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Élection du Bureau de l'université (article 14 des statuts de l'université)

III) Questions statutaires

2. Élection du Bureau de l'université (article 14 des statuts de l'université)

3.5.2.1 Micronúcleo

Micronúcleos são pequenas estruturas compostas de cromatina resultante de mitoses aberrantes, delimitada por membrana e separada do núcleo principal. Estas estruturas se formam devido à lise na molécula de DNA, dias ou semanas após a ação de carcinógenos, a partir da extrusão de cromossomos inteiros ou fragmentos destes durante o processo de divisão celular das células da camada basal. Eles se apresentam em forma ovalada ou redonda, localizados em proximidade ao núcleo da célula (figura 5) (STICH E ROSIN, 1983; STICH et al, 1984; JOKSIÉ, 2004; REIS et al., 2004).

Figura 5: Células de origem epitelial de cólon que apresenta múltiplos micronúcleos.

Fonte: BERNSTEIN et al, 2011.

Na maioria das vezes, os micronúcleos constituem-se de cromossomos inteiros ou fragmentos cromossômicos acêntricos que se desligam e perdem-se durante a mitose, mais precisamente na anáfase, e consequentemente acabam não compondo o núcleo principal das células filhas. No entanto, a formação dos micronúcleos está totalmente associada à perda de material genético como resposta a um dano cromossômico ou no aparelho mitótico (D’AGOSTINI, 1998; BONASSI et al., 2003; SALVADORI et al, 2003).

O processo de formação dos micronúcleos pode decorrer de cinco principais mecanismos (figura 6). O primeiro mecanismo seria a ação de agentes aneugênicos que interrompem a formação

do aparelho mitótico, causando problemas durante a anáfase. Isso resulta em micronúcleos constituídos de cromossomos inteiros até o final da mitose, passando essa característica para as células filhas. O segundo mecanismo corresponde à ação de agentes clastogênicos que atuam diretamente na dupla fita de DNA, formando fragmentos acêntricos que não se ligam às fibras do fuso, nem permitem a integração com o núcleo das células filhas. Tais fragmentos são deixados para trás durante a mitose. O terceiro mecanismo envolve sequências genéticas altamente amplificadas, derivadas de ―double minuts‖ extracromossômicos que podem estar contidos dentro dos micronúcleos. O quarto mecanismo corresponde a uma torção que ocorre entre dois centrômeros de um cromossomo dicêntrico que dá origem a ponte de anáfase que se rompe e resulta na formação de fragmentos acêntricos que são excluídos dos núcleos das células filhas e formam um ou mais micronúcleos no final da mitose. O último mecanismo ainda pode ser decorrente da ponte de anáfase, onde ao invés de se romper, os cromossomos dicêntricos são separados dos dois centrossômos, esquecidos durante a anáfase e retido em micronúcleos (TERRADAS et al, 2010).

Os primeiros relatos sobre a utilização da metodologia baseada na análise de micronúcelos sugiram em meados da década de 1950. Evans et al. (1959) utilizaram a freqüência de micronúcleos para mensurar as alterações cromossômicas em plantas irradiadas (EVANS et al., 1959).

O ―Teste do micronúceo‖ é realizado tanto in vivo quanto in vitro, par a determinação da capacidade de mutagenicidade de substâncias que possam ser capazes de causar danos nos cromossomos, chamadas de substâncias clastrogênicas ou daquelas substâncias que possam interferir na formação e funcionamento do aparelho mitótico, resultando em uma distribuição desigual dos cromossomos no processo de divisão celular (REIS et al, 2004). Diante a grande capacidade de o Teste de micronúcleo identificar células com alterações em nível cromossomal ele configura-se como um importante marcador biológico da exposição à carcinógenos (MAJER et al, 2001). Para a execução deste teste, diferentes tipos de células podem ser empregadas, como células animais de modo geral e vegetais, desde que possuam a capacidade de se dividir ou que possa ter esse processo induzido, que este processo seja conhecido e de possível manipulação (FENECH, 2000).

Figura 6: Mecanismos de formação de micronúcleos (MNs). (A) Formação de MNs por exposição a agente aneugênicos; (B) Formação de MNs por exposição a agente clastogênicos; (C) Formação de MNs derivadas de ―double minuts‖ extracromossômicos; (D(I)) Formação de MNs pela quebra da ponte de anáfase, que torce os cetrômeros de um cromossômo; (D(II)) Formação de MNs pela separação dos dois centrosomos.

Fonte: TERRADAS et al, 2010.

O método ―teste do micronúcleo‖ ganhou muito reconhecimento na esfera científica, sendo bastante recomendado para estudos de biomonitoramento ambiental, principalmente por permitir a detecção de alterações como quebra de cromossomos, causadas por agentes clastogênicos, e segregação cromossômica anormal (agentes aneugênicos) (FENECH, 2000; RIBEIRO et al., 2003). O método também garante várias vantagens. Os micronúcleos podem ser detectados em células em intérfase, são facilmente distinguíveis, rapidez (pois, para detectar os micronúcleos é necessário que a célula passe por algumas divisões), é um procedimento simples e sua interpretação é menos

trabalhosa quando comparado a outros testes de avaliação a nível cromossomal e permite a detecção da ação de agentes clastogênicos e aneugênicos(HEDDLE et al, 1983). Além disso, o baixo custo e a alta confiabilidade desta técnica são fatores que contribuíram para o sucesso internacional e a sua adesão como biomarcador em estudos in vitro e in vivo do dano genômico (BONASSI et al., 2003).

3.5.2.2 Ensaio cometa

O ensaio cometa é um teste que permite a identificação de compostos genotóxicos, ou seja, aqueles que causam danos ao DNA, através da visualização de células danificadas por microscopia de fluorescência. Os primeiros ensaios foram relatados por Östling e Johanson, em 1984, quando estes pesquisadores desenvolveram o teste de avaliação genotóxica com células individualizadas, tratadas, aplicadas em um gel de agarose de baixo ponto de fusão sobre lâminas de microscopia, previamente preparadas, submetidas a um processo de ruptura de membrana e a um campo elétrico utilizando um tampão alcalino (CANTALICE, 2014; GONTIJO E TICE, 2003).

A utilização de substâncias alcalinas neste método garante a observação de rupturas duplas e simples na estrutura helicoidal do DNA. Em sítios lábeis alcalinos, a cadeia polinucleotídica pode sofrer rupturas quando o DNA encontra-se incubado em pH elevado, e as ligações cruzadas em posições diferentes no DNA (crosslinks), resultantes da ação de compostos genotóxicos, podem alterar a estrutura do DNA das células (COOK E BRAZELL, 1976; RAZIN et al, 1995; ERIKSSON et al, 2002). Essa alteração inclui o relaxamento em partes da molécula do DNA, que no compo elétrico, migram em direção ao cátion. O uso de corantes de ácidos nucleicos fluorescentes específicos no ensaio cometa permite a visualização de células com característica diferenciada, devido à migração do DNA que semelhante a um cometa, que pode ser visualizado por microscópio de fluorescência (SINGH et al, 1988; TICE et al., 2000).

O ensaio cometa segundo Mota et al., (2011) correlaciona a epifluorescência das células analisadas em 5 possíveis níveis de danificação genômica (Figura 7): nenhuma lesão ou dano visível no DNA, com ausência de fragmentação nuclear ou que esta seja menor que 5% (dano 0); leve danificação no DNA e leve fragmentação nuclear com discreta formação de halo, com níveis de dano correspondendo de 5 a 20% (dano 1); danificação de leve a moderada no DNA, com fragmentação nuclear visível e formação de um halo mediano. Níveis de dano correspondendo de 20 a 40% (dano 2); danificação de moderada a forte no DNA, com fragmentação nuclear visível e formação de um halo longo. Níveis de dano correspondendo de 40 a 95% (dano 3) e danificação

intensa no DNA e observação de um halo bastante extenso, ao redor, do pouco material nuclear e a formação de uma cauda semelhante a de um cometa, sendo este último, a forma mais grave de danificação, com níveis de dano superior a 95% (dano 4).

Figura 7: Padrão de escores utilizados para determinação do índice de dano no teste do cometa segundo Mota et al (2011).

Fonte: Imagens do autor.

Ensaio do Cometa traz consigo inúmeras vantagens que incluem o seu rápido desempenho,a sua simplicidade e sua alta sensibilidade para vários tipos de danos no DNA, além do baixo custo e por grande aplicabilidade em estudos tanto in vivo como in vitro ou no monitoramento da exposição humana a agentes tóxicos, podendo ser utilizado em qualquer tipo de tecido sem a limitação da proliferação celular para a análise (DA SILVA et al., 2002; GONÇALVES et al., 2003; DEHON et al., 2008). Nas últimas décadas, esta metodologia tem sido bastante empregada no estudo de células sanguíneas humanas desde o conhecimento da ação de substâncias químicas mutagênicas até avaliação de suscetibilidade à radiação (CORONAS et al., 2008; FAUST et al., 2004).

O Ensaio Cometa não requer como condição, que as células utilizadas para o estudo estejam em constante divisão para observação da viabilidade celular em cultura, ao contrário de outros tipos de ensaios de genotoxicidade. Contudo, o teste pode ser realizado com células normais, como os linfócitos que são obtidos facilmente por meio de coleta de sangue e até mesmo em células

provenientes de diversos tecidos, como o fígado, mama, pulmão e os rins, também têm sido testados. A avaliação de diversos tipos celulares permite determinar os efeitos de genotoxicidade das substâncias tóxicas que são muitas vezes peculiares para cada tipo de tecido do organismo (MITCHELMORE E CHIPMAN, 1998).