O corredor Vitória refere-se ao escoamento da produção utilizando o complexo portuário de Vitória (ES). No Mato Grosso, a zona de influência desse corredor logístico engloba alguns munícipios na região intermediária de Barra do Garças (MTPA, 2017). É importante ressaltar a progressiva perda de relevância desse corredor para a exportação de grãos mato-grossenses nos últimos anos, o que pode ser verificado nos dados da SECEX exibidos na Tabela 6. Segundo o (MTPA, 2017), não existe relevância em qualquer rota unimodal a partir do Mato Grosso para esse corredor, possuindo apenas uma singular opção intermodal rodoferroviária.
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O trajeto consiste na movimentação dos grãos até o pátio ferroviário localizado na cidade de Araguari (MG) onde ocorre o transbordo para a malha da Ferrovia Centro Atlântica, a partir da qual a carga será movimentada até o complexo portuário de Vitória, utilizando-se ainda da malha ferroviária da Estrada de Ferro Vitória Minas (EFVM) a partir de Belo Horizonte. A rota rodoviário representativaé composta pelas rodovias BR-158, BR-060, BR-452 e MG-223 (MTPA, 2017; CASTRO et al., 2017). Considerando como origem o munícipio de Água Boa, principal produtor de grãos da região imediata de Água Boa e um dos cinco maiores do Nordeste do Mato Grosso, tem-se uma distância rodoviária até Araguari de aproximadamente 932,7 km. No tocante as condições de conservação, o estado de conservação da extensão da BR-158 no Mato Grosso foi considerado regular. Entretanto, o estado de conservação da BR- 158 em Goiás é um constante motivo de preocupação, sendo que o trecho entre Aragarças e Jataí foi avaliado como ruim e péssimo, sendo inclusive considerado uma das piores ligações rodoviárias do país pela (CNT, 2018).
Em Araguari a carga é transferida para a malha da Ferrovia Centro Atlântica (FCA) através dos terminais de transbordos em operação no munícipio. A malha da FCA é concedida à VLI S.A. sendo que para integralizar o trajeto até o porto de Tubarão, ainda se faz necessário o uso de um direito de passagem9 para a malha da Estrada de Ferro Vitória Minas (EFVM).
Segundo dados do anuário estatístico da ANTT foram embarcados 8,739 milhões de toneladas de soja nos terminais da FCA no ano de 2018. Especificamente, nos terminais de Araguari foram embarcados 3,576 milhões de toneladas, sendo que 86,25% desse montante, ou 3,084 milhões de toneladas possuíam o complexo portuário de Vitória como destino, sendo a fração complementar direcionada ao complexo portuário de Santos (DR-ANTT, 2018).
O transbordo dos grãos em Araguari tem como referência o pátio Brejo Alegre, a partir de quatro terminais ferroviários para o embarque dos grãos: Terminal ADM, Terminal Bunge, Terminal Selecta, Terminal Integrador de Araguari. Segundo o relatório de declaração de rede do ano de 2018 da ANTT, os quatro terminais somados possuem capacidade de embarque de soja mensurada em 480 vagões/dia. O Terminal Integrador de Araguari (operado pela VLI) possui a maior capacidade unitária de
embarque, 360 vagões/dia. Considerando o trem tipo, a capacidade total de embarque de soja em Araguari totaliza 32.520 TU/diao que corresponde a uma capacidade operacional total de embarque anual de 11,707 milhões de TU de soja (DR-ANTT, 2018).
Com relação à via permanente, na malha da FCA a carga é movimentada por uma extensão de 766 km entre os pátios referência de Brejo Alegre e Pedreira do Rio das Velhas em Sabará (MG). O trecho mais restritivo em relação àpossibilidade do aumento das remessas de soja nessa via é compreendido entre os pátios de Batista Frazão e Alvino Damião, cuja capacidade ociosaé estimada em 5,46 pares de trem/dia. Por sua vez, na malha da EFVM, a carga é movimentada por 637 km entre os pátios de Pedreira do Rio das Velhas e Tubarão em Vitória. Nessa extensão, cabe ressaltar que a capacidade máxima de tráfego de vagões na via permanente foi atingida em alguns trechos, como, por exemplo entre os pátios Aroaba e Entroncamento Tubarão. Dessa forma, no cenário atual, não existe a possibilidade de aumentar o volume de soja enviado para o complexo portuário de Vitória, a partir das estações de transbordo ferroviário de Araguari, Uberaba e Pirapora sem que o volume movimentado de outras mercadorias seja reduzido (DR-ANTT, 2018).
De acordo com os dados da ANTAQ em 2018 foram embarcados 5,159 milhões de toneladas de soja e milho no complexo portuário de Vitória, o terminal de Tubarão foi responsável pela totalidade da movimentação dos grãos. O Terminal de Tubarão está localizado na cidade de Vitória, no lado norte da Baía de Espírito Santo. O referido terminal é privado sendo propriedade da mineradora Vale S.A.
Conforme o memorial descritivo do Terminal de Tubarão elaborado pela Vale S.A., a estrutura de acostagem do terminal é composta por três píeres contínuos, sendo dois dedicados à movimentação de minério e um à movimentação de carga geral, onde ocorre o embarque dos grãos. Destaca-se ainda o trecho do cais destinado à movimentação de granéis líquidos. O píer no qual ocorre ao embarque dos grãos é dividido em duas seções denominadas TPD3 (com 280 m de extensão) e TPD4 (230 m de extensão). Dados da ANTAQ indicam que a seção TPD3 representa o trecho onde o embarque dos grãos efetivamente acontece. O calado máximo permitido é de 15 m (VALE, 2015).
O recebimento da carga é realizado através de duas moegas. Para realizar o embarque da carga, o píer possui um sistema de correia transportadora com 19,5 km de extensão. O embarque nos navios é consolidado pelos 4 carregadores de navios que totalizam capacidade nominal de 12.000 ton/hora. Quanto à estrutura de armazenagem para a carga geral, o terminal conta com 8 armazéns horizontais e 2 cônicos que totalizam 500 mil toneladas (VALE, 2015).
Em relação àcapacidade dinâmica da estrutura de acostagem do terminal de Tubarão, os cálculos foram realizados conforme a metodologia, anteriormente apresentada, da SNP (2017). Assumindo um índice de ocupação admissível de 65%, a capacidade foi mensurada em aproximadamente 4,690 milhões de tonelada/ano, portanto inferior ao volume total de grãos atualmente movimentado no terminal, 5,189 milhões toneladas, indicando que a estrutura de acostagem opera com um nível de ocupação acima daquele recomendado, podendo induzir a presença de filas. No entanto, cabe ressaltar que o volume total de grãos embarcado no terminal de Tubarão nos últimos anos tem se mantido constante com leve tendência de queda, segundo os dados do anuário da ANTAQ. Além do mais, para o Mato Grosso existe uma acentuada redução das remessas com destino ao terminal, conforme visto pelos dados da SECEX na Tabela 6. Finalmente, dada a capacidade de recepção e expedição do terminal de Tubarão, fica evidente que a estrutura de acostagem configura-se como o fator limitante para o terminal.