Um dos primeiros autores a descrever a tipologia das estruturas de mercado foi Sylos-Labini (1984, p. 35-36). Propôs uma tipologia de formas de oligopólio baseado na análise dinâmica do comportamento das estruturas de mercado, criando três categorias de estruturas oligopolísticas, que foram ao lado do modelo de determinação de preços de longo, importantes contribuições à teoria microeconômica:
1) Oligopólio Concentrado: As firmas de uma indústria produzem bens substancialmente homogêneos e um numero restrito de firmas controlam a maior parte da produção. A estrutura deste tipo se funda nas economias de escala técnicas;
2) Oligopólio diferenciado: Caracterizado pelo grau de diferenciação de produtos e apesar de haver uma concentração mais baixa, as firmas tem poderes de mercado bem definidos e a concorrência direta ocorre
somente com alguns poucos rivais mais próximos. Diferentemente do primeiro tipo, a estrutura deste se funda nas economias de escala de vendas. Tanto no caso anterior quanto neste a concorrência em preços é restringida a eventos específicos onde o equilíbrio da estrutura é abalada apenas por pressões competitivas internas e externas;
3) Oligopólio Misto: uma situação intermediária entre os dois casos e que apresenta características de diferenciação e concentração.
Com esta classificação das tipologias de oligopólio, para Silva (2004, p.126) Sylos-Labini ansiava em mostrar “[...] dissecar as diferenças e especificidades das duas situações extremas de nela retratadas, de modo a entender a natureza particular das barreiras criadas pela técnica (...) vis-à-vis as barreiras oriundas da diferenciação dos produtos (...), embora, ele mesmo reconhecesse que, na realidade dos mercados, as características se misturam”.
Fundamentado nas contribuições de Bain (1963) e Sylos-Labini (1984) - conceito de barreiras à entrada e tipologia de estruturas de mercado- e das análises dinâmicas de Steindl e Schumpeter, Possas (1985) formula uma tipologia de estruturas mercados em oligopólio e reconstrói os conceitos de oligopólio16 de modo a salientar a relação entre os condicionantes à entrada e o tipo de estratégia de concorrência mais adequado em cada mercado.
Para Silva (2004, p.204) esta classificação “[;...] enfatiza os condicionantes estruturais da concorrência, que coloca a empresa sob a situação de ter de adotar estratégias condizentes com as condições estruturais.
A partir deste enfoque mais dinâmico, obtêm- se uma visão mais clara a cerca dos determinantes estruturais dos padrões de concorrência que caracterizam as decisões estratégicas das firmas em mercados oligopolísticos, com ênfase as vantagens associadas às economias de escala e de diferenciação
Conforme Possas (1985, p.181) a tipologia de estruturas de mercado capaz de dar base a análise dinâmica da economia capitalista deve considerar dois princípios básicos, que são:
1) Os critérios de classificação das diversas indústrias devem priorizar os elementos da estruturas técnica produtiva e do processo produtivo que configurem um padrão de concorrência;
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Não mais necessariamente caracterizado por um pequeno número de concorrentes, mas pela presença de barreiras à entrada e pela presença de interdependência de ações entre as firmas.
2) A classificação deve proporcionar uma aplicação analiticamente proveitosa, de modo que não perca os traços mais importantes e não perca seu potencial interpretativo e possa ser aproveitado para complementar as pesquisas que já existem sobre o tema.
A partir desses princípios básicos, Possas (1985, p.183 - 194) identifica quatro tipologias17 de estruturas de mercado em oligopólio, que são:
1) Oligopólio concentrado – Caracterizado pela ausência de diferenciação de produtos e pela alta concentração técnica-produtiva aonde a competição não ocorre por preços e sim pela introdução de novos processos tecnológicos que possam reduzir custos e melhorar a qualidade dos produtos ofertados. O alto índice de concentração “[...] deve-se à ocorrência de economias técnicas de escala e/ou descontinuidades técnicas consideráveis, que criam importantes barreiras à entrada, ao lado do elevado montante de capital inicial mínimo e, em alguns casos, do controle de tecnologia ou de insumos, ou ainda maior facilidade de acesso a estes [...].” (POSSAS, 1985, p. 18) 2) Oligopólio Diferenciado – Caracterizado pela existência de diferenciação dos produtos, sendo este fator básico de competição no mercado. Diferentemente do primeiro caso, a concorrência em preços não está totalmente excluída, apesar de não ser um recurso comum, pois poria em risco a estabilidade do mercado e das firmas que nele atuam, devido a influencia destes nos custos indiretos, como publicidade e comercialização. Para Silva (2003, p.152) “a característica central é a existência de significativo grau de diferenciação do produto” que tem efeitos específicos sobre a estrutura e a dinâmica do mercado. Quanto aos efeitos sobre a estrutura de mercado, por a diferenciação estar mais relacionada aos mercados de bens de consumo duráveis e não duráveis, a competição concentra-se principalmente nos campos da publicidade, da comercialização e da permanente inovação dos produtos. Quanto à dinâmica do comportamento do mercado Possas (1985) a examina sob três óticas que dizem respeito: a) “ao efeito sobre o investimento de um dado nível de crescimento projetado das vendas e que depende do excesso de capacidade planejado e da relação capital/produção”. (Possas, 1985, p. 188); b) projeção de crescimento de market share e; c) a efetiva diferenciação de um produto, isto é, quando isto se concretiza
em uma inovação, “[...] introduzindo um dos principais componentes de tendência da dinâmica [...]” (POSSAS, 1985, p.189)
3) Oligopólio Diferenciado – Concentrado ou misto – Segundo Sylos- Labini (1956, p.48) apud Silva (2003, p. 153) “corresponde a uma situação intermediária, que apresenta as características da concentração e da diferenciação.” Isto resulta da combinação da diferenciação de produtos com os requisitos mínimos de escala de produção ótimas associados à produção dos bens de consumo duráveis, os quais configuram este tipo de mercado (indústria automobilística). Neste mercado, as altas barreiras à entrada se devem tanto a economias de diferenciação, quanto as economias de escalas técnicas.
As estratégias de mercado também são condicionadas por esses dois aspectos. De acordo com Possas (1985, p.189) “[...] não só se planeja excesso de capacidade para atender às descontinuidades técnicas e antecipar o crescimento do mercado, mas principalmente como contrapartida, em nova capacidade produtiva, do esforço de ampliar o mercado pela diferenciação e inovação de produto.”
4) Oligopólio Competitivo – Caracterizado pela alta participação no mercado de algumas empresas e aonde a concorrência se realiza predominantemente em preços, apesar de haver oportunidade para diferenciação de preços. É considerado competitivo devido à coexistência entre as firmas marginais e as de maior porte, aonde as primeiras, além de deterem um market share razoável no mercado poderem ampliar a sua fatia de mercado através da competição via preços. “[...] O comportamento dos preços segue as normas usuais de mark up, geralmente com liderança de preços, e o ajuste à demanda, ao menos entre as empresas melhor situadas, via grau de utilização da capacidade. [...]” (Possas, 1985, p.192). Por não existirem economias de escala, técnicas de inovação e discrepâncias entre as técnicas produtivas utilizadas importantes a concentração do mercado quanto à nível das barreiras à entrada é reduzida.