade como a introdução de elementos novos. Isto sugere que existe uma habituação ao enriquecimento, reforçando a necessidade de diversificar e inovar a estimulação de forma a manter os animais interessados.

Como a duração do projecto foi relativamente curta, não foi permitido colocar em prática todas as ideias que inicialmente tinha planeado para estes animais, entre elas:

▪ A colocação de peixes vivos no lago da instalação exterior. Esta prática aparenta provocar bons resultados nestes animais, de acordo com Bashaw et al.,(2003), que reportam a apresentação de peixes vivos aumentou a variedade e a frequência dos comportamentos alimentares e reduziu o comportamento estereotipado dos tigres.

▪ Inserção de uma fonte de água corrente. Este é um dos métodos de aumento de ingestão de água em felinos, que neste caso seria muito importante, visto que dois dos animais já apresentam problemas renais. Um elemento essencial a todas as instalações para tigres é um recurso de água (Baker, 2006).

▪ Integração no recinto exterior de um tronco de madeira de grandes dimensões, com um local para prender peças de carcaça e molas (figura 160). Esta introdução permitiria o

movimento de todo o equipamento e, desta forma, dificultaria a obtenção de alimento e promoveria o desenvolvimento de comportamentos naturais de caça.

▪ Posicionamento de uma estrutura para colocação de sangue e água (figura 161), na área exterior. Esta serviria de “roller pop” para os tigres.

Futuramente gostaria de testar estes itens de enriquecimento ambiental para avaliar os seus resultados no comportamento destes animais.

Em suma, este projecto de enriquecimento ambiental, apesar da pequena amostra (três indivíduos) permitiu retirar algumas informações relativamente ao sucesso do mesmo. A criação de estímulos artificiais é definitivamente essencial para a manutenção de comportamentos naturais e redução de períodos de inactividade, sendo uma ferramenta fundamental para o bem-estar de animais em cativeiro.

Figura 160 - Imagem representativa do projecto de enriquecimento com o tronco.

Figura 161 - Representação do projecto da estrutura para colocação de sangue e água.

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