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: ÉQUATIONS DE RECHERCHE DANS LES BASES DE DONNÉES BIBLIOGRAPHIQUES

Tal como a MCP, comprovou-se que a MLP não se trata de um sistema unitário, mas sim de um sistema que se encontra dividido em diferentes componentes. Talvez a divisão mais clara e mais fiável seja: a memória explícita (ou declarativa) e a memória

implícita (ou não declarativa) (Baddeley, 2004). Mais uma vez, os estudos

neuropsicológicas com indivíduos amnésicos foram essenciais para justificar esta possível divisão.

A verdade é que os indivíduos que padecem de amnésia global são capazes de aprender e de memorizar certos conteúdos. A experiência do psiquiatra suíço Claparède (1911) afirma essa teoria, sendo que após ter picado a mão de uma paciente amnésica enquanto a cumprimentava com um aperto de mão, o psiquiatra verificou que, no dia seguinte, a mesma se recusava a cumprimentá-lo. No entanto, essa mesma paciente não conseguia explicar o motivo pelo qual não queria apertar a mão de Claparède.

Outra experiência que comprovou esta teoria foi a de Warrington e Weiskrantz, em 1968, que comprovou que indivíduos amnésicos demonstram aprender palavras. Estes dois investigadores realizaram um teste que consistiu na apresentação prévia de uma lista de palavras com cinco letras a pacientes amnésicos e a indivíduos sem amnésia e, após alguns dias, realizaram um teste de posterior verificação da sua retenção. Nesse último teste verificaram que, todos os sujeitos analisados, incluindo os amnésicos, conseguiram, através de pequenos fragmentos, identificar as palavras que foram apresentadas anteriormente. Isto é, a partir das primeiras três letras de uma palavra, por exemplo, conseguiram reconhecer a palavra completa presente na lista inicial (ex.: NUR – NURSE). Este processo, designado priming, tem sido alvo de vários estudos tanto em sujeitos “normais” como em sujeitos que padecem de amnésia, sendo que Schacter define este processo como “the facilitated identification of perceptual objects from reduced cues as a consequence of specific prior exposure to an object” (1992, p. 244).

As experiências realizadas por Claparède, Warrington e Weiskrantz permitem que se descarte a hipótese de um sistema de MLP unitário, uma vez que os indivíduos amnésicos analisados, por estes investigadores, recordavam-se de episódios, mas não se recordavam dos episódios em concreto. Por exemplo, no caso da experiência de Claparède, a paciente amnésica recordava-se de que não devia cumprimentar o

psiquiatra, no entanto, não se recordava da sua justificação, ou seja, não se lembrava de ter sido picada pelo psiquiatra. Já no caso da experiência de Warrington e Weiskrantz, os pacientes recordavam-se das palavras presentes na lista, mas não se recordavam do episódio da apresentação da mesma. Por outras palavras, nestes dois casos, verificou- se que um componente da memória se encontrava ativo nos indivíduos amnésicos e o outro não, sendo que, em ambos os casos, a aprendizagem não foi baseada na memorização do episódio em concreto de aprendizagem, mas sim na memória implícita que, por sua vez, poderá ser acedida indiretamente através do próprio desempenho e não da recuperação da própria informação.

Assim, a memória implícita refere-se ao “saber como” (Lourenço, 2006). Isto é, no caso da paciente amnésica, refere-se ao saber que não deve apertar a mão do psiquiatra ou, no caso da experiência de Warrington e Weiskrantz, ao saber as palavras que estavam presentes na lista inicial. Por outro lado, a memória explícita diz respeito ao “saber sobre”, ao saber justificar e ter consciência de certos acontecimentos, conhecimentos, atos, reações, etc., sendo que, nas duas experiências mencionadas acima, o mesmo não aconteceu.

Nesta mesma linha de pensamento, alguns estudos efetuados com pacientes amnésicos afirmam que os mesmos têm dificuldades em se lembrarem de informação e episódios mais recentes, ou seja, apresentam deficits na memória explícita. Porém, conseguem aprender através de tarefas de priming, ativando, assim, a memória implícita. Com efeito, estes dois componentes da MLP são anatomicamente diferentes, posto que a memória explícita parece depender de um sistema que liga o hipocampo com os lobos temporal e frontal (o circuito de Papez) e a memória implícita parece refletir as diferentes áreas do cérebro.

Além disso, é de salientar que, em 1972, Tulving propôs ainda uma divisão da memória explícita: a memória episódica e a memória semântica (in Baddeley, 2004). A primeira refere-se à capacidade de “viajar ao passado”, ou seja, de recuperar certos episódios do passado, recordando todos os detalhes e permitindo que, de certa forma, se reviva esse evento na mente. Essa recuperação decorre de um contexto espácio- temporal. Por outro lado, a memória semântica refere-se ao nosso conhecimento genérico do mundo (ex.: saber o significado da palavra “sal”, o seu equivalente em inglês, ou o seu sabor).

41 Porém, nem todos concordam com esta divisão, uma vez que existem autores que defendem que a memória semântica é simplesmente a acumulação de várias memórias episódicas para as quais a informação detalhada desparece, mantendo-se apenas a informação mais genérica dos episódios. Por outro lado, Tulving (1972) argumenta que a recuperação de informação é um ponto fulcral na memória episódica. Com efeito, estudos neuropsicológicos começaram a acumular em relação a esta possível divisão, fazendo com que esta ligação entre a memória semântica e a episódica seja uma área vívida na investigação.

Apesar de toda a controvérsia que rodeia este assunto, Squire apresenta-nos o seguinte modelo (Figura 3) que, de forma geral, demonstra a estrutura da MLP.

Assim, e tendo em conta tudo o que foi referido até ao momento, a MLP desempenha um papel importante na aprendizagem de vocabulário, uma vez que é necessário o aluno ter uma memória estável a longo prazo das novas palavras para as considerar verdadeiramente aprendidas e, consequentemente, para serem recuperadas adequadamente. No entanto, não se pode depreciar a importância da MCP, pois, como se viu anteriormente, o armazenamento de palavras na MLP, mais precisamente, na memória semântica, e a sua recuperação dependem da mesma.

Terminadas todas as aclarações terminológicas pertinentes acerca da aprendizagem de vocabulário e tendo em conta que este estudo se desbruça sobre a influência da canção na mesma, de seguida, será apresentado o enquadramento teórico relativamente ao uso da canção no ensino de LE.

Figura 3. Modelo da MLP proposto por Squire