II. Optimisation et Dimensionnement 67
6. Partage de charge sur une topologie multi-lien 91
6.9. Remarques et Conclusions
Segundo MORAIS (2000, p. 92), o governador Ivanhoé Martins (1967-72) será lembrado no Amapá pela urbanização e saneamento da Capital, pela expansão da rede de saúde, mas, principalmente, por ter sido o governador que mais construiu escolas no Amapá. Para outros, entretanto, será lembrado como o governador que definiu a derrota de Janary Nunes em um pleito eleitoral, coisa impensável no Amapá, até então.
Figura 21 – Desfile do IETA em 13 de Setembro de 1973. Carro alegórico homenageia Janary Nunes.
Fonte: Acervo Edgar Rodrigues. Museu Joaquim Caetano. Macapá/AP.
Ivanhoé Martins, nos primeiros momentos de sua administração, estrategicamente, não teria enfrentado diretamente o janarismo no Amapá, aliás, pelo contrário, teria estabelecido um relacionamento amistoso com Janary Nunes, como que estudando um respeitável rival político e suas táticas de domínio. Porém, a partir de 1968, ao compreender o poder paralelo do janarismo em todos os governos do TFA, declarou-se feroz opositor de Janary e seu grupo, utilizando-se de todos os meios para conter e erradicar o domínio político dos Nunes no Amapá. Foram os anos de expansão da demanda por mão-de-obra, principalmente com a instalação da Madeireira Brumasa S/A em Santana e do Projeto Jari, do latifundiário americano Daniel Ludwig no vale do Rio Jari, e no primeiro confronto político, a eleição para deputado federal, o partido de Janary Nunes, reduzido aos eleitores tradicionais e sem o apoio do governo, foi finalmente derrotado em um pleito eleitoral no Amapá, justamente por um professor, Antônio Cordeiro Pontes, do MDB local.
Ivanhoé Martins ficou conhecido no Amapá como homem culto, hábil político, extremamente duro em relação à conduta e aos valores morais, e é reconhecido, até hoje, como um governante honesto. Mas é também lembrado como o homem forte da “Revolução de 64” que determinou o fim do domínio político de Janary no Amapá e, ao mesmo tempo, o governador que mais expandiu a rede escolar pública e a educação no Território, enquanto seu sucessor, José Lisboa Freire (1972-74), seria lembrado apenas como marco do fato que o Amapá, por todo o resto do período militar, passaria ao domínio da Marinha. De fato, os governadores militares do Amapá, Arthur Henning (1974-79) e Aníbal Barcelos (1979-85) serão oficiais da Marinha.
Entretanto, em sua atuação pela educação amapaense, de 1968 a 1972, Ivanhoé Martins torna o Instituto de Educação do Território do Amapá uma instituição de ensino essencial à educação do Amapá, criando todas as condições para que os posteriores governadores do período militar canalizem investimentos da educação ao funcionamento do IETA em suas potencialidades plenas, e outro grande impulso de expansão da rede pública de ensino, federal e municipal32, somente voltaria a ocorrer com a nomeação do comandante da marinha Anníbal Barcellos, pela a posse de João Figueiredo na Presidência do Brasil, em 1979. Embora seja conhecido no Amapá como “velhinho boa praça”, que construiu ou reformou quase todas as praças públicas da Capital, Anníbal Barcellos rivaliza com Ivanhoé Martins em termos de expansão da rede de ensino no Amapá, e também no impulso e na autonomia que concede ao IETA em sua administração33.
Entretanto, enquanto que a imagem privilegiada de Janary Nunes é a do escoteiro desbravador, o soldado do ideário estadonovista; a de Ivanhoé Martins é a do soldado leal, do militar probo da Revolução, Annibal Barcellos traz uma imagem nova, a do governador camarada, com quem todos podem contar em seus momentos difíceis. Mas têm em comum com esses dois antecessores o talento inato para a política, a administração personalista e a percepção da importância da escola como espaço político.
Figura 22 - Desfile do IETA em 13 de Setembro.Homenagem a Annibal Barcellos. Anos 1980
Fonte: Arquivo pessoal do autor.
Anníbal Barcelos herda e administra uma história regional que acumula as imagens do pragmatismo político janarista ao rigor de conduta de Ivanhoé Martins, os dois governadores
32 O Amapá ainda era Território Federal e sua rede pública era, portanto, composta de professores do quadro
federal. A rede municipal mais significativa, a do município de Macapá (que englobava Santana), era totalmente dependente do governo do TFA.
33 Trata-se de uma época em que tanto o secretário de educação do TFA como os prefeitos atuavam como meros
anteriores que polarizam a política amapaense e que mais investiram na educação, e numa atuação que guarda suas similaridades, torna-se o terceiro nome na educação do Amapá, ao caminhar também na trilha da formação de quadros políticos através da educação.
Seguindo a linha geral do movimento janarista, ao qual seus antecessores trataram de se contrapor, e a exemplo do que fez Ivanhoé Martins (o vencedor do janarismo), Annibal Barcellos passa ao largo de polêmicos intelectuais tradicionais e de renome na educação amapaense e prefere, para os cargos de primeira linha, professores sem grande titulação, fama ou reconhecimento público, mas que lhe devotam extrema fidelidade política.
É uma época em que se consolida a imagem do diretor (ou vice) de escola que teve uma dura formação em serviço, uma titulação demorada em cursos de suplência e que se torna indispensável numa dada escola. Esses gestores, eventualmente, eram também candidatos no partido da situação, e se não se elegiam ao cargo legislativo pleiteado, mas, pelo menos carreavam boa quantidade de votos para o partido governista, e tudo para o bem de sua escola, que acabava usufruindo do prestígio alcançado por seus dirigentes. Um quadro complexo de envolvimento das escolas públicas na política partidária, resultando, para a maioria das escolas, uma limitação total da sua autonomia e de perspectivas de conscientização.
O Instituto de Educação do TFA, embora gozasse de certa imunidade técnica, era a escola que formava professores para a educação básica para as escolas das periferias da Capital e para o interior, e mais, expandia essa formação para o interior do Território por meio de cursos modulares, logo, não poderia deixar de ter um papel fundamental nesse cenário.
Mas a essa altura o Instituto de Educação do Amapá já apresenta uma imagem solidificada perante a comunidade amapaense, como a de escola realmente imprescindível para qualquer projeto de governo que valorize a extensão da educação para o interior do Amapá. Ser professor no IETA está relacionado a uma condição de intelectual formador de professores, em uma escola cujo produto é imediatamente testado pelo mercado, e muito bem sucedido, e a prova disso são as suas vitrines, as escolas públicas do centro da cidade que recebem os melhores alunos do IETA.
Na verdade, a Secretaria de Educação do GTFA, nos anos oitenta, terá no IETA a única instituição de ensino em condições de ser instrumentalizada para gerenciar projetos de interiorização do ensino de segundo grau pelos municípios do interior do Amapá, inclusive no problemático Laranjal do Jari (Beiradão) e no distante Oiapoque, a fronteira que, junto com outros municípios, foram atendidos em uma antiga aspiração dos prefeitos, a implantação do
segundo grau nesses municípios distantes, resolvido por meio do acesso ao curso de formação de professores por módulos.
Figura 23 –O interior do Amapá. Beiradão, Laranjal do Jari e a estrada para Oiapoque.
Fonte: Acervo Edgar Rodrigues e Arquivo Aristeu Valente/AP
As imagens ilustram as dificuldades de acesso e fixação de professores nos municípios do interior do Amapá, onde as situações mais graves são de Laranjal do Jari, um mundo de palafitas onde se alternam, por anos a fio, enchentes e incêndios, e Oiapoque, cujo acesso por estrada não pavimentada, na estação das chuvas, apresenta-se como uma verdadeira aventura. Ainda assim, até esses municípios foram atendido pela interiorização do IETA.