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Proof of Lemma 5.2.4

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5.2 Multi-scale bridges

5.2.3 Proof of Lemma 5.2.4

Acompanhadas as ponderações estabelecidas no bojo desta dissertação, comprova-se que os serviços de saúde são altamente específicos e que para a gestão eficiente destes, faz-se necessária uma administração profissionalizada em diversos aspectos, pois seus recursos são escassos e a demanda social é significativa.

Inicialmente, é importante entender a dicotomia existente entre a realidade estrangeira e a nacional. Na maioria dos países desenvolvidos encontra-se disponibilizada uma melhor assistência médica para a população; as ações desenvolvidas englobam múltiplas tarefas que se iniciam na vacinação da população até a realização de procedimentos cirúrgicos de complexidade diversa. Nestas localidades há uma melhor distribuição de renda, uma educação mais acessível para as pessoas, uma adequada infra-estrutura de saneamento básico e consequentemente uma melhor oportunidade de acesso à saúde.

Quanto à realidade nacional esta ainda enfrenta problemas básicos na prestação de serviços público de saúde, não obstante os avanços apresentados nos números de atendimentos realizados pelo SUS. Em 1998, ano de sua criação, foram realizadas 358.089.170 consultas médicas atingindo em 2008 o patamar de 461.252.669, números que demonstram uma variação de 28,8%. Uma estratégia importante para este crescimento está na descentralização do SUS, pois o objetivo maior é proporcionar, as administrações municipais, maior responsabilidade sobre as ações de saúde realizadas dentro do seu espaço territorial.

Atrelado ao atendimento, a população encontra a problemática do acesso aos medicamentos, haja vista a realização de consulta sem o uso posterior de remédios não apresentar nenhuma significância. O medicamento não é um objeto de livre aquisição por parte significativa da população, pois estas não dispõem dos recursos necessários para esta aquisição, ficando a cura muitas vezes relevada à sorte ou a receitas caseiras ensinadas através da cultura popular.

Conforme mencionado no transcorrer do estudo a população brasileira é detentora do direito a saúde, garantia que se encontra elencada no ordenamento maior do país, situação que o obriga a prover todos os meios necessário ao exercício deste direito. Teoricamente perfeito, todavia a prática mostra-se completamente diferente. Não que a constituição não seja cumprida, pois

assim onde ficaria o Ministério Público que não fiscalizaria as obrigações do Poder Executivo. O que ocorre a uma prestação de serviço deficitária no que se refere: a números de pessoas atendidas, a qualidade da prestação do serviço, a demora para a obtenção do serviço, a falta de profissionais especializados nas diversas áreas, etc.

Focando as ponderações no acesso a medicamentos a situação também deixa a desejar. A indústria farmacêutica mundial está formada em oligopólios57, onde poucos detêm o mercado e estabelecem assim regras excludentes. Inicialmente, pode-se citar os preços praticados pela indústria; estes possibilitam significativos lucros aos empresários, no entanto a camada social que tem acesso a eles é diminuta. Entre os países mais consumidores de medicamentos encontram-se os EUA, Japão e Alemanha; nestas localidades a distribuição de renda não apresenta as disparidades encontradas na sociedade brasileira.

Existem também no mercado brasileiro laboratórios farmacêuticos de capital nacional, estando estes divididos entre a iniciativa privada e laboratórios oficiais. A indústria nacional não está no patamar de desenvolvimento das multinacionais, pois, realiza-se no mercado nacional o ciclo parcial de produção de medicamentos. Percebendo, resumidamente, que o ciclo de produção de um novo medicamento está fracionado em pesquisa e desenvolvimento de novas drogas, constituição de um novo fármaco, produção do medicamento, ações de marketing e comercialização; ao mercado nacional destinam-se as três últimas, etapas de menor valor agregado quando da análise do ciclo completo.

Isto ocorre em virtude de vários aspectos explícitos e implícitos. De forma explícita pode-se dizer que as ações de P&D e as de produção de um novo fármaco requerem uma infra- estrutura adequada para as pesquisas, um financiamento para as atividades, uma mão-de-obra qualificada e de marcos institucionais fortes necessários para a proteção das descobertas. As etapas de produção do medicamento, marketing e comercialização são realizadas em localidades de menor custo de mão de obra. As duas primeiras seriam destinadas a regiões mais desenvolvidas, pois estas etapas são as mais dispendiosas e incertas, situações estas que inviabilizam a pulverização de centros de pesquisas. Alem disto, pode entender que o fator motivador implícito é a manutenção do segredo industrial, pois se há concentração de pesquisas poucas pessoas têm acesso e a possível violação de fórmulas é dificultada.

57 Dentre estes pode-se citar: Pfizer, Aventis/Sanofi-Synthelabo, Astrazeneca Corp, Amgem Corporation, Hoffman-Laroche, Glaxosmithkline, Johnson & Johnson.

Diante de tantas nuances os laboratórios oficias surgem como uma tentativa de desestruturação deste mercado oligopolizado. Estes entes foram criados, ao longo dos anos, por diversas entidades públicas, as quais os mesmos estão ligados, com o objetivo de viabilizar a produção, a comercialização e o acesso da população aos medicamentos essenciais. Na atualidade, segundo a Associação Brasileira dos Laboratórios Oficiais (ALFOB) existem dezenove laboratórios oficiais58 atuando no território nacional. Destes, duas são fundações de públicas de direito privado, cinco são sociedades de economia mista, três são autarquias, três pertencem a administração direta, uma é órgão suplementar, duas são departamentos, uma é unidade técnica e uma é fundação pública estadual, situação esta que demonstra uma falta de unidade estratégicapara o objetivo o qual se destinam.

Sendo a gestão destes laboratórios fundamentada no princípio da administração burocrática, diversos são os instrumentos de fiscalização e controle, ações estas que podem inviabilizar um processo competitivo com empresas concorrentes; isto ocorre em consequência do princípio da legalidade, pois qualquer ato a ser tomado deve estar prescrito no ordenamento jurídico previamente, situação esta não encontrada na iniciativa privada, pois o que não é proibido é permitido.

Nesta contextualização o governo do Estado da Bahia busca a reabertura da sua Fundação Baiana de Pesquisa Científica, Desenvolvimento Tecnológico, Fornecimento e Distribuição de Medicamentos - Bahiafarma. A primeira abertura data de 04/12/1980, através da Lei Delegada n. 10, com o objetivo de fornecer medicamentos básicos para a população pobre. A administração atual a reinstitui através do Projeto de Lei 17.709/2008, com o objetivo de viabilizar o acesso da população aos medicamentos essenciais através do SUS; ou seja, os objetivos em muito se assemelham.

Verificada a estratégia de atuação da Bahiafarma, nota-se que esta não tem como objetivo a prática concorrencial com outras empresas do segmento; a principal função da fundação estatal é a assistência aos necessitados no que se refere ao uso de medicamentos, Discutir a importância de tal ação não é o escopo deste trabalho, mesmo porque é uma obrigação

58 Laboratórios oficiais brasileiros: FUNED, FURP, LAFERGS, IQUEGO, IVB, LAFEPE, LIFAL, LPM, LEPEMC, LAQFA, LQFE, LFM, NUPLAN, LIFESA, LTF, FFOE, FAR-MANGUINHOS, HEMOPE, CPPI.

constitucional do Estado conforme citado anteriormente, situação que afasta diversos questionamentos dos grupos que por ventura discordam de sua implantação, pois “dura lex sed lex”59.

Todavia, a Bahiafarma desempenhará uma atividade de interesse coletivo, situação esta que a submete a vigilância da sociedade. Seus colaboradores serão contratados por concurso público, estando sob a égide da CLT, mas deverão desempenhar atividades focadas no objetivo maior, sendo seus membros do conselho e diretores indicados politicamente. Suas ações serão estruturadas a partir da celebração de contrato de gestão com a administração direta, onde serão estabelecidas metas, benefícios e penalidades na forma da lei.

A Bahiafarma, na condição de fundação estatal de direito privado, estará submetida a processo licitatório para aquisição de bens, serviços e insumos de pesquisas, realidade complexa para um segmento dinâmico como o farmacêutico, podendo determinadas exigências legais provocarem a paralisação da estrutura de pesquisa e a produtiva. A título de exemplo os laboratórios FURP, LAFEPE e Far-Manguinhos também são submetidos a esta realidade administrativa, oportunidade que favorece o desenvolvimento de competências relacionais da Bahiafarma.

Outro ponto importante é que a produção destina-se exclusivamente ao SUS. O sistema de saúde é caracterizado por remunerar insuficientemente os procedimentos médicos realizados em clínicas e hospitais conveniados, realidade esta que poderá ocorrer com a aquisição de medicamentos da Bahiafarma, situação esta enfrentada parcialmente por Far-Manguinhos, pois além da parceria com o SUS, desenvolve ações mercadológicas com outras instituições, inclusive internacionais.

Diante destes desafios faz-se necessário a implantação de uma gestão profissional na Bahiafarma para que possíveis problemas do principal-agente não ocorram e venham a desviar o seu foco, na oportunidade sugere-se a implantação de uma política de incentivos como forma de reter os mais qualificados e repulsar aqueles que por ventura afastem-se de suas atribuições.

Assim sendo, deste estudo conclui-se que a Bahiafarma é uma excelente iniciativa do governo do Estado, que ela é realmente importante para a sociedade baiana carente de remédios, entretanto sua condição de fundação estatal, mesmo sendo de direito privado, pode ser utilizada para fins diversos ao que inicialmente se propõe. A fim de evitar tais danos, urge que modificações sejam realizadas no que se refere à nomeação de diretores pelo governo do Estado, faz-se necessário que estes sejam funcionários concursados da Bahiafarma e estejam envolvidos a suas necessidades e desafios, pois elementos estranhos a esta realidade podem ser rechaçados por não serem técnicos competentes no ambiente.

Toda esta complexa realidade é potencializada haja vista a Bahiafarma ainda ser incipiente. Todas as considerações realizadas nesta dissertação têm por objetivo diagnosticar (ex-ante) possíveis pontos de estrangulamento quando da operacionalização do programa, pois, as estratégias desenvolvidas não inviabilizam sua execução, todavia a condição de fundação estatal e a importância que a Bahiafarma tem para a sociedade favorecem a inúmeros questionamentos quanto sua sustentabilidade, eficiência e eficácia.

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