Chapitre 3 : Propositions didactiques
3.3. Les étapes de la séquence didactique
,QWHUYLUSRUPHLRGR3URMHWR3ROtWLFR3HGDJyJLFRUHVVLJQLÀFDGRHFRQV- truído coletivamente com base na realidade de cada escola, é o que esse Plano GH$omRSURS}HDRDÀUPDUDPXGDQoDHPSUiWLFDVHPWRUQRGDV'LUHWUL]HV Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana.
Defende-se serem esses os caminhos possíveis para elaborar uma pro- posta de matriz curricular que redirecione a organização e a dinâmica da uni- dade escolar, de modo que o fazer pedagógico seja um fazer político que se disponha a detectar e enfrentar as diversas formas de racismo e a valorização da diversidade étnico-racial na escola, particularmente nas de Ensino Médio. Isso não se faz em completa harmonia, tampouco apenas no discurso.
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Nas palavras de Ilma Passos (2003):
A instituição educativa não é apenas uma instituição que reproduz re- lações sociais e valores dominantes, mas é também uma instituição de confronto, de resistência e proposição de inovações. A inovação edu- cativa deve produzir rupturas e, sob essa ótica, ela procura romper com a clássica cisão entre concepção e execução, uma divisão própria da organização do trabalho fragmentado.
Dessa perspectiva, a idéia de harmonia que ainda vigora na cultura escolar é posta em questão. Conforme Souza, Vóvio e Oliveira (2004), em contextos de reivindicação de direitos, entre eles o direito de agrupamentos étnicos, é que o Projeto Político-Pedagógico de cada escola ganha sentido. Os sujeitos UHDÀUPDPDLQWHQFLRQDOLGDGHHDHVSHFLÀFLGDGHGDDomRHGXFDWLYDQDHODER- ração do projeto, entendido como espaço e processo de formação. É nesse GRFXPHQWR GD HVFROD TXH R FRPSURPLVVR GD HGLÀFDomR GH XPD HGXFDomR pública de qualidade se concretiza: na articulação dos aspectos políticos e pedagógicos; e na proposição de um currículo comprometido com a valori- zação da diversidade.
É imprescindível que a discussão, a análise e a reestruturação do Projeto Político-Pedagógico (PPP) sejam entendidas como um processo construído coletivamente entre todos os envolvidos.
O fundamento aqui adotado em relação ao projeto político-pedagógico assume a perspectiva emancipatória e anti-racista e foge da idéia de que seja um instrumento meramente burocrático. Aposta, sim, em uma idéia de docu- mento que coloca em pauta e procura olhar cotidianamente as questões macro e micro, tais como o atendimento da secretaria escolar, os alimentos servidos, DHVFROKDHSUHSDUDomRDVPDQHLUDVGHUHVROYHURVFRQÁLWRVEHPFRPRSUR- mover atitudes e valores que favoreçam a convivência.
Os sujeitos que constroem e movimentam o projeto político-pedagó- gico são protagonistas, atuantes, e procuram eles mesmos formas de res- ponder pelo engendramento e fortalecimento de ações de transformação. A comunidade escolar – gestor educacional, coordenadores, orientadores, SURIHVVRUHVHGHPDLVSURÀVVLRQDLVTXHWUDEDOKDPQDHVFRODHVWXGDQWHVSDLV mães e parentes responsáveis – deve assumir a responsabilidade coletiva e individualmente.
Considera-se a inserção das Diretrizes no Projeto Pedagógico da escola como a assunção de um conjunto de valores, e elas devem interferir na gestão da escola e não apenas da sala de aula ou na disposição dos conteúdos curri- culares, ainda que se dê também por meio dos saberes disciplinares.
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Dessa forma, uma possibilidade de trabalho recai sobre a movimentação dos conteúdos, de acordo com as áreas de conhecimento apontadas nos Pa- râmetros Curriculares do Ensino Médio, de maneira que o currículo seja or- ganizado ao longo do curso, segundo descreve Tomaz Tadeu da Silva (1999, p. 150), como lugar, espaço, território no qual são incentivadas as discussões, o entendimento e as negociações das relações de poder. De acordo com o DXWRU´RFXUUtFXORpWUDMHWyULDYLDJHPSHUFXUVR2FXUUtFXORpDXWRELRJUDÀD nossa vida, curriculum vitae: no currículo se forja nossa identidade. O currí- culo é texto, discurso, documento. O currículo é documento de identidade”.
Sobre essa questão, pesquisadores/as sobre relações raciais, entre os quais Gonçalves e Silva (2001), Gomes (2004) e Passos (2002), ao abordar a situa- omRGRFXUUtFXORGRSRQWRGHYLVWDDQWLUDFLVWDDÀUPDPTXHDHVFRODHPVXDV práticas cotidianas, ainda não possui referenciais voltados para a promoção da igualdade étnico-racial. Observa Passos que:
VHDHVFRODUHÁHWHRPRGHORVRFLDOQDTXDOHVWiLQVHULGDLVVRVLJ- QLÀFDTXHQHODWDPEpPHVWmRSUHVHQWHVDVSUiWLFDVGDVGHVLJXDOGDGHV sociais, raciais, culturais econômicas e que determinados grupos sociais ainda estão submetidos na sociedade brasileira. Do mesmo modo, te- mos nela as possibilidades para a superação das formas mais variadas de preconceito e desigualdade (2002: 21).
Isso implica considerar que a escola, ao mesmo tempo em que discrimina, ao pensar a superação desse estado e na perspectiva anti-racista, contempla um projeto e um currículo que:
adotam metodologias que propiciem ao educando a gestão do ensinar e do aprender, consoante sua identidade e objetivos da modalidade; contemplam o saber escolar e o extra-escolar para além das áreas de conhecimento obrigatório da Base Nacional Comum;
GLYHUVLÀFDPDVH[SHULrQFLDVGHDSUHQGL]DJHPSDXWDGDVHPVLWXDo}HV cotidianas que desmascaram mitos e preconceitos em relação à popu- lação negra;
enfatizam o respeito pela dignidade da pessoa humana, a diversidade cultural, a igualdade de direitos e a co-responsabilidade pela vida social, como elementos que orientam a seleção de conteúdos e a organização de situações de aprendizagem;
promovem não apenas o reconhecimento, mas a incorporação de ati- tudes que ressaltem as diferenças de forma que sejam tomadas como constituintes de identidade dos sujeitos, na perspectiva da transforma- ção das relações sociais;
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DPSOLDPHFULDPHVSDoRVSDUDUHÁH[mRHWURFDHQWUHDHVFRODHDFR- munidade por meio de alianças com organizações e instituições públi- cas e privadas da sociedade civil, comprometidas com a promoção da eqüidade social e racial, bem como organizações do movimento social negro.
Ao ter contemplado tais aspectos, o currículo, como um dos elementos de um projeto político-pedagógico, é reconstruído na direção da diversidade, respeitando os princípios que têm sido entendidos como norteadores para uma educação anti-racista: pedagogia multicultural, coletiva, cooperativa e comunitária, multidimensional e polifônica, que preserva a circularidade, a territorialidade e a ancestralidade africanas.
2.2 Organização Curricular do Ensino Médio
&RPRFUHVFHQWHGHEDWHHPWRUQRGDVFRQFHSo}HVHÀQDOLGDGHVGR(QVL- no Médio, alguns temas são recorrentes: importância da cultura juvenil, for- talecimento de identidade, inserções no mundo do trabalho, uso social das linguagens e outros. O presente trabalho os entende como pertinentes às três iUHDVGHFRQKHFLPHQWRTXHÀJXUDPQR3&1(06mRLPSRUWDQWHVHHPJUDQ- de medida dialogam com as orientações voltadas para as diretrizes de uma pedagogia de qualidade (BRASIL, 1999, p. 80-106). Ainda que não detalha- dos, são entendidos como presentes em qualquer ambiente educativo no qual os(as) jovens sejam o centro de atenção. Serão suas trajetórias de vida que LUmRDWULEXLUVLJQLÀFDGRVDRDPELHQWHPDUFDQGRRTXHPHUHFHVHUGLVFXWLGR durante a estada na escola. Tratar desses temas é fundamental para tomar o processo de construção do conhecimento como espaço de questionamentos, GHUHÁH[mRHGHFRPSUHHQVmRGHVLHGRRXWURFRPRHVSDoRGHH[SHULPHQ- tações e de transformações.