Chapitre II : Mouvements des membres du corps humain et leurs fonctions
II- 3. Les éléments des membres supérieurs et leurs fonctions
Com a realização do presente trabalho experimental pretende-se definir os procedimentos de ensaio a adoptar para avaliar o comportamento de blocos de terra a utilizar na concepção de alvenarias e, como validação de tais procedimentos, proceder à caracterização de diferentes tipos de blocos de terra.
Na campanha experimental são analisados cinco lotes de blocos, que se distribuem por três tipos de fabricação:
- 2 lotes de blocos maciços de terra comprimida (BTC) provenientes de Espanha (Badajoz) e Montemor-o-Novo (Telheiro da Encosta do Castelo), designados, respectivamente, como BTC B - de Badajoz - e E – da Encosta;
- 2 lotes de blocos maciços de terra crua, provenientes de Évora e de Montemor-o-Novo, que são designados como C – crus – e como TC respectivamente;
- 1 lote de tijolos maciços cozidos, produzidos a partir do lote de tijolos crus de Montemor-o- Novo designados como TB (tijolo “burro”).
Os lotes E, TC e TB são produzidos no Telheiro da Encosta do Castelo de Montemor-o-Novo, propriedade da Associação Cultural Oficinas do Convento. Os blocos do Lote E foram produzidos em Agosto de 2012 e o responsável pela produção foi o arquitecto Nuno Grenha. Nesta produção foi utilizada uma prensa manual da TERSTARAM. Não foi possível saber a data de fabrico dos lotes TC e TB; foram transportados para os laboratórios do DEC-FCT em Abril de 2013.
Os blocos de terra crua, TC, apesar de se poder prever a sua aplicação neste estado, estes apenas foram mantidos nestas condições com o intuito de se estudar melhor as características entre o material cerâmico e o material cru, de forma a ter uma comparação entre dois materiais (cru e cozido).
O lote B foi fabricado em Almendralejo (Espanha), na data de 2 de Agosto de 2012, sendo o responsável pela produção o arquitecto Miguel Rocha. Nesta produção foi utilizada uma prensa hidráulica, o que originou maiores forças de compactação dos BTC.
Os blocos do lote E foram estabilizados com uma percentagem de 6,25% de cal hidráulica HL5 da Secil, face à massa de solo, e os blocos do lote B foram estabilizados com cal aérea e cimento, numa proporção de ligante/solo de 5% e 1,7% em massa, respectivamente. Os restantes blocos não foram estabilizados quimicamente com qualquer ligante.
Inicialmente foram realizados ensaios de caracterização às terras utilizadas em cada lote de blocos e posteriormente foram realizados ensaios aos blocos.
No Quadro 3.1 é apresentado um resumo da designação de cada lote em estudo.
Quadro 3.1 – Quadro resumo dos lotes de blocos em estudo
Lote de blocos Designação
BTC’s da Encosta, Montemor-o-Novo E
BTC’s de Badajoz, Espanha B
Tijolos crus de Évora C
Tijolos crus de Montemor-o-Novo TC Tijolos cozidos de Montemor-o-Novo TB
Para melhor compreensão de conteúdos nesta dissertação definiu-se as faces superiores e inferiores dos blocos da mesma forma em que foram produzidos (Figura 3.1, Figura 3.2).
Nos lotes C, TC e TB consegue-se distinguir a olho nu a face superior que foi afagada pelas mãos no processo de fabrico, e a face inferior, mais irregular, que ficou em contacto com o chão.
Figura 3.1 – Faces superiores dos blocos
Nos lotes E e B, foi designado que a face em que se consegue visualizar grãos de maior dimensão seria a face superior, como se consegue comprovar na Figura 3.1 e na Figura 3.2.
Estes foram produzidos a partir de terras locais e portanto com características diferentes. De salientar que os vários lotes de blocos de Montemor foram produzidos a partir da mesma terra, no entanto o lote E, tem incorporação de um material reciclado proveniente da britagem de resíduos de construção e demolição.
O material cerâmico de produzido no Telheiro das Encostas do Castelo (TEC), caracteriza-se por uma cor avermelhada, podendo-se designar de produtos de barro vermelho, como designa (bogas, 2013), apresentando normalmente as seguintes características: elevada porosidade, grão
temperaturas, na ordem de 850ºC a 1050ºC.7
Figura 3.2 – Faces inferiores dos blocos
A qualidade deste tipo de materiais poderá ser avaliada de uma forma bastante empírica através do som que é provocado por percussão das peças. As bem cozidas produzem um som limpo e claro, enquanto as mal cozidas ou fissuradas têm um som cavo e as demasiado cozidas o som é muito agudo (Bogas, 2013)
Relativamente à designação dos solos em estudo, designou-se o solo de Badajoz com a sigla SB, o solo de Montemor-o-Novo, proveniente da Herdade da Adúa, por SM e o material obtido a partir de resíduos de construção e demolição como RCD.
O solo de Évora, que deu origem ao lote C, não foi analisado, uma vez que à data da recepção do lote, já se havia terminado a campanha experimental de análises aos solos e não houve possibilidade de realizar análise posterior.
No Quadro 3.2 é apresentado um resumo das siglas referentes aos tipos de solos.
A Câmara Municipal de Montemor-o-Novo possui uma britadeira que processa os resíduos provenientes das empresas de construção civil existentes no município, evitando que estes tenham de ser depositado em aterro e conferindo-lhes uma nova utilização. Esta utilização está dependente da granulometria do material e tem sido aplicado em arranjos dos caminhos rurais e como camadas base de passeios pedonais. Esta aquisição foi feita através do projecto REAGIR tendo sido co- financiado pela comissão europeia através do programa LIFE – Ambiente.
Quadro 3.2 – Quadro resumo dos solos utilizados na produção dos blocos.
Lote de blocos Designação lote Terra de fabricação e designação BTC’s da Encosta, Montemor-o-Novo E Solo de Montemor (SM) + RCD
BTC’s de Badajoz, Espanha B Solo de Badajoz (SB)
Tijolos crus de Évora C -
A proporção de cada material adoptado na produção do lote E foi definida através de ensaios empíricos realizados previamente à produção dos blocos. Tais ensaios consistiram, por exemplo, na auscultação do som da batida do dedo e a queda a partir de determinada altura. Os resultados foram interpretados pelo operador que realizou os ensaios e foi escolhida a mistura que pareceu apresentar melhor qualidade. Os RCD produzidos têm vários calibres consoante a granulometria do material. O calibre que tem uma menor granulometria corresponde a materiais até aos quatro milímetros de diâmetro, sendo os materiais do referido calibre os mais abundantes no estaleiro. Por esse motivo, foi essa a gama de material utilizada para este estudo.