A Taxa Mínima de Atratividade (TMA) é uma taxa de juros que indica quanto que um investidor quer receber de retorno em um investimento. Esta taxa pode ser obtida através da aplicação do método Capital Asset Princing Model (CAPM), o qual é amplamente aceito em diversos países, porém enfrenta dificuldades de aplicação no Brasil, conforme explica Borratti (2014) em texto publicado na Fundação Getúlio Vargas.
O nome do método, traduzido, é coeficiente de custo do capital próprio e é calculado com a seguinte fórmula:
Ke = Rf + (Rm – Rf)β
Onde:
Ke = Custo do Capital próprio; Rf = Taxa livre de risco;
Rm = Remuneração oferecida pelo mercado;
Conforme dito anteriormente este método não possui tanta confiança no Brasil quanto em outros países, principalmente pela dificuldade de escolha da Taxa Livre de Risco, Boratti (2014) cita três principais motivos para esta afirmação.
O primeiro se refere à taxas básicas brasileiras, que ao observarmos, por exemplo, a variação da SELIC em um período curto de tempo se tem uma diferença de praticamente 20%.
Outro ponto que gera dificuldade para estabelecer o CAPM é as altas taxas de juros, que é segundo Boratti (2014) (FGV) é impossível de alcançar pelos retornos médios dos ativos empresarias. E por último a falta de esclarecimentos quanto às taxas inflacionária que normalmente são embutidas nas taxas básicas de juros.
O coeficiente Beta (β) representa o risco sistemático de um ativo, segundo Assaf Neto (2009). O autor explica que quando o Beta for igual a 1,0 significa que o risco para a empresa está da mesma maneira que para o mercado em geral, quando for maior que 1,0 o risco é mais alto que o mercado, mostrando ser um investimento “agressivo”. E quando o Beta for menor que 1,0 o ativo é caracterizado como “defensivo”, pois seu risco é menor que o do mercado.
No que se refere à remuneração oferecida pelo mercado, o Brasil também está deficitário, pois não existe histórico suficiente de empresas registradas na bolsa de valores e mercado acionário para fazer uma análise consistente, impedindo que seja aproveitado o Ibovespa para determinar o retorno esperado pelos investidores de capital e desta forma acaba também gera dificuldade para mensurar o valor do Beta por não ter conhecimento suficiente do mercado.
Portanto não há taxas ou rendimentos de mercados que o investidor possa se basear com confiança para projetar os seus retornos e isso acaba afastando investidores do Brasil pelo nível de risco que seus investimentos possuem. No entanto se este risco não afasta os investidores, eles cobram mais carro para investir no Brasil do que em outros países, isso se dá pelo acréscimo da taxa Risco Brasil (Rbr), na fórmula do CAPM conforme a seguir.
Ke = Rf + (Rm – Rf)β + Rbr
onde:
Os fatores que levaram a esta adaptação na fórmula, conforme citado por Boratti (2014) são do ponto de vista social, político e econômico, como a instabilidade na inflação, crescimento irregular do PIB, mudanças políticas, distúrbios civis, mudanças na legislação e nas regras dos contratos, controle sobre o fluxo de capitais, expropriações, corrupção, fraudes, entre outros.
Esta taxa “é calculada pela diferença entre a taxa de juros oferecida pelo título público brasileiro – C-bond – negociado no mercado internacional e a taxa dos T-bonds americanos, situando-se, atualmente, em torno de 5% ao ano” (Boratti, 2014). Os T-bonds, são títulos americanos considerados os mais seguros para se investir, devido a seu histórico de estabilidade.
Como visto, há no Brasil grandes dificuldades para os investidores determinarem uma taxa de retorno do capital próprio a ser investido, devido a instabilidade das taxas aplicadas no país, sendo necessário acrescentar a taxa de retorno do capital próprio, o valor da taxa Risco Brasil, o que aumenta o retorno exigido pelos investidores para aplicar no país.
A Taxa Interna de Retorno (TIR) é utilizada na análise de projetos de investimento e é definida como a taxa de desconto de um investimento que torna seu valor presente líquido nulo.
Taxa interna de retorno maior do que a taxa mínima de atratividade, significa que o investimento é economicamente atrativo.
TIR>TMA= VPL (+)
Taxa interna de retorno igual à taxa mínima de atratividade, o investimento está economicamente numa situação de indiferença.
TIR=TMA =VPL (0)
Taxa Interna de Retorno menor que a Taxa Mínima de Atratividade, significa que o investimento não é economicamente atrativo.
Exemplificando podemos citar um investimento de R$ 100.000,00, feito hoje e que daqui um ano pagará R$ 110.000,00. Em um ano a taxa interna de retorno deste investimento é de 10%, ou seja, para cada R$ 1,00 investido o investidor receberá R$ 1,10.
Desta forma fica de fácil entendimento que quando a TIR for maior que o retorno exigido pelo investidor, o empreendimento é aceitável e quando for abaixo ele não é um investimento atrativo.
No entanto, conforme Assaf Neto (2009), a TIR de um projeto somente é verdadeira quando os fluxos intermediários de caixa forem reaplicados até o final da vida útil prevista, à própria taxa de retorna, obtida com o cálculo. Neste sentido quando o valor da TIR obtida for muito diferente das taxas aplicadas no mercado é possível que não seja o real retorno que o investimento poderá proporcionar.
Portanto o autor sugere que sejam adotados o Método da Taxa Interna de Retorno Modificada (TIRM), a qual considera as taxas possíveis de serem reaplicadas nos fluxos intermediários de caixa, pois o desempenho de um investimento depende tanto das projeções de caixa, como também da sua taxa de reinvestimento.
Este método leva em consideração a realidade do mercado econômico como explica Assaf Neto (2009, p.335), “cenários econômicos recessivos, mesmo que não exerçam influências sobre o resultado de caixa do projeto, podem reduzir sua taxa de retorno diante de oportunidades menos lucrativas de reinvestimento”, portanto o resultado obtido com o cálculo da TIR deve ser analisado levando em consideração o macro ambiente da organização, para assim se obter um resultado real.
Desta mesma forma, Assaf Neto (2009, p.335) diz que “em momentos de expansão da economia, os investimentos demonstram maior atratividade determinada pelas melhores condições conjunturais de reaplicação dos fluxos intermediários de caixa”. Desta forma o investidor poderá obter uma base mais confiável nas suas decisões de investimento.
Por outro lado tem-se o Valor Presente Líquido (VPL) que possui como diferença básica da TIR o seu resultado, que é expresso em valores monetários, ao contrario da TIR que é em percentuais. O VPL é o método que calcula o valor do dinheiro no tempo, conforme Dolabela (1999) explica, podemos calcular, por exemplo, quanto que R$ 10.000,00 valeria no final de 5 anos, aplicado a uma taxa de 18% a.a., e do contrário, também é possível saber quanto que R$ 20.000 aplicados em 2004 a uma taxa de 18% a.a. valem hoje.
Se o resultado for positivo, significa que a empresa está proporcionando os resultados propostos, do contrário ela não é um empreendimento atrativo. Se o resultado for
zero ainda o investimento seria viável, pois estaria proporcionando exatamente o retorno exigido.
O autor Assaf (2003, p.313) explica que “a medida do valor presente líquido é obtida pela diferença entre o valor presente dos benefícios líquidos de caixa, previstos para cada período do horizonte de duração do projeto, e o valor presente do investimento”. A fórmula adotada pelo autor é a seguinte.
[∑ ( ) ] [ ∑ ( ) ] Onde:
= fluxo (benefício) de caixa de cada período;
K= taxa de desconto do projeto, representada pela rentabilidade mínima requerida; = investimento processado no momento zero;
= valor do investimento previsto em cada período subsequente.
Para a aplicação da fórmula é necessário que a taxa de desconto seja definida previamente pelos investidores, e o resultado apontará o resultado econômico atualizado da empresa (ASSAF, 2003).
A análise do resultado obtido deve levar em consideração, que todo o investimento é atraente quando, o VPL for igual ou maior que zero. Quando o valor for negativo, significa que o retorno obtido do investimento é menor que a taxa mínima de atratividade, podendo ser considerado um investimento desinteressante (ASSAF, 2003).
3 METODOLOGIA
A metodologia tem como objetivo demonstrar como o estudo foi realizado e quais os aspectos metodológicos abordados, consiste em explicar quais as ações realizadas para o atingimento dos objetivos.