I.3. Babylon 5 : « Light years ahead of anything else on television » anything else on television »
I.3.1. Temporalité et structure du monde fictionnel
Certos elementos do sistema climático (tipping elements) desempenham um papel importante na estabilidade do clima global. Uma transformação profunda nestes elementos pode produzir um efeito em cadeia conducente ao reforço das alterações climáticas a ponto de fugirem ao controlo da Humanidade.
Um ponto de viragem climático ocorre quando uma pequena variação num forçamento desencadeia uma resposta fortemente não linear na dinâmica interna de parte do sistema climático alterando qualitativamente o seu estado futuro. Em geral, é de carácter irreversível.
Existem vários tipping elements, sendo de destacar a perda de gelo marinho no Árctico, o derretimento do lençol de gelo da Gronelândia, o colapso do lençol de gelo da Antárctida Ocidental, o colapso da Floresta Amazónica, o colapso da Floresta Boreal, e alterações à Monção Indiana de Verão.
A comunidade científica relevante tem alertado para a possibilidade de alguns dos pontos de viragem destes elementos poderem estar próximos ou mesmo em curso. A observação dos acontecimentos recentes no Árctico e na Gronelândia (Verão de 2012) levaram mesmo a declarações de surpresa em relação à rapidez do degelo e à gravidade das consequências55. A extensão do gelo marinho no Árctico voltou a atingir um novo mínimo para o mês de Agosto, ficando 38,46% abaixo da média para o período 1979-2012 (as medições por satélite iniciaram-se na década de 70). O mês de Agosto de 2012 marca o 135º mês consecutivo com a extensão de gelo abaixo da média.56
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IPCC. “Technical Summary”. In: Climate Change 2007: The Physical Science Basis. Contribution of Working Group I to the Fourth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change. Cambridge (RU), Cambridge University Press. 2007. Pp 19-91; p.65
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Leifert, Harvey. Arctic Warming Startles the Experts. [Consultado em 18 de Agosto de 2013]. Disponível em http://environmentalresearchweb.org/cws/article/news/51806
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National Climatic Data Center. Global Snow & Ice - August 2012. [Consultado em: 24 de Setembro de 2012] Disponível em: http://www.ncdc.noaa.gov/sotc/global-snow/2012/8
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Os modelos utilizados pelo IPCC apontavam para a possibilidade do desaparecimento total do gelo marinho do Árctico no Verão ocorrer apenas para o final do Séc. XXI.57 Perante os dados da observação do que está a decorrer, o desaparecimento total do gelo marinho estival no Árctico58 pode ocorrer no horizonte de uma década59. A surpresa, porém, não é generalizada. Há muito que se vinha alertando para a insuficiência dos modelos do IPCC num domínio tão relevante. Estes modelos não incorporam as complexas dinâmicas de retroalimentação (feedbacks).60
O lençol de gelo da Gronelândia apenas, tem capacidade para fazer subir o nivel médio do mar em cerca de 7 metros. Se considerarmos o gelo da Antárctida Ocidental, onde se regista já um degelo significativo, o potencial de subida dos mares é de mais 6 a 7 metros61. Estudos recentes apontam para a possibilidade de o nível do mar subir pelo menos um metro e oitenta até ao final do século, continuando a subir até cerca de 5 metros em 2300. Tudo isto se se mantiverem as tendências actuais de emissões, que não constituem, ainda assim, o pior cenário. Não há estratégias duradouras de adaptação da orla costeira que resistam a uma evolução deste tipo.
Em relação à floresta da Amazónia, acontecimentos recentes de seca generalizada e fogos florestais onde não são habituais62 e para os quais aquela floresta não está preparada, são prenúncios do que poderá acontecer, sobretudo se for ultrapassada a barreira dos 3 ºC. A densa floresta tropical da Amazónia poderia converter-se em savana, com as consequências descritas atrás no que toca ao armazenamento de carbono.
Um outro tipping element do sistema climático, embora se pense seja de progressão mais lenta, é o metano armazenado no fundo do mar, sobretudo no Oceano
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IPCC Climate Change 2007: Working Group II: Impacts, Adaptation and Vulnerability. Current Arctic Conditions vs Projected Arctic Conditions.
Disponível em: http://www.ipcc.ch/publications_and_data/ar4/wg2/en/figure-15-3.html 58
Skeptical Science. Do we know when the Arctic will be sea ice-free? [Consultado em: 11 de Setembro de 2013]. Disponível em: http://www.skepticalscience.com/do-we-know-when-the-arctic-will-be-sea-ice- free.html
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Romm, Joe. Death Spiral Video: Arctic Sea Ice Minimum Volume 1979-2012. [Consultado em: 23 de Abril de 2013] Disponível em: http://thinkprogress.org/climate/2013/04/22/1902501/death-spiral-video- arctic-sea-ice-minimum-volume-1979-2012/
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Hansen, J.E.; “Scientific reticence and sea level rise”. In Environmental Research Letters. Vol. 2, Nº 2, Abril-Junho 2007, pp. 1-6
61
Hansen, James. Storms of my Grandchildren. The truth about the coming climate catastrophe and our last chance to save humanity”, 1ª edição. Londres. Bloomsbury Publishing. 2009. p. 83
62
Romm, Joe. Science: Second ’100-year’ Amazon drought in 5 years caused huge CO2 emissions. If this pattern continues, the forest would become a warming source.[Consultado em: 9 de Fevereiro de 2011] Disponível em: http://thinkprogress.org/climate/2011/02/08/207462/science-amazon-drought-co2- emissions-source-sink-simon-lewis/
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Árctico na pouco profunda plataforma continental da Rússia, sob a forma de clatratos de metano. Os clatratos de metano são cristais que retêm metano por efeito da acção de altas pressões e baixas temperaturas. Estima-se que possam conter o dobro do carbono existente em todos os combustíveis fósseis conhecidos.63 À medida que a temperatura do mar sobe, aumenta a probabilidade de desestabilização e consequente libertação deste metano. A persistência de temperaturas globais médias acima de 3º C poderá ser o ponto de viragem deste elemento64. Uma preocupação mais imediata é a libertação já em curso do metano retido sob o solo outrora permanentemente gelado, o permafrost. A temperatura no Árctico está a aumentar ao dobro do ritmo da temperatura média global, contribuindo para o derretimento do permafrost. Uma estimativa aponta para que sob o solo gelado existam entre 1400 a 1700 Gt C, cerca de quatro vezes as emissões totais por actividades humanas nos tempos modernos65. Estudos recentes revelam que a Antárctida pode conter também vastas quantidades de metano sob o gelo.66