O setor criativo de Natal apresenta uma tímida participação na economia da cidade como veremos a seguir. A atividade cultural, por exemplo, ainda está muito aquém de cidades como Salvador, Recife, Fortaleza, São Luís e até mesmo de João Pessoa (IPEA, 2009). Porém, se voltarmos algumas décadas, no período dos primeiros intentos de “modernização” urbana, veremos que a cidade já viveu períodos de intensa agitação cultural.
Se pudermos cravar uma data para o início da economia criativa em Natal, que na época se limitava apenas a economia da cultura, será, muito provavelmente, o dia de 14 de junho de 1830. Nessa data a Câmara Municipal de Natal, na tentativa de regular os espetáculos na cidade, impõe o pagamento de uma taxa para as apresentações públicas. Ou seja, é a primeira forma de Lei cultural e de circulação de dinheiro no que diz respeito a tais atividades. A postura da Câmara, segundo Cascudo (1980), “gravíssima em suas atitudes e solene nas coisas triviais”, além de regular, especifica as atividades culturais da época, dispondo do seguinte entendimento:
A Câmara Municipal faz saber aos habitantes de seu Município que havendo disposto a Lei de 1° de outubro de 1828, art. 66, §12, que a Câmara possa autorizar espetáculos públicos no seu município mediante uma módica contribuição, para a renda e despesas da mesma Câmara, sendo só as que aqui possam apresentar máscaras, comédias, danças de corda, painéis circulados de fogo artificial, carvalhadas, contra danças, bailes, presépios, e fandangos, tanto nesta cidade como em qualquer dos povoados do Município dela: determina por Postura o seguinte:
1° - Que de ora em diante nem uma pessoa possa apresentar farsa de máscaras, comédias, carvalhadas, dança de corda, painéis circulados de fogo artificial, sem proceder licença desta Câmara pela qual pagará trezentos e vinte réis por cada um dos ditos espetáculos que quiser apresentar.
2° - Que igualmente seja proibido poder-se apresentar contra danças, bailes, presépios, fandangos, sem preceder a dita licença, pagando-se a cada um dos ditos espetáculos marcados nesse artigo a quantia de trezentos e vinte réis.
3° - Que o autor de cada um dos espetáculos sem preceder a licença seja condenado em dois mil réis, ou um dia de cadeia, e o duplo na reincidência que seja contada da terceira em diante. (CÂMARA MUNICIPAL DE NATAL apud CASCUDO, 1980, p. 293-294)
Porém será na primeira metade do século XX que os cidadãos potiguares, no afã modernizador de suas elites, conhecerão os primeiros equipamentos culturais propriamente
ditos e sofrerá grandes impactos em seus costumes, reflexo do contato com povos de centros mais modernos, seja através da elite que se educara nos grandes centros urbanos nacionais, ou através do contato com os americanos que vieram em grande número durante a Segunda Guerra Mundial.
Durante esse período Natal passou por algumas transformações no plano urbanístico, socioeconômico e cultural que marcaram profundamente a história da cidade. Para melhor entendimento dessas mudanças iremos destacar duas etapas, a primeira que vai de 1900, primeiro ano do governador Alberto Maranhão, até o ano de 1930, que marca o fim da República Velha; e a segunda que vai de 1940 a 1945, o período da Segunda Guerra Mundial, quando os americanos constroem importante base militar na cidade.
Nessa primeira etapa Natal passa por um intenso anseio modernizador, o desejo de progresso consome a elite política da cidade. A onda modernizadora que estava presente nas capitais europeias já na última metade do século XIX, devido principalmente a onda de industrialização e o grande fluxo populacional rumo as principais metrópoles, aos poucos vai chegando nas maiores cidades brasileiras.
Vários políticos e intelectuais natalenses da época, os quais tiveram parte de sua formação em cidades como Recife e Rio de Janeiro ou até mesmo outras no exterior, se esforçaram para inserir Natal no ambiente de mudanças tecnológicas, urbanísticas e culturais que passavam os grandes centros urbanos. Esse contato com outra realidade, portanto, foi fundamental para a introdução de novos ritos e novas formas de usufruir os espaços públicos. (MARINHO, 2011)
No governo de Alberto Maranhão iniciou-se várias obras que iriam mudar as feições da cidade. A Cidade Nova, primeiro bairro planejado de Natal, refletia as intenções modernizadoras da elite da cidade, obedecendo aos padrões urbanísticos e de salubridade da época. Porém, a construção do bairro não foi isenta de críticas, principalmente pelo jornal que fazia oposição ao governo, o Diário de Natal, que em suas matérias mostravam as injustiças das violentas desocupações dos barracos da área. (CASCUDO, 1980)
Outras obras desse governo que foram fundamentais para as mudanças na socialização na capital potiguar foram a iluminação a gás acetileno, a iluminação elétrica, a implantação de bondes de burros que posteriormente se transformaram em elétricos, a construção de passeios e jardins públicos e a construção do Teatro Carlos Gomes, hoje Teatro Alberto Maranhão, que
veio a atender aos anseios da elite local por um equipamento capaz de receber as grandes companhias artísticas. Ainda no que se refere aos espaços públicos e as novas formas de socialização, merece destaque o jardim público de Natal, localizado na Praça Augusto Severo, em frente ao Teatro Carlos Gomes, que juntamente com a abertura da linha do bonde cidade Alta-Ribeira, facilitando a ligação entre os dois primeiros bairros da cidade, e a inauguração do primeiro cinema de Natal em 1911, o Polyteama, transformou a área no principal espaço público e ponto de encontro de Natal. A introdução da praia como espaço de sociabilidade na capital foi outra importante transformação da época, principalmente por traduzir o início de uma relação sócio econômica e cultural entre ambas. (MARINHO, 2011)
Mesmo sendo uma cidade litorânea foi apenas em 1908 que Natal tem a sua primeira estação balneária, localizada na praia de areia Preta. Através da iniciativa privada é construída a primeira estação de banhos, favorecida não só pelo entusiasmo da elite, mas também pelas inovações técnicas que chegaram a cidade. Os bondes elétricos, prolongados até o balneário de Areia Preta aos sábados, domingos e feriados, proporcionaram a população natalense a prática de novas atividades sociais antes impensáveis devido a distância e a inviabilidade de acesso.
O prolongamento dos trilhos fez com que a pratica dos banhos de mar se democratizassem e tornassem bastantes comuns na década de 1920. A praia, onde se destacavam as práticas esportivas, a contemplação ao mar e o “flirt”, se tornou uma alternativa aos passeios no bairro da Ribeira. Aos que queriam uma praia mais reservada, poderiam cruzar o rio e desfrutar da estação de banho da Redinha, local com acesso mais restrito, reservado aos veranistas de alto poder aquisitivo. Apenas em 1925 inaugurou-se o transporte de lanchas ligando Natal a Redinha. Também se remete a essa época a criação dos clubes e cafés na cidade. Concentrando-se no bairro da Ribeira, juntamente com diversos tipos de bares, os cafés demonstravam o claro sinal dos hábitos europeus introduzidos pela elite local (MARINHO, 2011). Inicia-se no começo do século XX, portanto, a vocação cultural/criativa do Bairro da ribeira, que encontra seu auge no período da presença dos americanos na cidade. Tal característica persiste até os dias de hoje.
A segunda metade da década de 1920 é marcada pela inauguração do Aero Club e do estádio Juvenal Lamartine, que se transformaram em importantes centros de entretenimento da cidade durante vários anos. Com o fim dessa década e o advento da Revolução de 1930 o estado passa por um período de instabilidade política, aonde várias intervenções públicas são
bruscamente interrompidas, com destaque para o Master Plan, de autoria do arquiteto Giácomo Palumbo, que pretendia seguir o ritmo de “modernização” da cidade. (MARINHO, 2011)
Outro período de importante destaque para a criação dos setores culturais e criativos na cidade é o da Segunda Guerra Mundial. Durante a presença dos americanos, que corresponderam a aproximadamente 20% (10.000) da população local à época, segundo estimativas de Cascudo (1980), houve uma intensa movimentação cultural em Natal. Para o melhor entendimento do ambiente propício ao desenvolvimento dessas atividades na cidade, se faz necessário apontar o “contexto” da base militar aqui instalada.
Natal até então se apresentava como uma cidade provinciana, galgando os primeiros passos, como descrito acima, rumo a “modernização” do seus espaço urbano e costumes. Chegado o período da Segunda Guerra Mundial ocorre uma intensa transformação, efeito da instalação de uma base naval, uma base aérea, uma brigada de infantaria, tropas de apoio, um sistema de vigilância da costa e defesa civil. Além disso, a cidade também foi sede da mobilização técnica do exército dos Estados Unidos. (CLEMENTINO, 1995)
Toda essa movimentação causou grande impacto na economia da cidade. A construção da infraestrutura militar gerou uma grande oferta de empregos, a necessidade de fornecedores para suprir as bases de materiais de todo o tipo, e a circulação de dinheiro na cidade fez crescer o movimento no comércio, que atravessava uma fase nunca antes vista. Segundo Clementino (1995, p.26):
No auge da mobilização militar, o comércio desfrutava de uma situação de intenso movimento. As lojas, barbearias, sorveterias, restaurantes e cafés, contavam com numerosa freguesia cosmopolita constituídas principalmente de norte-americanos…A vida apareceu em todos os setores, especialmente nas casas noturnas.
Sem margem a dúvida, como podemos observar no trecho acima, o setor cultural e de entretenimento foi altamente alavancado nesse período. O governo estadunidense demonstrava uma imensa preocupação com o bem-estar e o entretenimento dos soldados sediados ou em trânsito. Prova disso são os equipamentos encontrado em Parnamirim Field: biblioteca com
mais de 5.000 volumes, sorveteria, discoteca, quadras de esportes, teatro, até mesmo um Jornal noticioso, o Foreign Ferry News, escrito em inglês, publicado todo domingo, e uma emissora de rádio, a USMS, que retransmitia a Columbia Broadcasting System, de Nova Iorque. Também foi construído dois clubes para os militares em Natal, um na Ribeira, o Down Town, destinado aos soldados e marinheiros e outro em Petrópolis, o Beach Club, destinado aos oficiais. (CASCUDO, 1980)
A base de Parnamirim também recebeu a visita de ilustres personalidades e artistas da época, dentre os quais podemos destacar a primeira dama dos Estados Unidos, Elionor Roosvelt, o Príncipe Bernard da Holanda, além disso, vinte e quatro das quarenta e seis delegações da conferência de Breton Woods fizeram escala na base. Contudo, o que mais se destaca no período é a Conferência de Cúpula entre o presidente Vargas e o presidente Roosvelt, que se encontram em Natal para discutir o futuro das Américas. (CLEMENTINO, 1995)
O que podemos concluir sobre esse período é que a presença dos militares americanos provocou um impulso econômico efêmero, durando apenas alguns anos, criando um “clima de falso progresso”. (CLEMENTINO, 1995). Contudo, a infraestrutura criada, tanto a militar, como a de transportes, bem como a oferta de serviços gerada no período foi o principal legado deixado para a cidade. Alguns dos equipamentos construídos contribuíram para reforçar o caráter militar da cidade e criar perspectivas para o desenvolvimento de um setor turístico mais sofisticado. Além disso, é importante lembrar que a intensa efervescência cultural a qual a cidade passou na época marcou sua história e os costumes de seus habitantes.
Como pudemos observar na seção anterior, não houve uma ligação entre as atividades mais dinâmicas da economia natalense com o setor criativo, nem mesmo o turismo, um dos setores mais importantes para a capital e potencial indutor da indústria criativa, não conseguiu ao longo do seu desenvolvimento se comunicar com áreas mais dinâmicos, solidificando seu elo principalmente com o setor imobiliário e da construção civil. (SILVA & FERREIRA, 2010)
3.2 Mapeamento dos Setores Criativos em Natal
Na sequência iremos realizar o mapeamento dos setores criativos na capital potiguar, analisando seu peso dentro da economia, bem como os postos de trabalhos gerados por esse setor em franco crescimento no mundo. Vários foram os organismo e instituições que
elaboraram semelhante exercício, tanto no âmbito nacional quanto internacional, com destaque para o British Council (BOP CONSULTING, 2010), exemplo paradigmático de mapeamento dos setores criativos londrinos. Aqui no Brasil a FIRJAN (2012) realizou importante trabalho, disponibilizando uma plataforma de consultas dinâmicas não só para o estado do Rio de Janeiro, como também para outros estados brasileiros; e a Secretaria de Turismo de São Paulo que em parceria com a FUNDAP (CAIADO, 2011) também realizou estudo de destaque sobre a importância das indústrias criativas na principal economia do país.
A disponibilidade de dados é um problema relatado por vários autores e instituição que trabalham com o tema da economia criativa (REIS, 2012; SEC, 2011). Ainda nos falta uma plataforma institucional federal que sirva de fonte para a normatização e a padronização de pesquisas, evitando que cada pesquisador tome sua própria fonte e assim prejudique a discussão e o debate na área.
Porém, mesmo com essa limitação, qual seria os benefícios trazidos pelo mapeamento? A seguir detalharemos os principais objetivos de instituições que realizaram tal exercício, para na sequência explicar com maior precisão a metodologia a ser utilizada no mapeamento desenvolvido para a cidade de Natal.
O mapeamento é um exercício que foi inicialmente desenvolvido pelo British Council (1998) cujo principal objetivo era destacar a importância do setor criativo para a economia do Reino Unido. A partir dessa iniciativa vários outros trabalhos semelhantes foram elaborados ao redor do mundo. Dessa maneira:
O mapeamento vai além da produção de mapas reais. Trata-se de uma maneira rápida de definir um enfoque que engloba uma série de métodos analíticos para recolher e apresentar informações sobre a variedade e abrangência das indústrias criativas. A intenção principal do mapeamento é colocar o valor econômico das indústrias criativas em perspectiva, especialmente em lugares que quase nada se sabe sobre elas. (BOP CONSULTING, 2010, p. 9)
Após alguns anos desse exercício, o British Council em parceria com a Bop Consulting lança um guia para transmitir a experiência do mapeamento realizado no Reino Unido para outros países e ajudar pesquisadores a melhor entender o setor e encontrar as melhores maneiras de coletar informações (BOP CONSULTING, 2010). No que se refere ao esclarecimento sobre o setor, o documento realmente atinge seu objetivo, contudo as formas e disponibilidade de coletar dados e informações depende muito do nível de desenvolvimento da base de dados sócio econômicos de cada região ou país.
O documento ainda aponta possíveis justificativas para a execução do mapeamento. A primeira a ser destacada é a ajuda do levantamento do perfil das indústrias criativas em criar quadros de referências no setor e mostrar possíveis similaridades entres diferentes áreas. O segundo é a necessidade de aumentar o nível de conhecimento sobre o setor, trazendo esclarecimentos sobre a sua estrutura, localização e performance. A terceira razão é a possibilidade do planejamento de crescimento futuro do setor, mostrando suas necessidades e sugerindo ações de correção. Os outros motivos elencados no documento se insere no plano político, apontando que o mapeamento pode definir compromissos dos líderes que são responsáveis por políticas em áreas relativas ao tema, bem como contribuir para apoiar objetivos políticos e econômicos mais abrangentes, já que ações nos setores criativos podem impactar em outras áreas como o turismo, por exemplo. (BOP CONSULTING, 2010)
Já o trabalho elaborado pela FIRJAN analisa não apenas a cadeia produtiva do setor criativo, mas também o perfil dos profissionais criativos, utilizando tanto a base de dados do CNAE (Cadastro Nacional de atividades Econômicas) como da CBO (Cadastro Brasileiro de ocupações). Produto da evolução de estudos anteriores, o atual trabalho da instituição carioca insere os setores de pesquisa e desenvolvimento e biotecnologia no rol dos segmentos criativos, se aproximando da visão da UNCTAD, inclusive na constituição da cadeia produtiva do setor, separando o núcleo criativo das atividades relacionadas e de apoio.
Não podemos negar a importância desse estudo em âmbito nacional, principalmente, como dito anteriormente, no que diz respeito a disponibilização de plataforma de consulta para profissões criativas. No entanto, a delimitação de algumas ocupações como criativas é questionável (KRATKE, 2011; ALMEIDA & PAIS, 2012). Atualmente é muito complexo determinar o grau de criatividade de determinado ofício, visto o processo de “criatividade e profissionalização” observado por Almeida & Pais (2012), que abre caminho para a
profissionalização da criatividade e a “criativização” da profissão, duas características bastante comum nas formas de trabalho atuais7.
Já o trabalho da FUNDAP não entra na seara das profissões criativas, analisando apenas a trabalho formal e informal gerado pelos setores criativos. O trabalho se destaca pelo rigor metodológico que o elenca como o principal exercício de mapeamento realizado no Brasil. Destaca-se na metodologia desse trabalho a consideração apenas dos setores criativos, o que evita problemas de superestimação, presentes em outros trabalhos.
Outro ponto importante são as dificuldades metodológicas encontradas pelos autores, muito delas também observadas no presente trabalho. Inicialmente é analisado o problema da separação do trabalho fabril do essencialmente criativo nos setores da moda e do artesanato, problema já apontado no primeiro capítulo. Outro obstáculo é a limitação presente nas bases de dados brasileiras. O IBGE, principal instituição da área, limita o detalhamento de dados sócio econômicos para os municípios, principalmente aqueles sem destaque na esfera regional, como Natal, por exemplo. Os dados mais detalhados apenas estão disponíveis para estados e os maiores municípios, como Fortaleza, Recife, e Salvador para o nordeste.
Destaca-se também a comparação entre os dados do IBGE e do RAIS/MTE, em que esse último considera apenas o setor formal da economia, comprometendo uma análise mais fiel dos setores criativos, cujo nível de informalidade é considerável. Dessa forma fica inegável, mesmo com os obstáculos mencionados, a vantagem da base de dados do IBGE para a realização de mapeamentos nessa área.
Para o mapeamento da cidade de Natal, a ser realizado no próximo item, foi considerado os três estudos acima discutidos, com principal enfoque para aqueles elaborados pelo Bop Consulting e pela FUNDAP. A luz das justificativas que o mapeamento pode apresentar, podemos inferir que o principal objetivo em pauta é realizar o levantamento do perfil e da
7 Os autores em questão defendem a ideia de que nas relações de trabalho atuais é cada vez mais comum profissionais das áreas não ligadas aos setores criativos utilizarem de ferramentas cognitivas criativas, já os profissionais dos setores criativos estão cada vez mais fazendo uso de estratégias empresariais para alcançarem êxito em suas atividades. Ou seja, fica cada vez mais difícil determinar as ocupações criativas, já que a dinâmica laboral atual exige diferentes graus de criatividade.
estrutura do setor criativo em Natal e entender suas dinâmicas afim de apresentar as potencialidades e os principais problemas que impedem o crescimento desse setor.