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É PREUVE SCIENTIFIQUE ET TECHNIQUE

DEFINITION DES EPREUVES

É PREUVE SCIENTIFIQUE ET TECHNIQUE

FONTE: Mapa base: NATAL..., 2016a; Informações: Pesquisa de campo, 2015; Elaboração: Francisco Júnior/CREA 210044763-7

A partir desse diálogo junto ao pensamento de Gomes; Silva; Silva (2000), a criação da expressão Eixos Dinamizadores do Terciário (EDT) se fez premente pelo fato de expressar mais adequadamente o que ora se configura como esforço de apreensão-exposição da natureza centralidade urbana em Natal. Isto porque, ao considerarmos um bairro inteiro enquanto centro, vemos que sua centralidade se expressa efetiva e explicitamente ao longo da sua principal “via expressa de circulação”, nas palavras de Gomes; Silva; Silva (2000).

Logo, ao utilizarmos a expressão Eixos Dinamizadores do Terciário (EDT), estaremos nos referindo, simultaneamente, tanto ao bairro detentor de centralidade quanto ao seu eixo principal de tráfego. Isto porque, ao falarmos de determinado centro, já estamos fazendo referência, necessariamente, àquele “eixo”; ou seja, falar da centralidade de determinada área em Natal é falar de seu respectivo Eixo

Dinamizador do Terciário, por ser uma cidade eminentemente terciária.

O marco fundante da dispersão da centralidade urbana em Natal, partindo do Núcleo do Centro Histórico de Natal, em direção às novas centralidades, foi a instalação do Hiper Bompreço Lagoa Nova, na Avenida Prudente de Morais, na década de 1980. Com esse evento, teve início uma nova prática de comércio varejista em Natal, centrado no autosserviço de larga escala, com uma vasta diversidade de produtos, e ampla superfície de loja. Antes, lojas de autosserviço, e com vasta diversidade de produtos – até então denominadas lojas de departamento – eram encontradas quase que exclusivamente na Avenida Rio Branco, no bairro Cidade Alta, por ser o bairro comercial por excelência do Núcleo do Centro Histórico

de Natal. Na Cidade Alta, estavam localizadas: Lojas Americanas, Casas

Pernambucanas e Lojas Brasileiras (Lobras), entre outras.

A partir do surgimento do Hiperbompreço Lagoa Nova, na década de 1980, o varejo moderno passou a expandir sua prática comercial na Cidade do Natal, seguindo-se a instalação de outros equipamentos semelhantes de comércio, como: o Carrefour, o Atacadão, o Makro, o Extra, o Sam’s Club, Assaí, entre outros, sobre os quais teceremos considerações mais detalhadas na seção seguinte, ao tratarmos das “expressões e conformações” da centralidade urbana em Natal. Dentre estes, alguns, como o Carrefour e o Extra, são equipamentos comerciais se conformam como lojas âncora de shopping centers, tornando a estrutura de comércio e de serviços ainda mais densa, gerando assim uma centralidade urbana ainda mais expressiva, dada a mais diversificada gama de bens e serviços que oferece, e a

possibilidade de encontros que gera.

Há ainda outros tantos “eventos e processos” que concorreram para que a centralidade urbana em Natal se conforme segundo um processo de dispersão, dentre os quais, elegemos tratar a seguir: da atividade turística (FURTADO, 2008), dos shopping centers (NASCIMENTO, 2003) dos serviços de saúde (TAVARES, 2010) e da expansão do varejo moderno (PAULA, 2010).

A respeito da influência do incremento da atividade turística na Cidade do Natal para a dispersão da centralidade urbana, é interessante enfatizarmos a contemporaneidade do processo, que se fez concomitante à expansão do varejo moderno, representado pela implantação do Hiper Bompreço Lagoa Nova, ao qual já nos referimos. Neste sentido, Furtado (2008, p. 143) assim caracteriza e demarca o início do processo da expansão da atividade turística:

Com o boom turístico que ocorreu em Natal, o governo [...] implementou inúmeras medidas como forma de atração de capitais privados para a cidade, visando desenvolver o turismo, o que, na realidade, aconteceu. Dentre as muitas realizações de incentivo ao setor, destaca-se, nessa fase, o Projeto Parque das Dunas-Via

Costeira [...], criado pelo Decreto nº 7.538, de 19-01-1979. A Via

Costeira, com 8,5 km de extensão, entre as praias urbanas de Areia

Preta e Ponta Negra, foi inaugurada em 1983 e constituiu-se no marco mais importante na expansão do turismo em Natal. O

objetivo de projeto era dotar Natal de uma infra-estrutura hoteleira, até antão insuficiente, para consolidar o turismo na cidade e inseri-la no circuito nacional. Atendia, portanto, a necessidade de incrementar a competitividade ao setor turístico local (grifos nossos).

Resgatamos, em primeiro lugar, dentre as informações oferecidas pela autora supracitada, a data de inauguração da Via Costeira: 1983; logo, vemos que é mais um evento que concorreu para o início da expansão da economia terciária pelo território natalense, cuja espacialização vem se caracterizando pela dispersão de centralidades urbanas.

Quando à faixa territorial de abrangência do projeto Via Costeira, demarcada entre as ditas praias urbanas de Natal, as quais se estendem da praia de Areia Preta à de Ponta Negra, há algo de interessante a considerarmos: essa configuração põe a nova atividade econômica ora em curso – a turística – em relação com atividades tradicionais, como o comércio do Núcleo do Centro Histórico de Natal, com outras duas novas atividades, quais sejam, os serviços privados de saúde dos bairros Tirol/Petrópolis e a atividade comercial desenvolvida no “corredor dos shopping

centers”, o qual adquire um arranjo espacial bem característico na contiguidade das

Avenidas Hermes da Fonseca/Salgado Filho/Roberto Freire.

Dessa relação da atividade turística com a atividade comercial da cidade, resultará, ora renovação, no caso do comércio tradicional; ora complementaridade, no caso dos shopping centers. Nossa visão acerca da renovação da atividade econômica tradicional pelo turismo é ratificada pelas palavras de Furtado (2008, p. 144), ao afirmar que “[...] políticas públicas diversificadas, algumas associadas ao turismo, induzem as transformações socioespaciais da cidade de Natal, privilegiando o capital privado, e contribuem para se reeditarem atividades tradicionais (modernizadas).”

Encerrando nosso diálogo a partir dos grifos da citação, não há como não concordarmos com Furtado (2008), parafraseando seu pensamento, de que o projeto Via Costeira fora mesmo um marco importante na atividade turística para da Cidade do Natal, mesmo porque, como vemos, uma atividade simultânea no tempo e no espaço em relação à sua principal dinâmica econômica, até então – década de 1980 – centrada quase que exclusivamente no comércio e em serviços de pouca expressividade, voltados ao cotidiano da sociedade local.

Com o incremento da atividade turística, os serviços adquiriram uma condição de excelência na cadeia produtiva da economia natalense, desencadeando uma gama de outros serviços, como de hospedagem, que se expandiu para além da Via Costeira, abrangendo também a Avenida Roberto Freire, no bairro de Ponta Negra; o de gastronomia, que igualmente se concentra na referida avenida, e em outras áreas, como no trecho das praias urbanas, nos bairros Tirol, Petrópolis e Lagoa Nova; outros serviços ainda foram fomentados, como o de aluguel de veículos, de serviços de câmbio, lazer e entretenimento, entre outros, tornando mais diversificada e complexa a atividade terciária na Cidade do Natal, desencadeando uma dinâmica de reprodução do espaço urbano, a qual passou a abranger cada vez mais novos espaços, gerando novas centralidades urbanas em dispersão, contribuindo assim para a reprodução do capital.

Ao falar da implementação de políticas associadas, voltadas para o turismo, Furtado (2008, p. 147) indica o vetor, segundo a sua visão, de influência da atividade em tela:

crescimento da cidade, permitiu a continuidade da descentralização espacial de suas atividades econômicas, sobretudo rumo aos três grandes eixos de crescimento da zona Sul (Avenida Prudente de Morais, Avenida Salgado Filho-BR 101 e Avenida Engenheiro Roberto Freire).

Reforçamos que essa é a visão da autora, no trecho citado, com relação ao vetor do processo de descentralização das atividades econômicas da Cidade do Natal – ao que estamos denominando de dispersão –, sendo essa visão consoante à de Nascimento (2003). E reforçamos porque as visões dos autores ora citados, em certa medida, apresentam dissonância em relação ao que temos exposto até o momento do texto.

Já ao empreendermos diálogo com outras produções acadêmicas, como: Araújo (2004b), que aponta para uma nova dinâmica socioespacial da região administrativa norte; Paula (2010), que examina a expansão do varejo moderno nessa mesma região; e Tavares (2010), que versa sobre a dispersão dos serviços privados de saúde nos bairros Petrópolis, Tirol e Lagoa Nova, encontramos consonância ao nosso modo de pensar quanto à apreensão da dinâmica das novas centralidades urbanas em Natal.

Ainda sobre a projeção de novas centralidades no espaço urbano de Natal, encontramos sintonia, dessa vez, entre o nosso pensamento e o de Furtado (2008, p. 147), ao afirmar que

[...] as tradicionais áreas centrais da cidade, como Ribeira, Alecrim e Cidade Alta, passam a dividir sua hegemonia comercial com os novos centros. A cidade vai se espraiando, e sua economia, sobretudo no setor de comércio e serviços, vai ganhando novos

bairros e construindo novos espaços para neles atuar (grifos

nossos).

Falar dos bairros Ribeira, Alecrim e Cidade Alta, em nosso estudo, é falar do

Núcleo do Centro Histórico de Natal, o qual, como já apontamos, mantém sua

condição de centralidade, conseguindo atrair determinados estratos da sociedade natalense, ou até mesmo atendendo às demandas de quaisquer estratos sociais em um dado momento, mesmo que alguns destes estejam frequentando outras centralidades na cidade, e, eventualmente, careçam de algum conteúdo dessa centralidade. Logo, no dizer de Furtado (2008), esses bairros da cidade “dividem sua hegemonia” com outras áreas centrais da cidade, como novos espaços incorporados

pelo capital, em seu processo de reprodução.

Em suma, concordamos com a autora, reforçando que o Núcleo do Centro

Histórico de Natal persiste enquanto centralidade face às novas áreas do terciário,

numa condição de “divisão da hegemonia” (FURTADO, 2008), ao que Sposito (2010) vê rivalidade entre centros, ao tentarem ampliar sua capacidade de atração, e define essa “rivalidade” como policentralidade, processo esse que vai abrangendo novos espaços potenciais à reprodução do capital.

Entretanto, no diálogo com ambas as autoras, preferimos inferir que há, na conformação da centralidade urbana em Natal, uma multicentralidade, indicada por Sposito (2010) como uma condição oposta à policentralidade, porque se faz por meio da complementaridade entre áreas ou “zonas”. Assim, concordando com a autora supracitada, podemos dizer que há uma dispersão da centralidade urbana pelo território da cidade, porque estas se multiplicam e complementam-se entre si, cada uma com sua natureza e seus atributos que lhes são peculiares, atendendo, num dado momento, estratos sociais diversos.

A prática de ir às compras em shopping center em Natal é bem recente, porque igualmente o é o processo de implantação desse equipamento de comércio. O evento shopping center como fator de dispersão da centralidade urbana em Natal se fez mais expressivo a partir da década de 1990. Isto porque,

No Rio Grande do Norte, o verdadeiro conceito de shopping foi implantado com o Natal Shopping Center, fundado em 4 de junho de 1992. Pois, até então, os shopping que os potiguares tinham eram os dois Centros Comerciais Aluízio Bezerra-CCABs (Norte e Sul [em Petrópolis e Capim Macio, respectivamente]) e o Cidade Jardim (1984), que muito mais se assemelhavam a galerias comerciais do que efetivamente a um shopping Center (BARRETO; LIMA, 2007, p. 48).

Assim como Barreto; Lima (2007) relatam sobre o surgimento dos shopping

centers em Natal, em sua obra “Memória do comércio do Rio Grande do Norte”,

Nascimento (2003), ao estudar os shopping centers em Natal, e sua influência na reprodução do espaço na Zona Sul da cidade, também aponta: “No caso particular de Natal-RN, os primeiros S.C. [shopping centers] da cidade só vão surgir na década de [19]90, embora empreendimentos de menor porte já se fizessem presentes desde a década de [19]80 na cidade [...]” (NASCIMENTO, 2003, p. 30).

momento, porque eram os mais expressivos de então, já aponta para um deslocamento do foco das atividades comerciais, que se dispersa a partir do Núcleo

do Centro Histórico de Natal, dirigindo-se no sentido sul, seguindo, em certa medida,

a dinâmica do turismo, apresentada por Furtado (2008).

Esses dois autores, Nascimento (2003) e Furtado (2008), convergem em seus estudos, ao apreenderem o processo de reprodução do espaço urbano de Natal, em que Nascimento (2003) foca os shopping centers, e vê o processo de reprodução do seu entorno em função da atividade turística, sendo este espaço frequentado e consumido pelos turistas; enquanto que Furtado (2008), tem sua visão centrada na atividade turística, percebendo os shopping centers e outros espaços “de status” como complementares à atividade turística.

Interessante é notar que os ângulos de visão são diferentes, porque os interesses particulares de estudo e tempo são igualmente diversos. Mas há uma sincronia no modo de apreender a dinâmica do terciário que vem se conformando no “corredor dos shoppings” – como é linguagem corrente assim denominar em Natal –, que é visão de que tem se tornado um espaço voltado para atender à demanda de estratos de melhor renda da população, e para o desenvolvimento da atividade turística.

Já com relação ao surgimento dos shopping centers e sua relação com a descentralização da atividade terciária dos “centros mais antigos e tradicionais” (NASCIMENTO, 2003, p. 15) – como assim se refere ao bairro Cidade Alta – em direção aos novos espaços ocupados pelo terciário, o referido autor afirma:

É importante salientar que, à medida que crescem os serviços e o comércio nessa área da cidade, como os novos centros comerciais, os shopping-centers, alguns centros comerciais mais antigos e tradicionais como o Centro da Cidade, passam a sofrer um processo de descentralização, enfrentando, na atualidade, vários problemas que vão desde a falta de consumidores para muitos serviços que ali são oferecidos, até questões referentes a segurança, estacionamento, trânsito, poluição etc (NASCIMENTO, 2003, p. 89, grifos do autor).

Em nosso diálogo com o autor supracitado, cumpre-nos indicar algumas posturas. A primeira se faz no sentido de concordar em estabelermos uma relação entre o surgimento dos shopping centers e a descentralização ou, ao nosso ver,

faz no sentido de discordar do autor, ao afirmar que o processo de descentralização se faz em função de problemas relacionados a trânsito e a segurança. Nossa visão se coaduna mais ao pensamento de Sposito (2010; 2013, informação verbal), ao defender que as atividades terciárias se deslocam à procura de novas áreas, gerando novas centralidades, muito mais em função do processo de reprodução do capital, do que dos problemas de degradação dos centros tradicionais das cidades. E esse é o quadro que vem se configurando na Cidade do Natal, haja vista o Núcleo

do Centro Histórico de Natal não ter perdido sua condição de centralidade até então,

ao nosso ver, com base na pesquisa de campo desenvolvida para a consecução deste trabalho, diferente do que defende Nascimento (2003).

Enquanto as contribuições de Nascimento (2003) e Furtado (2008) se fazem importantes no sentido de compreendermos a estruturação da economia terciária e a correlata dispersão da centralidade urbana em Natal no sentido sul da cidade, Paula (2010) desenvolveu estudo semelhante, focando a expansão do comércio varejista moderno no sentido norte, mais precisamente, nos principais corredores de tráfego da Região Administrativa Norte de Natal. No caso em tela, nas Avenidas Tomaz Landim e João Medeiros Filho, como detentoras mais expressivas de novas centralidades urbanas.

Consoante ao que apreendemos com relação à conformação das atividades tradicionais de comércio e serviços presentes na Cidade do Natal, abrangendo os bairros Cidade Alta, Ribeira e Alecrim como Núcleo do Centro Histórico de Natal, Paula (2010, p. 26) afirma que a cidade “[...] passou a apresentar uma descentralização de suas atividades (antes restritas às áreas centrais da cidade – Ribeira, Cidde Alta e Alecrim) [...]”.

Estamos então diante da compreensão de que a economia parte desse

Núcleo do Centro Histórico de Natal em direção às novas áreas de centralidades,

passando a se projetar no sentido norte da cidade, no contexto do processo de

dispersão das atividades terciárias, a respeito do qual Reis (2007) afirma

corresponder à segunda etapa do processo de descentralização das atividades econômicas das cidades, a qual teve início na década de 1970, e perdura até a atualidade, tendo sua projeção sobre a economia terciária; enquanto que a primeira etapa, pontua o referido autor, desenvolvera-se entre 1920 e 1970 (REIS, 2007).

A respeito do surgimento e consolidação das atividades terciárias na Região Administrativa Norte de Natal, Araújo (2004b) já indicara que a partir da segunda

metade da década de 1990, a referida região vinha deixando de ser apenas “espaço de moradia”, passando a ser também “espaço de produção”, com a instalação de filiais de empresas que antes operavam em outras áreas de Natal. Essa visão é consoante ao que defende Carlos (1994) a respeito do que denomina “modos de uso do espaço”, segundo os quais identifica dois modos de uso: para a reprodução da sociedade, quando voltado para a moradia; e para a reprodução do capital, quando voltado para a produção. Assim, a referida região estaria, desde a segunda metade da década de 1990, inserindo-se também no modo de uso voltado para a produção.

Dando continuidade ao exame dos estudos já desenvolvidos sobre a Região Administrativa Norte de Natal, Paula (2010, p. 62) afirma que

[...] principalmene a partir da segunda metade da década de 1990, a Zona Norte de Natal vem se destacando como espaço do crescimetno desse comércio varejista moderno, refletido por meio da recente construção e instalação de hipermercados, supermercados e shopping centers.

Essas informações atestam que o espaço da Região Administrativa Norte já não mais se desenvolvia apenas em função da moradia, nem tampouco do pequeno comércio voltado para a subsistência das famílias, tendo em vista que os equipamentos de comércio do varejo moderno aos quais Paula (2010) faz referência se inserem numa escala de reprodução bem mais ampla do capital.

A respeito desse debate é importante resgatarmos o pensamento de Pintaudi (2009), que defende a ideia de que é dentro da estruturação do terciário que surgem os equipamentos de comércio, colaborando assim para a transformação socioespacial, a qual se adapta a cada novo momento de reprodução do capital. E é interessante também registrar a convergência do pensamento de Pintaudi (2009) ao de Sposito (2010), nessa seara do debate.

Seguindo os resultados do estudo desenvolvido por Paula (2010) a respeito da expansão do varejo moderno pelos corredores de tráfego da Região Adminstrativa Norte da cidade, identificamos a influênica dessa expansão do varejo moderno para a dispersão da centralidade urbana em Natal, segundo os seguintes

Eixos Dinamizadores do Terciário (EDT), que são os seguintes na referida região:

Avenidas das Fronteiras, João Medeiros Filho, Itapetinga, Moema Tinôco, Pompéia e Tomaz Landim. Outros EDTs podem ser acrescentados a esse recorte espacial definido por Paula (2010), por apresentarem uma dinâmica mais recente em relação

ao seu estudo: Avenidas Maranguape, Boa Sorte e da Chegança, que vêm apresentando um diversificado comércio voltado para necessidades cotidianas, que variam desde bens de consumo diário, incluindo vestuário, móveis e serviços em geral (PESQUISA DE CAMPO, 2016).

Entretanto, julgamos pertinente atentarmos para a ênfase caracterizada por uma certa sobrevalorização da presença dos referidos equipamentos por parte de Paula (2010), dado que, mesmo seis anos após seu estudo, foram instalados no espaço em questão apenas dois hipermercados e dois shopping centers, todos na Avenida João Medeiros Filho, a qual identificamos como um Eixo Dinâmico do

Terciário na Região Administrativa Norte de Natal, eixo que se estende desde a

Avenida Tomaz Landim até o acesso à Ponte Newton Navarro, abrangendo, na sequência, os bairros Igapó, Potengi, Salinas e Redinha.

Na verdade, ao que Araújo (2004b) denominou de uma incipiente inserção da Região Administrativa Norte na dinâmica do terciário de Natal, a partir da segunda metade da década de 1990, expressa pela presença de filiais de empresas presentes em todo o território natalense, atualmente, podemos afirmar que a dinâmica expressiva das atividades terciárias presentes nos principais eixos viários da referida região aponta para uma igualmente “incipiente” consolidação do terciário na Região Administrativa Norte de Natal, consolidando então o processo de inserção que fora anunciado no ano de 2004. E reafirmamos como Eixo Dinâmico do

Terciário, principalmente, a Avenida João Medeiros Filho.

É, primordialmente, em torno desse eixo que a dinâmica espacial da Região Adminstrativa Norte se processa, concentrando: supermercados, hipermercados, lojas de material de construção, lojas de móveis e eletrodomésticos, farmácias, serviços de saúde, segurança e educação – tanto públicos quanto privados –, Central do Cidadão e sua gama de agências de prestação de serviços, shopping

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