Pesquisadora arguindo sobre realizar as atividades pedagógicas numa rede social em vez de ser numa aula dita tradicional.
… Então, se eu pudesse pensar um dia que a gente pudesse estudar uma coisa e agir com a outra. E o incrível que pareça é que por mais que uma se encaixe na outra, as duas são completamente opostas, então foi uma coisa interessante, foi uma coisa diferente, legal. Isso hoje porque as aulas, elas não foram só diversão, como também não foram só um ritmo rígido. Ter aula no Face é rápido é do agora. Podemos ver os assuntos rapidinho e passar pra outro
Foi uma interatividade interessante, que eu acredito que quase todo mundo aqui deve ter uma rede social que usa constantemente na vida pra qualquer coisa, que seja pra conversar com um “crush”, ou que seja pra saber de notícias...Sabemos tudo ligeiramente. Aqui e agora! Melhor sim, aprendi mais!
Enfim foi interessante esse tipo de coisa e a gente fez um vídeo que não fala, mas mostra a nossa aula de campo que a gente teve e a gente andou ao redor da escola, passou pela rua, mostrando a visão que a gente não tinha visto e que fazia parte do cotidiano, “entendeu”, o lixo, ele tava presente e a gente não percebia pelo simples fato que já virou, sinceramente, já virou cultura, normalidade”.
Você anda você joga e “ah” - você pensa, “outra pessoa tá jogando, vem um gari e ele vai limpar, não tem problema, meu pai, minha mãe tá pagando imposto, não tem problema algum. Não vai ter problema”; mas agora, “vamo” fazer, “vamo” fazer uma análise, você mora “numa” rua e passou aquela famosa boca de lobo que é onde escoa a água pra não alagar, você joga uma latinha lá, o famoso ditado “jogue lixo no lixo”, se já tem lixo lá, obviamente outra pessoa vai jogar as pessoas tão seguindo. na verdade era jogue lixo no lixeiro… Então, vai acumulando, viu que tá a latinha, já é incentivo pra outra pessoa jogar, outra pessoa joga, joga, joga. Chove, o que que acontece? Alaga. A culpa é de quem? Prefeito? Não, não é. Isso não é culpa totalmente do prefeito, nem do gestor escolar, talvez o gestor geral, mas talvez sejam dos próprios cidadãos que não tem essa conscientização.
E o grupo em rede, ele serve justamente pra isso, pra você não só ter monitoria, você pensa e discute, é melhor!!Ver o povo todo da sala. Como também você ter essa consciência e também, não, assim, reduzir a ignorância porque muita gente faz o quê?
Faz as coisas e coloca a culpa em outras, mas talvez a culpa, o lixo, o alagamento e tudo mais não sejam culpa apenas de prefeito, não apenas de uma autoridade, mas venha realmente do povo que é o que faz a cidade. Poder dizer isso numa rede social e fazer a pesquisa, curtir e compartilhar o que nos leva a pensar e a aprender mais e assim é melhor ainda!
Nas declarações dos alunos do Exemplo 9 ficou visto a distinção que estes fazem no que cerne as duas metodologias didáticas, sobre realizar as atividades pedagógicas numa rede social em vez de ser numa aula dita tradicional.
Houve uma compreensão pelos discentes nas duas formas de prática pedagógica. Há um destaque no primeiro depoimento em que o aluno afirma que estas duas formas de abordagem poderiam ser utilizadas em conjunto. Foi falado do aspecto da possibilidade de interagir e discutir no espaço da rede, entendido como algo positivo.
Segundo a autora Santaella (2013) no estudo do espaço em rede, os diálogos podem ser de fato desenvolvidos e estes se caracterizaram pela pluralidade de vozes.
No caso do projeto de intervenção os discentes puderam trocar ideias e conteúdos sobre o tema estudado e puderam opinar sobre como foi trabalhar neste espaço. Conforme a autora as redes sociais têm potenciais sócios técnicos e educacionais e pode ser vista como lugar de subjetivação e sociabilidade.
Desta forma, acredita-se que o engajamento cognitivo discente foi possibilitado pela estada e estudo pedagógico em rede, visto como um lugar de troca, entretenimento e entrelaçamento de autoria de diversos conteúdos e agora como um ambiente de trabalho pedagógico.
Ainda seguindo a trilha das reflexões feitas por Santaella (2013), visível em outro aspecto e revisto nestes diálogos citados nos depoimentos do Exemplo 8 (apresentados na forma de análise pelos alunos sobre o que significou trabalhar em rede social); neste caso, os alunos fizeram uma análise sob a ótica da questão temporal, chamada por esta autora de alwayson; em outras palavras, as redes são alimentadas pela troca e compartilhamento de informações em tempo real, num “presente sempre contínuo”.
Os estudantes, de fato apontaram em suas falas alguns aspectos típicos da rede, o instantâneo e o rápido, características destes espaços sociais e virtuais vistas por estes como algo positivo.
A seguir estarão postos as considerações sobre o engajamento crítico, uma subcategoria do engajamento cognitivo.
5.2.3 Engajamento crítico
Esta subcategoria se refere à emissão de opiniões importantes acerca de assuntos de fórum público. Engajamento que gera competência para aprender a participar da vida pública na emissão de opiniões importantes acerca de assuntos de fórum social ou comunitário.
Para Santaella (2013), as práticas comunicativas nas redes sociais se legitimam como uma alternativa fértil e ampliam a capacidade de agenciamentos sociais. A autora destaca a relevância dos novos desafios trazidos pelas interações específicas destas plataformas no que concerne às habilidades cognitivas dos usuários e se refere às dinâmicas de interação nas redes sociais, que são constituídas de fluxos de informações internos e externos, indivíduos em busca do entendimento de um tema, emitindo suas próprias opiniões. Trata-se de promover "o saber como".
É salutar a importância do discente ter a possibilidade de emitir uma opinião estando em rede social! Esta categorização está posta no Exemplo 10: