Na génese da elaboração do presente trabalho, esteve a preocupação de ensinar Arte e também Design de uma forma alternativa, conforme já referido. Ao longo da minha experiência quer como aluno, quer como professor/formador, várias vezes se generalizaram comentários que associavam a aprendizagem da História da Arte como conteúdo desinteressante, pouco motivador ou demasiado descritivo. Não obstante, não considerarmos ser o objetivo deste trabalho fazer uma abordagem muito aprofundada sobre o estudo de conceitos relacionados com a arte, importa contudo, fazer um enquadramento.
Nesse sentido entendemos que o ensino/aprendizagem da Arte é muito importante para compreender o mundo que nos rodeia, cruzando várias vertentes.
Para Meira & Rosa (2010), “A Arte envolve jogo, festa, prazer dos sentidos. É cognição sensível, transfiguração de sentimentos em consciência, e também linguagem, processo, expressão e comunicação. Seu ensino funde sensível e inteligível (…).”
Vários foram os autores que estiveram na base de princípios inovadores que criaram o “Movimento da Educação através da Arte”, destacando-se as ideias do filósofo inglês Herbert Read que preconizava que a Arte estaria na base da Educação.
O autor preconiza ainda que a as diversas formas de expressão artística devem englobar a música, dança, teatro, poesia, literatura não ficando apenas pelas artes visuais. Os jovens devem ter acesso a novas práticas com a intenção de os envolver, integrar na sociedade, com a educação artística os jovens têm a possibilidade de enriquecer conhecimentos, estimular e aumentar a sensibilidade, a afetividade e a inteligência. Ao educador cabe a função de motivar, de procurar estimular a criatividade através da expressão livre no que diz respeito aos sentimentos possibilitando aos alunos uma relação crítica, criativa, autónoma mas também de responsabilidade com o mundo que os rodeia.
“A arte sempre esteve presente em todas as formações culturais, desde o início da história da humanidade. Ao desenhar um bisão numa caverna, na Pré-história, o homem teve que aprender seu ofício. Depois, ensinou para alguém o que aprendeu. Assim, o ensino e a aprendizagem da arte fazem parte do conhecimento que envolve a produção artística em todos os tempos.” (Zanin, 2004, p. 57).
Como anteriormente referido, as enormes mudanças que afetaram toda a sociedade, cruzando as respetivas vertentes, exerceram igualmente grandes modificações na História da Arte enquanto disciplina. Segundo Cardoso R. (2009), “o campo da história da arte não poderia permanecer imune a tamanhas transformações na arte e na
sociedade.” Alguns investigadores mais novos encontraram campo fértil e a respetiva inspiração noutras áreas, designadamente, “nas ciências sociais, nos estudos de linguística e literatura, na psicanálise e, em especial, na história social que então se realizava em inst ncias acadêmicas mais politizadas (…)”, durante boa parte do século XX o campo dividiu-se, entre duas correntes maioritárias: “uma “descritiva” e “reacionária”, ligada ao conhecimento erudito de obras e autores, de técnicas e escolas; a outra, “analítica” e “revolucionária”, preocupada em explicar a arte moderna como decorrência inexorável da tradição artística ocidental e em justificar sua ascendência sobre esta e outras.”
“A partir da década de 70, outras disciplinas acadêmicas foram assimilando aos poucos as abordagens e os temas que antes eram domínio exclusivo da história da arte, dando início a novos campos de estudo. A história do design é um bom exemplo disso, e o surgimento do Design History Society na Inglaterra, em 1977, deve muito às transformações que então agitavam o meio arte-histórico.” (Cardoso R., 2009, p. 112).
Neste trabalho não pretendemos ter uma abordagem maniqueísta, defendendo a ”Nova” História da Arte em detrimento da “Velha” nem o seu contrário. Tentamos ter uma abordagem abrangente, onde nomes como E.H. Gombrich , G. C. Argan, Herbert Read, H. W. Janson entre outros, têm a sua participação, com ideias, sugestões, referências. Por outro lado, também não deixaremos de abordar novas tendências, algumas de grande rutura e que envolvem mudanças de paradigma, como a Videoarte, manifestações urbanas, em interação com o espaço virtual.
Para Cardoso R. (2009), “com seu pensamento sempre tão elegante quanto fascinante”, o conceituado historiador Gombrich prevê uma relevante via para a abordagem da arte no pós-modernismo, preconizando o seguinte “a fascinante realidade da ambiguidade visual”. Compreendê-la está na génese “da curiosidade que nos torna bons historiadores da arte e, por extensão, possíveis intérpretes de uma outra “realidade” – virtual – num mundo cada vez mais dominado pelos espaços da representação.”
No espaço de representação, o mundo virtual eCOArt estão representados várias manifestações artísticas, e porque foi necessário fazer uma seleção de obras, artistas, tendências, movimentos, naturalmente, as opções podem ser objeto de discussão, contudo as que foram selecionadas servem como um ponto de partida, devemos ter presente que este mundo virtual está em permanente evolução, encontra-se em aberto, permitindo substituir, alterar, incluir novas manifestações artísticas, novas
“Porque é que isto é arte?” “O que é a arte?” Poucas perguntas provocarão polémica mais acesa e tão poucas respostas satisfatórias. Embora não cheguemos a nenhuma conclusão definitiva, podemos ainda assim lançar luz sobre estas questões. Para nós, arte é, antes de mais nada, uma palavra, uma palavra que reconhece quer o conceito de arte, quer a sua existência. Sem a palavra poderíamos até duvidar da própria existência da arte, e é um facto que o termo não existe na língua de todas as sociedades. No entanto faz-se em toda a parte. A arte é portanto também um objeto, mas não é um objeto qualquer. A arte é um objeto estético, feito para ser visto e apreciado pelo seu valor intrínseco.” (Janson, 1986, p. 9).