empregabilidade
Inês Araújo
Instituto Politécnico de Leiria
resumo
Iniciado em setembro de 2014 o projecto Erasmus+ denominado CommonS pretende desenvolver uma ferramenta que possibilite melhorar as competências de empregabilidade, preenchendo as- sim a distância por vezes sentida entre a formação académica e as necessidades dos recrutadores. As soft skills são reportadas como estando em falta pela maioria dos candidatos e como sendo o que os recrutadores têm em maior consideração na hora de recrutar. Estas são capacidades que se enquadram na área do desenvolvimento pessoal e podem ser considerados como elementos de Inteligência Emocional. São por isso difíceis de medir pelo seu elevado grau de subjectividade. No entanto podem ser ensinadas ou treinadas.
A CommonSpaces é uma plataforma que permite a criação de Comunidades de partilha online (CoP), onde é possível catalogar Recursos Educacionais Abertos (REA) e organizá-los de forma a constituir percursos de aprendizagem. São espaços onde se pretende potenciar a aprendizagem informal. Uma das ferramentas que está em fase de implementação vai possibilitar o e-mentorado, permitindo que profissionais possam orientar recém-graduados na melhoria das suas competên- cias de empregabilidade.
Este artigo pretende dar a conhecer esta ferramenta, bem como, o trabalho futuro com vista a analisar as potencialidades da mesma.
Palavras-chave: CommonSpaces, Comunidades de Partilha, Recursos Educacionais Abertos, Percursos de aprendizagem, Competências de empregabilidade.
AbstrAct
Started in September 2014, the project Erasmus+ Commons intends to develop a tool that improves employability skills, thus filling the gap sometimes felt between academic training and the needs of recruiters.
The soft skills are reported as missing by most candidates and as what recruiters have in greater consideration when recruiting. These are capabilities that fall under the area of personal develop- ment and can be considered as elements of Emotional Intelligence. They are, therefore, difficult to measure due to its high degree of subjectivity. However they can be taught or trained.
The CommonSpaces is a platform that allows the creation of online communities of pratice, where is possible to catalogue Open Educational Resources and organize these in order to provide learn- ing paths. They are spaces where we expect to enhance informal learning. One of the tools that is still being implemented is the ability to e-mentoring, allowing professionals to guide fresh gradu- ates in improving their employability skills.
This article aims to present this tool as well, the future work that will analyse the potential of the CommonSpaces plataform.
Keywords: CommonSpaces, Communities of pratice, Open Educational Resources, Learning paths, employability skills.
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introdução
“is in (…) communities of practice that people learn the intricacies of their job, explore the meaning of their work, construct an image of the organization, and develop a sense of professional self. Such communities address not only the technical acquisi- tion of skills required by a specific practice, but also the informal and social aspects of creating and sharing knowledge.” (Gray, 2004, p. 23)
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Todos pertencemos a comunidades que se reúnem formal ou informalmente, de forma voluntária ou devido a situações impostas. Aprender em comunidade é uma característica natural para o ser humano e permite-lhe desenvolver as suas capacidades.
Com as novas potencialidades da modalidade online, muitas comunidades se formam de modo es- pontâneo, tendo sempre em comum determinado interesse por um assunto. Estes espaços virtuais proporcionam uma aprendizagem informal que pode desenvolver tanto competências técnicas espe- cíficas como de desenvolvimento pessoal.
Tendo por base esta realidade surge o projecto CommonS (Common Spaces for collaborative lear- ning) que apresenta como principal objetivo o desenvolvimento de uma plataforma que permita a formação de Comunidades de Prática (CoP), onde possam ser partilhados Recursos Educacionais Abertos (REA) para orientar a aprendizagem, mas também proporcionar espaços de e-mentorado. A temática sobre a qual se pretende que todas estas comunidades se debrucem é o desenvolvimento de competências de empregabilidade. Uma das principais preocupações que os estabelecimentos de ensino superior possuem relativamente aos seus recém-graduados.
Desta forma, o presente artigo debruça-se sobre os conceitos teóricos em questão, mas terá como principal objectivo apresentar a plataforma CommonSpaces que neste momento já se encontram em fase de testes.
comunidAdes de práticA e reA
Para Wenger (1998) as comunidades de prática são grupos de pessoas que partilham as mesmas preo- cupações ou paixões por determinado assunto auxiliando-se mutuamente na partilha de conhecimen- to. Estas surgem de forma informal através de plataformas específicas ou mesmo dentro das redes so- ciais (Brandon e Hollingshead, 2007). Segundo Gray (2004), estas são sistemas auto-organizados de aprendizagem informal que diferem de outras comunidades devido a três características principais:
1. Adesão à comunidade implica algum nível de conhecimento dentro do tema de interesse.
2. A comunidade desenvolve-se pela interação e aprendizagem em comum através de atividades conjuntas, discussões, ajuda mútua e partilha de informação. 3. Um conhecimento comum é construído num repositório que reúne experiências,
histórias, exemplos de boas práticas, e sugestões de resolução de problemas, es- tando disponível a todos os membros.
Com o atual acesso a informação através da web é possível a partilha de Recursos Educacionais Aber- tos (REA). Estes correspondem a recursos educacionais disponibilizados de forma aberta através da internet para que possam ser utilizados por educadores e estudantes (Kanwar e Uvalic-Trumbic, 2015). Podem também ser organizados em Percursos de Aprendizagem, possibilitando assim que qualquer interessado possa consultar uma sequência pré-definida de REA e assim aprender determinado conte- údo específico. A disponibilização de espaços virtuais onde estas comunidades se possam desenvolver através da partilha de REA e percursos de aprendizagem poderá potenciar a aprendizagem informal. Reconhece-se que existe um skills gap (Jackson, 2013) entre os recém-graduados e as características que as empresas procuram nos novos trabalhadores e que incide principalmente sobre soft skills (Deepa e Seth, 2013; Jain e Anjuman, 2013; Robles, 2012). Estas correspondem a características associadas ao desenvolvimento pessoal e são também consideradas como elementos de Inteligência Emocional (Deepa e Seth, 2013). Incluem, por exemplo, habilidades como a capacidade de comuni- car, o pensamento crítico, o trabalho de equipa e a criatividade (Moore e Morton, 2015).
É baseado nestes pressupostos que se encontra em desenvolvimento a plataforma CommonSpaces onde se pretende colmatar a necessidade de soft skills e outras competências que promovam a em- pregabilidade através da criação de CoP online sob temas específicos, às quais poderão ser acrescen- tadas funcionalidades de e-mentorado.
projeto commons
Contextualização
É no âmbito do projecto CommonS (Common Spaces for collaborative learning), cofinanciado pelo programa Erasmus+ da União Europeia, na tipologia Parcerias Estratégicas, que se encontra em desenvolvimento plataforma online CommonSpaces.
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Estão envolvidos vários parceiros neste projecto, nomeadamente a Universidade de Roma Sapienza (Itália), o Instituto Politécnico de Leiria (Portugal), Brightside Trust (Reino Unido), Link srl (Itália), AlfaBeta srl (Itália) e Médias – Technologies – Conseil / MTC sprl (França). O objetivo principal do projeto é proporcionar espaços comuns de aprendizagem colaborativa que promovam competências de empregabilidade, proporcionando assim uma capacitação dos envolvidos melhorando as oportu- nidades de emprego destes. (Pereira, Cadima, e Menino, 2015)
No desenvolvimento desta plataforma foram tidos em conta os resultados obtidos num questionário realizado no início de 2015 e que apontam para o facto de que é reconhecido pelos respondentes que existe uma clara diferença entre a formação que receberam e as necessidades reais que encontraram no local de trabalho. Sendo principalmente as soft skills que são indicadas como estando em falta. In- dica também que a preferência por modalidades de aprendizagem recai pela presencial seguida pela modalidade de b-learning, sendo a modalidade de e-learning que apresenta menor interesse, no en- tanto todas apresentam uma média positiva entre 3,14 a 4,01 numa escala de 1 a 5. (Commons, 2015) Significa isto que os possíveis destinatários do projeto, nomeadamente estudantes na fase final da sua formação, jovens à procura do 1º emprego, desempregados e ativos em busca de novo emprego reconhecem que existe a necessidade de melhorar as suas competências de empregabilidade e estão predispostos a integrar formação a distância, apesar de não ser a modalidade preferencial. É nesta base que foi desenvolvida a plataforma CommonSpaces que passamos a descrever.
Plataforma CommonSpaces
Disponível através do link http://commons.commonspaces.eu/, a plataforma CommonSpaces (figu- ra 1) encontra-se em fase testes sendo possível, desde já, a adesão de interessados como membros das comunidades e projetos disponíveis.
figura 1 Página inicial da plataforma CommonSpaces
A plataforma funciona como um espaço onde comunidades se podem alojar e desenvolver através da criação de projetos e subprojetos. Estas comunidades são constituídas por membros que têm carac- terísticas ou interesses em comum, cujos critérios dependem das definições criadas pelos adminis- tradores da comunidade aquando da sua criação (figura 2). Dentro desta comunidade podem surgir projetos sobre temas específicos que podem envolver a totalidade ou apenas parte dos membros, sendo que estes ainda se podem dividir em subprojetos (figura 3).
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figura 2 Página da Comunidade IPL.
figura 3 Página do projeto “Descobrir CommonSpaces”
Existem três tipos de projetos disponíveis:
• Projeto de e-mentorado – permite a criação de um espaço de e-mentorado onde um mem- bro pode orientar a aprendizagem de outros membros com menos experiência sobre deter- minado tema (em desenvolvimento).
• Catalogação de REA – permite a catalogação de recursos sobre o tema a que o projecto cor- responde, tendo em conta vários critérios previamente definidos.
• Criação de percursos de aprendizagem – organização de um conjunto de REA catalogados de forma a proporcionar aprendizagem dentro da temática do projeto em causa.
Cada projeto pode ter até três supervisores, escolhidos pelos administradores da comunidade aquando da criação do projeto, ficando como primeiro supervisor o administrador que cria o projec- to na plataforma. Estes são responsáveis pela edição da página inicial do projecto sobre a temática, aprovação de novos membros, aprovação de propostas catalogação de REA e/ou percursos de apren- dizagem, moderação dos fóruns de discussão. Para além disto devem promover a interação entre os membros, incentivando a partilha e a participação ou gerando temas de discussão.
Aos restantes membros do projeto é solicitado que apresentem propostas de catalogação de REA so- bre a temática e/ou que os organizem em percursos de aprendizagem dentro da experiência pessoal que pretendam partilhar, participem em fóruns de discussão e em videoconferências calendarizadas. Significa isto que os conteúdos não são da total responsabilidade dos supervisores, no entanto estes podem ser os maiores contribuidores.
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Todos os membros possuem acesso aos REA catalogados na plataforma, no entanto, para interagir e contribuir para a comunidade é necessário que adiram ao projeto/comunidade. Também qualquer membro da plataforma pode solicitar adesão a um projeto ou subprojeto que não pertença à sua comunidade. Esta opção permite que cada participante selecione os assuntos do seu interesse, cons- truindo o seu espaço e o seu percurso de aprendizagem.
A catalogação dos REAs permite registar informação específica sobre estes o que facilita a realização de pesquisas selecionando vários parâmetros (figura 4). Esta é uma dimensão ainda a melhorar, dado que a tarefa ainda é algo morosa, podendo desmotivar alguns membros, nesta fase inicial em que é necessário enriquecer a plataforma com REA para consulta. Os parâmetros selecionados facili- tam também a escolha de REA, que podem vir a integrar os Percursos de Aprendizagem.
figura 4 Página do OER catalogado.
Na criação de Percursos de Aprendizagem é necessário escolher REA que se adequam ao tema es- pecífico em causa. Os recursos educacionais abertos devem ser organizados numa sequência lógica permitindo, a quem os consultar, construir conhecimento. Neste sentido, foi desenvolvida uma fer- ramenta de visualização dos REA (figura 5), possibilitando a sua integração na própria plataforma sem que o utilizador necessite de sair da CommonSpaces.
figura 5 Página de visualização de OER organizados num Percurso de Aprendizagem.
Os projetos de e-mentorado estão ainda em fase de desenvolvimento. Será um espaço onde se irão disponibilizar ferramentas de comunicação síncrona, fóruns de discussão, partilha de documentos e controlo de tarefas. Pretende-se que membros com mais experiência se voluntariem para orientar membros com menor experiência. Após se voluntariarem receberão informação específica sobre o que a função exige e orientações para melhor organizar o trabalho a realizar. Será possível realizar
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projetos de e-mentorado envolvendo um mentor e um aprendiz ou em grupos até quatro aprendizes. Contudo, pretende-se que esta atividade decorra no contexto de um para um. Esta funcionalidade irá permitir que os membros da comunidade possam aceder a ajuda específica, recorrendo a pessoas com experiência numa determinada área e que estejam disponíveis para a partilhar e a orientar o percurso de aprendizagem. Por isso se está a apostar na integração de ferramentas de comunicação. Para além do desenvolvimento de funcionalidades que permitam o e-mentorado, o projeto está na fase de testes e de catalogação de REA para assim disponibilizar conteúdo aos novos membros que estão a aderir à plataforma.
Trabalho Futuro
Com vista a avaliar e a melhorar a plataforma, estão já disponíveis alguns projetos afetos às várias comunidades criadas na plataforma, nomeadamente italiana, inglesa e portuguesa. Os diferentes parceiros estão a funcionar como grupos piloto permitindo testar e compreender o funcionamento da plataforma. Foram já revistas algumas funcionalidades e acrescentadas outras que não estavam contempladas nas especificações iniciais.
Estão previstos testes à usabilidade da plataforma com estudantes do Instituto Politécnico de Leiria e, posteriormente, serão alargados a todas as pessoas que se manifestarem interessadas em partici- par, convidando-as a aderirem ao CommonSpaces. O crescimento da comunidade permitirá poten- ciar e enriquecer as interações entre membros e ainda, avaliar o impacto que esta nova ferramenta terá no desenvolvimento de competências de empregabilidade.
Está prevista a aplicação de questionários a todos os membros que integrem projetos desenhados para esta análise, permitindo aferir se as expectativas destes membros foram alcançadas, nomeada- mente quanto à aquisição e construção de novos conhecimentos e ainda se o recurso à plataforma
CommonSpaces teve impacto na melhoria das suas competências de empregabilidade. Será também
avaliada a rede de interações entre os membros e a utilização que estes fazem das várias funcionali- dades disponíveis na plataforma.
concLusões
As novas ferramentas de interação online vieram potenciar a aprendizagem em comunidade. A plata- forma CommonSpaces pretende ser um espaço que potencia a formação de comunidades de prática (CoP) sobre temáticas relacionadas com a melhoria da empregabilidade e das soft skills.
Esta plataforma possui uma estrutura interna que permite a existência de uma comunidade global ou comunidade CommonSpaces e pequenos grupos que se juntam em comunidades com interesses semelhantes e ou projetos associados aos interesses de aprendizagem de cada comunidade. Para isso recorre-se à catalogação e armazenamento de REA que servirão posteriormente para a criação de Percursos de Aprendizagem que irão guiar os membros da comunidade que buscam conhecimento específico. Pretende-se envolver membros com diferentes experiências para potenciar a transferên- cia efetiva de conhecimento entre estes.
Existem também disponíveis ferramentas de comunicação assíncrona como os fóruns de discussão e troca de mensagens e ferramentas de comunicação síncrona como chatroom ou videoconferência. Aos membros da comunidade CommonSpaces podem ser atribuídas funções de administrador de comunidade, supervisor de projeto e membro, possibilitando a autonomia das várias comunidades e projetos. A cada função correspondem tarefas e acesso diferentes na plataforma, que permitirão fo- mentar a interação entre participantes e organizar toda a actividade. É de salientar que todos os con- teúdos estão disponíveis para visualização, mas para interagir, é necessário ser, no mínimo, membro da comunidade.
Está ainda em fase de desenvolvimento a funcionalidade de e-mentorado que permitirá o suporte in- dividualizado à aprendizagem, dinamizado entre quem tem mais experiência e conhecimentos numa determinada temática, e quem deles possa vir a beneficiar.
A plataforma CommonSpaces já se encontra disponível online (http://commons.commonspaces. eu/) e qualquer pessoa interessada num determinado assunto relacionado com a formação de com- petências de empregabilidade pode solicitar a sua adesão. Posteriormente serão implementados no- vos projetos controlados, contribuindo para o enriquecimento geral do projeto.
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