Os dados registrados nas fichas de inspeção no dia 27/06/2016 partiram dos procedimentos do checklist, a partir dos quais foi verificado a integridade das características funcionais das motobombas, dos relés de proteção e sensores, de acordo com suas especificações.
As figuras 5.1, 5.2, 5.3, 5.4, apresentam os resultados obtidos das medições dos parâmetros operacionais em ficha de inspeção.
Figura 5.1. Ficha de inspeção de parâmetros operacionais da motobomba PC.
Figura 5.3. Ficha de inspeção de parâmetros operacionais da motobomba PS.
Figura 5.4. Ficha de inspeção de parâmetros operacionais da motobomba PI.
Em geral, as medições no dia 27/06/2016 ocorreram em condições ambientes favoráveis, onde em média a temperatura era de 32°C, umidade relativa de 53%, velocidade do vento desprezível, com duração entre 9 e 14 minutos.
Ao comparar os dados medidos e registrados nas fichas de inspeção, destacados em vermelho, com os valores de referência (VR) e MTA, os mesmos se mostraram dentro da normalidade esperada, pois os valores de tensão estavam todos balanceados, dentro da faixa adequada, não ultrapassando 399 V, nem se reduzindo abaixo de 350 V, conforme recomendação constante no módulo 8 Prodist da ANEEL (2016).
As correntes medidas não indicaram estados de sobrecarga dos motores, pois ficaram abaixo dos fatores de serviço, com base nas correntes nominais dos diferentes modelos de motores submersos trifásicos (Anexo C). A respeito da corrente de operação, ela mostra um
comportamento levemente variável quando a tubulação da rede de abastecimento está mais ou menos cheia, (pressurizada), crescendo seu valor junto com a pressão.
As vazões das motobombas se mantiveram dentro das curvas de performance dos modelos, constantes no Anexo D. De acordo com as curvas, verificou-se através da 1ª etapa que os equipamentos estão dentro dos rendimentos especificados para cada modelo e potência de motor.
Dos quatro poços analisados, todos possuem aterramento do QCP, mas, apenas dois deles (PC e PD) atenderam às normalizações de aterramento funcional e de proteção, conforme NR 5410. A ausência de aterramento da motobomba pode comprometer as instalações elétricas em momentos de descargas, seja do motor para sua própria carcaça, ou descargas atmosféricas, vindo a danificar os componentes e a gerar risco à segurança dos manutentores.
Na ficha do PC, há uma exceção dentre as inspeções realizadas, onde numa ocasião foi efetivado o primeiro registro de manutenção, após verificado que o contactor apresentava um sobreaquecimento na fase “R”, sendo necessário a troca desse item e do cabo que ligava este ao disjuntor. Feito a manutenção preventiva, a temperatura voltou a ser a de referência na fase afetada.
As confiabilidades estimadas com base nas idades operacionais das motobombas, até o dia 11/07/2016, foram determinadas pelos índices da tabela 5.1.
Tabela 5.1. Índices simbólicos de confiabilidades baseados nas idades operacionais e na vida média das
motobombas submersas. POÇO Confiabilidade Motobomba* PC 0,620 PD -0,375 PS 0,593 PI 0,502
Observou-se, com base no critério analisado e nos dados dessa tabela, que as motobombas operam com 62; -37,5; 59,3; e 50,2 % de confiabilidade, tendo as disponibilidades os mesmos percentuais. Desses resultados verificou-se que um nível maior disponibilidade está associado a:
• Utilização do menor número possível de componentes em série;
• Dimensionamento de equipamentos com margem de segurança adequada; • Manutenção detectiva periódica das instalações das motobombas e poços; • Prevenção de pontos quentes, com reapertos periódicos das conexões elétricas;
O maior grau conferido ao PC se deve ao fato de ser o sistema com menor idade operacional, seguido do PS, PI e PD, sendo que este último apresenta maior risco de parada funcional da motobomba, por estar no período pós vida útil (4 anos), em que excedeu o tempo para ocorrência de manutenção. Ainda assim, esse critério usado tem limitação, pois vê
apenas o tempo de funcionamento do equipamento, sem considerar a análise dos danos em curso por meio de Roda de falhas específica para o equipamento, que permite justificar o prolongamento de sua vida útil, e sem ponderar sobre os tipos de chaves de partidas, que procedeu na próxima seção.
5.1.2 Inspeção termográfica
As termografias foram utilizadas para complementar as análises dos parâmetros elétricos de operação dos poços, na identificação de anomalias térmicas nos quadros de comandos e proteções, visando pontos quentes em corpos de itens que podem implicar em falhas.
Ao comparar os níveis térmicos com as MTAs dos itens inspecionados (fichas de inspeção), não foram identificados valores críticos para a realização de manutenção. Com isso, as termografias mostradas nas figuras a seguir são apenas uma amostra das assinaturas térmicas dos QCPs inspecionados, com destaque para os circuitos de potência.
Figura 5.5. Quadro de comandos PC.
Figura 5.7. Quadro de comandos PS.
Figura 5.8. Terminais do inversor de frequência PI.
A figura 5.8 mostra a termografia da motobomba PI, operando em carga parcial próxima de zero, onde o motor estava em baixa rotação na iminência de desligar, com baixa temperatura registrada (32ºC) no alvo, próxima à temperatura ambiente (31,6°C), o que confere uma das funcionalidades desse tipo de acionamento. Os demais equipamentos responderam dentro da normalidade para as MTA nas termografias: PD (46,0ºC), PC (56,5ºC), PS (43,1ºC).
Ainda na avaliação da ficha de inspeção, os fatores de estresse obtidos (temperatura ambiente e umidade relativa do ar) não apresentaram riscos proeminentes de falhas às instalações das motobombas, em virtude das condições regulares identificadas sobre esses fatores (maior U.R. = 55; e, maior T.A.= 33,4).
Nesse sentido, os itens inspecionados estão em conformidade com as especificações referidas dentro dos modos regulares de operação constatados, sem com isso apresentarem motivos para realização de correções programadas nas instalações das motobombas. Como forma de prevenir possíveis pontos quentes as conexões dos circuitos de potência foram reapertadas.