I. Une difficile prise en compte de l’athlète de haut niveau
I.2. L’émergence des héros sportifs
O senso de lugar é “algo que é criado por indivíduos ao longo do tempo” (Paradis, 2000, p. 614), também pode ser uma resposta a características já existentes na paisagem, ou a sensação de "estar em casa" ou na cidade, que "cresce à medida que nos acostumamos a ele e aprendemos a conhecer as suas peculiaridades" (Jackson, 1994, p. 151). O espaço urbano, apesar, em certa parte, da perda das suas funções tradicionais e da sua reorientação para o turismo, os residentes ainda o determinam como um lugar central da sua comunidade, e como tal sentem um forte senso de lugar e, portanto, preocupam-se profundamente com a
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sentimentos positivos ou negativos em relação às mudanças que ocorrem, o que pode predispor indivíduos ou coletividades de indivíduos a agir em apoio ou oposição a projetos específicos de (re)desenvolvimento (Paradis, 2000).
Paralelamente, tal predisposição para a ação é o que encoraja os agentes locais a iniciarem projetos de (re)desenvolvimento. Desta forma, o senso de lugar se mistura com a economia política do lugar (Paradis, 2000), as empresas turísticas devem ter em consideração o senso de lugar e os residentes, na medida em que estes detêm um importante papel no sucesso e sustentabilidade da atividade (Liu & Cheung, 2016). Por este motivo, envolver os residentes enquanto stakeholders (Eusébio & Carneiro, 2010) do destino e na tomada de decisão sobre os efeitos do turismo, desprende a necessidade de conhecer as suas perceções sobre este processo (Stewart & Draper, 2007), visto que, “é ao nível local que os impactes do turismo se fazem sentir e têm efeito na qualidade de vida das pessoas, bem como na garantia da qualidade da experiência turística” (Moura, Mira, Mónico, & Breda, 2017, p. 1676).
A identidade do lugar apresenta-se como um fator determinante na gestão da atividade, na medida em que, não só tem um efeito direto e significativo sobre a autoeficácia empreendedora e o apoio à comunidade, como também tem um efeito positivo e indireto sobre o desempenho empreendedor dos empresários turísticos (Hallak, Brown, & Lindsay, 2012). Apesar do “local” exercer influência na participação das pessoas, enquanto empreendedores turísticos, prevalece uma ausência de vinculação entre o modo de operação e a noção de lugar (Hallak et al., 2012).
Optamos por analisar o senso de lugar nesta dissertação, pelo facto de que esta noção se apresenta como um fator que influencia as perceções e atitudes dos residentes em relação ao turismo (Gursoy, Jurowski, & Uysal, 2002; Jurowski, Uysal & Williams, 1997; Kaltenborn, Andersen, Nellemann, Bjerke & Thrane, 2008; Kwon & Vogt, 2010; Wang & Xu, 2015). Os significados do senso de lugar são ambíguos (Liu & Cheung, 2016), isto porque, os conceitos do senso de lugar, lugar de afeição, lugar de dependência e identidade do lugar são tradicionalmente sobrepostos (Jorgensen & Stedman, 2001; Lewicka, 2011).
O senso de lugar pode considerar dois conceitos, o primeiro diz respeito ao senso de lugar através do apego (Kyle, Graefe, Manning, & Bacon, 2003), o segundo diz respeito ao uso do senso de lugar como um conceito abrangente para os conceitos de afeição ao lugar, lugar de dependência e identidade do lugar (Amsden, Stedman & Kruger, 2010; Jorgensen
& Stedman, 2001). O lugar é um centro de significado d a experiência humana, das relações sociais, das emoções e pensamentos (Tuan, 2001), do senso de lugar fazem parte três componentes: o ambiente físico, as atividades humanas e os processos sociais e psicológicos humanos (Relph, 1976, 1997).
Tradicionalmente é referida a ligação entre indivíduos e lugares como um lugar de afeição (Altman & Low, 1992; Giuliani & Feldman, 19937, citado por Scannell & Gifford,
2010), isto é, o lugar incorpora indivíduos ou grupos, processos como o afeto, a cognição e o comportamento, e lugares do ambiente físico e social (Hidalgo & Hernández, 2001; Scannell & Gifford, 2010). Portanto, o senso de lugar é visto a partir da perspetiva da geografia humana como uma combinação de construções sociais que interagem com ambientes físicos (Campelo, Aitken, Thyne, & Gnoth, 2014; Stedman, 2003). É, definido como "significados, conhecimento, afeição, compromisso e satisfação que um indivíduo ou grupo associa a um determinado lugar" (Wang & Xu, 2015, p. 242).
O senso de lugar pode também estar associada a fatores socioeconómicos, incluindo a duração da residência ou os dias passados na área (Brown, Perkins, & Brown, 2003; Jorgensen & Stedman, 2006; Nielsen-Pincus, Hall, Force, & Wulfhorst, 2010), o local de nascimento e / ou local onde cresceram (Hay, 2006), a propriedade (Brown et al., 2003; Jorgensen & Stedman, 2006) e a vizinhança (Brown et al., 2003; Hay, 2006; Relph, 1976). O tipo de ação, o grau de participação da comunidade nas questões do planeamento (Manzo & Perkins, 2006), e os tipos de comportamentos pró-ambientais (Scannell & Gifford, 2010; Uzzell, Pol, & Badenas, 2002) também estão relacionados à noção de lugar.
O senso de lugar prevalece como um fator determinante para o sucesso da própria atividade turística, na medida em que, as empresas sediadas no destino turístico devem munir-se de um sentido de afeição ao local, de maneira a não prejudicar negativamente a cultura local. Isto porque, os moradores locais para além de valorizarem a componente funcional do local, têm também uma forte afeição ao local e, como tal, tendem a escolher empresas que promovam e valorizem o seu lugar (Liu & Cheung, 2016).
A preocupação em que exista uma participação ativa dos residentes, quer no consumo quer na comercialização, contribui para o desenvolvimento sustentável do turismo, isto porque, as empresas de turismo que escolheram estão de acordo com os atributos do local
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(Liu & Cheung, 2016). Um bom exemplo de iniciativas que promovam o respeito pelo local são os moradores cosmopolitas, isto porque, são "pessoas locais com uma visão e experiência do mundo exterior que, tendo visto novos potenciais no seu lugar de origem através da sua exposição externa, voltam e apresentam iniciativas" (Lorio & Wall, 2012, p. 1446), que são fundamentais, muitas vezes, para a iniciação do turismo no local.
Por outro lado, quando são pessoas externas, ausentes daquilo que é ter a noção do lugar ou familiarizadas com a cultura local e iniciam atividades turísticas onde o tipo de negócio e modos de operação estão direcionados para o lucro. Este tipo de negócios gera geralmente, impactes culturais negativos na comunidade (Liu & Cheung, 2016). Neste sentido, devemos ter em conta os impactes negativos que podem ocorrer ao nível do destino, até porque, “o turismo, quando não planeado, pode destruir os recursos dos quais depende” (Breda & Costa, 2010, p.30). Por outro lado, embora não sejam dotados de uma ligação emocional ao local, existe uma ligação funcional com o local, na medida em que estão dependentes do desenvolvimento do turismo para a obtenção de retorno (Liu & Cheung, 2016).
O senso do lugar e da cultura local são importantes para o desenvolvimento, não só sustentável, como também social dos projetos de revitalização urbana (Yung, Chan, & Xu, 2014). Devem ser tomadas ações que potenciem o aumento do senso de lugar junto dos empresários e paralelamente da consciência da importância da preservação da cultura local. Portanto, cultivar a noção de lugar dos possíveis investidores vai proporcionar mais facilmente impactes positivos à comunidade, incluindo a satisfação para com a atividade, e consequentemente, vai contribuir para alcançar a meta do desenvolvimento sustentável (Liu & Cheung, 2016).