Chapitre 3 – La méthodologie générale
3.3 Les différents temps de la recherche
3.3.4 La phase d’appuis scientifiques
Esse episódio nos mostra como determinado aluno, mesmo que não se habilite a tomar o turno de fala, é colocado como centro da dinâmica discursiva da aula. O episódio acima, em que a professora solicita a resposta da aluna à sua pergunta, torna- se representativo de inúmeras situações semelhantes observadas na pesquisa.
A aluna só é chamada a participar da aula quando o professor imagina que a aluna não está concentrada na atividade da forma esperada e alega que ela não estava participando. A fala, turno 29, claro que não sabe, você não estava participando representa um atestado que o professor já esperava aquela resposta do aluno. O modo como o professor dá a voz ou chama o aluno a participar oralmente em sala de aula pode definir a participação e o papel do aluno naquele contexto interativo. O professor acaba ocupando um lugar do qual se pode controlar quem pode ou não responder e quem sabe ou não o que é pedido.
O professor, ao estabelecer seus objetivos didáticos, planeja, conscientemente ou não, o percurso de aprendizagem que pretende que seu aluno percorra. Desta maneira, se configura um enquadramento interacional que o faz ignorar as respostas e colocações que não correspondem ao que almejam como corretas. O risco em que se incorre, tratando no campo da EJA, é da não valorização das contribuições que os alunos poderiam à exposição do professor. Além, os alunos, devido à experiência de vida que têm, fornecem a todo tempo pistas significativas a respeito do seu momento
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de aprendizagem, suas dúvidas e, principalmente, seu modo de compreender o que ocorre em aula. Como afirma Garcez (2006, p. 70)31:
assim, corre-se o risco de que as contribuições legítimas, interessantes, novas, informativas, surpreendentes, enfim, corretas, na fala do produtor da resposta à pergunta de informação conhecida, tipicamente o aluno, não sejam ouvidas se não forem mapeáveis ao leque de expectativas de quem fez a pergunta de informação conhecida (isto é, tipicamente, o professor). Do ponto de vista do aluno – o aprendiz por excelência e por definição no encontro em sala de aula –, no entanto, esse não-reconhecimento da legitimidade e correção, mesmo que parciais, da sua contribuição pode muito bem servir como elemento para que se entenda a fala-em-interação de sala de aula como um jogo de “fazer o que o professor quer”, ou, quando se quer resistir ao professor e sua pauta, de não fazer o que o professor quer, a despeito de quais sejam os propósitos
educacionais professados.
As possíveis implicações que a não adequação às expectativas e à imagem de bom aluno acarretam na aprendizagem em turmas de EJA podem ser percebidas no
silenciamento dos alunos. Ao efetivarem a participação em aula Em conversas informais
com os sujeitos da pesquisa era recorrente ouvir relatos sobre a constante sensação de não pertencimento; sentiam-se estrangeiros em sala de aula. Considerando que os alunos pesquisados, em sua maioria, são marcados por um histórico de evasão escolar, a volta aos estudos representa mais do que apenas a conquista do diploma. Significa a vontade e a realização de se inserir de outra maneira no mundo social, particular e do trabalho. A análise das sequências interacionais nos fornece indícios dos mecanismos de exclusão social que se processa através dos mínimos gestos, atitudes e palavras.
4.1.4- Falas dos alunos que conferiam a exposição didática do professor
A exposição didática da professora pesquisada acontecia sempre como momento inicial da aula. Como já dito, a abertura e o desenvolvimento da aula acontecem predominantemente através da exposição da professora. A dinâmica discursiva mais comum se dá através do silêncio dos alunos e da fala da professora.
Durante as exposições didáticas da professora, as interações que poderiam se configurar como dialógicas, por incluírem as falas dos alunos, apresentavam uma estrutura estável. Os alunos têm lugar para falar na exposição da professora quando
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GARCEZ, Pedro M. A organização da fala-em-interação na sala de aula: controle social, reprodução de conhecimento, construção conjunta de conhecimento. Calidoscópio. Vol. 4, n. 1 , p. 66-80, jan/abr 2006.
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apresentam contribuições didáticas de reforço ao que está sendo dito.
Percebeu-se que todo acerto por parte dos alunos é repetido pela professora como se fosse uma forma de formalizar e sistematizar o que é certo segundo seus objetivos. A palavra do professor é presumidamente sempre a correta, então mesmo que a contribuição do aluno seja significativa, ela só se torna assim, de fato, quando o professor concorda e repete a informação do aluno. Na interação, aquela informação passa assim a ser legítima.
Sequência Interacional Pista de Contextualização
90-P: Não sei se já comentei aqui com vocês, mas se já comentei lembrem, senão fiquem sabendo/
91-P: Toda palavra da nossa língua que termina em "ancia" ou "encia" tem acento circunflexo/
92-P: Qualquer uma, "ancia" ou "encia" tem acento circunflexo que é o caso de consciência/
93-P: Então nós falamos que consciência é (...) /
94-P: aqui o acento(...) /
95-P: que é outra coisa que vocês estão engolindo também /
96-P: Vocês já pensaram a salada que vai ficar dentro do estomago de vocês (...) /
97-P: acento agudo, com r final do verbo (...)/
98- P: Consciência é substantivo(...)/
99- P: o que eu pedi pra colocar depois do substantivo (?) /
100- A-Mirani: o ponto e vírgula/
101- P: Isso, ponto e vírgula/
102-P: então na leitura ponto e vírgula é forte (...)
Atividade didática de correção do exercício relativo à tonicidade das palavras.
A professora comenta oralmente os exercícios com os alunos enquanto vai ao quadro para anotar as respostas corretas das questões.
As perguntas da professora são direcionadas a todos os alunos, mas observa-se que somente determinados alunos se prontificam a responder.
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103-P: igual ao ponto né/
104- P: Então consciência é substantivo. Conscientizar é (...) /
105-P: depois do ponto e vírgula é letra maiúscula (?) /
106- As: ((não))
107-A-Aparecido: É claro, uai. É maiúscula/
108-A: Antonio: eu ponho minúscula
109- P: ponto e vírgula fecha (?)
110- As: ((é continuação))
111- P: É continuação (...)
112- P: continuação na mesma linha inclusive/
113- P: mas o ponto e vírgula fecha o período (?) /
114- A-Mirani: Não!