1. GENERALITES
1.2. Expression d’une vibration lumineuse monochromatique
1.2.2. Propagation d’une onde plane monochromatique dans un milieu diélectrique isotrope
1.2.2.4. Notation complexe d’une onde plane
Precedendo a diversas conceituações, Durkheim (2003, p. 15) considera suicídio como “[...] todo caso de morte que resulta direta ou indiretamente de um ato positivo ou negativo praticado pela própria vítima, ato que a vítima sabia dever produzir esse
resultado [...]”. Sem divergência, em tempo mais recente, Meleiro e Bahls (2004), compreende o suicídio como ato voluntário: o indivíduo busca por fim em sua própria vida. Corrobora Cassorla (1994), acrescentando ser o ato suicida resultado de complexa rede de fatores constituídos desde a infância, em que na interação uns com os outros, conjugam em determinado momento da vida no suicídio. Assim, destaca-se na morte por suicídio a intencionalidade como aspecto distintivo de outras formas de morte, além disso, deve ser considerada a impossibilidade de reversão do método empregado no ato suicida e por consequência sua letalidade. A intencionalidade do ato suicida é gradual, envolvendo desejo de morrer, ideação constante, comunicação sobre a intencionalidade de se matar, tentativa e o ato suicida (KOVÁCS, 2002).
Existem situações em que há intencionalidade, no entanto, a morte não ocorre. Esses casos, não compreendidos como suicídio, configuram as tentativas de suicídio (CASSORLA, 2004). Portanto, tentativas de suicídio são atos intencionais de autoagressão, podendo ser graves, inclusive necessitando de internação hospitalar, mas que não resulta em morte (BAHLS; BOTEGA, 2007). Para esses casos, a crença na letalidade do método empregado é mais relevante quanto a intencionalidade, ou do que a letalidade objetiva. Na tentativa pode haver intencionalidade e autoagressão, mas não resultará em morte, dependendo do método escolhido. Na tentativa, o risco de suicídio pode ser aumentado em razão da escolha de métodos altamente letais e irreversíveis, facilidade de acesso ao meio letal, capacidade para se colocar o plano suicida em prática, providências quanto à preparação para a morte, exclusão da chance de socorro médico, pacto suicida e plano de homicídio seguido de suicídio. Essas tentativas têm significativo impacto social e econômico, em razão da utilização do serviço de saúde, pelo efeito psicológico e social do comportamento sobre o indivíduo e seus familiares, além da incapacidade prolongada oriunda do ato suicida. Estimativas dão em conta que o número de tentativas supere o número de suicídios em pelo menos dez vezes (BOTEGA, 2014, 2015).
Quanto o ato consumado, estima que aproximadamente um milhão de pessoas tenha cometido suicídio no ano de 2000, fazendo com que essa seja uma das dez causas de morte mais frequente em diversos países. Há previsão de que em 2020
aproximadamente 1,53 milhão de pessoas no mundo morrerão por suicídio e um número 10 (dez) a 20 (vinte) vezes maior de pessoas tentará suicídio. Especificamente no Brasil a taxa de suicídio a partir de 1980 teve acréscimo de 21% até 2000 e de 29,6% até 2006. Ao se tratar do coeficiente de mortalidade por suicídio ocupamos o oitavo lugar entre os que registram maiores números de mortes por suicídio. No ano de 2012, ocorreram 11.821 suicídios oficiais, o que representa em média, 32 mortes por dia (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2014).
Nesse sentido, é necessário considerar deficiências e limitações quanto a informações acerca de óbitos por suicídio no Brasil. Essas informações são extraídas dos atestados de óbitos marcados por falhas qualitativas à medida que os médicos legistas não esclarecem a causa básica da morte, especificam apenas a natureza da lesão, o que dificulta a obtenção de dados conclusivos acerca da natureza da morte registrada (MELEIROS; BAHLS, 2004). Como resultado, há casos de suicídio que “se escondem” sob outras denominações de causa de morte, como por exemplo acidentes, envenenamentos acidentais e até mesmo sob a denominação de causa indeterminada (GOTSENS; MARÍ-DELL’OLMO; RODRÍGUEZ-SANZ; MARTOS; ESPELT; PÉREZ; BORREL, 2011). Coexiste a problemática metodológica em distinguir o suicídio de outros eventos fatais duvidosos, somado a aspectos socioculturais, como por exemplo, a negação ou a omissão da família perante comportamentos autodestrutivos (CASSORLA, 1994).
A motivação para o suicídio e ou tentativa de suicídio não é de simples determinação, suscitando diversas teorias e inquietações que vão desde a teorias biológicas assim como teorias psicológicas (BOTEGA, 2015). Para tanto, sem a pretensão de esgotar a temática, recorremos a Edwan Shneidman considerado o fundador da suicidologia, que inicialmente evidencia a impossibilidade de se formular conceito universal que abarque a todos os casos, em razão de cada suicídio ser único e idiossincrático. Entretanto elaborou condições generalizáveis aos atos suicidas, ou seja, condições comuns a grande maioria, se não todos os casos de suicídio, entre essas: comunicação da intenção, busca de solução para dor psíquica considerada insuportável, objetivo de cessar fluxo de consciência, desesperança e desamparo, sentimento de ambivalência, e busca de meio de fuga (SHNEIDMAN, 1993). Já Durkheim (2003), na consideração de o suicídio ser fato social, considera
três tipologias para o ato suicida, que muito se aproxima da motivação do sujeito para o ato. Essa tipologia compreende o suicídio egoísta, altruísta e anômico. O suicídio egoísta, ocorre quando o vínculo que liga o homem a vida se distende e se isso ocorreu é porque o vínculo desse sujeito com a sociedade também se distendeu. Neste caso, considera o autor, que se em razão de contrariedades da vida conduz o sujeito ao suicídio, é porque o estado em que se encontra a sociedade fez dele uma vítima. No suicídio altruísta, a distensão da sociedade existente no suicídio egoísta, dá espaço para uma demasiada integralidade, que conduz o sujeito a matar-se em razão do bem comum. Por último, no suicídio anômico, a sociedade está em crise, industriais ou financeiras por exemplo, e frente a perturbações que rompem o equilíbrio, há incitação que conduz a morte voluntária.
A Organização Mundial da Saúde elenca fatores e situações em que comportamentos suicidas são mais comuns, entre esses: perda de emprego, baixo nível de educação, stress social, problemas com o funcionamento da família e relações sociais, trauma (abuso físico e ou sexual, perdas pessoais), perturbações mentais (depressão, esquizofrenia, abuso de álcool ou de outras substâncias psicoativas), sentimento de desesperança e baixa autoestima, questões de orientação sexual (bissexualidade, homossexualidade), comportamento idiossincráticos, comportamentos autodestrutivos, impulsividade, pouca competência para enfrentar problemas, doença física ou crônica, exposição ao suicídio de outras pessoas, acesso a meios para conseguir pôr o plano suicida em prática e acontecimentos destrutivos e violentos (guerra, desastres catastróficos) (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2014). Considerando esses fatores de risco, Meleiro e Teng (2004), afirmam que a associação de mais de um fator de risco, aumenta a probabilidade de ocorrência de suicídio. Conduz, portanto, a afirmação de Botega (2015), de que transtornos mentais associados a tentativa de suicídio pregressa são os principais fatores de risco para o suicídio.
Quanto ao método para o ato suicida, a Organização Mundial de Saúde destaca a conclusão de algumas pesquisas, de que a prevalência do método pode ser determinada pelo ambiente, mudando rapidamente ao longo do tempo. Neste sentido, mortes por arma de fogo são comuns em países de alta renda e ingestão de pesticidas comuns em comunidades rurais, áreas urbanizadas como Hong Kong, em
que altos edifícios fazem parte do cotidiano, verifica a defenestração como comum método de suicídio (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2014). Bertolote (2012) destaca também a determinação do método em razão de sua disponibilidade. A restrição do meio pode exercer efeito positivo na prevenção do suicídio. Nesse sentido no Brasil os meios de suicídio mais utilizados são enforcamentos, seguidos por armas de fogo e envenenamento por pesticidas. Subsiste a própria casa como o cenário mais frequente (LOVISI; SANTOS; LEGAY; ABELHA; VALENCIA, 2009).
Além da compreensão dos motivos e meios pelos quais acontecem suicídios, importantes no processo de prevenção e posvenção, um primeiro entendimento as contrariedades deste ato, é o empenho primeiro de em nossa sociedade ser a busca pelo prolongamento da vida: suicidar-se representa subverter a muitas regras impostas (KOVÁCS; VAICIUNAS; ALVES, 2014; MARQUETTI, 2014). Contudo, esse significante subversivo não se encerra na morte, repercutindo na vida de familiares e daqueles que de alguma maneira estabelece contato com o fenômeno. Se no presente se impõe esta realidade, oriunda de um processo de construção de sentidos. Desse modo, os próximos delineamentos darão em conta da construção de sentidos e da forma como esses sentidos repercutem para com aqueles que