• Aucun résultat trouvé

As transformações televisivas, além de serem influenciadas pela opinião pública, como mostraremos no próximo capítulo, também são consequência das próprias exigências do mercado. A busca pela excelência em relação à concorrência faz com que a televisão se adapte, com a sua programação, à tecnologia e à interatividade. Um exemplo forte sobre o fato de a tecnologia influenciar nestas mudanças como forma positiva é a 4 K. A novidade pode ser percebida com mais facilidade no Fantástico, programa semanal da Rede Globo, que une jornalismo e entretenimento ao mesmo tempo. Com a interação dos apresentadores com recursos gráficos, a definição do 4 K leva até a casa do telespectador uma imagem quatro vezes mais definida que o FULL HD.

Imagem 1 / Fonte: frame/TV Globo

Programas gravados fora do estúdio, nas ruas, também é uma alternativa que faz parte da interatividade com o público que o telejornalismo apresenta. Mais próximo do telespectador, o profissional consegue sentir o que o receptor quer e, dessa forma, levar para a televisão. Sem contar que a comunidade tem a oportunidade de ficar cara a cara com aquele que está acostumado a observar apenas pela tela do televisor. O Jornal do Almoço da RBS TV Santa Rosa é apresentado seguidamente fora do estúdio da emissora. A imagem que trouxemos abaixo mostra o telejornal sendo feito ao vivo da casa de vidro da RBS durante a Fenasoja, feira que acontece na cidade a cada dois anos. No espaço, a comunidade pode ver, de perto, a equipe de jornalismo, dar sugestões de pauta, acompanhar a rotina da produção de notícias e também servir como fonte, como personagem das histórias.

Imagem 2 / Fonte: Gelson Waier/RBS TV

O jornalismo informal tem ganhado espaço cada vez mais. Com isso, a proximidade com o telespectador tem se fortificado nos últimos dez anos. Dois casos chamaram a atenção do público em 2014 em rede nacional. O Jornal Nacional, tradicional por sua seriedade, surpreendeu o público ao chamar a novela Império, após o telejornal, como se fosse uma nova notícia. A forma descontraída apresentada pelo âncora ganhou espaço nas redes sociais e também nos demais veículos de comunicação.

Outro caso que fugiu um pouco da formalidade, e que querendo ou não deu espaço para que o público se sentisse mais à vontade em frente a televisão, foi a chamada “bufada” de Patrícia Poeta durante a cobertura da Copa do Mundo 2014. Classificada por alguns veículos como gafe, Willian Bonner fez, do ocorrido, um aliado. Ele comentou o caso com a própria jornalista na edição seguinte a que aconteceu o fato. Mais uma vez, dando espaço para a informalidade, o fato caiu na boca do povo, fazendo com que se sentisse mais íntimo dos apresentadores.

Imagem 3 / Fonte: Print Screen site Yahoo

Imagem 4 / Fonte: Print Screen site UOL

Além da importância apresentada pela interatividade no telejornalismo, está a informação. Os fatos de um acontecimento devem ser repassados ao público por meio da notícia precisa. O papel do profissional é revelar a realidade de um caso com a maior

magnitude possível. Dessa forma, o telejornal conseguirá manter seu telespectador sempre bem informado sobre o que ocorre no seu bairro, na sua cidade, na comunidade ao seu redor.

Por meio das circunstâncias apresentadas pelo novo formato de telejornalismo, percebemos como é fundamental a participação da comunidade com opiniões próprias e diferentes, independentemente se o telejornal for estadual ou regional como é o caso do Jornal do Almoço. De acordo com Bordenave, autor citado por Amorim no artigo “(Tele)jornalismo participativo: novos olhares sobre a notícia de TV”, existem duas formas de participação no telejornalismo. Uma delas é classificada como institucionalizada. Nela o público se manifesta por meio de provocação e também de forma voluntária. Um exemplo claro para isso é em um acidente de carro, onde as vítimas não têm a intenção de participar do telejornal, porém elas estão presentes devido ao acidente. Querendo ou não, fazem parte da notícia. Já na outra, exposta como factual, o telespectador manifesta sua participação através de maneira concedida e também espontânea. Em uma linguagem um pouco mais clara e objetiva, como o próprio telejornalismo exige atualmente, podemos dizer que o público fornece um material, um vídeo por exemplo, para complementar o fato dado pelo meio de comunicação. Ele acaba colaborando, de forma voluntária, para a produção. Assim, a institucionalizada pode ser chamada de participação passiva e a factual de ativa. Na considerada passiva ele atende apenas involuntariamente, por necessidade, sem o interesse de participar, e na ativa, ele é convidado a fazer parte de uma produção noticiosa, ao conceder a determinada emissora material que auxilia na credibilidade da informação.

De consumidor passivo que era, ele pode se tornar ativo, na medida em queos meios dessa atividade estarão ao alcance de sua mão. [...] Daqui a dez anos vai parecer completamente absurdo ter um aparelho de TV em casa pelo qual você não pode transmitir nada, apenas receber (SILVA, 2000, p. 5).

Com mais espaço para a fala, para a voz do povo, de seus problemas, os telejornais estão vivendo um momento de transformação, de mudança. O público, além de servir como personagem às matérias, dando mais credibilidade para a produção, agora também é convidado a interagir com o telejornal por meio de denúncias, opinião, sugestões de pautas. Assim, com estas evidências necessárias para o novo formato, a qualidade da informação não é o suficiente para prender a atenção do público e garantir um bom nível de audiência. O espaço dado ao telespectador se tornou importante para se ter bons resultados. A questão decisiva na audiência dos telejornais tem estado lado a lado com a forma com que os jornalistas têm lidado tanto na produção como na apresentação da notícia.

Outra forma que tem dado destaque ao jornalismo, porém em uma linguagem um tanto quanto mais extrovertida, é o humor. Enquanto o jornalismo busca o equilíbrio e a precisão, o humor ressalta o improviso. O jornalista Marcelo Taz, em um texto publicado na “Revista de Jornalismo ESPM”, com o título “Humornalismo: fazer rir não é uma obrigação. É apenas um virtude, uma qualidade possível, como a beleza”, considera o jornalista como um buscador do bom senso, enquanto o humorista do nonsense. Segundo Taz, estratégias tão incongruentes resultam em uma comunicação eficaz, capaz de chamar a atenção de um público que não é fã de jornalismo tradicional. Ele destaca isso, juntamente com a importância de dar voz ao público por meio das redes sociais, ferramentas presentes e de fundamental relevância para a interatividade nos dias de hoje, no trecho do texto onde referencia a primeira temporada do programa CQC, da Band, em 2008:

Desde a primeira temporada do CQC, em 2008, guardo com disciplina de soldado prussiano os comentários dos telespectadores via redes sociais. É importante aqui abrir um parêntese: nunca antes na história desse veículo – a TV – pudemos ouvir o que o cara de casa tem a dizer. Muita gente boa que faz TV até hoje prefere não ouvir. Eu, ao contrário, coleciono tudo o que o ‘da poltrona’ fala sobre o CQC, sobre mim ou minhas atividades profissionais. Fecho o parêntese (TAZ, 2013, p. 32).

Essa realidade, através da percepção da importância de unir novas formas ao jornalismo, dá ainda mais credibilidade às maneiras buscadas pelo telejornalismo para se obter a preferência do público. Com o auxílio das redes sociais, da internet, como já apresentado anteriormente, juntamente com o humor, neste caso destacado por Taz, fortalece os laços de aproximação que a televisão vem almejando desde o início do século XXI.

Documents relatifs