• Aucun résultat trouvé

par Pierre Duranton

Dans le document SUPERELEK c'est (Page 52-55)

A análise documental, de acordo com Ludke e André (1986), constitui uma técnica de abordagem de dados qualitativos, apresenta informações contextualizadas, pode complementar as informações obtidas por outras técnicas. Além de apontar aspectos novos acerca do objeto pesquisado possibilitando a construção de novos dados em um determinado contexto.

Para a análise documental, elegemos documentos oficiais elaborados pelo Ministério de Educação, a Proposta Pedagógica da instituição, ambos voltados para o trabalho pedagógico do ensino de ciências e formação docente, além de registros individuais e coletivos, ou seja, a documentação pedagógica elaborada pelas professoras/educadoras, como, por exemplo: relatórios da prática docente, cadernos pedagógicos dos Temas de Pesquisa trabalhados e dossiês, caderno de planejamento; nos quais as professoras/educadoras registram os seus fazeres e saberes da prática pedagógica.

Ao sugerir o registro escrito da reflexão proposta no processo da pesquisa, tínhamos a convicção de que a função do registro era a comunicação da reflexão, para dar concretude às ideias, opiniões, revisões de pensamentos dos docentes. Uma vez que, “mediados por nossos registros, armazenamos informações da realidade, do objeto em estudo, para poder refleti-lo, pensá-lo e assim apreendê-lo, transformá-lo, construindo o conhecimento antes ignorado” (WEFFORT, 1996, p. 41) Além disso, a autora afirma que por meio da “mediação desses registros, tecemos o processo de apropriação de nossa história, a nível individual e coletivo” (WEFFORT, 1996, p. 41)

O fato de os professores fazerem uso do registro sistemático de sua prática permite “olhar” a trajetória de sua atuação docente. Portanto, tais registros foram considerados “instrumentos fundamentais à reflexão e à construção de autoria sobre a prática e sobre o percurso formativo” (MARQUES, 2015, p. 6) de cada professora.

Nesse sentido, os registros que a professora faz sobre o seu trabalho, além se ser uma forma de comunicação com a comunidade escolar, é também uma estratégia de autorreflexão

de suas experiências. Para Madalena Freire (1996), o registro da prática possibilita a reflexão sobre o trabalho, a abertura ao processo de formação. Uma vez que, o professor “estuda” a aula, avalia e revê as estratégias pedagógicas.

Ao apresentar a metodologia da pesquisa inicialmente, pensamos na possibilidade de fazer uso apenas de um diário reflexivo, como um dos instrumentos para a coleta de dados. No encontro inicial com as professoras essa proposta foi apresentada, porém, no decorrer da investigação observamos que algumas professoras optaram por anotar em seus cadernos de planejamento os registros de suas reflexões pessoais, descaracterizando a ideia do ‘diário de aula’, uma vez que nem todas as professoras utilizaram o caderno com o propósito do registro diário de sua participação/atuação docente.

Concebendo que a prática de registro é um processo singular/único de cada professora, decidimos considerar todos os registros escritos que as professoras fizeram no processo de formação contínua no contexto da escola. Por meios desses registros, podemos acompanhar parte do fazer pedagógico, sínteses dos encontros dos grupos de estudos e as narrativas de suas práticas pedagógicas produzidas e registradas em seus cadernos/diários.

Esses registros reflexivos configuram-se como a documentação pedagógica, que guarda, cultiva, parte de nossa memória pessoal e coletiva construída na trajetória da investigação. Nos permitem extrair elementos que alimentem os processos de reflexão e ação, quando levamos em consideração comentários avaliativos acerca do processo da pesquisa, os registros de sugestões de atividades resultantes da interação com a pesquisadora, os resultados avaliativos das próprias experiências na pesquisa, das atividades desenvolvidas.

Zabalza (2008), afirma que a escrita do diário; a exposição de ideias; explicações; interpretações de sua ação diária na aula ou fora dela, contribui com o “diálogo que o professor, por meio da leitura e reflexão, trava consigo mesmo em relação a sua atuação nas aulas" (ZABALZA, 2008, p. 45)

Nessa perspectiva, os registros da prática representam momentos profícuos de ação- reflexão-ação na atuação pedagógica dos docentes, além de semear o questionamento, a reflexão e a pesquisa acerca dos seus fazeres/saberes. “Quando escrevemos desenvolvemos nossa capacidade reflexiva sobre o que sabemos e o que ainda não dominamos” (WEFFORT, 1996, p. 6).

A proposta pedagógica apresenta um texto inicial com a reflexão de como aprender e ensinar em Ciências da Natureza, no Ensino Fundamental. O documento ressalta como sendo passíveis de aprendizagem a tríade conceitos, procedimentos e atitudes.

Conforme as orientações da proposta (NEI-CAp/UFRN, 2012), as experiências envolvendo os conhecimentos do mundo natural podem envolver aspectos relacionados ao meio ambiente, levando a criança a observar e explorar este com curiosidade, percebendo-se como ser integrante, dependente, transformador e, acima de tudo, com atitudes de conservação; compreendendo as relações entre os seres humanos e a natureza; as formas de transformação e utilização dos recursos naturais desenvolvidos pelas diferentes culturas; os seres vivos, discutindo-se sobre a interação destes no meio natural e físico; os fenômenos da natureza; as relação do homem com seu espaço físico, bem como mediar situações em que a criança explore e conheça melhor o seu próprio espaço físico; entre outros (NEI-CAp/UFRN, 2012).

Na proposta pedagógica do Ensino Fundamental, no caso de Ciências da Natureza, os conteúdos/conceitos estão organizados pelos eixos: Vida e Ambiente; Materiais, constituição e transformação; Recursos naturais, Energia e Tecnologia; Ser Humano e Saúde; Terra e Universo (Ver quadro de conteúdos em APÊNDICE D).

No levantamento36 de temas de ciências trabalhados com as turmas do ensino fundamental de 2017, vimos que os conteúdos/conceitos desenvolvidos estão em consonância com a Proposta Pedagógica do NEI/CAp. Foram contemplados conteúdo dos eixos Vida e Ambiente; Materiais, constituição e transformação; Recursos naturais, Energia e Tecnologia; Ser Humano e Saúde; Terra e Universo.

Quadro 11 - Temas de ciências das turmas do EF de 2017.

Título do documento (relatório, caderno, dossiê, portfólio da prática pedagógica)

Tema de ciências (conteúdos/conceitos) Turma Ano relatório

01

Alimentação saudável Estilos de Alimentação: saudável e não saudável.

Pirâmide alimentar e grupos alimentares Processo de produção dos alimentos Planejamento alimentar: dieta e saúde. Corpo humano: sistema digestório, excretor e circulatório.

Cuidados com a saúde e bem relacionado à alimentação.

Doenças nutricionais: diabetes, desnutrição, obesidade, hipertensão.

1ºano/ mat

2017

36 Apresentamos o levantamento geral das temáticas trabalhadas de 2010 a 2017, encontra-se no APÊNDICE, do texto.

02

Dossiê: Furacões Furacões

Diferença entre fenômenos naturais e catástrofes naturais

Relação dos furacões com outros fenômenos naturais

Origens; como se formam, causas e consequências dos furacões.

1ºano/ma t

2017

03 Dossiê 1º ano matutino- Por que o carnaval é uma data móvel?

História da construção do calendário – calendário lunar

Relação com os movimentos da Terra. Marcadores do tempo nas comunidades antigas contemporâneas (atuais).

1º Ano/ Mat.

2017

0 04

Fauna e flora potiguar Fauna nativa (animais da Mata Atlântica) Flora nativa (plantas da Mata Atlântica, cajueiro, Flor xanana)

Ecossistemas: manguezal e dunas Unidades de conservação e preservação (Parque das dunas e Parque da cidade)

2º Ano/ Vesp

2017

0 05

Dossiê 2º ano vespertino: Sistema solar

Organização Sistema Solar Planetas e estrelas Movimentos da Terra. 2º Ano/ Vesp 2017 06 Dossiê do 3º ano-vespertino (China)

Corpo humano: Genética – Células-

Síndrome de Down - Fenótipos e Genótipos - Alimentação e Saúde

3º Ano/ Mat.

2017

07 Dossiê do 3º ano-vespertino (Internet)3º Ano/ Mat.

Energia: tipos de energia - Fontes de energia renováveis e não renováveis

3º ano- vespertin

o

2017

08 Ainal, que grupo é esse? Um diálogo acerca das vivências do 4º ano do Ensino Fundamental do NEI-CAp/UFRN: “os caminhos percorridos em nossos estudos sobre a Água”.

Água o surgimento do planeta Terra, a origem da água e dos seres vivos, a formação dos continentes e oceanos, a distribuição da água no planeta, os estados físicos, composição e propriedades da água. As transformações dos estados físicos da água.

4º Ano/ Mat. 2017 09 Dossiê do 4º ano- vespertino: tema de pesquisa Fenômenos da Natureza.

Eixos: Aspectos científicos e tecnológicos: - Elementos que compõem os diferentes ambientes;

- Transformações nos diferentes ambientes - Fenômenos naturais meteorológicos (terremotos, tsunamis, vulcões, furacões, tromba d’água, neve, chuva de granizo, raios, trovões, enchentes, aurora boreal, chuvas, ondas)

- Ciclo da água

4º Ano/ Vesp

- Estados físicos da água 10 O diálogo entre Tema de

Pesquisa e as ciências da natureza no estudo do “Universo”. Turma do 5º Ano – Matutino.

Planetas do Sistema Solar - Nosso lugar no universo: a Via Láctea e o Sistema Solar - A força da gravidade - Viagem em torno do sol: movimento de translação da Terra

História da evolução dos seres vivos. Teorias da explicação da origem do universo.

Contextualização histórica- pesquisadores Desenvolvimento de tecnologias

(telescópios, lunetas etc.).

5º Ano/ Mat.

2017

Fonte: Elaboração da pesquisadora para fins da pesquisa de acordo com o levantamento dos arquivos da Coordenação e das Professoras (Cadernos de planejamento e Dossiês da prática Pedagógica),2017.

Nas práticas das professoras encontramos várias estratégias usadas para a sistematização do trabalho: o diálogo com as crianças e problematização dos seus saberes/conhecimentos; o trabalho em grupo, sínteses dos estudos expressas por meio da produção de um texto (panfleto, cartilha, livro, cartaz etc.), desenho, encenação, organização de uma exposição, produção de vídeo, elaboração de fichas de observação (ficha de laboratório), diário do explorador e pesquisador, seminário para outra turma, uma mostra cultural, entre outras atividades.

Nos relatórios pedagógicos, os professores iniciam o texto apresentando uma reflexão sobre quem é a criança do Ensino Fundamental, como ela se relaciona com o outro e com o mundo, suas preferências, como ela expressa o seu entendimento de mundo. Em seguida, fazem uma contextualização de como o tema de pesquisa se originou, quais os objetivos para o estudo, a organização do quadro programático, e a rede temática; as considerações finais e referências. Ilustram as estratégias e experiências propostas com registros das crianças (textos, desenhos) e fotos. Esses aspectos são comentados com algumas reflexões acerca de sua atuação.

Em alguns momentos, as professoras trabalham com unidades do livro didático, quando eram relacionados aos conteúdos trabalhados com o tema de pesquisa. Observamos que algumas professoras consideram que o uso do livro também ajuda na “redução” de produção de atividades, além disso, pode ser usado para abordar alguns conteúdos que não foram contemplados no tema, porém, estão na proposta e elas consideram que devem ser trabalhados. Esse posicionamento, quanto aos “conteúdos mínimos” a serem trabalhados, é um assunto que sempre esteve presente nos momentos de reflexão coletiva. É um ponto que não está muito claro para as professoras.

Outro aspecto que encontramos nos relatórios, cadernos, dossiês pedagógicos, é a forma de organização do quadro programático e da rede temática. Ao questionarmos as professoras acerca dessas diversas formas de organização da rede e do quadro programático, as

professoras justificam, afirmando que elas buscam organizar de modo que lhes ajudem na sua compreensão do tema e na sua atuação. Porém, observamos que mesmos com essas distintas formas de organização, todas partem das ideias iniciais das crianças. E que buscam, em suas experiências no contexto da escola, dar continuidade ao tema de pesquisa. Destacamos que os conteúdos de ciências foram contemplados em todos os temas trabalhados durante o período da pesquisa, e, também foram apontados nos relatórios dos anos anteriores.

Dans le document SUPERELEK c'est (Page 52-55)

Documents relatifs