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Singulier/pluriel

Dans le document Janet Frame : le féminin et la marge (Page 195-198)

1.3 « This community of the insane »

1.3.1 Singulier/pluriel

Nos últimos anos temos assistido a um crescente interesse na forma como a temática da saúde pode ser inserida nas campanhas por comportamentos que promovam benefícios para a problemática das alterações climáticas.

Neste sentido, consideramos que seria interessante explorar de que maneira o framing da saúde pode contribuir para uma comunicação ambiental, particularmente das ACs, mais eficaz. Ao centrar-se nos efeitos das ACs sobre a saúde humana, investigadores sugerem que o tema ganharia relevância pessoal para o recetor. Esta perceção de relevância estaria relacionada com a capacidade deste framing de enfatizar associações de proximidade temporal e geográfica dos impactos e outros atributos característicos do framing de ganhos (outputs positivos).

Autores argumentam que, através do framing da saúde, o foco da problemática, antes localizado em áreas remotas, como regiões polares, deslocar-se-ia para regiões mais próximas da audiência. Esta aproximação ocorreria igualmente no que se refere ao sujeito impactado, já que, em contraponto ao framing ambiental das ACs, que usualmente evidencia os desgastes em espécies não humanas, como plantas e animais, o framing da saúde traria à problemática das ACs um “rosto familiar”. (Nisbet M. C., 2009; Maibach, Nisbet, Baldwin, Akerlof , & Diao, 2010)

Este capítulo centra-se no objeto desta investigação: o framing das ACs em termos de saúde. Na seção que se segue, este framing será analisado quanto às suas vantagens para promover atitudes e comportamentos mais sustentáveis e o seu potencial para ativar alguns elementos da comunicação persuasiva, como a proximidade, a credibilidade e a perceção de ganho (output positivo). Pretende-se ainda estabelecer uma relação entre as áreas de comunicação da saúde e da comunicação das ACs, ressaltando as suas similaridades e de que forma o conhecimento de ambos os âmbitos poderia contribuir para um cenário mais amplo marcado por co-benefícios para a saúde e para o clima.

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Contextualização

Ao longo dos últimos anos, as iniciativas promovidas no sentido de envolver a população no combate às mudanças climáticas focaram-se maioritariamente nas dimensões ambientais da ameaça (Corbett & Durfee, 2004). Entretanto, uma das implicações mais graves do fenómeno diz respeito aos impactos sobre a saúde humana, na medida em que afetam negativamente aspetos do ambiente social e ambiental determinantes para o bem- estar (Weathers, Maibach, & Nisbet, 2017; Frumkin, Hess, Luber , Malilay, & McGeehin, 2008). O relatório Lancet, uma das publicações na área da medicina mais antigas e reconhecidas, acompanha a evolução dos impactos das mudanças climáticas na área da saúde (The Lancet Countdown on Health and Climate Change). Em 2015, a edição concluiu que as mudanças climáticas ameaçam reverter o progresso alcançado ao longo dos anos pela comunidade mundial de saúde pública e que uma resposta abrangente às mudanças climáticas poderia ser a maior oportunidade de saúde do século XXI. (Watts et al, 2017)

Os impactos já são sentidos de forma vasta, entre outros, na qualidade do ar e da água, no nível de suprimento de alimentos, na propagação de doenças, etc. Segundo dados da Organização Internacional de Saúde (OMS), entre 2030 e 2050, as mudanças climáticas deverão causar aproximadamente 250 000 mortes por ano, provocadas principalmente pela desnutrição, malária, diarreia e temperatura extrema. A Organização estima ainda que os custos de danos diretos para a saúde (excluindo gastos com setores determinantes para a área como agricultura, água e saneamento) estarão entre US $ 2-4 bilhões/ano até 2030 (OMS, 2018), um prejuízo económico corroborado pelos dados do relatório Lancet de 2017, que avaliou que as perdas resultantes das alterações climáticas aumentaram desde 1990, totalizando US$ 129 bilhões, em 2016. (Watts et al, 2017)

Em Portugal, os incêndios exemplificam alguns dos impactos sobre a saúde esperados num futuro próximo (DGS, 2018)26 . Nick Watts, diretor executivo do Lancet Countdown,

observa que picos de doenças respiratórias e cardiovasculares, lesões diretas,

26 https://www.dgs.pt/paginas-de-sistema/saude-de-a-a-z/incendios/efeitos-do-fumo-dos-incendios-na-saude.aspx - Acesso em:

60 queimaduras e transtornos de saúde mental são característicos à ocorrência de incêndios florestais27 (Watts N., 2017).

Face aos crescentes impactos na área, a redução de gases de efeito estufa é essencial para limitar os efeitos do fenómeno sobre a saúde pública. A comunicação persuasiva e a estratégia do framing têm protagonismo neste cenário, já que podem contribuir no estímulo à adoção de comportamentos pró-ambientais e intensificar o apoio da sociedade à implementação de políticas públicas que visem a mitigação e a adaptação, o que promoveria co-benefícios para a saúde e para o clima. Apesar dos riscos, pesquisas demonstram que uma grande parcela da população ainda não é capaz de estabelecer uma relação entre as alterações climáticas e a saúde humana, minimizando assim a perceção dos riscos ao nível individual.

Nível de perceção dos riscos para a saúde

Estudos anteriores demonstraram que a população ainda tem dificuldades para estabelecer em que medida as ACs impactam a saúde. Autores identificaram que a população americana ainda não interpreta o fenómeno como uma ameaça à sua própria saúde e a dos seus próximos (Akerlof et al., 2010 apud Weathers & Kendall, 2015). Em 2015, uma investigação conduzida pela Gallup com 1025 adultos concluiu que apenas uma minoria (37%) considerava o fenómeno como uma grave ameaça para a forma como vivem28. Resultados semelhantes foram alcançados numa investigação das universidades

de Yale e George Mason, corroborando a análise ao comprovar que a maioria dos americanos (61%) não está ciente de quaisquer consequências do aquecimento global para a saúde. (Leiserowitz, et al., 2014)

Investigações adicionais, conduzidas no Canadá, em Malta e nos Estados Unidos, em 2008 e 2009, sugeriram que a relação entre as ACs e a saúde só era estabelecida pelos participantes em perguntas fechadas de um questionário, enquanto as perguntas abertas,

27 https://www.noticiasmagazine.pt/2017/nick-watts-os-impactos-das-alteracoes-climaticas-na-saude-serao-devastadores/ - Acesso

em: 17.08.2018

61 apresentaram um reduzido nível de associações claras entre o evento e a saúde. (Akerlof et al., 2010 apud Maibach et al., 2015).

O Framing da Saúde e os Media

No que concerne aos conteúdos expostos nos media sob a perspetiva da saúde, estudos anteriores demonstraram uma reduzida cobertura noticiosa sobre esta correlação, comparativamente a outros framings. Uma análise do jornal francês Le Monde evidenciou um baixo número de artigos articulados nestes termos. Entre 1990 e 2015, 4465 artigos mencionaram o termo "mudanças climáticas"; no entanto, apenas 13,4% referenciavam a palavra “saúde", dos quais apenas 4,2% abordavam as consequências para saúde como um resultado das alterações climáticas. Apesar da reduzida presença do framing da saúde na cobertura do Le Monde, o estudo demonstrou o crescimento do conteúdo noticioso que destaca estas implicações desde 2000, o que sugere que o framing da saúde pública vem ganhado espaço nos media. (Depoux, Mathieu, Puig-Malet, Pédron, & Flaha, 2017).

Este crescimento também foi evidenciado por um estudo semelhante, conduzido nos EUA, entre 2011 e 2012, que analisou a frequência da tematização das ACs nestes termos em 270 notícias de cinco publicações distintas. Verificou-se que, em contraponto à diminuição da cobertura das mudanças climáticas no período investigado, face aos anos anteriores, a ênfase dada à dimensão da saúde ampliara-se. Por outro lado, o estudo também sugere que esta relação ainda é comunicada de forma imprecisa. (Weathers & Kendall, 2015)

As investigações citadas demonstram o aumento da pertinência do quadro de saúde pública na comunicação sobre as mudanças climáticas, tendência também comprovada pelo Lancet Countdown de 2017, que verificou que a atenção dada às implicações na saúde aumentou não só nos media, para os quais foi identificado um aumento de 78% na cobertura jornalística, mas também nos artigos académicos, que registaram o aumento da abordagem ao tema em relatórios científicos para o triplo. (Watts, et al., 2017)

Não obstante o incremento da cobertura sobre os impactes na saúde, esta mostra-se ainda limitada e superficial. Concordantemente ao que ocorre em reportagens sobre outros

62 temas relacionados ao meio ambiente, a cobertura é episódica e raramente constitui-se enquanto tema central, na medida em que as notícias que referenciam as implicações da ACs na saúde surgem incorporadas a uma conjuntura maior do cenário das alterações climáticas, como uma onda de calor, tempestade, inundação ou incêndio florestais. (Weathers, Maibach, & Nisbet, 2017) Por último, evidencia-se ainda que as mensagens mediáticas sobre os riscos das ACs para saúde são frequentemente escritas com “linguajar ambiental”, o que potencializa o distanciamento do público leigo e contribui para um baixo envolvimento com a questão. (Weathers & Kendall, 2015)

Em diálogo com a revisão da bibliografia sobre os desafios da comunicação das ACs, a seção seguinte elenca e discute os principais aspetos evocados pelo framing da saúde, apontados por diferentes autores como benéficos para estimular comportamentos positivos para o cenário das ACs.

Saúde: uma questão de relevância pessoal

Conforme já discutido anteriormente, a relevância pessoal afeta a maneira como a informação é apreendida, provocando um processamento mais sistemático da mensagem (Pidgeon, 2010; Weathers & Kendall, 2015; Leiserowitz, 2005; Rathzel e Uzzell, 2009).

Segundo Nisbet, o framing da saúde permite uma perceção de proximidade com o tema das ACs, intensificando a relevância pessoal da mensagem, na medida em que estimula a sua compreensão através de conexões interpretativas que já são familiares à audiência. O autor sugere que este framing é capaz de ativar a sensação de proximidade geográfica com os impactos, que, por sua vez, também passariam a ser interpretados como socialmente próximos. (Nisbet, 2009)

Estudiosos do tema argumentam que o framing de saúde pública ajuda a criar um quadro compreensível na comunicação dos riscos, efeitos e condições do fenómeno, já que o define de maneira conectada com valores sociais fundamentais, independentemente do grupo ao qual pertence o indivíduo (Weathers & Kendall, 2015). O framing da saúde seria capaz de descentralizar o foco de danos em plantas e animais, ao enfatizar os efeitos negativos para os seres humanos, as suas famílias e o seu círculo social. Neste sentido, o

63 diálogo deslocar-se-ia de um baseado em valores ambientais para outro centrado em valores de saúde pública (Weathers, Maibach, & Nisbet, 2017).

Por outras palavras, relacionar o evento a doenças e impactos sobre a saúde já conhecidos e passíveis de serem identificados em indivíduos da própria localidade onde se vive (geograficamente e socialmente próximos) facilitaria a apreensão, pois a narrativa não só evoca valores amplamente compartilhados, mas também o realiza através de informações mais familiares e compatíveis com o conhecimento prévio da população (Ex: problemas respiratórios, doenças infeciosas, etc., que, por sua vez, já fazem parte dos riscos percebidos pelo indivíduo ou de seu círculo social).

Pesquisas anteriores demonstraram a eficácia da perceção de risco individual na promoção de mudanças comportamentais, concluindo que a população está mais propensa a reconhecer e atuar sobre as ameaças que já são percebidas como próximas. (Hale & Dillard, 1995; Witte & Allen, 2000 apud Weathers, Maibach, & Nisbet, 2017). O tema já foi investigado em profundidade em variadas teorias de mudança comportamental na área da saúde concluindo-se que, no que concerne à tomada de decisões, é esperado que os indivíduos ponderem lados comparando os aspetos negativos aos benefícios de determinada ação (Cheng, Woon, & Lynes, 2011; Ajzen e Fishbein, 1988). Neste sentido intervenções que visem alterar a perceção de risco podem ser substantivas para a adoção de comportamentos mais saudáveis. (Ferrer & Klein, 2015)

Estudos recentes demonstraram que os americanos respondem positivamente quando recebem informações sobre os benefícios de ações pró-ambientais para a saúde. Notícias sobre as implicações das ACs para a saúde pública – em contraponto à segurança ambiental ou nacional - teriam maior probabilidade de provocar emoções e reações consonantes com o apoio à mitigação e adaptação entre os indivíduos investigados. (Weathers & Kendall, 2015) Enquadrar o fenómeno nestes termos aumentaria a perceção de que os esforços que visam à proteção das pessoas e suas comunidades (mitigação e adaptação) seriam indispensáveis. (Weathers, Maibach, & Nisbet, 2017)

Outros estudos sugerem ainda que o ângulo da saúde é capaz de afetar uma diversidade maior de públicos, incluindo até mesmo os segmentos céticos, que, ao receberem

64 mensagens nestes termos, afirmam considerar as informações atrativas e úteis. (Maibach, Nisbet, Baldwin, Akerlof , & Diao, 2010).

Também é importante ressaltar que diferentes abordagens podem ter mais efeitos positivos sobre determinadas audiências do que outras. Um estudo de 2012, conduzido na Universidade de Yale, mapeou o público americano e suas diferentes perceções quanto às mudanças climáticas, definindo seis "grupos” que apresentavam interpretações coesas quanto aos valores, crenças, atitudes e comportamentos. As análises destas audiências foram investigadas de acordo com espectro de preocupação e envolvimento com o tema. (Leiserowitz, Maibach, Roser-Renouf, Feinberg, & Howe, 2012) O mesmo estudo verificou que, apesar das variações significativas entre os grupos, os participantes que leram a mensagem enquadrada em termos de saúde pública apresentaram pelo menos algum sentimento de esperança - emoção considerada eficaz na mudança comportamental e para adoção de comportamentos pró-ambientais. Pode-se inferir da experiência que o framing da saúde se configura enquanto um notável recurso quando a comunicação está direcionada a uma transversalidade de públicos com características diversas. (Myers, Nisbet & Maibach, 2012)

Uma pesquisa realizada em Seattle com 500 passageiros de um ferry boat contribuiu para validar a perspetiva de que o framing da saúde atua de forma eficaz sobre uma diversidade de públicos, servindo para despolitizar perceções sobre o tema. Os participantes foram distribuídos aleatoriamente em dois grupos e expostos a framings distintos sobre os impactes da poluição dos oceanos. Na primeira versão, as consequências foram enquadradas em termos de riscos para espécies marinhas, como as ostras. Na segunda, o tema foi abordado em termos de riscos para os seres humanos, devido à ingestão de ostras contaminadas. O estudo demonstrou que os republicanos (segmento inclinado a posicionar-se contra políticas de redução de carbono) expostos ao enquadramento da saúde foram significativamente mais propensos a apoiar regulamentação de combustíveis fósseis. (P. Schuldt, A. McComas, & Byrne, 2016)

Impactos locais

Autores como Weathers et al. sugerem que, diferentemente da frequente abordagem do fenómeno enquanto um “desafio global”, o framing da saúde evoca impactos locais e

65 regionais do fenómeno, possuindo vantagens, na medida em que redireciona o diálogo e as potenciais soluções para a comunidade e realidade locais. (Weathers, Maibach, & Nisbet, 2017)

Adicionalmente, a literatura sobre a comunicação persuasiva sugere que o enquadramento local apresenta resultados eficazes no que se refere ao nível de atenção atraído (Pidgeon, 2010) Weathers e al. (2017) destacam que, ao enfatizar os impactos geograficamente próximos dos indivíduos, os riscos das alterações climáticas deixam de ser percebidos como abstratos, pois os efeitos sobre a saúde humana são mais concretos e visualizáveis (passíveis de identificação em indivíduos vulneráveis, como crianças e idosos, por exemplo).

As vantagens da abordagem local, características do framing da saúde, também seriam notáveis na cobertura mediática, pois o elemento de proximidade geográfica implicaria no aumento do valor notícia, aumentando a probabilidade de que o tema venha a ser reportado pelos media. Segundo Maibach et al., esta abordagem também poderia contribuir para um maior envolvimento de jornalistas com a temática, o que, por sua vez, poderia resultar numa cobertura mais substancial e aprofundada. (Maibach, Nisbet, Baldwin, Akerlof , & Diao, 2010)

Credibilidade

A possibilidade de incluir novas vozes já altamente respeitadas ao debate, como médicos, enfermeiros e outros agentes do setor de saúde, tornaria o enquadramento da saúde ainda mais vantajoso em termos persuasivos, agregando à narrativa a credibilidade já tradicionalmente atribuída a este tipo de fonte. Para gerar envolvimento é imperativo que o ouvinte perceba o conhecimento dos peritos e compartilhe interesse e valores. Sob esta perspetiva, incluir fontes confiáveis contribui para facilitar o processamento da comunicação das alterações climáticas. (Bolsen & Shapiro, 2017)

Segundo um estudo da Gallup de 2017, por 16 anos consecutivos, os enfermeiros foram apontados como os mais confiáveis, sob o ponto de vista de honestidade e padrões éticos. Mais de oito em cada dez (82%) americanos descrevem a ética dos enfermeiros como

66 "muito alta" ou "alta". Os médicos e farmacêuticos aparecem em quarto e quinto lugar, respetivamente, entre as 21 profissões pesquisada.29 Entre os portugueses, o índice de

confiança é ainda maior, segundo um estudo da revista Readers digest de 2015: os enfermeiros contam com a confiança de 93% da população, e os médicos, 91%, ficando apenas atrás das profissões de bombeiro e pilotos de aviação respetivamente.30 Estes dados

permitem inferir que o facto dos profissionais de saúde já terem o respeito e a confiança da população os coloca em posição de destaque para comunicar uma temática tão relevante e os riscos para a área na qual atuam. Outro estudo sobre a comunicação do tema demonstrou ainda que a confiança nos médicos ganhava pontuação máxima nos EUA, dado significativamente superior à classificação dos media, de apenas 2,7 (Whitmarsh, 2015).

No que diz respeito à perceção da comunidade médica sobre o tema, um estudo realizado pela George Mason University’s Center for Climate Change Communication verificou que uma grande proporção dos médicos entrevistados (79%) já percebe os impactos das ACs na saúde dos seus pacientes, acreditando ter um papel a desempenhar na educação dos pacientes e do público em geral sobre os impactos das mudanças climáticas para saúde. (George Mason University’s Center for Climate Change Communication, 2016) Apesar de compreenderem a correlação entre as alterações climáticas e a saúde, os mesmos vêem barreiras que impedem uma maior contribuição, entre elas a falta de tempo, o desconhecimento sobre a forma adequada de comunicar o assunto, a incerteza sobre as recomendações indicadas e o facto de não conhecerem mecanismos para cobrarem por estas atividades.

Muitos autores citam o envolvimento da comunidade médica e a comunicação de saúde pública como sendo historicamente fundamentais para o enfrentamento de crises na área da saúde (tabagismo, a SIDA, doenças cardiovasculares e outras). Weathers et al. (2017), afirmam que o setor da saúde está bem posicionado para demonstrar a proximidade temporal e espacial dos riscos catalisados pelas mudanças climáticas. Diante deste constatado protagonismo e do potencial de envolver uma gama mais ampla de pessoas, as organizações e profissionais de saúde pública assumem a responsabilidade de informar

29 http://news.gallup.com/poll/224639/nurses-keep-healthy-lead-honest-ethical-profession.aspx Acesso em: 23.09.2018 30 http://www.seleccoes.pt/1/profissoes_de_confianca_847096.html - Acesso em: 12.07.2018

67 as comunidades sobre os riscos e como podem ser evitados, aumentando a compreensão das mudanças climáticas e facilitando o processo de tomada de decisão.(Nisbet M. C., 2009ª; Weathers, Maibach, & Nisbet, 2017a)

Framing da Saúde: um enquadramento de ganhos duplos

Por último, destaca-se como atributo do framing da saúde sua capacidade de evocar o quadro adicional do ganho (outcomes positivos), apontado por alguns autores como um quadro de “win-win”, em que benefícios da adoção de comportamentos pró-ambientais seriam igualmente benéficos para a saúde do indivíduo. Maibach et al (2010) pontuam que Iniciativas que contribuem para melhoria do cenário ambiental atual frequentemente geram benefícios diretos ou indiretos para a saúde (reduzir as emissões de gases de efeito estufa das usinas melhora a qualidade do ar, promovendo benefícios diretos para a saúde respiratória e cardiovascular; reduzir o uso de automóveis por passar pelo incentivo a caminhadas, ciclismo e atividades físicas e contribuir para redução da obesidade, etc.). (Frumkin, Hess, Luber, Malilay e McGeehin, 2008)

Conforme já discutido nesta tese, o tratamento do ganho traz vantagens já verificadas em estudos anteriores que concluíram que os indivíduos tendem a rejeitar argumentos de perdas frente aos ganhos equivalentes. (Tversky & Kahneman, 1981; Pidgeon, 2010; Nisbet 2009; Hulme, 2009; van der Linden, Maibach, & Leiserowitz, 2015) O quadro da saúde, por sua vez, ao salientar os ganhos em bem-estar, eleva a predisposição para adoção de comportamentos mesmo frente a indivíduos céticos quanto a veracidade das alterações climáticas, que respondem positivamente ao conceito de co-benefícios à saúde associados a ações que limitem o aquecimento global (Maibach et al., 2010; Myers et al., 2013).

Numa investigação com grupos focais na Califórnia, participantes foram examinados para testar como diferentes quadros de mensagens (informativo; focado em benefícios pessoais; e focado na participação da comunidade) incentivavam a audiência na prevenção e preparação para os efeitos sobre a saúde das mudanças climáticas. O estudo

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