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Variante du potentiel de Finnis-Sinclair

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 160-172)

A região Oeste do Paraná foi inicialmente ocupada por espanhóis, que exploraram todas as áreas a leste do Rio Paraná e constituíram a Província del Guayrá, fundando aí reduções jesuíticas. Com o abandono da região pelos espanhóis devidos aos ataques sucessivos dos bandeirantes, que destruíam os pueblos e escravizavam os índios catequizados, toda essa área permaneceu isolada por mais de dois séculos. Foi só por volta de 1889, com a criação da Colônia Militar de Foz do Iguaçu, que se iniciou a ocupação efetiva da região por brasileiros. A partir das últimas duas décadas do século XIX, as atividades econômicas às margens do Rio Paraná vinham passando por um processo de expansão, inicialmente, com a exportação de erva-mate e, posteriormente, de madeira para os portos argentinos (WACHOWICZ, 1982; GREGORY, 1997).

Segundo Schmidt (1996),

Muito antes de se falar em Ponte da Amizade ou Mercosul, brasileiros, argentinos e paraguaios cruzavam o rio Paraná em pequenos barcos, navios a vapor ou do jeito que cada um podia. Eles trocavam produtos, palavras, amizade. Tudo era mais castelhano que brasileiro. Assim, quando os militares fundaram a colônia de Foz do Iguaçu, no final do século passado, encontraram uma população predominantemente formada por argentinos e paraguaios, além de brasileiros. O quadro só se modificou com a chegada dos gaúchos e catarinenses, a partir da década de quarenta do século vinte (SCHMIDT, 1996, p. 80).

Gregory (1997) informa que a colonização da região Oeste do Paraná foi motivada a partir de uma estratégia nacional de ocupação de espaço criada pelo presidente Getúlio Vargas, na década de 30. Essa iniciativa ficou conhecida como “Marcha para o Oeste” e, para efetivá-la, contou com empresas colonizadoras, dentre as quais se destaca a Maripá (Industrial Madeireira Colonizadora Rio Paraná S. A.). O objetivo dessa política nacionalista era a integração nacional e a organização dos territórios, de modo a garantir tanto a segurança e efetiva posse, evitando-se a ocupação estrangeira, quanto a exploração das imensas regiões de fronteira, que estavam praticamente desabitadas na época.

Assim, em meados de 1940, foi iniciada a colonização do Oeste do Paraná, que “acolheu contingentes populacionais oriundos das zonas de colonização do sul do Brasil, estruturadas em base a pequena propriedade e a partir do trabalho familiar” (SCHALLENBERGER; COLOGNESE, 1994, p. 9).

A partir de 1948, houve uma aceleração do processo migratório à região, resultando na rápida ocupação do Oeste, principalmente por migrantes de origem alemã e italiana vindos de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Essa ocupação se efetivou de diversas formas: por meio de empresas de colonização que, com o apoio do governo estadual, colocavam lotes à venda a preços acessíveis; pelo próprio governo, que estimulava a vinda de colonos para as terras públicas; por iniciativa própria de outros colonos que se deslocavam e ocupavam terras suposta ou efetivamente devolutas. Além disso, levas populacionais também chegavam de outras regiões do país, principalmente de São Paulo e Minas Gerais, promovendo uma revolução demográfica no início do século XX (WACHOWICZ, 1982; GREGORY, 1997).

Saatkamp (1984) descreve o perfil desejado pela Maripá para ocupar o Oeste do Paraná:

Ao planejar a fixação do homem à terra, para dedicar-se às diversas espécies de cultura, a Colonizadora Maripá escolheu o agricultor do Rio Grande do Sul e Santa Catarina com o argumento: “Esse agricultor, descendente de imigrantes italianos e alemães, com mais de cem anos de aclimatação no país, conhecedor das nossas matas, dos nossos produtos agrícolas e pastoris, primando pela sua operosidade e pelo seu amor a terra em que trabalha” (SAATKAMP, 1984, p. 43).

Os descendentes de imigrantes que vivem nessa região são provenientes, em sua maioria, dos outros estados do Sul, mas a região também recebeu contigentes vindos do Sudeste, embora em número menor. Trouxeram consigo os hábitos e costumes típicos dos países de origem de seus antepassados, preservando, até os dias atuais, não com a mesma intensidade, as línguas de herança, dentre elas a língua alemã, que ainda goza de certa vitalidade na região.

Segundo Schallenberger e Colognese (1994, p. 9), os “migrantes, fundamentalmente de origem alemã e italiana, conservavam uma tradição cultural marcada pelos fortes vínculos gregários, pela identidade étnica, lingüística e religiosa”. As práticas vivenciadas pelos seus antepassados imigrantes foram trazidas na bagagem desses grupos, que se instalaram no Oeste do Paraná com idêntico espírito religioso e cultivo pela língua e cultura. Nas palavras dos autores:

As comunidades cristãs evangélicas do Oeste do Paraná são, na sua quase totalidade, de descendência étnica alemã, oriundas dos núcleos de imigrantes do Rio Grande do Sul ou de Santa Catarina. Trazem no seu bojo uma forte herança cultural destes núcleos de colonização, mantendo vivos elementos da tradição, dos usos, dos costumes, da religiosidade e da língua. Estes elementos foram cristalizados no tempo pela tradição. Assim, nas práticas sociais e nas formas de representação estão marcadamente presentes os valores e os conteúdos culturais dos seus ancestrais (SCHALLENBERGER; COLOGNESE, 1994, p. 35).

O Oeste do Paraná é, assim, conhecido pela sua heterogeneidade cultural. É o local de encontro e convivência de muitas etnias e culturas: brasileiros de várias partes do país, descendentes de imigrantes europeus (principalmente alemães e italianos) ou asiáticos (árabes, sírios, japoneses etc.), além de paraguaios e argentinos. As variedades linguísticas faladas nessa região já vêm sendo mapeadas e descritas em diversas pesquisas, como no ALPR – Atlas Linguístico do Paraná (AGUILERA, 1990), no ALERS – Atlas Linguístico-

Etnográfico da Região Sul do Brasil (ALTENHOFEN; KOCH; KLASSMANN, 2002) e em Um estudo geossociolinguístico da fala do Oeste do Paraná (BUSSE, 2010).

Conforme afirmam Busse e Sella,

Um olhar para os dados históricos já registrados sobre a colonização moderna do Oeste paranaense será suficiente para identificar o papel dos colonos sulistas, com seu também histórico anterior, notadamente vinculado ao processo de imigração do próprio país, o papel dos grupos do Norte e da região central do Paraná, das regiões Sudeste e Nordeste do Brasil. Assim, temos a formação de um contexto multicultural e multilíngue, no qual emergem peculiaridades na fala, como o registro de uma ou outra variante; e, em algumas situações, o predomínio de uma com relação a outra pode refletir as condições pelas quais as comunidades se organizam (BUSSE; SELLA, 2012, p. 80).

Segundo Aguilera (2009), esse mosaico de riquísssima diversidade étnica e linguística merece ser devidamente pesquisado e divulgado.

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