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: établir un premier bilan de vulnérabilité

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O IF-SC, antigo CEFET-SC, completou um século de existência no ano de 2009. Como já mencionado anteriormente, tem por finalidade oferecer educação profissional e tecnológica, nos diferentes níveis e modalidades de ensino. No entanto, a oferta da EJA na instituição é recente. Seu início se deu a partir de 2004.

No ano de 2003, sensibilizado pelas discussões do Fórum Estadual de Educação de Jovens e Adultos – FEEJA, o professor Anésio Macari, então Diretor do CEFET-SC - Unidade de Florianópolis, sentiu- se motivado para implantar a EJA na instituição. Para tanto, foi formado um grupo de professores para estudar a viabilidade e possibilidade de ofertar o Ensino Médio na modalidade de Educação de Jovens e

Adultos.

A proposta foi bem recebida por educadores da formação geral da Unidade Florianópolis que sentiam a necessidade de abrir as portas da Instituição para esse segmento da educação. É importante destacar que durante a discussão da proposta a escola disponibilizava, no período noturno, de salas de aula e laboratórios que poderiam ser utilizados pela EJA. O entendimento do grupo de professores foi de que, para além da questão legal, prevista na Constituição Federal de 1988 e na LDB 9394/96, o CEFET-SC, na condição de escola pública, deveria contribuir para reparar uma dívida social existente no nosso país. O retorno estaria em proporcionar uma educação de qualidade para esse grupo de pessoas, afastado dos bancos escolares pelos mais variados motivos.

A obrigatoriedade de oferta de ensino na modalidade de Educação de Jovens e Adultos está prevista na Constituição Federal de 1988. No artigo 208, a Carta Magna brasileira estabelece que o dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de ensino obrigatório e gratuito, “[…] inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade própria”.

Tal obrigatoriedade de oferta para essa modalidade de ensino também é ratificada pela LDB 9394/96, na seção V, artigo 37: “A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria.”

Assim, em 2003, foi elaborado o Projeto Pedagógico do curso de Ensino Médio para Jovens e Adultos - PPEMJA – e o CEFET-SC assume a responsabilidade de “ofertar o Ensino Médio para Jovens e Adultos, com o propósito de qualificar cidadãos alijados50 do processo formal de escolaridade.” (CEFET-SC, 2003, p. 1).

De acordo com o PPEMJA, o EMJA visa:

[…] propiciar aos jovens e adultos desempregados ou na iminência de perder o emprego por falta de escolaridade e de qualificação profissional, o acesso ao Ensino Médio para que possam

50 O termo alijado se encontra no projeto de implantação do curso. No entanto, entendo que

este termo não seja muito adequado ao contexto, uma vez que a oferta de vagas não era restrita apenas àquelas pessoas que se encontravam fora do processo de escolarizaçã o. Como oferecíamos um curso de Ensino Médio, muitos dos nossos alunos chegavam à Instituição com a intenção de continuar seus estudos, uma vez que já se encontravam em processo de escolarização, na EJA, em nível de Ensino Fundamental em outrosestabelecimentos de Ensino.

desenvolver o seu potencial, resgatando, acima de tudo, a sua auto-estima e consequentemente a sua cidadania. (CEFET-SC, 2003, p.1).

Cabe destacar que havia dois grupos de professores na Instituição. Um primeiro, concentrando a maioria, não se sentiu motivado a trabalhar nesta modalidade de ensino e se recusou a ministrar aulas para esse público. O segundo grupo, no qual eu me encontrava, mostrou-se disposto em compreender esta modalidade para então atendê-la.

Convictos em enfrentar esse desafio, a de oferta de EJA no CEFET-SC, os professores de diferentes Componentes Curriculares, tais como português, matemática, geografia, história, física, biologia, química, educação física e língua estrangeira se reuniam semanalmente a fim de traçar o caminho que deveria ser percorrido para atender a modalidade de ensino, desconhecida para a maioria dos professores da Instituição.

Tais reuniões tinham, entre outras finalidades, realizar reflexões sobre a metodologia e as práticas pedagógicas que seriam adotadas no curso. Tal espaço era importante, na medida em que se tinha clareza de que, na condição de professores de vida docente voltada para as especificidades do Ensino Médio „regular‟, do pós-médio e da profissionalização, não seria difícil tentar reproduzir nas turmas de EJA aquelas práticas pedagógicas que nos eram familiares. Apresentar uma metodologia diferenciada aos estudantes da EJA era, portanto, uma preocupação, uma vez que havia o entendimento de que os estudantes que frequentariam as turmas também demandariam outra postura do professor.

A falta de experiência, no entanto, não foi o único desafio a ser superado, havia também o preconceito de muitos colegas com essa modalidade de ensino. O assunto será abordado de forma mais aprofundada no capítulo VII.

Porém, antecipando as reflexões a serem ampliadas adiante, nesta tese, é importante ressaltar que a EJA se apresentou no IF-SC num ambiente de poucas probabilidades, uma vez que a Instituição não tinha experiência em ofertar a modalidade de ensino, tampouco tinha profissionais com experiência em EJA. No entanto, foi constituído um grupo de trabalho com alguns profissionais que se dispuseram a refletir sobre a implantação da EJA (Ensino Médio) no IF-SC, campus Florianópolis.

disciplinas propedêuticas, tinham o entendimento de que era função da Instituição ofertar também uma educação destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos na idade „regular‟. Salienta- se que, assim como Moura (2006), percebo o preconceito que carregam as expressões „idade regular‟, „faixa etária regular‟, „ensino médio regular‟ tão comumente utilizadas, inclusive nos meios educacionais. Tais expressões trazem consigo uma ideia que:

[…] culpabiliza os jovens e adultos que não tiveram acesso à escola, em geral por falta de oferta pública e gratuita, ou por sua inadequação às características desses jovens. Assim, por contraste com a idéia de faixa etária „regular‟, esses indivíduos são estereotipados como irregulares, à margem, como se isso fosse opção, responsabilidade e culpa deles. (MOURA, 2006, p. 4)

Porém, na falta de outros termos que os subtituam, continuarei utilizando-os ao longo deste trabalho, a fim de identificar e diferenciar uma modalidade de ensino da outra.

Com relação ao número de horas do curso, seria ofertado com a carga mínina exigida pela legislação, ou seja, 1.200 horas, sendo totalmente presenciale desenvolvido em três semestres letivos.

Inicialmente, isso gerou uma grande preocupação nos professores: como ofertar um curso de Ensino Médio de qualidade, com metade da carga horária com a qual estávamos habituados? E mais, com o agravante de que os alunos, teoricamente, necessitavam de mais tempo para compreender os „conteúdos‟ a serem desenvolvidos?

Logicamente, ainda não estávamos conseguindo conceber um curso diferente daquele que estávamos acostumados a ofertar no Ensino Médio „regular‟.Vivenciamos, então, muitas horas de preocupação e angústias.

Falava-se em outra modalidade de ensino, com características e necessidades diferenciadas, mas isso ainda era muito novo para a maioria de nós. Não tínhamos tido a oportunidade de conhecer essa modalidade de ensino na academia e também não imaginávamos que um dia lecionaríamos para estudantes da EJA, não no CEFET-SC.

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