3 Emprises pastorales : trois vallées pyrénéennes pour terrain d’analyse comparée
3.1 Comment les élevages entretiennent les montagnes… mais quelles montagnes
Para a composição dos Grupos Focais, buscou-se contatar os participantes com a ajuda de membros do GP_CDG, do qual esse pesquisador faz parte, que atuaram no
PROLICENMUS. Após o fornecimento de uma lista de possíveis colaboradores, fez-se, então, contatos individuais com eles, por meio de e-mails, telefone e do aplicativo WhatsApp, convidando-os. O desejável é que esses fossem representantes dos diferentes polos das quatro regiões brasileiras, nas quais o PROLICENMUS aconteceu. Dentre as quatro regiões em que o PROLICENMUS foi implantado, o Grupo Focal dos Tutores e Professores se configurou com os seguintes representantes: um ex-tutor da Região Norte, três ex-tutores da Região Nordeste, dois ex-tutores da Região Sul, dois ex-tutores da Sede-UFRGS, uma ex-professora e a ex- coordenadora do Programa, somando assim dez participantes. O grupo não contou com representantes da Região Sudeste. O encontro do Grupo Focal foi realizado no dia 06 de agosto de 2019, às 20h, com a utilização do aplicativo Hangouts, ferramenta do Google, e teve a duração de 2h15min. O grupo foi mediado pelo pesquisador, seguindo um roteiro semiestruturado. Na análise realizada, os participantes, estão identificados como: Tutor 1 a Tutor 8 (Tt_01, Tt_02, Tt_03, Tt_04, Tt5, Tt6, Tt7, Tt_08), o professor como Prof_1 e a coordenadora como Cood_01. Já o Grupo Focal dos Egressos se configurou com representantes de três, das quatro regiões, sendo: três representantes da Região Sudeste, um representante da Região Nordeste e um representando a Região Norte. Além destes, o Grupo Focal contou com a participação da ex-coordenadora do curso. Os Egressos convidados da Região Sul, embora tivessem agendado a participação, não compareceram ao encontro. O Grupo Focal foi realizado no dia 29 de julho 2019, às 20h, também pelo Hangouts, e teve a duração de 2h40min. Este grupo também foi mediado pelo autor deste estudo, seguindo um roteiro semiestruturado. Na análise realizada, os participantes deste segundo grupo estão identificados como Egresso 1, Egresso 2, Egresso 3, Egresso 4 e Egresso 5 (Eg_1, Eg_2, Eg_3, Eg_4 e Eg_5). Após apresentações, cumprimentos, saudações e agradecimentos, para ambos os grupos, foi disponibilizado um tempo, logo nos primeiros minutos do encontro, para a leitura silenciosa, por cada integrante, de um roteiro com possíveis tópicos a serem discutidos. Tal esboço tinha como objetivo esclarecer por onde se desejava caminhar na discussão. Dessa forma, entendeu- se, que as colocações seriam válidas e suficientemente representativas de ambas as partes. Assim, tentou-se trazer à memória dos participantes os Caminhos da Avaliação do PROLICENMUS, tema dessa tese.
Percebeu-se, que cada Grupo Focal teve características próprias. Isso já era esperado, porque eram essencialmente distintos devido à sua constituição: o Grupo Focal composto por ex-tutores, ex-professores e a ex-coordenadora do PROLICENMUS apresentou um olhar crítico, a partir do ponto de vista institucional. Por isso, se considera que o primeiro teve, predominantemente, um Olhar Intrapessoal (SANTOS, 2018) sobre o Sistema de Avaliação,
fundamentado na ideia do olhar de dentro do próprio Programa. Já, os integrantes do segundo Grupo Focal, os Egressos, revelaram a percepção de quem recebeu do Programa a proposta do Sistema de Avaliação. Daí a ideia de um Olhar Interpessoal (SANTOS, 2018), na perspectiva da interrelação do que lhes foi ofertado e aceito (LEITE, 2018). De forma geral, percebeu-se que o Grupo Focal dos Tutores e Professores tendeu a generalizações e a uma certa impaciência. Em suas falas, apareceu sempre a ideia de que os licenciandos, no geral, agiram de uma forma imatura e com compreensão reduzida, apresentando comportamentos que evidenciavam pouco entendimento do Sistema. Particularmente, sobre aquilo que implicava o enfrentamento de críticas e desafios a si mesmos, durante a realização do PIP. Embora se tenha percebido, que determinadas falas se referiam a polos e situações bem específicas, observa-se uma tendência à concordância com tais afirmações, como se elas pudessem ser aplicadas em qualquer um dos polos, generalizando assim suas percepções. Constituíam, assim, um grupo visivelmente unido e coeso, identificados em suas experiências e compreensões.
Já no que tange à percepção dos Egressos, os integrantes desse Grupo Focal estavam mais preocupados em falar, cada um, de si mesmo, insistindo em posicionamentos pessoais, e destacando as próprias percepções, numa evidente tendência a falarem das suas experiências particulares, assumindo poucas generalizações de suas percepções. Pode-se perceber que, em ambos os grupos, alguns participantes assumiram a liderança da palavra, iniciando assuntos e instigando novas temáticas. Em contrapartida, outros participantes, como se pode perceber em qualquer atividade em grupo, se posicionaram mais como ouvintes e, quando se pronunciavam, apropriavam-se de ideias de outrem, sempre tecendo comentários complementares, baseados em suas próprias histórias. No geral, em nenhum dos grupos se teve discussão perturbadora, com total discrepâncias de ideias; pelo contrário, as discussões caminharam por falas complementares, respeitosas com as ideias que já haviam sido apresentadas. Os participantes, na maior parte das vezes, concordavam com as ideias e proposições do outro, utilizando-se predominantemente de complementos a elas. Tal fato fez com que as temáticas convergissem para afirmações, com as quais todos aceitavam as colocações feitas e, a cada tópico, um integrante se empenhava em complementar e esclarecer melhor as ideias dos anteriores. Mesmo assim, é importante registrar o quanto cada um sentia impulso de narrar suas próprias vivências, nem que fossem como exemplos, do que estava sendo afirmado.
O quadro que segue tem como objetivo mostrar uma visão mais clara de quanto cada tópico (Molduras e Instrumentos) do Sistema de Avaliação do PROLICENMUS deteve a atenção dos seus participantes, especificamente, em três categorias: a) no que se refere ao tempo
de discussão; b) ao número de participantes em cada determinada tópico; e c) ao número de parágrafos que rendeu, em texto, cada temática. Destaca-se, que a apresentação de alguns dados se aproxima de elementos meramente quantitativos; mas esta é a ideia para este momento, cuja intenção é, apenas, a de auxiliar o leitor a visualizar o momento da coleta dos dados, de um modo objetivo. Tal tentativa de tornar a etapa de coleta de dados o mais concreta e fidedigna possível servirá de referência para os reais significados dos dados contidos no Quadro 9, a posteriori discutido, sob um olhar, essencialmente, qualitativo.
Quadro 9 – Síntese dos tópicos dos Grupos Focais realizados
Tópicos Grupo Focal dos Tutores e Professores Grupo Focal dos Egressos
Tempo de fala Node participantes
na fala No de parágrafos Tempo de fala Node participantes na fala No de parágrafos gerados Molduras
Exigências Legais e Institucionais 2 min. 3 1 0 0 0
Seminários Integradores Presenciais (SIPs) 50 seg. 1 1 30 seg. 1 1
Instrumentos
N1 11min. 5 1 8 min. 3 1
N2 10 min. 6 1 16 min. 4 2
N3 39 min. 9 6 19 min. 5 3
NI 0 0 0 0 0 0
Classificação por Cores 18 min. 1 4 25 min. 3 1
PIP-PIE 6 min. 4 2 8 min. 4 3
Estágio Supervisionado 0 0 0 0 0 0
Recital de Formatura 0 0 0 0 0 0
Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) 0 0 0 30 seg. 1 1
Defesa de Produção Intelectual 0 0 0 1 min. 1 1
Evasão 40 seg. 3 4 0 0 0
Recuperação/Pendências 4 min. 2 4 20 min. 5 7
Reprovação x aprovação 13 min. 3 4 33 min. 5 7
Os tempos e assuntos registrados no Quadro 9 permitem, então, registrar uma primeira visão abrangente e significativa do momento de coleta dos dados. As diferentes durações de tempo ocupadas por cada um dos assuntos com seus números de participantes envolvidos nas discussões resultaram em determinadas quantidades de parágrafos após analisados, o que também indica suas relevâncias relativas. Do mesmo modo, assuntos, sobre os quais os entrevistados não foram provocados a falar e mesmo assim expressaram opiniões sobre eles, revelam grande importância. Obviamente, um tempo maior dedicado a um determinado assunto pode ser entendido como indicativo de seu protagonismo, frente aos demais; e vice-versa. Assim, observa-se que:
• Os Níveis de Avaliação, N1, N2 e N3, tiveram tempo e dedicação de fala crescentes, nesta ordem. Definitivamente, essas medidas comprovam, que a N3 se revelou como um dos grandes desafios do Sistema, único tema que teve a participação de todos os envolvidos na discussão em ambos os nos Grupos Focais.
• Em relação às Molduras, em ambos os grupos, o tópico não se apresentou com um tempo significativo dedicado à sua discussão específica, ocupando dois minutos do grupo focal do Tutores e Professores e trinta segundos do Grupo Focal dos Egressos. Mas, ao que parece, os participantes não apresentaram o entendimento de que as Exigências Legais e os Seminários Integradores Presenciais eram componentes de estruturas inegociáveis, Molduras, do Sistema de Avaliação do PROLICENMUS, mesmo que os assuntos correspondentes a elas permearam a discussão dos grupos, especialmente no que se refere aos SIPs.
• A Classificação por Cores também foi um dos tópicos que gerou um bom tempo de discussão, em ambos os grupos. A polêmica foi estabelecida pelo fato de esse procedimento ter ocorrido sem uma explicação clara, apesar de ter surgido como uma estratégia de reorganizar o caos que tinha se instalado, com a problemática das Pendências e Recuperações. Tal ação foi justificada pela urgência que se tinha de definir os níveis de desenvolvimento em que cada um se encontrava, naquele momento derradeiro do curso.
• O PIE e o PIP, mexeram com o projeto individual de cada licenciando, refletindo-se em questionamentos mais na individualidade do que na coletividade. Não foi bem compreendido ou aceito pelos estudantes, além de ser um instrumento trabalhoso e de difícil condução, para tutores e professores que dele cuidavam. Eram projetos de vida, a partir da reflexão do que era proposto no curso, desafiando contratos consigo mesmos
e apontando para perspectivas futuras, para além dos limites da universidade. Tarefa que causou estranheza nos alunos. Mais uma vez um instrumento incomum e surpreendente do processo avaliativo, que ocupou bastante os integrantes dos Grupos Focais.
• Instrumentos como Estágio, TCC e Recital de Formatura não apresentaram discussão relevante; alguns nem foram citados pelos participantes, embora a mediação tivesse em alguns momentos chamado atenção para esses tópicos, como passíveis para discussão. • O tópico sobre Evasão, apesar de ter sido discutido por pouco tempo e com uma
representação de menos da metade dos participantes do grupo focal dos Tutores e Professores, deixou, enfaticamente claro, que o Sistema de Avaliação não pode ser responsabilizado pelas reprovações acorridas. Esse mesmo tópico não foi discutido pelos Egressos.
• Temas que emergiram no grupo como Recuperação e Pendências/Aprovação e Reprovação também ocuparam uma grande fatia no tempo das discussões, o que pode ter sido provocado por lembranças de muitos desafios enfrentados para resolver tais questões, na época.
Na sequência, apresenta-se os extratos dos dados coletados a partir das falas dos participantes dos Grupos Focais, sobre a aplicação dos Sistema de Avaliação do PROLICENMUS, já sistematizados, seguindo a Análise Textual Discursiva (ATD). O método da ATD foi aplicado sobre as palavras dos participantes de ambos os Grupos Focais, as quais foram transcritas, literalmente, num primeiro momento. Elas descrevem compreensões, percepções e sentimentos revelados pelos integrantes dos Grupos e estão disponibilizadas, na íntegra, no Apêndice C, D e E desta tese. Como Apêndice E, também se encontram essas mesmas falas, já em uma primeira organização por tópicos, realizada por este pesquisador. Tais apêndices tratam, respectivamente, das etapas de Unitarização e Categorização, previstas na ATD.
A ATD parte de organização, ordenamento e agrupamento de textos e seus discursos. Aqui, neste trabalho, após o processo de Unitarização, estas foram se moldando em unidades iniciais maiores, chamadas de Categorias intermediárias e finais. Foram identificados e observados tópicos inicialmente propostos ao debate, assim como outros que emergiram, ao longo das análises realizadas por este autor, para fins dos processos de Unitarização e de Categorização. Para que não se perdesse a linearidade da pesquisa, essa Categorização foi realizada por uma sequência de passos de organização de dados, a qual seguiu a mesma ordem
de apresentação das Molduras e dos Instrumentos avaliativos. Embora essas Categorias tenham servido de orientação para a descrição que segue, novas subcategorias emergiram, as quais também serão apresentadas, por meio de uma análise comparativa. Os textos correspondentes estão posicionados como Apêndices ao texto principal da investigação, a fim de facilitar a fluidez da leitura do mesmo; todavia, sugere-se que sejam visitados, oportunamente.