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CHAPITRE I:procédure de fabrication de la levure et principes fondamentaux

VI. Analyses microbiologiques :

1. Recherche des bactéries totales

Figura 25 – MORAIS, Frederico. Memória da paisagem. 1970. Acervo do Museu de Arte da Pampulha.

Versando sobre a exposição coletiva dos artistas Luís Paulo Baravelli, José Resende, Carlos Fajardo e Frederico Nasser, realizada no MAM/RJ em 1970, Morais criou o audiovisual "Memória da Paisagem"390 (Figura 25), naquele mesmo ano. Além dos trabalhos dos quatro artistas acima citados, também são mostradas

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A versão consultada do trabalho, digitalizada pelo artista e com duração de 4'10'', pertence ao acervo do Museu de Arte da Pampulha. MEMÓRIA da paisagem (série A Nova Crítica). Autoria: Frederico Morais. Fotografia: Paulo Fogaça. [197?,]. Posteriormente digitalizado. 1 DVD. Acervo do Museu de Arte da Pampulha.

imagens de propostas de Artur Barrio, Dileny Campos, Luciano Gusmão e Eduardo Ângelo.391

Ao considerar a exposição do quarteto de artistas em relação à poética dos materiais pensada por Bachelard ou, ainda, como uma "memória da passagem urbana"392, Morais utilizou fotografias de canteiros de obras, sucatas e construções da indústria, as quais denominou de "esculturas industriais"393. Essas sucatas provindas da indústria e os demais detritos presentes na paisagem urbana foram chamadas pelo crítico de "memória da paisagem", conforme citação contida em artigo de Márcio Sampaio, de 1971.394 Morais tentou captar o instante fugidio próprio da vida urbana e as constantes transformações pelas quais a paisagem da cidade passa. Simultaneamente aos slides (FIGURA 26), ouve-se o barulho de máquinas trabalhando, intercalado a breves instantes de silêncio e à narração realizada por Morais.

Figura 26 – MORAIS, Frederico. Memória da paisagem. 1970.

391 MORAIS, 1973, p. 5. 392 MORAIS, 1975, p. 51. 393

MORAIS, loc. cit.

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SAMPAIO, Márcio. Paiê, me leva no museu. Ah me leva , paiê, me leva. Suplemento Literário de

Nos slides, aparecem diversas imagens de áreas em obras da cidade do Rio de Janeiro. Veem-se restos de madeira, brita, vigas de aço, tubulações, tratores, lama e placas sinalizadoras. Contrapostos a esses objetos, imagens alternadas do MAM/RJ e das esculturas apresentadas na exposição, dentro do museu. Nelas, alguns dos materiais usados na construção se repetem: há obras com brita, madeira compensada, aço e outras estruturas de metal.

Em um dado momento de seu audiovisual, Morais faz referência ao "mundo resistente dos materiais"395. Gaston Bachelard396, ao falar sobre a imaginação material terrestre, discute tais imagens de resistência. Segundo o filósofo, as imagens primitivas da dureza são dinâmicas, possuem uma energia ativa e agressiva. Os materiais duros impelem o operário à sua manipulação e transformação – e trazem, com isso, o sentimento de triunfo sobre a matéria: "Pelo martelo operário, a violência que destrói é transformada em potência criadora"397. Nesse sentido, Morais parece propor a correlação entre o trabalho dos artistas dentro do museu e o dos trabalhadores nos canteiros de obras, não pelo simples fato dos artistas recorrerem aos mesmos materiais utilizados na construção civil, mas pelas imagens primitivas que esses materiais evocam.

Logo no início de seu trabalho, enquanto se veem imagens das obras na cidade e das obras dentro do museu, Morais apresenta a "Nova Crítica" ao seu espectador:

O crítico hoje não julga, cria. O censor das artes sempre foi um opressor, condenando a criação em nome de leis e princípios. A crítica aberta multiplica o sentido das obras, acrescentando-lhes novos significados. A crítica é, hoje, atividade lúdica.398

A crítica criativa de Morais, mais uma vez, procura desvelar a memória da paisagem da cidade, à semelhança do que ocorre na primeira placa de "Quinze lições": "Arqueologia do urbano: escavar o futuro". Dessa vez, no entanto, a paisagem a ser

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Ver nota 390.

396

BACHELARD, Gaston. A terra e os devaneios da vontade. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

397

Ibid., p. 107. 398

descoberta não se encontra soterrada, mas à vista, em diversos pontos da cidade, diluída na vida cotidiana.

Figura 27 – Memória da Paisagem. 1970. Acervo do Museu de Arte da Pampulha.

As obras da construção civil (Figura 27), imersas no contexto da cidade, encontram eco nas obras de arte apresentadas na exposição realizada no museu, por meio do uso dos mesmos materiais. Nesse sentido, o crítico-artista cita Michel Ragon: "Comparado ao engenheiro, o artista parece, muitas vezes, com um bricoleur: as formas primárias dos artistas, muitas vezes, menos admiráveis, que as formas primárias da indústria"399, sugerindo, desse modo, um valor artístico para as obras da indústria, ideia essa reforçada pela qualidade estética de algumas fotografias utilizadas por Morais.

A proposição de Morais de estabelecer um diálogo entre essas duas esferas aparentemente tão diversas, mas que se aproximavam dentro do contexto da exposição dos quatro artistas, passa, sobretudo, pela noção expandida de museu defendida por Morais. Segundo ele, seu desejo em "Memória da Paisagem" era de

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"sugerir aos espectadores que a verdadeira sala de exposições é a cidade"400, além de que, dentro dessa perspectiva, realizassem-se visitas guiadas aos canteiros de obras, favelas, aterros e parques, consoante sugere no letreiro que aparece ao final de seu trabalho. Visitas que, vale acrescentar, Morais realizou com seus alunos enquanto professor dos cursos do MAM/RJ.

No entanto, o caráter radical dessa interpretação sobre a arte e o espaço expositivo – que aparece em "Memória da Paisagem" e também em "Quinze Lições" – não pretende implodir o museu. Ao contrário, ao (re)significar sua função, Morais reafirma sua importância para a vida urbana. Importância que será efetiva apenas quando ele for mais que um "trambolho"401 e levar suas atividades rumo à rua. Uma confirmação disso é possível de ser verificada nas suas já citadas atividades como organizador de manifestações de arte pública (Arte no Aterro, Do Corpo à Terra e Domingos da Criação), uma vez que elas partem da premissa do museu como centro irradiador de atividades criativas que apenas se concretizarão com a experiência do espectador no âmbito da cidade.

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