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Éléments pris en compte dans les évaluations des programmes de formation

CHAPITRE 2 : ÉTAT DES CONNAISSANCES ET QUESTIONS DE RECHERCHE

2.2 Éléments pris en compte dans les évaluations des programmes de formation

O primeiro vídeo a ser analisado nesta seção é o Não Faz Sentido! - Gente Colorida, publicado em 30 de abril de 2010, mês de ativação do canal Não Faz Sentido!. O vídeo em questão é o 6o disponibilizado no canal e o 3o mais popular (most popular). O asunto em pauta na fala de Felipe Neto são as “bandas coloridas” e o fãs desses grupos musicais, como anun- cia o performer antes da vinheta de abertura, com o título “NÃO FAZ SENTIDO - OS COLORIDOS!” (FIG. 31).

As indagações de Neto, que lhe permitem discorrer sobre determinado tema, permane- cem presentes: “Como eles chegaram lá? Como eles alcançaram isso?” (NETO, 2010f). A voz do performer está ancorada e sustentada pelos gestos das mãos, que se deslocam livremente por todo o espaço cênico. Os dedos se movem para frente ou para trás, para cima ou para bai- xo, na vertical ou horizontal (FIG. 31), promovendo e dando a entender, juntamente com o que foi dito, o percurso trilhado pelos grupos musicais até que chegassem onde se encontram hoje. Novamente, percebemos que os gestos das mãos concentram aquilo é dito por Neto.

No intuito de responder as questões e continuar a conversa com suas audiências, Felipe retoma aspectos de sua vida pessoal e diz que se recorda de sua juventude, quando es- cutava a banda Legião Urbana e o cantor Cazuza. Segundo ele, “bandas que tinham algum ti- po de mensagem pra dizer além de... a sua babinha é muito atraente, eu quero te dar um beijo.” (NETO, 2010f). A partir dessa fala, percebemos novamente que o performer preza por quali- dades e aptidões que vão além de características físicas que se aproximam dos padrões ou ide- ais de beleza que permeiam o imaginário social, bem como por artistas que levem à reflexão e se distinguem das “modinhas”, por mais que esses grupos tenham sido bastante ouvidos em décadas anteriores.

Figura 31 – Quadros do vídeo Não Faz Sentido! - Gente Colorida – YouTube – 2010

Fonte: NETO, 2010f

Neto se diz assustado e surpreso com o modo como tudo “ficou colorido”. Ele alega que não acompanhou esse processo de transição entre bandas que “tem algo pra dizer” e as “bandas coloridas”. Quando ele percebeu, “tava tudo colorido”. Ele se diz irritado com “pes- soas coloridas” e que, portanto, não gosta de gente desse tipo.

Tentando relativizar e suavizar o argumento, que poderia ir de confronto com as esco- lhas das audiências em curtirem tais tipos de bandas, o performer declara que não se trata de racismo. De modo humorado e irônico, entre duas cenas separadas por corte seco na imagem, ele pontua: “Isso não é racismo não. Não tem gente azul também pra ser racismo. Tem... tem gente azul...” (NETO, 2010f).

A crítica se estende dos “grupos coloridos” para as “roupas coloridas”. Neto pergunta quem foi o “filho da puta” que inventou a calça laranja e que, juntamente com essa peça de roupa, veste também uma camisa “azul piscina”. Enquanto desloca a cabeça da esquerda para a direita, ele especifica: “É aquele cara [que] se você ve andando na rua, você não tem como

parar e acompanhar... E a única coisa que você consegue pensar é: que porra é essa?” (NETO, 2010f).

Associando a temática das “celebridades” – neste caso tomada como grupos musicais de grande repercussão entre os adolescentes e jovens – ao tema da “adolescência”, Felipe re- força com a voz mais intensa: “Eles gostam de ser admirados. Eles gostam que você pense “que porra é essa”. A juventude sempre foi assim. A juventude sempre foi revolucionária. Ela sempre quis que você enxergasse ela como “que porra é essa”. Só que a criatividade acabou...” (NETO, 2010f). Notamos com esse proferimento, mais uma vez, que os temas tratados e performados por Felipe Neto em seus diversos vídeos se encontram entrelaçados, mutuamente permeados, caminhando juntos na construção de uma narrativa de si que se vale de múltiplas temáticas para construir uma imagem a partir dos media a ser vista por diferentes olhares.

Em performance, Felipe interpreta uma das composições do grupo musical Cine, nome também utilizado por ele para cadastrar o vídeo no YouTube, como destacamos ante- riormente ao mencionarmos as palavras-chave que demarcam esta seção. Cantarolando uma das partes da música Garota Radical da banda Cine, que aparece em um letreiro sobreposto à imagem videográfica, a encenação do performer é enriquecida tando pelo modo como a voz é expressa, ao estilo de uma declamação de uma poesia, de maneira pausada e dramática, como também pelos gestos e expressões faciais, que potencializam aquilo que é dito, como o cora- ção feito pelas duas mãos – gesto bastante empregado pelos adolescentes e jovens (FIG. 31).

É interessante perceber que assim como os vários cortes secos que o vídeo apresenta, Felipe sabe se utilizar de todo o espaço da tela, posicionando-se de maneira alternada entre os diferentes cantos do palco (frente, trás, direita, esquerda e centro), como também se deslo- cando pelo espaço cênico, como quando ele se vira para a cochia (laterais) ou até mesmo sai de cena, como que se dirigindo para a casa ou lugar em que as audiências se encontram para assistir o material vieográfico (conferir as figuras dos vídeos analisados).

O momento do vídeo que mais chama a nossa atenção é quando Neto, após relatar as rixas entre grupos como Restart e Cine, enfatizando, ainda, um comportamento afeminado dos integrantes e fãs das diversas bandas “coloridas”, discorre sobre um “maluco de uma banda chamada Tóquio Hotel. Ao falar deste artista, Felipe insere sua imagem no vídeo e cri- tica o modo como esta celebridade se veste e se comporta, dizendo que algo está errado.

Outra vez o performer problematiza questões de gênero e de sexualidade (uma das principais temáticas nos vídeos) e emite uma opinião controversa àqueles que aderem e optam por essa escolha e orientação sexual pessoal. Tematizando essa questão, com vários palavrões e palavras de baixo calão, ele enfatiza que o símbolo pra “colorisse” é uma mão caída, que re-

mete à uma imagem recorrente e estereotipada dos homossexuais. O símbolo para o rock, por sua vez, como deveria ser o caso da banda Tóquio Hotel, teria de ser outro, que remetesse ao masculino. Observemos a passagem:

Eu tava navegando na porra da internet e eu me deparei... com um maluco de uma banda chamada Tóquio Hotel... Tóquio Hotel... foda-se... Ele me deixou... assim... borbulhando por dentro... assim... de raiva mesmo. Não é raiva artificial não, é raiva de verdade, é raiva sem entender dessa porra não fazer sentido. Foi esse filha da puta aqui ó [imagem fotográfica do integrante da banda na tela]... Tá aqui no vídeo. Cara, tu é muito escroto, maluco! Porra, como esse maluco fica assim, cara? Será que a mãe desse boçal olha pra ele e fala assim: ah, eu sinto tanto orgulho do meu filho. Não, cara! Não! Não pode... alguma porra tá errada... Tem alguma coisa errada nes- sa merda. E esse cara é tratado como roqueiro, cara, como roqueiro, cara! Não é... Cara, eu vi várias fotos tipo da banda Cine, de um homem sentado numa pose toda escrota assim... tipo... eh... não sei o quê... Não! Cria um símbolo pra colorisse... [pose com o punho deslocado para a frente] Pronto. Tá criado um símbolo pra vocês. Usem! Não tirem o símbolo do rock and roll. Vão se fuder... (NETO, 2010f).

Por fim, o vídeo termina da mesma maneira que os outros vídeos publicados no canal Não Faz Sentido!, com um apelo às audiências para aderirem à performance:

Então é isso galera, se você gostou do vídeo, se você concorda com essa opinião e você acha que essa porra tá toda errada, por favor, clique em gostar aqui em baixo... o botãozinho ali, gostar... [letreiro: Lado errado, idiota!] que assim vocês ajudam na divulgação do vídeo e inscrevam-se no canal... aí Alan, dessa vez eu acertei o lado, né? [letreiro: NÃÃO! É do outro lado!!!] Inscrevam-se no canal pra poder receber as atualizações. Falou! Ou! Não sei porque que eu fiz isso. (NETO, 2010f).