• Aucun résultat trouvé

Verre de spin longitudinal et interaction Kondo

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 90-94)

8.2 Contexte théorique

8.2.1 Verre de spin longitudinal et interaction Kondo

A aula 1 teve início a partir de pergunta disparadora: Por que é importante lavar as

mãos? A pergunta inicial, conforme já tratado, faz parte de uma Sequência Didática

denominada “Cultura de Bactérias”, elaborada por nós e inspirada em um experimento proposto na apostila do 7ª ano do Ensino Fundamental II, integrante da apostila disponibilizada pelo Governo do Estado de São Paulo (SÃO PAULO, 2014-2017), para observar a presença de bactérias em ambientes. A proposta de ensino foi desenvolvida com alunos do 2º Ano Inicial, que se encontram na faixa etária entre sete e oito anos de idade.

A professora iniciou a aula com a organização da sala. Ela redistribuiu as carteiras e cadeiras, inicialmente posicionadas em fileiras, de modo que os alunos pudessem ficar lado a lado, em formato de “U”.

A seguir, apresentamos o episódio 1, da aula 1, que compreende dos turnos 1 ao 32. Destacamos que a aula 1, na íntegra, consta no Apêndice G do presente trabalho.

A interação discursiva foi acontecendo durante a aula, conforme a docente foi mediando com perguntas. O Quadro 4 ilustra o primeiro episódio como um todo e, após a sua apresentação, trataremos de alguns turnos de maneira específica. Estes foram escolhidos de acordo com a relevância, de acordo com nosso julgamento, para a presente análise.

Quadro 4 – Episódio 1 – Aula 1

Turno Participantes Discurso

1 P

Vou fazer uma pergunta para vocês e é muito importante que vocês prestem atenção.

2 P

O que que vocês acham sobre lavar as mãos? Por que é importante lavar as mãos?

3 Todos Siiiimmmm.

4 Lilian Tem que lavar a mão para poder

comer.

5 P Por que vocês acham que é importante

lavar as mãos?

6 Alisson Pra não sujar as coisas.

7 P Para não sujar as coisas?

8 P Vão pensando porque é importante

lavar as mãos.

9 P É falta de higiene comer sem lavar a

Turno Participantes Discurso

10 Maria Para sua higiene.

11 P Para sua higiene?

12 Luís Pra você não passar bactéria para o

outro.

13 P Para não passar bactéria para o outro?

14 Luís Sim.

15 Amanda Pra não passar bactéria pra comida.

16 P Para a comida?

17

(continua) Amanda Ahan.

(conclusão)

18 Pedro A bactéria fica presa aqui (mostra as

mãos, entre os dedos).

19 P Onde vocês ouviram falar isso, gente?

De bactéria?

20 Marcos Bactérias são bichinhos invisíveis que

a gente não consegue ver.

21 P Você pode repetir?

22 Marcos

[interrupção]

Bactérias são bichinhos invisíveis que a gente não consegue ver.

23 P

São bichinhos invisíveis que a gente não consegue ver e diz: “estou surpresa, olha! Quanta informação!

24 Marcos

O aluno comentou com outro colega:

Não é que é invisível, a gente consegue ver usando aquele negócio que

aumenta (fez gesto com as mãos como

se fosse um binóculo).

25 Rebeca

Porque se você não lavar as mãos quando você for comer a bactéria vai ficar na sua comida e daí faz mal para você, porque você não lavou as mãos. Por isso é importante você lavar as mãos.

26 P Legal! Que joia! Olha quanta

informação!

27 Thiago É bom para tirar as bactérias.

28 P

Exatamente. Olha só, achei bem legal a participação de vocês, vocês sabem bastante coisas, tem bastante

informação.

29 Marcos É importante não lavar as mãos só com

água, mas também com sabonete.

30 P Olha, o Marcos diz que é importante

passar sabonete.

31 P

Olha, a gente só “tá” começando. Na próxima aula nós vamos fazer um experimento, vamos ver aonde ficam essas bactérias. Será que tem bactérias aqui na escola? O que vocês acham?

32 Todos Siiimmm.

A professora iniciou a aula com a seguinte pergunta, Turno 1, P: O que que vocês acham sobre lavar as mãos?

Para Machado e Sasseron, averiguar o conhecimento prévio trazido pelo aluno é parte integrante da elaboração do problema e, sem ele, não há possibilidade de reconhecimento do problema proposto. Desse modo, o aluno necessita admiti-lo, tê-lo para si, para que possa engajar-se em sua resolução, o que justifica a escolha de uma pergunta que prioriza a opinião do aluno. Na sequência, a professora faz a segunda pergunta, a qual definimos como o problema propulsor da investigação.

Turno 5, P: Por que é importante lavar as mãos?

A segunda pergunta denota uma intencionalidade. Entendemos que a professora reformulou a questão, pois substituiu a expressão O que vocês acham? por Por que é

importante? Ela lançou mão de um problema esperando que este engajasse os estudantes

intelectual e emocionalmente. Entendemos que a fase da criação de um problema é imprescindível para uma aula investigativa (MACHADO; SASSERON, 2012).

Ponderando o plano social da sala de aula, inferimos que uma das intenções da professora se relaciona à estória científica, proposta por Mortimer e Scott (2002), que pressupõe colocar à disposição as ideias científicas que incluem temas conceituais, epistemológicos, tecnológicos e ambientais.

As intenções do professor apontadas pelos autores citados anteriormente são de suma importância para o trabalho docente, porém, o presente estudo restringirá a sua análise às perguntas realizadas pela professora, considerando seu caráter mediador, e no auxílio que elas podem oferecer aos alunos no processo de formação de conceitos científicos.

De acordo com as perguntas realizadas pela docente durante a aula 1, acreditamos que estas tiveram por objetivo contribuir para que os alunos refletissem sobre os saberes que já possuíam acerca do assunto levantado (a importância de lavar as mãos). Portanto, era esperado que eles trouxessem os conceitos espontâneos, que têm relação com a sua vivência, suas experiências fora do âmbito escolar.

Neste momento, as perguntas denotaram ainda caráter subjetivo, uma vez que não incidiram diretamente nos conceitos que seriam trabalhados (sobre bactérias). Por outro lado, a mediação docente que observamos nesta aula foi compreendida por nós como apresentando o eixo principal das perguntas com caráter problematizador. Isto é, aquelas que procuram resgatar os conceitos espontâneos que os alunos possuem, e começam a abrir os caminhos para o processo de apropriação de conceitos científicos.

Enfatizamos o caráter processual que a docente adotou, tendo em vista que ela procurou mediar este processo quando atuava, inclusive, entre a ZDP e NDR dos alunos. Para nós, essa atuação pode ter ocorrido quando ela fez uso de perguntas, e não de repostas fechadas que continham a resposta que ela almejava ouvir, isto é, a mera transmissão do conceito.

Tais premissas podem ser observadas no trecho que segue, também referente ao episódio 1 – aula 1:

Turno 5, P: Por que vocês acham que é importante lavar as mãos? Turno 6, Alisson: Pra não sujar as coisas

Turno 7, P: Para não sujar as coisas?

Turno 8: Vão pensando porque é importante lavar as mãos. Turno 9: É falta de higiene comer sem lavar as mãos? É isso?

Neste ponto, observamos que a professora, no primeiro momento, não disponibilizou a resposta fechada para os alunos, visto que sua “resposta” à afirmação inicial de Alisson, no turno 6, “Pra não sujar as coisas”, foi uma outra pergunta: “Para não sujar as coisas?”. Entendemos que o aluno expôs o seu conceito espontâneo acerca desta situação de aprendizado, pois a expressão utilizada por ele, “pra não sujar as coisas”, denota que o mesmo encontrava- se em um nível de desenvolvimento potencial. É perceptível que o aluno já possuía conhecimentos do conteúdo, mas necessitava da cooperação de pessoas mais capazes, isto é, que já possuíam as funções maduras, características inerentes ao nível de desenvolvimento real, NDR.

Inferimos, nesta passagem, que a resposta do aluno à pergunta da professora a fez lançar mão de outra questão, provavelmente, porque ela pretendeu atuar na ZDP de Alisson. Esse movimento discursivo denota a complexidade existente na teia enunciativa presente em uma sala de aula.

Do mesmo modo, quando a professora disse, no turno 8, para que os alunos pensassem por que é importante lavar as mãos e, na sequência, afirmou: “É falta de higiene comer sem

lavar as mãos? É isso?” Percebemos de maneira mais clara o reflexo das respostas dos alunos

nos turnos anteriores às questões iniciais realizadas por ela. Ou seja, esta questão contém não somente as intenções da professora, que para nós compreende que os alunos se apropriem de um conceito científico, mas observamos, também, a presença das vozes dos alunos, presentes em seu discurso.

Além disso, mesmo a professora tendo apresentado resposta “pronta”, entendemos que esta foi o reflexo das respostas anteriores dos alunos, que ela buscou sintetizar na afirmação que fez no turno 9. Ela apresentou um vocábulo comumente utilizado com os alunos nos Anos

Iniciais, “higiene”, mas, que nesta faixa etária as crianças não utilizam regularmente. Mesmo assim, o conceito de higiene esteve presente em respostas anteriores dos alunos, como no turno 4, quando a aluna Lilian afirmou: “Tem que lavar a mão para poder comer”. Provavelmente ela sabia quais são os procedimentos necessários que implicam em ações de higiene, tanto que verbalizou que para ela é importante lavar as mãos para poder comer.

Ainda com relação a este excerto, chamamos a atenção para as perguntas da docente, que endossou o discurso do aluno em forma de pergunta e acrescentou uma outra questão, ou seja, devolveu para ele a afirmação anterior, desafiando-o a refletir sobre sua afirmação. É interessante observar que em momento algum a professora fez uso de sua autoridade intelectual para hierarquizar o conhecimento. Sustentamos esse argumento porque entendemos que ela fez uso dessa autoridade para contribuir com o processo de apropriação do conceito científico, sobretudo porque demonstrou preocupação para que os alunos avançassem, posto que realizou as suas perguntas com base nos conceitos espontâneos destes que acreditamos, neste momento, estarem ancorados em seus conceitos espontâneos.

Dessarte, ao realizar esse movimento discursivo, observamos indícios de que a professora engajou os alunos na busca por respostas baseados nos seus conceitos espontâneos. Também nos chamou a atenção o fato de ela estimular que eles protagonizassem seu processo de apropriação do conceito científico. À medida que a professora foi elaborando as perguntas e valorizando o que os seus alunos já sabiam – os conceitos que eles possuíam a partir de suas experiências cotidianas –, ela estabeleceu uma relação dialógica, que refletiu no modo como os alunos foram iniciando seu processo de apropriação do conceito científico. Para nós, esta postura refletiu na forma como deu-se à investigação, conforme segue:

Turno 12, Luís: Pra você não passar bactéria para o outro. Turno 13, P: Para você não passar bactéria para o outro? Turno 14, Luís: Sim.

Nos turnos supracitados, nos deparamos com uma situação que nos faz depreender que a interação ocorrida durante a aula, proporcionada pela professora, contribuiu também para uma cognição distribuída, considerando que neste caso o alcance do que é considerado cognitivo está para além do indivíduo, uma vez que está abarcando esta interação entre pessoas, entre cérebros, o que compreendemos enquanto um evento mais amplo, portanto, compartilhado.

Nesse ponto, entendemos que as perguntas realizadas pela professora são elementos de mediação, dos quais ela se utilizou a fim de estimular a reflexão do aluno, e que transcenderam o aspecto individual, tendo em vista que a interação com caráter dialógico ocorreu em toda a sala de aula. Esta foi culminada por intermédio da distribuição de ideias, visto que estas

puderam circular, e da possibilidade de iniciação do processo de apropriação de conceitos científicos, que abarcou não somente alunos que se encontravam em nível de maturação real, mas, também, àqueles que encontravam-se em um nível potencial de desenvolvimento. Todos tiveram igual acesso ao conhecimento, que não veio somente a partir da fala da professora, mas, também, por meio de outras crianças.

No turno 12, o aluno Luís teceu a seguinte resposta “Pra você não passar bactéria para

o outro”. Aparentemente, ele estaria em condições reais de maturação, assim, possivelmente

auxiliou outros colegas em condições maturação potencial, de modo que eles pudessem avançar em seu percurso de desenvolvimento. Tal argumento pode ser sustentado quando outros alunos, nos turnos 15, 18 e 20, respectivamente, teceram comentários fazendo uso do mesmo vocábulo,

bactéria, dentro dos conceitos espontâneos que eles possuíam acerca do assunto.

Turno 15, Amanda: Pra não passar bactéria pra comida.

Turno 18, Pedro: A bactéria fica presa aqui (mostra as mãos, entre os dedos). Turno 20, Marcos: Bactérias são bichinhos invisíveis que a gente não consegue ver. Acreditamos que quando o aluno verbalizou o vocábulo bactéria, ele alterou o curso da discussão, que até então estava sendo conduzida com base nos conceitos espontâneos dos alunos – mas nenhum deles havia mencionado a palavra bactéria. É interessante observar que após o aluno Luís ter verbalizado o vocábulo bactéria, outros três alunos também o utilizaram, com diferentes argumentos.

A professora também mediou a interação entre os turnos, mas fica evidente que a discussão promovida por ela, que consideramos ter permitido um espaço dialógico, auxiliou na promoção desta interação, em que os alunos tiveram voz e poderiam, inclusive, auxiliar seus colegas em seus processos de desenvolvimento. Entendemos que esse movimento discursivo enriqueceu as aulas. Além disso, as falas da professora demonstraram contentamento, e, literalmente, surpresa.

Turno 16, P: Para a comida.

Turno 19, P: Onde vocês ouviram falar isso, gente? De bactéria? Turno 21, P: Você pode repetir?

Os turnos supracitados revelam as reações da professora às falas dos alunos, já citados anteriormente. No turno 16, ela reagiu à afirmação da aluna Amanda com outra pergunta, retomando sua afirmação da importância de lavar as mãos para não passar bactéria para a comida. Já no turno 19, aparentemente a docente demonstrou surpresa com as respostas dos alunos, perguntando: “Onde vocês ouviram falar isso, gente? De bactéria?”.

Provavelmente ela não esperava que a palavra bactéria surgiria na primeira aula da Sequência Didática. Em nossa compreensão, os alunos fizeram uma “rápida” relação entre lavar as mãos-higiene-bactérias, possivelmente baseados nos conceitos espontâneos que possuíam a esse respeito.

A surpresa da professora toma caráter evidente no turno 21, quando ela pediu para o aluno Marcos repetir sua afirmação anterior “Bactérias são bichinhos invisíveis que a gente não

consegue ver”. Entendemos que a partir desse ponto a discussão tomou outro corpo, tendo em

vista que a colocação do aluno Marcos pode ser compreendida como um início do processo de formação de conceitos científicos.

Não podemos mensurar se este aluno já havia se apropriado de tais termos anteriormente (bichinhos invisíveis), mas supomos que a mediação docente, nesta aula, denominada por nós como problematizadora, contribuiu para que este aluno verbalizasse suas impressões acerca do conteúdo. Provavelmente, o que impressionou a professora foi o fato de até este momento da aula este aluno não ter se pronunciado.

Todavia, a mediação ocorrida durante a aula pode ter desencadeado um processo interpessoal (no nível social), posteriormente transformado para o plano intrapessoal (no interior da criança). Isto é, as funções que por ventura estivessem em processo de maturação, no nível potencial, ZDP, podem ter sido maturadas durante a interação, mediada pelas perguntas da professora, e ter alcançado o nível real de desenvolvimento, NDR.

No turno 23, a professora explicitou sua surpresa com as informações trazidas pelos alunos: “São bichinhos invisíveis que a gente não consegue ver! “Estou surpresa, olha! Quanta

informação!”. Conseguimos depreender que, além de a docente ter ficado surpresa com as

afirmações dos alunos, ela também demonstrou notável entusiasmo para a realização da Sequência Didática, que previa a realização do experimento na próxima aula. Além disso, ao final da aula, outros alunos expuseram suas impressões, e o aluno Marcos, mais uma vez, trouxe dados relevantes. Porém, no turno 24, captamos no áudio, pois, a professora não ouviu durante a aula devido às muitas falas dos alunos, que a maioria deles queria contribuir com a discussão.

O aluno comentou com outro colega:

Turno 24, Marcos: Não é que é invisível, a gente consegue ver usando aquele negócio que aumenta (fez gesto com as mãos como se fosse um binóculo).

Turno 29, Marcos: É importante não lavar as mãos só com água, mas também com sabonete.

Nessa via, consideramos que a situação descrita no turno 24, acentuada pela docente, revela indícios de que o aluno está no processo de formação de conceitos científicos, tendo em vista que ele afirmou, sem o auxílio de outro colega, ou da professora: “Não é que é invisível,

a gente consegue ver usando aquele negócio”, fazendo provável alusão ao microscópio, pois,

ele gesticulou, de modo a fazer menção ao modo como ocorre uma observação utilizando o instrumento.

O mesmo aluno, Marcos, entoou, primeiramente, no turno 24, sem que a professora conseguisse ouvir e, posteriormente, no turno 29, quando a professora ouviu e socializou com o restante da turma: “Olha, o Marcos diz que é importante passar sabonete”. Em ambos os turnos, 24 e 29, Marcos demonstrou saberes que até o momento não haviam sido verbalizados por ninguém, tampouco, pela professora.

Todavia, considerando que o aluno participou da aula apenas no final (conforme pode ser verificado nos turnos), podemos supor que o mesmo encontrava-se em nível de maturação potencial, sendo a mediação feita pela perguntas da professora, ocorrida durante toda a aula, elemento relevante para o seu processo de apropriação, e, consequentemente, de desenvolvimento. Neste ponto, lembramos que o processo de desenvolvimento pressupõe que a idade mental e a idade cronológica são diferentes. Essa diferença entre ambas é o que é chamado ZDP. A ZDP é o ponto que estabelece a distância entre o NDR e o Nível de Desenvolvimento Potencial (NDP) (VIGOTSKI, 2007).

Desta forma, as expressões supracitadas indicam a formação de conceitos científicos, uma vez que este processo pressupõe certo nível de elevação dos conceitos espontâneos. Nas palavras de Vigotski (2009, p. 350), “o conceito espontâneo deve atingir certo nível de seu desenvolvimento espontâneo para que seja possível descobrir a supremacia do conceito científico sobre ele”. No turno 24, está implícito que as bactérias não são invisíveis, mas, passíveis de observação caso se tenha disponível um instrumento que as aumente substancialmente. Já no 29, , quando ele diz: “É importante lavar as mãos não só com água,

mas também com sabonete”, observamos possibilidade de elevação de seus conceitos

espontâneos. Provavelmente o que está embasando sua fala encontra-se no âmbito do seu cotidiano. É possível que algum adulto em sua casa chame a atenção para isso: não basta lavar as mãos só com água, para sair toda a sujeira, é necessário lavar com sabonete.

Assim, mediante as explanações já realizadas durante a discussão, que considerou o movimento discursivo deste aluno em turnos anteriores, indicamos que ele conseguiu realizar um “percurso” em seu mecanismo cognitivo, utilizando os conceitos científicos para explicar, fundamentados na Ciência, os fenômenos que ocorrem no mundo em seu entorno, e aplicando

esse conhecimento em seu cotidiano. A nosso ver, Marcos relacionou os conceitos que já possuía com as discussões realizadas até aqui, mediadas pela professora.

Síntese da análise da aula 1

Desde o início do episódio, quando a docente antecipou que faria uma pergunta, ela instigou a curiosidade dos alunos “Vou fazer uma pergunta para vocês e é muito importante

que vocês prestem atenção”. Nesse instante, os alunos já se mostraram atentos e interessados.

Considerando os episódios analisados referentes à aula, chamamos a atenção para o fato de que a mediação docente significadora, que em nosso entendimento tornou o contexto desta aula dialógico, buscou incluir a todos na discussão. Além disso, concebemos que a cognição distribuída permeou os episódios analisados, haja vista a participação dos alunos. Pudemos apreender que os alunos participaram ativamente da aula, dado o direcionamento da docente em buscar a aprendizagem dos alunos para uma ampliação de seus conhecimentos, com possibilidades de apropriação de conceitos científicos.

Para nós, a postura da professora fez toda a diferença na iniciação da investigação, uma vez que ela estimulou a fala dos alunos durante a discussão, assim como buscou validar suas contribuições. De forma também relevante, nos chamou atenção seu incentivo ao compartilhamento de saberes entre os pares, à medida que os alunos foram apresentando seus conceitos espontâneos à mediação da professora. Isto é, suas perguntas foram norteando a discussão e respeitando os conhecimentos dos alunos, ao mesmo tempo em que se destinavam a ampliá-los.

A mediação realizada pela professora, e que colocou os alunos em posição de protagonistas, propiciou o diálogo entre eles para além da relação unilinear, professor-aluno, comumente adotada nas escolas. Essa postura mais democrática é o que acreditamos ser de extrema relevância, assim como inferimos que este posicionamento da professora encorajou os estudantes a responder, levantar hipóteses e se expor neste ambiente que é a sala de aula, e que, muitas vezes, está marcado por posturas autoritárias.

Caso a docente lançasse mão de um discurso não interativo/de autoridade (MORTIMER; SCOTT, 2002), entendemos que dificilmente as interações entre a professora e

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 90-94)