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I. La réaction de Prins

1.3. La cyclisation d’aza-Prins

1.3.2. État de l’art de la cyclisation d’aza-Prins

Perspectivando o sujeito como unidade de responsabilidade e de capacidade de acção social imputamos-lhe assim a oportunidade e responsabilidade de se apropriar e de utilizar o conhecimento, adquirido na sua experiência individual de socialização, no incremento da capacitação da liberdade de escolha e de acção sobre a sociedade e sobre o seu próprio devir individual.

Esta concepção tornou-se comum na abordagem do sistema educativo e alargou-se, por simpatia, à participação parental, olhada como parte do sistema educativo. No entanto, se por um lado os sujeitos responsáveis pela educação de menores se envolvem, e eventualmente se associam, por referência a um sistema educativo em que desejam intervir, participar, sendo parte interessada e activa da sua actualização e transformação, por outro lado o seu conhecimento sobre o sistema e sobre os modos de participação forma-se nas condições de acção (Giddens, 2000a) forjadas nesse mesmo sistema e nas áreas cinzentas da consciência prática que envolvem a comunicação e interacção na forma associativa que vão constituindo. Se o sujeito é o indivíduo humano em contexto social, pensante, reflexivo, actuante, os sistemas sociais são, apesar da original vontade de poder inerente ao sujeito participante, produtos da associação dos sujeitos e não dos sujeitos da associação22.

Na origem da sistémica social está, de facto, o conceito de associação que Durkheim fixou no centro da sua análise:

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E retomamos aqui a nossa crítica às variantes humanistas, liberais ou românticas que lêem o mundo a partir do indivíduo.

“Mas dir-se-á, dado que os únicos elementos que formam a sociedade são os indivíduos, a origem primeira dos fenómenos sociológicos só pode ser psicológica. Raciocinando assim também se pode afirmar que os fenómenos biológicos se explicam analiticamente pelos fenómenos inorgânicos. Com efeito, é bem certo que não há, na célula viva, senão moléculas de massa bruta; simplesmente estão associadas, e é esta associação que é a causa desses fenómenos novos que caracterizam a vida e cujo gérmen é impossível encontrar em qualquer dos elementos associados. É que um todo não é idêntico à soma das suas partes, é algo de diferente cujas propriedades diferem das que revelam as partes de que é composto. A associação não é, como por vezes se pensou, um fenómeno, por si mesmo, infecundo, que consiste simplesmente em relacionar exteriormente factos adquiridos e propriedades constituídas. Não será antes, pelo contrário, a origem de todas as novidades que se foram produzindo sucessivamente no decorrer da evolução geral das coisas?”

Durkheim, 2004: 128,129

Não negamos a existência de um sujeito individual mesmo quando o indivíduo se associa ou se integra numa comunidade forte. A associação entre os indivíduos é, porém, uma condição social necessária à existência humanizada de cada indivíduo, ela antecede e fornece, sob a forma de “mundo de vida”, o horizonte essencial em que o sujeito descobre a sua subjectividade. A associação entre os indivíduos, portadores de pensamento e de conhecimento, cria propriedades específicas do ser social que não encontramos, nem imputamos, ao ser psíquico ou físico de cada indivíduo, não constituindo pois, em qualquer dos casos, soma de qualidades ou de subjectividades individuais. Para Durkheim, como para Parsons, estas propriedades específicas que são “origem de todas as novidades que se foram produzindo sucessivamente no decorrer da

evolução geral das coisas” condicionam, limitam e constrangem a acção dos indivíduos

que, como seres sociais e socializados, interiorizam valores e normas decorrentes da necessidade de conservar, manter e renovar a associação. Nesta lógica segue-se a asserção indelével de Karl Marx de que “não é a consciência dos homens que determina

a sua existência, mas sim a sua existência social que determina a sua consciência” (cit.

Neste ponto, todavia, reencontramos os limites teóricos do funcionalismo. Aceitamos a primeira parte – “não é a consciência dos homens que determina a sua existência”, mas não nos parece que a sua existência social possa determinar todos os processos, operações e motivações de uma consciência. Eventualmente teríamos de observar um observador (uma consciência) que descrevesse esse determinismo social de forma coerente e racionalmente aceitável enquanto negava a sua própria subjectividade, paradoxo só superável pela declaração unilateral, e subjectiva, de cientificidade. Pelo contrário, afirmamos a limitação da observação científica, que releva sobretudo da dupla contingência no processo de comunicação e do grau de desconhecimento que ainda temos sobre o cérebro humano, nas abordagens inconclusivas aos processos a que a uma tradição sociológica designou por “interiorização de normas e valores”.

O conhecimento comum, enquanto reserva de conhecimento social (Giddens, 2000a: 19), só em parte é consciente, e mesmo assim, a racionalização da acção é um processo de revelação de intenções, motivações e pretensões que só ocorre à posteriori segundo formas definidas por observadores, sistemas de observação ou de auto-justificação, como é o caso paradigmático das lógicas de acção. Assim, é questionável se a centralidade do sujeito nas perspectivas liberais, sujeito livre e atómico, ou nas perspectivas vitalistas, sujeito construído pela vontade de poder, constituirá uma base sólida para a análise dos sistemas sociais. Não será a centralidade do sujeito um efeito de associação na sociedade moderna? Ou um mero reflexo da racionalidade política implícita na governamentalidade e nas tecnologias de poder (Foucault, 2001 [1978]23? É também questionável a imputação da agência a actores-sujeitos individuais se analisarmos a sociedade como sistema constituído por comunicação, e nada mais que comunicação (Luhmann, 2005), pois os sistemas sociais adquirem qualidades não- humanas, apesar do ambiente humano (sistemas psíquicos) que os envolve, não

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“Através desta palavra «governamentalidade» quero dizer três coisas. Por governamentalidade,

entendo o conjunto constituído pelas instituições, os procedimentos, análises e reflexões, os cálculos e as tácticas que permitem exercer esta forma bem específica, ainda que complexa, de poder, que tem por alvo principal a população, por saber maior, a economia política, por instrumento técnico essencial os dispositivos de segurança. Em segundo lugar, por governamentalidade, entendo a tendência, a linha de força que, em todo o Ocidente, não cessou de conduzir, e ao longo de muito tempo, em direcção à proeminência deste tipo de poder, que podemos chamar de «governo», sobre todos os outros: soberania, disciplina; aquilo que levou, por uma parte, ao desenvolvimento de toda uma série de aparelhos específicos de governo e, por outra parte, ao desenvolvimento de toda uma série de saberes. Enfim, por governamentalidade, creio que faltará entender o processo, ou melhor, o resultado do processo através do qual o Estado de justiça da Idade Média, que se tornou nos séculos XV e XVI Estado administrativo, se encontrou, pouco a pouco, governamentalizado.” (Foucault, 2001a: 655)

explicáveis por intenções, motivações e pretensões de indivíduos reveladas à posteriori por sujeitos auto-descritores:

“Os sistemas de consciência (mind) e os sistemas de comunicação existem completamente independentes entre si. Ao mesmo tempo, contudo, formam uma relação de complementaridade estrutural […]. O meu argumento é o seguinte: a independência de cada sistema fechado é um requisito para a complementaridade estrutural, isto é, para a iniciação recíproca (mas não determinação) da escolha actualizada da estrutura.”

Luhmann cit. in Moeller, 2006: 82

Assim, os elementos e as propriedades dos sistemas sociais não estão nos sujeitos, nem os elementos são indivíduos, nem as propriedades são características de indivíduos. Mas estes mesmos sujeitos individuais, dotados de consciência, são estruturantes na medida em que intervém na formação de estruturas sociais, enquanto parte do ambiente dos sistemas sociais e enquanto co-produtores da sua evolução. A agência pode ser, assim, humana e não humana24, e esta abertura a outras possibilidades empíricas vem conceder ao nosso horizonte analítico a margem que nos liberta dos pressupostos voluntaristas que, na “arquitectura” teórica de Foucault, marcam a abordagem da questão do poder. Se a vontade de poder do sujeito individual, colocada como fonte da capacidade de transformação do mundo e de influenciar os outros, exige conhecimento e hoje (na sociedade do conhecimento), claramente, conhecimento científico, então o conhecimento é um recurso decisivo não só para os indivíduos, como para a autopoiesis dos sistemas sociais. Mas será exagero pensar, porém, que as escolhas ou a actualização das estruturas sociais venham a ser mero reflexo do conhecimento de indivíduos poderosos, superhomens (versão Nietszche), ou de sábios iluminados, guardiães (versão Platão), quando este mesmo conhecimento é construído no debate e na disputa permanente, convivendo e interligando-se na luta por outros recursos decisivos : poder político, dinheiro, energia, água, terra, informação, etc. Podemos até considerar o conhecimento como a nova mercadoria-chave do capitalismo flexível, mostrando o seu movimento de “enclosures” (Jessop, 2003: 8) enquanto objecto-mercadoria sujeito a

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Não humana no sentido em que os processos de comunicação têm vida própria, tal como as células do corpo humano dispõem de propriedades específicas que, sendo biológicas, não são humanas.

apropriação, separação e propriedade. Esta é, certamente, a tendência mais preocupante do conhecimento na sociedade do conhecimento.

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