5. DISCUSSION
5.1. Primary production by anoxygenic bacteria
Dados os pressupostos essenciais à hegemonia de uma sociedade Industrial, é possível reconhecer dois modelos de organização do trabalho: o taylorismo e o fordismo, e uma perspectiva epistemológica para a gestão: a burocracia. Neles, estão caracterizados os princípios necessários para que o sucesso desta sociedade se materializasse nas organizações que representam o espaço predominante em que se realizarão as ações humanas, o mercado. Nestes modelos a noção de racionalidade instrumental é subjacente e predominante.
Weber (1991 p. 52-53) chama de racionalidade formal de uma gestão econômica “...o
grau de cálculo tecnicamente possível e que a ela realmente aplica ...do ponto de vista puramente técnico o dinheiro é o meio de cálculo econômico ‘mais perfeito’”, ou seja, é a
aplicação dos meios técnicos necessários para que o fim de uma organização econômica, em outras palavras, o lucro, seja atingido. Deste ponto de vista, qualquer ação com base em valores não econômicos ou tradição que não reflita sobre suas conseqüências materiais, é reconhecida como irracional.
Na concepção do autor, a burocracia é uma forma de dominação em que há ausência de autonomia individual ou social e que o formalismo, a impessoalidade e o profissionalismo burocrático vão garantir a hegemonia burocrática; é um sistema de gestão em que a divisão do trabalho se dá “racionalmente”, tendo por pressuposto a racionalidade funcional, ou seja, visando aos fins determinados. Reconhece-a superior, dadas as suas características de
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Para este trabalho, conforme Kast e Rosenzweig (1980) e Morgan (1996), as perspectivas taylorista e fordista complementam-se e contribuem como um modelo de organização do trabalho no nível operacional, de supervisão; as idéias da sociologia da burocracia transpostas à administração complementam e firmam os princípios dos dois primeiros, estendendo-os à gestão de toda a o rganização.
precisão, de estabilidade, de rigor disciplinar e de confiança; contudo, essa superioridade é atingida por meio da rígida divisão das tarefas, da superioridade hierárquica e das regras e regulamentos detalhistas; é o exercício da dominação baseada no saber quando, ele é reconhecido como o conhecimento técnico. (Weber, 1991).
Tenório (1999) critica essa postura, denominando-a enfoque tradicional em oposição a uma epistemologia crítica. Na primeira perspectiva, prevalecem a objetividade e o utilitarismo, o conhecimento restringe-se ao saber dos técnicos, ao êxito econômico e o conhecimento tácito, produzido na dinâmica das relações socais, não é reconhecido. A segunda privilegia uma práxis social voltada ao conhecimento reflexivo e uma práxis política que questione as estruturas sócio-político-econômicas.
Ramos (1989) também faz uma consideração crítica ao trabalho de Weber, apontando que este autor toma como certa a substituição da racionalidade substantiva pela racionalidade funcional na ordenação dos negócios políticos e sociais. Para o autor, a conseqüência dessa recusa leva a vida humana associada a um beco sem saída, cuja única noção de racionalidade validada é a funcional.
Dentro de uma mesma perspectiva epistemológica assumida na burocracia e com características e objetivos semelhantes, ou seja, maximizar os resultados da produção, é possível também reconhecer o modelo taylorista, em um primeiro momento histórico e o fordista em um segundo, como formas de organizar o trabalho que busquem eficiência, predominantemente, no nível operacional e de supervisão.
O modelo taylorista de gestão da produção firmou-se no início do século XX e, conforme Taylor (1985), partia dos seguintes princípios: aplicar a análise científica ao trabalho; analisar cada detalhe da operação e planejá-la, encontrando a melhor maneira de
realizá-la; selecionar o homem adequado à tarefa, treiná-lo e controlá-lo na realização da referida tarefa.
Braverman (1977) estabelece considerações críticas a estes princípios, dizendo que, com a aplicação deles na indústria, o administrador reúne todo o conhecimento que antes pertencia ao trabalhador e o reduz a um conjunto de regras, de leis, e de fórmulas que explicam o “como fazer”. O planejamento de todas as atividades fica sob o comando do administrador que, simultaneamente, planeja-as e controla-as para que sejam realizadas no tempo programado, utilizando-se os meios necessários. Ao planejá-las, procura adequar os meios ao fim necessário; o seu objetivo é a busca da eficiência. A noção de racionalidade subjacente é a racional funcional.
Para Wood (1992), a organização do trabalho na forma taylorista indica o ajuste das pessoas e das funções ao método de trabalho ou ao projeto organizacional. Suas conseqüências podem ser o comportamento acéfalo, a falta de visão crítica, a apatia, a passividade, o baixo envolvimento e responsabilidade; em síntese, uma organização que resiste à possibilidade de mudanças. Mas o autor ressalta que este modelo, quando foi aplicado a indústria automobilística, não apresentou sinais de eficiência máxima. Em verdade, a plenitude da noção meios-fim proposta no taylorismo somente será efetivada com a inserção dos princípios fordistas na indústria automobilística.
Moraes Neto (1991) sintetiza as idéias fordistas dizendo que elas foram a “socialização da proposta de Taylor”, isto porque, no modelo fordista, a administração da forma de execução das tarefas dá-se a partir dos princípios tayloristas, mas complementadas com a inserção da esteira no processo produtivo, ou seja, o administrador fixa o trabalhador em um determinado posto de trabalho, colocando à sua disposição ferramentas especializadas para executar aquela tarefa e, por intermédio da esteira, o objeto a ser transformado em
produto vai passando em cada um destes postos de trabalho até que ele, o objeto, seja transformado no produto acabado.
Morgan (1996) reconhece, na perspectiva epistemológica descrita acima (a gestão organizacional burocrata e as formas de organizar o trabalho taylorista e fordista), a visão das organizações como máquinas. Para o autor, essa abordagem funciona bem quando algumas condições são dadas, ou seja, quando: a tarefa a ser realizada é contínua; o produto é sempre o mesmo; a precisão é o objetivo; os membros da organização são submissos e comportam-se como fora planejado; e, finalmente, em um ambiente organizacional estável.
Os modelos descritos acima tinham por base a divisão do trabalho, a especialização do trabalhador, a separação entre a execução das atividades e o planejamento, a hierarquia rígida e a busca por eficiência; eram apropriados a ambientes organizacionais em que a possibilidade de mudança é restrita. Neste sentido, marcaram a expansão industrial americana e européia, quando a produção em massa caracterizava as prerrogativas de consumo do mercado. A noção de racionalidade subjacente a ele é a funcional, ou seja, a razão está associada à lógica dos números e do cálculo na gestão econômica e representa a adequação de meios ao fim.
Todavia, se estes modelos garantiam ao enclave econômico a maximização dos resultados e um incremento de produção, este aumento somente seria consumido e traduzido em lucro se ocorresse, ao mesmo tempo, um acréscimo no nível de renda dos consumidores. Na opinião de Heloani (1994), foi o aumento das despesas sociais do Estado que permitiu irrigar o conjunto da economia e recuperar o consumo nos anos 30.
Dentre as ações relacionadas à política do “Estado-Previdência”, que alargaram e garantiram o consumo por vários aspectos, podem ser citados o seguro-desemprego, a assistência médica, a garantia de educação e as melhorias urbanas (HELOANI, 1994).
Assim, de um lado, os modelos mecanicistas garantem o incremento da produção, e de outro, o “Estado-Previdência” assume que este aumento seja consumido. Esta estratégia de atuação permanecerá no espaço econômico e na gestão pública até meados dos anos 70, quando, então, começam a surgir sinais de estagnação em relação aos modelos de gestão mecanicista e à produção em massa, ao “Estado-Previdência” e aos seus desdobramentos como o déficit público e uma elevada carga tributária. A condição de estado estável (SCHON, 1973), ou seja, a capacidade de prospectar ações com certeza e estabilidade parece já não estar presente no ambiente das organizações.
É também possível reconhecer que, até este momento, a epistemologia que orienta a prática da gestão na organização está ancorada à perspectiva da burocracia e, portanto, privilegia o saber técnico, a objetividade, o utilitarismo, a razão instrumental, o mercado como único enclave para a existência humana associada, e aos seus desdobramentos como o consumidor, o cliente, o objetivo e a estratégia.
A partir deste período, vivem-se momentos de incerteza, de instabilidade e de imprevisibilidade. A possibilidade de estagnação da sociedade Industrial e a emergência de outra sociedade parecem apresentar sinais cada vez mais evidentes, portanto, a noção de racionalidade subjacente à sociedade Industrial também torna-se questionada e outras noções de racionalidade retornam à cena. No conceito de Kuhn (1975), pode estar havendo uma mudança de paradigma, ou seja, novos valores e pressupostos vêm-se cristalizando na ação social. Para este trabalho, interessa verificar se há impacto dessas mudanças na epistemologia de gestão das organizações.